Didática contra o sensacionalismo

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Ana Cristina Duarte nos presenteou com uma didática incrível sobre o trabalho de parto.

Me sinto na obrigação de partilhar! Enquanto a mídia oferece informações enviesadas e nebulosas, ela nos entrega de bandeja informações reais e transparentes.

Você escolhe em qual prato vai comer.

1) Pródromos de trabalho de parto: fase inicial antes do trabalho de parto, que não conta como tempo de trabalho de parto. É caracterizada por contrações sem ritmo, de duração variada, com intervalos acima de 5 minutos, normalmente chegando a 10 minutos ou mais (pode durar de algumas horas até alguns dias)

2) Trabalho de parto: contrações ritmadas a cada 3/4 minutos com produção de alterações no colo do útero (começa com fase latente). Pode durar de algumas horas a 12 horas para uma gestante que está tendo seu primeiro parto normal

3) Fase Ativa do trabalho de parto (fase em que é necessária a presença de um profissional de obstetrícia e avaliação contínua do bem estar fetal): contrações ritmadas de pelo menos 1 minuto de duração, com intervalos de 3 minutos E pelo menos 5 a 6 cm de dilatação. Pode durar de algumas horas a 8 horas para uma gestante que está tendo seu primeiro parto normal.

4) Cesárea por falta de analgesia: um tipo de cesariana desnecessária.

5) Doula: profissional que acompanha sozinha a mulher durante os pródromos e/ou fase latente do trabalho de parto, e depois de iniciada a fase ativa com o restante da equipe (enfermeira obstetra ou obstetriz ou médico obstetra) até o nascimento do bebê.

6) Complicações mais presentes em trabalho de parto de baixo risco: sinais de possível sofrimento fetal (monitorar e se necessário, cesárea), parada de progressão (induzir e se preciso também fazer analgesia), desproporção céfalo pélvica (cesariana).

7) Razões mais frequentes para transferência de um parto fora do hospital para um parto hospitalar: necessidade de analgesia (peridural para parto normal), parada de progressão (precisa usar ocitocina), necessidade de avaliar bem estar fetal (cardiotocografia para ver se o bebê está bem se a ausculta intermitente não foi suficiente para avaliar). Mais raramente: sinais de possível sofrimento fetal.

8) Complicações mais presentes em cesarianas: hemorragia e choque durante a cirurgia, hemorragia e choque após a cirurgia (por atonia ou sangramento interno), infecção.

9) Parto humanizado: parto com respeito e com observância das recomendações da OMS e evidências científicas. Pode ser feito em hospital, casa ou casa de parto.

10) Parto domiciliar: parto em que o nascimento do bebê acontece no domicílio.

Criar, gerar e parir

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Sou Mulher que Gero, Crio e Dou Vida
Meu Corpo, Meu Templo, Minha conexão
Foram feito para criar, gerar e parir
Danço com a Lua, uivo com meu interior.
Sou Femea, Sou Selvagem.
Sou velha, mãe e anciã.
Sou Filha da Grande Mãe e neta da Avó Lua.
Conecto-me com a Terra, Lavo-me com as águas, purifico com o Fogo, reflito com o Ar.
Sou assim, Mulher, Menina, Loba!
Meus pés, a conexão com a Mãe Terra
Ando aonde posso firmar minhas raízes. Faço das estações os meus aprendizados.

Carol Shanti

Doula: O que ela faz?

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Existem vários textos sobre doulas, porém como doula me sinto no dever de escrever sobre a ocupação partindo do meu próprio prisma.

Um bom começo é saber o que a doula faz. Vocês sabem?

“Antes do parto ela orienta o casal sobre o que esperar do parto e pós-parto. Explica os procedimentos comuns e ajuda a mulher a se preparar, física e emocionalmente para o parto, das mais variadas formas.

Durante o parto a doula atenua a eventual frieza da equipe de atendimento num dos momentos mais vulneráveis de sua vida. Ela ajuda a parturiente a encontrar posições mais confortáveis para o trabalho de parto e parto, mostra formas eficientes de respiração e propõe medidas naturais que podem aliviar as dores, como banhos, massagens, relaxamento.

Após o parto ela faz visitas à nova família, oferecendo apoio para o período de pós-parto, especialmente em relação à amamentação e cuidados com o bebê.”

Essa é uma das descrições mais objetivas e está no site Doulas do Brasil. Usando meu prisma, a doula é uma luz no caminho que você gestante está trilhando.

O parto é seu, o protagonismo é seu mas quem te servirá amorosamente neste processo é uma doula.

Antes do parto é a doula que vai acompanhar sua elaboração de plano de parto, porque quem o fará é você. Plano de parto é individual e tudo o que está ai em sua mente vai para o papel.

Por exemplo: Não desejar ser submetida a uma episiotomia, ter o direito de poder dar banho em seu filho, entre outros que você quiser. Tudo isso vai para o papel de forma amorosa e respeitosa e será encaminhado a um hospital ou se for parto domiciliar á equipe que te assistirá.

Não é demais?

Imagine você grávida, cheia de trabalho, sem saber por onde começar. Sem saber o que é um plano de parto, sem ter noção de sua importância. Suas referencias são partos de mulheres com filhos crescidos que não estão atualizadas. Pois é, neste momento a doula oferecerá todo o apoio que você necessitará.

Durante o parto ela será aquela mão doce, amorosa que vai te acolher. Pelos olhos vocês irão se comunicar. Quando você achar que não vai conseguir chegar no topo da montanha ela estará ali ao seu lado mostrando o quanto você é forte.

Doulas reduzem a taxas de cesáreas. Doulas abraçam, massageiam, orientam, acolhem. Serão o suporte para o momento mais especial de suas vidas.

Doulas são a dose extra de amor que toda gestante merece.

Chá de Bênçãos

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Você sabe o que é? Já ouviu falar? Qual sua importância?

A mulher engravida e já de cara passa a ouvir a pergunta clássica:

-Vai fazer Chá de Fraldas? Vai fazer Chá de Bebê?

Momento que deveria ser de celebração, acolhimento passa a ser de preocupação. Em muitos até mesmo de ostentação.

Em alguns casos a relação de convidadas é feita de forma a arrecadar a maior quantidade de fraldas possível. Tem de “compensar”. Um número excessivo de pessoas é chamado para que o “investimento” feito tenha retorno.

E a partir dai a mulher passa a se conectar com coisas basicamente materiais. Enfeites, decoração, doces, comidas e ela, a protagonista deste momento fica em último plano.

O Chá de Bênçãos vai contra a corrente no sentido de focar no interior fazendo com que a mulher se sinta uma deusa.

Eu ganhei meu Chá de Bênçãos de uma parteira generosa aqui de Campinas. Ela me encontrou numa comunidade sobre humanização do parto, se ligou a mim por afinidades que temos sobre animais e vida simples e me presentou com o dia mais marcante de minha gestação.

Como doula fico muito grata por poder proporcionar um momento tão puro e intimista para outras gestantes também. Sei o quanto este dia de cura foi importante para mim.

Diferente do Chá de Bebê tradicional, o Chá de Bênçãos é bem intimista. Ele pode ser realizado coletivamente, mas quando é feito individualmente o ideal é contar com poucas e sinceras amigas. Quatro amigas participaram do meu chá, mais a minha mãe.

Nos reunimos em casa, montei uma mesa com tudo que serviria de referência positiva para aquele momento e que eu teria junto de mim no meu trabalho de parto. Tinha fotos minhas e do meu marido, pedras, presentes das amigas.

Fechamos as cortinas e deixamos o ambiente bem acolhedor. Ali estávamos protegidas. Ficamos num círculo, a conexão máxima feminina e ali acendemos nossas velas.

Todas minhas amigas partilharam seus desejos e seu bem querer em relação ao parto e nascimento. E ali em meio a tantas partilhas, nós mulheres abrimos nossos corações, expomos e curamos nossas feridas. Nos unimos em meio a sorrisos e lágrimas.

O escalda-pés foi feito com todo o carinho, fiquei com os pés imersos, totalmente relaxada. Meus gatinhos participaram desse momento.

No final com a mesa farta, partilhamos comidinhas, rimos e cada uma levou sua vela embora com a missão de acendê-la quando meu trabalho de parto se iniciasse. Eu não diria, intuitivamente elas saberiam.

E todas relataram ter sonhado comigo na noite do parto! Nossa união foi tão forte, nossa essência feminina se conectou de tal forma que palavras foram dispensadas.

O Chá de Bênçãos cura, abençoa e conforta. Ele leva a mulher a se liberar de seus medos, suas travas e a conduz para um partejar pacífico. Ele lava a alma, conecta e abençoa.

Doulas podem conduzir um Chá de Bênçãos, que pode ser individual ou coletivo. Da minha parte todas as mulheres acompanhadas por mim terão essa oportunidade de descobrir o quanto são fortes.

Converse com sua doula a respeito do Chá de Bênçãos. Ele pode ser realizado a partir das 37 semanas e ao contrário do Chá de Bebê que exige um desgaste emocional, físico e financeiro o Chá de Bênçãos requer apenas sua disponibilidade e entrega para se sentir como uma deusa, forte, corajosa e não infantilizada como a sociedade pede que sejamos.

Parto Domiciliar – E agora?

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Muitos artigos falam sobre parto domiciliar. Geralmente quem escreve não pariu em casa, apenas montou a matéria e recortou depoimentos de quem pariu.

Pois quem vos escreve pariu em casa. E amou!

Parto domiciliar deve ser escolhido por convicção pelo casal.

Jamais opte por parir em casa para economizar. Não é um desejo legítimo, a mulher e o casal precisam estar internamente seguros de que esta é a melhor opção para receber seu filho.

Após muita pesquisa, frequentamos grupos, obtivemos percentuais e decidimos pelo parto domiciliar. Abaixo vou responder questionamentos frequentes com relação a essa escolha.

Está claro para vocês que o melhor lugar para parir é em casa.
A mulher é uma gestante de risco habitual? Pré Natal ok? E agora? O que fazer?

*1º passo: Escolha uma boa equipe.

Em grupos de apoio vocês encontrarão relatos e indicações de parteiras. Elas podem ser obstetrizes ou enfermeiras obstetras. Doula NÃO faz parto, presta apoio psicológico.

Então parir em casa com uma doula não é um plano, ok?

As parteiras estão habilitadas para acompanhar a mulher e o bebê durante o trabalho de parto ativo. Qualquer intercorrência é com elas que contaremos no primeiro momento, portanto escolham parteiras experientes.

E claro, além da experiência precisa haver afinidade. Vocês precisam estar bem na presença delas, se sentirem acolhidos. A afinidade energética da equipe é importante.

Existe a possibilidade de contar com uma neonatóloga também.

Fechou com a equipe? Vamos ao segundo passo.

*2º passo: Escolha uma doula para chamar de sua

Na verdade tanto faz você ter uma doula antes ou depois de fechar a equipe. O importante é que vocês se sintam seguros e a mulher tenha autonomia para escolher sua doula, que será seu apoio. Que a acolherá nua, que a orientará neste período.

Quem protagoniza o parto é a mulher. Quem decide sua doula também!

Desconfie de médicos que empurram a doula deles. Médico indicar doula? Ok. Médico impor sua doula? Não, Não e Não. O parto é seu. O protagonismo é seu. Quem manda é você.

A doula é a profissional que vai passar a maior parte do tempo com a gestante. É a primeira a chegar e a última a sair. Irá orientá-los em relação ao plano de parto que deve ser feito mesmo para um parto domiciliar.

Vai indicar livros, posições de alívio e conforto e orientá-la quanto ao preparo perineal. Sabemos que não existem evidências que comprovem que o uso do Epi-no evite lacerações, mas seu valor é incontestável quando falamos de consciência corporal. Vivemos numa sociedade machista onde a exploração do corpo pela mulher é muito mal vista.

A doula a acolherá em todas essas situações. Entendem a necessidade de vínculo afetivo quando falando na relação gestante x doula?

*3º passo: Informe seu GO sobre o desejo do parto domiciliar.

Médicos partem do princípio que a partir do momento que acompanham seu pré natal, assistirão seu parto.

É importante comunicar o fato do seu parto ser domiciliar e deixar tudo muito claro e transparente como agirão em caso de transferência. É o nascimento do famoso plano B.

*4º passo: Plano B

Sabemos que todo parto começa em casa. Porém seu desfecho é impossível prever, portanto tenham em mãos um Plano B.

Em caso de transferência definam qual hospital será escolhido. Terá médica backup? Terá equipe? Irá pelo plantão?

Tudo deve ser definido de forma extremamente clara. Se a sua GO diz que se der assistirá seu parto em caso de transferência então você não tem um plano B.

Definido o plano B entreguem o plano de parto nos hospitais e se informem sobre visitas as instalações, se é permitido.

*5º passo: Compra de materiais.

Parir em casa exige que vocês tenham alguns materiais específicos como :

-Mangueira longa de chuveiro
-Piscina
-Plástico para forrar a piscina
-Lençol impermeável para a cama
-Absorventes pós parto
Entre outros itens que serão informados pelas parteiras. Recomendo a compra de itens de farmácia em cirúrgicas. A quantidade é maior e o preço menor.
A mangueira pode ser encontrada em lojas de materiais de construção ou estabelecimentos que vendam apenas produtos de borracha. Os plásticos também são encontrados nos mesmos locais.

*6º passo: Cardápio

Definam o cardápio. Trabalho de parto pode ser longo e tanto a gestante quanto a equipe precisam estar alimentados e hidratados.

Frutas, sorvetes, água são recursos fundamentais. Assim que o trabalho de parto ativo iniciar ficar alinhando com essas questões. A fome é intensa no pós parto e é sempre bom ter uma comidinha fresca e gostosa pronta para a nova mulher renascida.

*7º passo: Monte sua playlist

Para mim foi a parte mais gostosa! Escolhi as músicas que eu mais amo e que mais me motivaria. Foi feita ao longo de toda a gestação e no meu caso foi essencial para me manter serena durante o trabalho de parto.

E depois é mágico ouvir todas as músicas queridas com nosso filho nos braços.

*8º passo: Escolham sua fotógrafa

Assim como a equipe, sua energia e confiança devem ser 100% com a fotógrafa. Registro de parto tem particularidades muito específicas, o ideal é contar com alguém que tenha vivência nessa área.

Certifique-se de sua disponibilidade que deve ser a partir da 37 semanas. Converse com ela sobre o que deseja, sinta o trabalho dessa profissional muito especial que irá eternizar sentimentos.

Fotógrafas especializadas em registros de parto terão lentes especiais para captar imagens em ambientes escuros. Terão disponibilidade e backup.

*9º passo: CURTAM ESSA DECISÃO!

Tudo certinho? Agora é só mentalizar mensagens positivas e relaxar. Parto domiciliar com uma boa equipe, bem assistido e com um consistente plano B é seguro e transformador.

P.S: A casa não precisa ser uma mansão. Não precisa ser enorme. Qualquer espaço seu será maior que uma acomodação de hospital. Você pode parir de forma respeitosa em sua casa, independente da metragem dela.

Mulheres Sábias

AS 13 QUALIDADES DAS SÁBIAS

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1. Elas não se queixam! Aceitam que o que foi, foi e não pode ser mudado e o que interessa é daqui para frente. Não quer dizer que não expressem dor, mas não se lamentam, não se veem nem agem como vítimas.2. São atrevidas, tem coragem de experimentar o novo, a buscar o não vivido, o não conhecido.
3. “Tem mãos para as plantas”, concreta e metaforicamente. “Plantam, regam e acompanham o crescimento” de plantas, pessoas, projetos…
4. Confiam em seus pressentimentos/ em sua intuição, honram sua sabedoria interna.
5. Meditam a sua maneira, cultivam um centro interno de silêncio e escuta, de prece e reconexão com o Sagrado.
6. Defendem com firmeza o que mais importa, descobrem sua voz e tendem a tornar-se mais rebeldes e radicais com tudo que consideram errado no mundo.
7. Decidem seu caminho com o coração, mesmo que esse caminho seja difícil.
8. Dizem a verdade com compaixão, mas dizem sempre a verdade, porque sabem que só a verdade cura e liberta.
9. Escutam seu corpo, não o veem como um objeto a ser aperfeiçoado, mas como um instrumento de prazer e auto conhecimento.
10. Improvisam, agem com espontaneidade, fluem com a vida.
11. Não imploram, não fazem NADA com a finalidade de serem aceitas.
12. Riem juntas, riem de si e com isso nutrem um profundo senso de irmandade, porque é um riso que expressa o triunfo do espírito e da alma sobre aquilo que poderia tê-las destruído ou as convertido em mulheres amargas .
13. Saboreiam o positivo da vida, sabem ter gratidão pela beleza da vida, mesmo que mesclada de sofrimentos.

Sobre Mães e Culpa

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Assistindo uma entrevista com a atriz Cássia Kiss vi que ela se orgulha de ser uma super mãe. Apesar de todos os abusos sofridos por ela em sua infância e de ter as lembranças mais doloridas, ela conseguiu perdoar sua mãe e reescrever sua história sendo agora para seus filhos uma mãe diferente.Seus filhos tem uma alimentação regrada, ela acompanha os deveres de escola, amamentou até os 04 anos seu filho Miguel, permite que eles pulem em seu colchão de R$ 10.000,00 -mas em alguns momentos ela disse que teria feito algumas coisas de maneira diferente- e é ai que chegamos no ponto que eu quero.

Quem muitas vezes surge? A culpa. Dizem que mães nascem com ela.

Aparecem disfarçadas ou explícitas. Culpa por ter gritado, por não ter acompanhado o dever naquele dia cansativo, por não ter picado abacaxis e ter feito suco natural ao invés de deixar que o filho tomasse um copo de refrigerante num dia da semana.

A culpa é sorrateira e poderosa. Tão poderosa que ela se reproduz assexuadamente. Ligeira ela brota. E vai tomando conta aos pouquinhos da gente. Ela é tão ardilosa que aparece quando sequer fizemos algo de concreto para que ela pudesse surgir.

Que mãe nunca sentiu culpa ao pensar, vejam bem, PENSAR em voltar ao trabalho depois da licença maternidade? Culpa por não ter grana para levar seu filho pra Disney para ele conferir se o Mickey é preto ou azul marinho? Sabe, nos culpamos por coisas irrelevantes na maioria das vezes. E tanto nos culpamos que esquecemos do que realmente importa. Esquecemos que viver faz parte e parte desta vida estão os tropeços.

Tropeços nossos e dos nossos filhos. Porque antes de sermos mães somos filhas. Antes de sermos filhas, somos gente. Temos nossas fragilidades, nossos medos, nossas angústias, nossas crenças. E estamos recebendo de braços abertos uma nova vida, um ser que está aprendendo a andar, a comer. E nós ao seu lado com toda boa vontade do mundo aprendendo a ser mães. Todos juntos nessa caminhada.

Muitas vezes a perfeição, o equilíbrio na criação que almejamos, pois ai sim estaremos redimidas e livres da culpa de ser “menos main” saibam, jamais serão alcançados. Sabem por que?

Porque a perfeição existe apenas em nossa mente.

A natureza assim nos fez. E ela é sábia. Com os erros nos tornamos mais fortes e melhores. E é muitas vezes com eles que acertamos. Erros são necessários para a manutenção da vida.

Como mãe estou cometendo alguns “erros”. Deliciosos se querem saber!

Faço cama compartilhada com meu filho. Dou colo inclusive quando ele não chora. Permito que meus gatos convivam com ele, tenho registros que deixariam o pediatra mais conservador de cabelo em pé! Ouço médicos dizerem coisas terríveis em relação a gatos e bebês, mas mesmo assim eu desobedeço e mantenho a relação que segue harmoniosamente linda entre meus filhos.

Na gravidez não ouvi música clássica. Não porque não goste, mas não estava afim. Preferi muitas vezes Led Zepellin a Mozart. Dizem que bebês DEVEM ouvir música clássica. Ninguém questiona se NÓS queremos ouvir.

Eu sou mãe fresca, de primeira viagem. Sou uma pessoa que passou muitos anos sem pensar em filhos e portanto sem saber nada sobre bebês e crianças. E mães. E culpa.

Estou com esforço administrando o sentimento de algumas pequenas culpas diárias em mim, principalmente quando eu voltar a trabalhar. Em alguns momentos vejo que tentar ser a mãe perfeita não é o melhor caminho.

São algumas “falhas” que me farão mãe, me darão o atestado de ser gente, de ter sangue nas veias. São “erros” como deixar meu filho brincar na chuva que tornarão uma tarde qualquer dele inesquecível.

Quero errar muito. Quero que ele coma na casa da avó bolo de chocolate com açúcar refinado e bastante granulado de cobertura. Que ele vá na feira com o pai num domingo de manhã e escolha um pastel pelo seu recheio e não pelo seu valor nutricional.

Que ele acelere a sua bicicletinha, caia, rale o joelho e aprenda a dosar. Que ele aprenda a cair e a levantar, que ele conheça a dor e portanto aprenda com a vida a ter limites.

A vida é isso, tatear. Sentir, experimentar. Aprender.

Parafraseando Guimarães Rosa, não estamos acabados. Não é porque parimos, temos 05 filhos, 60 anos de vida é que seremos mães perfeitas. Enquanto vivermos, até nosso último dia aprenderemos a ser mães, então para quê tanta culpa?

Aprendizado é essencial e necessário para nossa evolução e bem estar familiar. Culpa não. A culpa nos joga para baixo, nos imobiliza. Nos deixa desacreditadas em nós mesmo.

Você precisa disso? Não, né!

Então vamos combinar uma coisa. Daremos férias permanentes para a culpa. A cada momento que ela surgir porque você deixou seu filho dormir sem escovar os dentes a mande embora. Em seu lugar contrataremos o senhor aprendizado que será muito mais útil em nossa vida.

O aprendizado sabe que somos humanas, passíveis de erros. A culpa não.
Deixemos de lado uma companhia tão inquisidora como a culpa nessa estrada maravilhosa e sem volta que é ser mãe. Apenas nós temos o poder de fazer nossa caminhada mais leve, feliz e plena. Nós é que escolhemos nossos parceiros de viagem.

Eu escolhi aprender. E vocês?

Deixa chorar?

Criar filhos com carinho, com afeto é um dos maiores desafios que a família enfrentará na sociedade atual.

Vivemos sob conceitos que visam apenas a praticidade e bem estar dos pais. Praticidade essa que lhe dará tempo de sobra para poder ver algum programa inútil na televisão, para navegar a esmo na internet ou para poder esquentar sua comida congelada e cheia de químicas que estava no freezer, pronta para ser aquecida no microondas.

É isso.

Desenhos existem para isso. Assim como jogos eletrônicos, qualquer coisa luminosa, colorida e piscante que faça os olhos do seu bebê congelar e te deixar “em paz” por alguns instantes.

Qualquer coisa que te faça voltar a dormir em vida.

E nesse caminho você terá muitas “ajudas”. Muita gente dizendo que bebê fica mal acostumado no colo. Que será uma criança difícil. Que lugar de bebê é no berço, num quarto escuro, longe do calor e carinho dos pais. Que chupeta acalma. Que mamadeira é prática.

E sim, seu marido deve comprar comidas industrializadas, um marmitex quem sabe. Onde já se viu mãe de bebê querer comida fresca e saudável? Não é prático! Suja muito a louça!

Quem vai lavar depois?

Notem. Onde está o bebê nesse vórtice? Em algum álbum virtual de fotografias provando para a sociedade que famílias felizes existem?

O que quero com minhas palavras não é julgar. Se você quer deixar seu filho no berço chorando sem parar para ter tempo de ver algum programa e ser engolida pela publicidade e lembrar o quão imperfeita é –seu corpo não está igual ao da cantora de axé, seu carro não é o melhor- o faça. Eu não faço. Eu crio com amor, mas adianto a todas vocês que escolheram ou escolherão esse caminho. Ele é sem dúvida mais trabalhoso e tão mais recompensador!

Ninguém vai estender a mão de forma efetiva para você no puerpério não imediato. Mesmo que a rede de apoio exista e eu tenho pessoas maravilhosas que me apoiam, todas nós temos nossas atividades.

Portanto a menos que você pague, ninguém virá passar suas roupas. Ninguém oferecerá um prato de comida ou mesmo 20 minutos para carregar seu bebê enquanto toma banho tranquila. Sabem por que? Porque muitos tem seus afazeres, como eu tenho. E outros tantos quando a virem descabelada, com fome dirão com um olhar de satisfação:

PÕE NO BERÇO.
DEIXA CHORAR.
VOCÊ ESTÁ ASSIM PORQUE QUER. É SIMPLES.
SEU FILHO ESTÁ MAL ACOSTUMADO.
EU FUI CRIADA SEM AMOR, APANHEI E ESTOU VIVA.

Captaram? Hoje em dia as pessoas criam sobreviventes. Porque não sentem a aspereza de um novo ambiente, de novas cores, de se expressar sem poder falar e apenas chorar acham que não dói. Por não lembrarem de pequenos abandonos os descredibilizam.

E assim seguem sobrevivendo.

O meu conselho para quem deseja criar seus filhos com amor e de maneira instintiva como eu é:

Se organizem de forma que o pai assuma suas responsabilidades. Assumir responsabilidades não é ajudar, ajudamos quando a responsabilidade não é nossa. Quando o pai assume a responsabilidade de criar, de dar banho, de acolher num eventual choro, de educar as coisas fluem muito melhor. A rede de apoio nesse caso será convocada para ajudar a comer um bolinho com café e a dar muitas risadas.

Outra coisa, ouçam e respeitem a voz do coração. Para quem é sobrevivente é perda de tempo falar sobre a relação de cortisol + choros. As pessoas vivem em sua grande maioria adormecidas. Vão apenas acordar quando estiverem adultas, obesas, fazendo dietas sem conseguirem resultados efetivos. Ai só neste momento quando se sentirem inadequadas para irem a praia ou quando tiverem algum problema de saúde associado a obesidade conhecerão a palavra cortisol.

Explicar sobre o vínculo afetivo que temos quando amamentamos para quem acha prática a mamadeira nos 06 primeiros meses, explicar sobre a confusão de bicos…Nada disso adianta. Porque ninguém vê que o bebê se alimenta de sentimentos também. Que quando ele mama, nosso cheiro fica impregnado. Eles ouvem as batidas de nosso coração. O olhar acalenta.

Logo eu diria: Não percam tempo e nem energias com quem não se abre para o que é invisível aos olhos. Essas pessoas não são ruins, não fazem de propósito. Apenas não estão prontas. Percorreram um caminho totalmente diferente, se formaram de outra forma. São outra terra e como um ato de respeito eu tomei por decisão não colonizar ninguém.

Cada um tem seu viver e seu despertar.

Sempre que meu filho chora eu acolho. Estou descabelada, sem almoçar? Sim. Poderia ter deixado ele no berço chorando? Sim. Mas o que eu ganhei o acalentando?

Ganhei sorrisinhos banguelas inesquecíveis. Olhinhos brilhantes me seguindo. Mãozinhas minúsculas me apertando.

E em todas as vezes que acolhi meu filho, toda sua comunicação tinha um propósito. Ou estava com cólica, ou tinha acabado de sujar a fralda ou queria mais um pouco de colo. E sim, bebês sentem tédio! Todo dia faço a via sacra de mostrar os passarinhos na varanda, as plantinhas e passear no final da tarde. Nunca ele chorou pedindo carrinho ou berço.

Nunca chorou para me manipular, para ser malvado, tipo: Ela vai se ferrar agora, não vai comer também! Tenho dois meses de vida trabalhados na vingança.

Entenderam?

Hoje com ele voltei a ser criança. Sentei no chão, brinquei. Inventei diálogos, usei nossos dedoches, me diverti. Estou leve e meu filho também. Neste exato momento está no quarto dormindo sozinho, SERENO enquanto eu escrevo este texto, fiz meu almoço e agora vou tomar um super banho tranquila.

Um bebê é um presente para despertarmos para a vida. É um amanhecer.

Criar um bebê com afeto é doação pura. Cada vez que ouço meu filho vocalizar an-gu, uuuuuu-daaa com 60 dias de vida agradeço todo meu esforço por não ter cedido a chupeta como calmante. Penso que se ele estivesse com a chupeta eu não teria o privilégio de ouvir esses sons tão cedo.

Tudo o que escrevi não visa de maneira alguma dizer que quem opta por outro estilo de criação ame menos o seu filho ou seja um pai ou mãe piores. Longe disso! Quero apenas mostrar o quão trabalhoso esse caminho que escolhi é e quão recompensador ele pode ser também.

Ganhei vários livros sobre como cuidar de bebês. As coisas mais úteis, os melhores conselhos para mim foram aqueles que o senso comum condena. Foi ouvir a voz do meu coração e seguir meus instintos.

Para você que é gestante, para você que é mãe, se permitam. Sejam como uma tela em branco, não absorvam estórias da prima da vizinha. Se apoiem em evidências e sigam seu coração não importa o que os outros falem, afinal coração de mãe nunca se engana, não é?

Mulheres e sua força ancestral.

“Antigamente lavávamos nossas roupas nos rios conversando com outras mulheres. Quando entrávamos na lua, entrávamos todas juntas e sentávamos na terra, doando nosso sangue sagrado e tecendo sonhos com outras mulheres.

Quando tínhamos um filho no útero, ganhávamos a companhia constante de outras mulheres, compartilhando toda a arte de gerar e de dar a luz. Tecíamos, bordávamos, plantávamos, cantávamos sempre juntas. Criávamos nossos filhos juntas. Entendíamos de ervas e compartilhávamos os segredos das medicinas da terra.

Quando perdemos esses hábitos nos isolamos e perdemos essa dose maravilhosa de ocitocina (hormônio do amor, fabricado também durante o parto) que fabricamos quando estamos entre mulheres. Começamos a achar normal toda essa individualidade. Começaram a nos rotular de fúteis, que gostamos de comprar, de cuidar da aparência, que falamos demais, que só falamos de homens. Esquecemos a arte de parir. Começamos a achar normal cortarem nossos úteros para dar a luz.

Achamos normal também não devolver nosso sangue lunar pra terra a cada 28 dias, e usar absorventes descartáveis pra poluir nossa Mãe Terra. E como nos desconectamos da lua e da terra, e do nosso ciclo lunar começamos a achar normal tomar pilulas bombas de hormônio, porque não conhecíamos mais nosso corpo pra saber quando estávamos férteis. E ai trocamos as sagradas medicinas da Mãe Terra, por medicinas controladoras do nosso corpo.

Mas algo estava gritando dentro de todas nós. Algo estava faltando. E por isso no mundo todo essas sementinhas adormecidas voltaram a brotar. Mulheres e mais mulheres voltaram a olhar pro céu, por a mão na terra, sentir e honrar seu sangue, querer parir em paz. Mulheres voltaram a querer estar com mulheres. Em volta do fogo. E em volta de seus próprios corações. E círculos de mulheres voltaram a acontecer no mundo todo…” – Anna Sazanoff