Meu parto, a dor e eu – Pâmela e Davi

0012

Essa semana será muito especial no Semearmos!

Meu parto, a dor e eu. Nosso tema da semana.Um post por dia. Um relato. Uma mulher partilhando a sua vivência pessoal sobre a dor do parto.

Muito se fala sobre ela, muito temor. Com tanta medicalização no parto, quantas mulheres vocês conhecem para trocarem vivências?

Aqui elas tem voz!

Pâmela mãe do Davi conta tudo o que sentiu para nós.

O meu parto foi planejado bem antes de eu engravidar, assim que o filme O Renascimento do Parto apareceu iniciei meu processo de empoderamento. Eu não sabia quando seria, nem como seria, o que eu sabia era que iria parir.

Quando cheguei nas 41 semanas de gravidez, sem nenhuma cólica, nenhum sinal, me bateu aquele desespero, aquela tristeza, fiquei me perguntando: Meu Deus, será possível que vou passar por essa vida sem nem ao menos conseguir parir, nenhuma dorzinha? Com 41 semanas e 4 dias, fui na consulta com a parteira, ela demorou um pouco para atender, acredito que uns 40 minutos, cheguei antes do horário, mal tinha dormido ansiosa, ela estava com outra paciente, nesse tempo tive algumas cólicas, mas a negação começou ai.

Olívia me examinou e verificou que eu estava com 2 para 3 centímetros de dilatação e tampão saindo. Meu Deus, como assim, tudo isso sem nenhuma dor?Fez o procedimento de descolamento de membrana, fomos embora, entrei no carro sentindo dores. Esqueci a bolsa na Olívia, voltei para buscar, marido foi pegar, eu não quis descer do carro, as cólicas estavam mais interessantes, eu queria senti-las.

Daí pra frente elas vieram mais bonitas, lindas, será que era hora? Como eu queria que fosse.

A Gi, minha doula, me aconselhou as 15 horas a tomar um banho longo, lá fui eu e minha bola. Depois de mais de uma hora elas engrenaram e vinham a cada 3 minutos. Eram dores no quadril, como se eles estivessem sendo pressionados. A água descia gostoso nas costas, saí do banho, as 17 a Gi chegou. Comemos, conversamos, as 20 horas passei mal, fui novamente pro chuveiro acredito que às 21:30 a dor realmente ficou séria, eu no chuveiro me sentia cansada, mas falava, ah, se for assim, aguento até 3 dias.

Às 23 elas ficaram intensas, aí eu sentia realmente a pressão no quadril, e aí comecei a gritar pra expulsar tudo o que elas me traziam, gritava pra que apertassem meu quadril e os anjos chamados doulas, a Gi e a Ca apertavam cada uma de um lado, e era bom de mais quando faziam isso meu Deus, como era bom. Tem fotos que a Alana também apertou, mas coitadas eu nem via só gritava apertaaaaaaaaaa.

É incrível como me lembro pouco dessa dor, me lembro da alegria que era estar conseguindo chegar nesse momento, pensava que estava ajudando meu filho e meu Deus como era bom saber que ele estava chegando, quando realmente aceitei que eu estava parindo, fui pra banheira, e ali eu senti realmente o alívio da dor, a cada contração aquela água quentinha nas minhas costas eram demais de delicia. Ainda lembro da cena, eu, na minha banheira, na minha casa, tendo as tão sonhadas contrações. Elas foram longe, duraram muito, tive edema, ele estava segurando meu bebê, e isso me assustou, mas fui racional, tentei estar no controle da situação se as meninas falassem pra eu virar de ponta cabeça, eu virava, e virei fiquei de 4 apoios na banheira, andei pela casa, subi e desci escada, a pior posição foi na banqueta, nossa que horrível ficar sentada nela, disso eu lembro, de que não quis ficar nela e fui respeitada. Gi fez rebozo.

Quando era umas 8:30 a Olívia me sugeriu que colocássemos gelo pra amenizar o edema, ou teríamos que ir para o hospital tomar anestesia. Eu tinha consciência disso, já havia estudado sobre. Depois de uns 10 ou 15 minutos falei que não ia esperar mais, queria logo colocar o gelo. Subi para o quarto, no meio de uma contração, como onça, motivada por eu quero logo ver meu filho. No momento do procedimento eu estava abraçada a bola e era muito boa essa posição, de quatro.

Ai antes mesmo de colocar o gelo, Olívia conseguiu retirar uma parte do que estava atrapalhando a passagem e o Davi desceu.  A ele desceu e vencemos juntos o edema. Aí eu posso dizer que a dor começou, não a das contrações, essas desapareceram. Aquele mardito daquele circulo de fogo veio que veio queimando tudo, eu queria sumir, eu queria correr, eu queria fazer toda força possível pra que isso acabasse logo, e não acabava. Nessa hora a Gi e o marido seguravam na minha mão, como isso foi importante, eu estava em pânico com medo de machucar, de não conseguir. Do procedimento até o nascimento do Davi foram 18 minutos, que pra mim foram eternos, foi o único momento em que tive pânico da dor, a queimação quando ele passava me fez fazer força, muita força, a cabeça passou, e com ela a dor também. A próxima contração, outra vez a queimação, Olívia nos ajudou, meu bebê nasceu. Tudo passou, estávamos nós, sem dor, sem sofrimento, sem separações. Nosso mundo completo.”

Anúncios

Palestra Introdução Alimentar e BLW

Gestar é difícil, parir é uma luta…E criar é aprendizado!

É assim que me sinto, num constante aprendizado. Meu filho iniciou a introdução alimentar há um mês e assim como outras mulheres eu me via num mar de dúvidas. Como oferecer o alimento? Qual a quantidade? Como armazenar? E se não comer? E as mamadas? Muda muita coisa?

E se eu viajar? Como e o que oferecer?

Nesse tempo tive duas mulheres me orientando, partilhando todo o seu saber sobre a metodologia BLW que nós optamos. São pessoas incríveis, carinhosas e doadoras, a Camila e a Evelyn. A Juliana nutricionista minha amiga e membro do nosso grupo de apoio que temos em Campinas nos presenteou com uma manhã de partilha e informações de qualidae.

Elas palestraram sobre a introdução alimentar e sobre o método BLW. Não é um método que você encontre adeptas em cada esquina, existe muito apoio virtual, mas no real são poucas pessoas que o escolhem. A resistência se dá por medo e justamente esse medo foi eliminado com muita informação. E foi tanta entrega, tanta qualidade que teremos um segundo evento!

Fora isso foi muito bom confraternizarmos, vem que com a doação de cada um conseguimos um ambiente de luz. A partilha de alimentos foi tão grande que três mesas não deram conta de receber tanto alimento. Bolinhos, pães, biscoitos. Tanto carinho embalando nossa manhã e depois o papo! Se dependesse da maioria passaríamos o dia em festa.

Vou postar alguns registros da palestra com o coração cheio de gratidão e felicidade pela manhã que tivemos.

Obrigada Juliana, Evelyn e Camila! Vocês são DEMAIS!

E a todas apoiadoras….Juntas somos muito mais fortes, união sempre.

IMG_6317   IMG_6337 IMG_6348
IMG_6385

IMG_6394

IMG_6400

IMG_6415

IMG_6445   IMG_6453 IMG_6462

Bebê não faz manha. Você é que tem medo.

0001

Bebê que chora não é manhoso. Bebê que chora age por instinto e está se comunicando com você.

Pelo choro.

Em pleno 2015 vejo muitas pessoas insistirem na tese de que “bebê que chora é manhoso” e mesmo eu explicando que bebês não choram com o intuito de manipular adultos pois não possuem capacidade para elaborar raciocínio (vou chorar pra ela aprender) pois não entendem a relação causa e efeito, muitos decidem com si mesmos não darem ouvido ao que a ciência fala e encaram todo e qualquer choro como manha.

E não acolhem. Deixam chorar.

Me ponho a pensar…Será este comportamento é apenas a reprodução de conceitos ultrapassados?

Não, não é. E vou dizer o motivo.

Quando um bebê chora ele te chama a ação. E a ação é basicamente afetiva. Ele não quer um iate, um sapato caro ou um colar de brilhantes. Sim, no choro que é seu único meio de comunicação além de pedir “troque minha fralda” ou “estou com calor ou frio”, “estou com fome ou dor” ele sinaliza necessidade de afeto.

O choro que corta a alma muitas vezes quer apenas seu colo. Se calor, seu amor. Quer que seu corpo expresse sentimentos de acolhida. Que você o proteja, o embale, dê atenção.

Muitas pessoas por diversos motivos tem enormes barreiras afetivas em si que se refletem tanto na doação quanto na hora de receber afeto. Dai vem a imensa dificuldade de acolher um choro sem se irritar, sem se sentir manipulada.

O choro convida a gritos as pessoas darem o que elas tem dificuldade de expressar, que é a afetividade. E quando isso acontece, o mecanismo interno de proteção é acionado e o velho lema de “bebês choram por manha” vira apoio.

E não importa o quanto você explique cientificamente que não é, a muralha existe e se sustenta na manha. A manha dá passe livre para você “educar” e não acolher seu filho neste momento que ele mais precisa de você.

Além disso identificar o motivo de um choro requer vínculo. E vínculo não é parir. Vínculo pode ser estabelecido com pessoas inclusive fora da família. Quantos bebês se vinculam a babás? E o vínculo marital? Eu e meu marido conversamos pelo olhar, arrisco dizer que até por pensamento. Não precisamos de palavras para nos comunicarmos.

Com o bebê a vinculação é até mais forte, chega a ser uma questão de sobrevivência. Quando ela por algum motivo não ocorre, por motivos emocionais inclusive, fica muito difícil identificar a fonte do choro, porque faltou esse aprendizado de leitura. Choro é sentimento. Em cada decibel.

Eu consigo identificar cada choro do meu filho. Sono, fome, cansaço, tédio, cólica. Quando quer mais tempo de chamego. Se quer brincar, mudar de posição. Cada chorinho tem um motivo e nenhum até o momento é por manha.

Mas para identificar isso a ponte teve que ser construída e a matéria-prima é o afeto. Quando temos essa questão afetiva resolvida dentro de nós, as relações humanas não nos amedrontam. Sabemos amar, nos entregar. Não temos medo de nos cortar ou nos decepcionar com relações, porque somos amor e nos refazemos.

Não temos medo de ser feitos de bobos, de entregarmos nosso carinho de bandeja. Não tememos criar maus elementos manhosos que nos maltratarão no futuro e que portanto merecem nossa desconfiança no presente, porque sabemos que o afeto requer entrega, tem sede do presente.

Vejo agora que se refugiar no velho saber de que “bebês são manipuladores” é uma expressão profunda de medo. Medo de amar, medo de se entregar, medo de se machucar.

Não deixe o choro do bebê te paralisar. Bebês não fazem manha. Bebês se comunicam pelo choro.

Lembre-se disso, acolha seu bebê. Feche os olhos e abra seus braços e coração.

Vamos falar sobre humanização.

000

Como doula sou um elemento ativo da humanização do parto. E parto humanizado não é ter piscina, velas, incenso e música.

Humanizar o parto é dar qualidade de assistência. Basear-se em evidências, respeitar o protagonismo da mulher.

Em palavras mais cortantes seria fazer o natural, que é tratar seu semelhante de maneira digna e respeitosa.

Humanização existe em várias áreas, não apenas na assistência ao parto. Ouvi essa palavra pela primeira vez nas aulas de Ética há dez anos. E me pareceu tão óbvio…

Não se referir ao paciente pelo número de seu quarto ou leito. Não expor seu corpo desnecessariamente, sempre explicar qual procedimento será realizado. Chamá-lo pelo nome, não manter conversas paralelas durante atendimentos, enfim, tratá-lo como HUMANO dotado de vontades e sentimentos e não como uma patologia.

João é João e não o quarto B da perna fraturada

E pra humanizar a assistência não é necessário cursos, diplomas. Anos de experiência. Quem se apoia nesses pilares usa a humanização para dar “carteirada”.

Humanizar um atendimento é mudar práticas que impactam diretamente na gestão por isso é tão difícil hoje termos um atendimento humanizado na saúde pública.

Por outro lado, se formos olhar de perto, individualmente podemos contribuir para atendimentos humanizados, sendo éticos, privilegiando o humano em toda a sua totalidade.

Aqui no Centro de Saúde do meu bairro tem uma funcionária excepcional, Jaqueline. Ela se refere a mim pelo meu nome. Me ouve, pratica a enfermagem com amor. Pede licença ao meu filho quando vai vaciná-lo, é cuidadosa.

Qual a diferença dela? Ela sozinha, um cisquinho no meio do sistema e é humanizada. Talvez nem se dê conta disso. Seu grito de guerra, sua luta é no dia-a-dia. Sozinha ali, fazendo a diferença. Uma estrela num céu desconhecido.

Que fique claro, práticas humanizadas não se sustentam em nomes estrelados, tempo de estrada, cursos e diplomas. É uma questão de ética e extrema convicção pessoal.

Existem aqueles que veem no nicho da humanização uma oportunidade? Sim, existem. São aqueles que ficam em cima do muro, com práticas obtusas e discursos desconexos.

O diferencial é que esse comportamento contraditório não se sustenta ao longo do tempo, independente do apoio que exista.

Se você profissional se questionar e optar pelo caminho da humanização de maneira sincera, o tempo irá provar o quão verdadeiro seu engajamento é. No começo poderá encontrar resistência. Pode até mesmo ser acusado de aproveitador e de estar usando a luta por um parir respeitoso para se promover.

E quem vai provar o contrário? O tempo meu caro. E suas práticas que não devem se corromper.

O joio é filtrado do trigo.

Deu pra notar que fazer o bem não é tão simples quanto parece, não é mesmo?

É duro. É difícil. Você pode encontrar resistências não óbvias, mas lembrem-se: Para fazer o bem você não precisa da benção de ninguém. Não precisa de apadrinhamento. Não precisa de anos de bagagem.

Precisa apenas… Fazer o bem! Com ética, respeito e amor.

Alívios não farmacológicos para a dor. Existem e funcionam!

Existe dor no parto?

Sim, existe. Contrações doem, mas entendam que dor não é sofrimento e que tampouco essa dor necessariamente precisa ser aliviada farmacologicamente. Existem outros métodos para alívio da dor, pouco divulgados, afinal é tão prático ir até a farmácia e voltar com a bolsa cheia de cartelas, não é?

Dentro daquelas cápsulas não temos um pó mágico e inofensivo do Harry Potter. Temos substâncias químicas, que causam efeitos colaterais e que muitas vezes mascaram os sintomas e não tratam a causa.

Adianta se entupir de dipirona se a causa da sua dor de cabeça é devido à tensão emocional? Vai passar momentaneamente, mas enquanto o nó não for desfeito no seu coração e mente a dor sempre estará presente.

A dor varia conforme a percepção de cada um. É notório que as mulheres que de fato sofreram com a dor do parto -notem que dor não é sofrimento- foram as que estavam mais vulneráveis. Sozinhas, acuadas, vítimas de comandos verbais agressivos e violência obstétrica.

Elas podem não associar, mas a dor foi potencializada pela má assistência, pelo desamor. Se não estivessem em trabalho de parto, se não sentissem as contrações e fossem vítimas de agressividade, se vissem vulneráveis a dor existiria da mesma forma.

A doula no trabalho de parto tem uma gama de opções para alívio não farmacológico. Além do amor, cuidado e carinho conto com óleos essênciais. Aromaterapia me encanta! Existem colares aromáticos, no pós parto usá-los com o óleo essencial de tangerina é extremamente restaurador. É possível fazer o alinhamento dos chackras também.

Que doula não carrega em sua mala lavanda e sálvia? É lei! Funciona!

Funciona porque o aroma atua direto no nosso sistema límbico. No meu trabalho de parto quando massagens e palavras não foram suficientes, já na transição a lavanda colocada pela minha parteira entre meus olhos me acalmou instantaneamente. Me trouxe o chão, a paz, a calma.

Fiquei quase uma hora na piscina, no escuro da minha sala iluminada a luz de velas descansando entre as contrações.

Água fornece um poderoso alívio, sentia a dor ser retirada com a mão quando a água quente acolhia minha barriga.

Na minha malinha de doula tenho alguns recursos legais como lâmpadas coloridas. Uma azul e outra verde. Vocês sabem como a cromoterapia atua no nosso organismo?

IMG_6264

Vou transcrever abaixo um artigo que fala sobre ela.

“A Cromoterapia usa a cor para estabelecer o equilíbrio e a harmonia do corpo, da mente e das emoções, restabelecendo o equilíbrio das energias da cor no interior do corpo. As cores podem ser utilizadas com eficiência por todos, em casa, como complemento do tratamento dado pelo médico ou, simplesmente, como uma forma preventiva.”

2) Ela alivia que tipo de problema?

A Cromoterapia alivia problemas físicos, psíquicos e emocionais.

3) Esse tipo de tratamento tem comprovação científica de eficácia?

A Cromoterapia possui comprovações científicas, mostradas em estudos sobre a sua utilização em ambientes de trabalho e desequilíbrios físicos, psíquicos e emocionais.

4) Qual a origem da cromoterapia?

A Cromoterapia vem sendo utilizada pelo homem desde as antigas civilizações. Os egípcios adotaram o poder de cura do sol e construíram templos adornados de cores e luz para os doentes. A Índia e a China também relacionavam a cura pelas cores com a mitologia e a astrologia.

Sobre as cores azul e verde:

Verde: indicado para aliviar dores de cabeça e gripe, nos problemas sanguíneos, feridas e infecções, para recuperar as áreas ósseas e ajuda nos problemas emocionais.

Azul: é um estabilizador e desacelera o organismo, servindo para combater as doenças infecciosas quando promove elevação da temperatura. Possui grande propriedade antisséptica, é analgésico, antitérmico e calmante, traz a harmonia e equilibra energias do corpo.

Fora as cores, claro, óleos essenciais e bolsas térmicas!

IMG_6256
Bolsa térmica + cinto

Na minha gestação especialmente a partir do segundo trimestre sentia muita dor na região sacral. A bola de pilates aliviava, mas as bolsas térmicas associadas faziam milagre. Mas como manter a bolsa nas costas?

Bolsa térmica presa com o cinto. Alivia a dor sem restringir movimentos.
Bolsa térmica presa com o cinto.

Deitada de bruços com a barriga imensa? Como manter a bolsa quando eu estivesse na bola?

Eu tentava prender no cós das roupas, mas nem preciso falar que não funcionavam. A solução veio no meu parto, quando minha doula Gisele trouxe este “cinto”. É só colocar a bolsa e amarrar.

Mais um item para o meu kit doula. Cinto pra bolsinha, florido, cheiroso e cheio das melhores intenções e energias.

Agora me digam, ciência e amor de mãos dadas. Tem como não funcionar?

P.S: Nasceu a dor acaba como num passe de mágica. Pode abaixar, segurar o bebê, espirrar, tossir. Sem dor, sem remédios no pós parto.Vida que segue.

Círculo Sagrado Feminino

Há uma semana nossa manhã de sábado se iniciou ao som de violino, harpa, embalados pela voz de Lenine em Paciência. Juntas nosso círculo começava. Sem apresentações, sem travas, sendo nós mesmas com nossos lenços, descalças entregávamos nosso corpos ao embalo do som.

Nosso corpo se expressava, olhos fechados, abertos ou marejados. Sorrisos. Leveza, entrega.

Assim inicia nosso Círculo Sagrado de Mulheres. Nosso encontro, nossa comunhão começou forte, fim da música lágrimas, abraços.

Há quanto tempo você não tem seu tempo? Há quanto tempo você não pode dançar sem travas, saltos ou julgamentos? Quando seu corpo se expressou livremente pela última vez?

Nessa roda poderosa dançamos, partilhamos. Nos curamos.

Mulheres reunidas em meio a sonhos, feridas e esperanças apoiavam umas as outras. No nosso círculo tínhamos uma avó, gestante, mães e mulheres sem filhos, que exercem a maternidade porque somos unidas e ligadas pelo útero. Nossa comunhão dispensa rótulos, embalagens. Mulheres são bem vindas, são energia, acolhimento.

Embora o mundo pregue que nós somos desunidas, competidoras o que acaba nos levando a um isolamento e desconfianças, nosso círculo é um ponto de luz, cura e alento.

Ouvindo o chamado nos juntamos, nos conectamos. Geramos luz, energia de carinho e gratidão.

 

“Será que é tempo

Que lhe falta pra perceber?

Será que temos esse tempo

Pra perder?

E quem quer saber?

A vida é tão rara

Tão rara.”

Círculo Sagrado Feminino.

IMG_5981 IMG_6005 IMG_6022 IMG_6024 IMG_6049 IMG_6058 IMG_6098 IMG_6112 IMG_6118

 

A culpa não é dele.

tumblr_lkhuhjpbk71qczgi2o1_500

Se você engordou e não emagreceu depois, a culpa não é dele. Se você foi demitido ou está infeliz no trabalho a culpa não é dele. Se seu marido te traiu a culpa não é dele. Se você está mal humorada a culpa não é dele. Se sua casa está bagunçada a culpa não é dele. Se você está desanimada e triste a culpa não é dele. Se você sofreu violência obstétrica a culpa não é dele. Se você não sai como antes, a culpa não é dele.

E nem sua. E nem de ninguém.

São circunstâncias que nos colocam frente a frente com nosso limite. Cada mulher sabe encontrar o seu e superá-lo, ou não.

Devemos nos perdoar diariamente. Olharmos com ternura para nós e mudarmos nosso prisma quando olhamos pela janela da alma.

Filhos nos fazem encontrar com nosso limite. É um desafio, é a inconstância atirada em nossa cara e nossa rotina sem pedir licença.

Se perdoem, liberem a culpa sua, dele. Ela não pertence a ninguém e se entreguem a desordem. O Universo brotou de um evento caótico.

Se amem. Amem seus corpos, suas fases, seus ciclos. Aquele emprego… Você se libertou. Encontrará novos caminhos. Difíceis, árduos, mas se encontrará. Somos resilientes, nos reinventamos sempre. Se o seu marido foi infiel o casamento de vocês já não estava legal. A conexão, o elo já havia sido perdido… Liberem o bebê desse peso.

Se limpando de culpas a casa fica livre para que você possa expressar toda a afetividade e amor sem se recriminar, mesmo que inconscientemente.

Emagrecer depende de você. E aqui não digo que vai ser fácil, mas se você quiser vai conseguir.

Aquela voz que grita…”Foi o bebê”. “Você o ama, mas sua vida mudou”. “Seu corpo. A culpa é dele”.Vai silenciar.

Nossas dificuldades têm a exata dimensão que queremos que eles tenham.

A culpa é sorrateira. Ela surge quando você projeta algo que não é alcançado pela realidade. Ela te deixa com insegura, impotente, incapaz.

Mergulhe nesse mar da maternidade e se livre de todas as amarras que insistem em te puxar para o fundo do oceano. Estou gordinha? Ótimo! Estou me sentindo bem assim, ok. Não estou me sentindo bem? O que posso fazer? Dieta? Atividade Física?

Nosso pensamento deve ser guiado de forma resolutiva e positiva. Culpar os filhos pelo peso extra, culpar a desordem pela demanda deles não vai resolver, só vai tatuar na sua pele a incapacidade que não existe.

Vida livre de culpa é vida suave. E a culpa não é dele, não é sua e nem de ninguém.

Final de gestação – quando ir para a maternidade?

Quando ir para a maternidade? Quando a bolsa estourar? Quando sentir a primeira contração?

Texto muito informativo esclarecendo cada sinal que seu corpo manda. Reconhecê-los é um um bom caminho para um bom partejar!

No passo dos meninos

A cena é clássica e você já a assistiu inúmeras vezes em filmes e novelas. Mulher no final da gestação dá um grito avisando que a bolsa de águas rompeu ou que sentiu uma contração. Todo mundo em volta se desespera, a coloca num carro que parte em alta velocidade para o hospital pois o bebê está prestes a nascer. Será?

bolsa rota

Você sabia que há partos em que a bolsa não se rompe e os bebês nascem empelicados, ou seja, dentro da bolsa? Sabia que há outros casos em que a bolsa de águas se rompe e a mulher demora dias para entrar em trabalho de parto? Sabia que uma contração sozinha não é trabalho de parto?

Mas, afinal, quais são os sinais de que o trabalho de parto realmente começou e é chegada a hora de ir para a maternidade?

Antes de continuar, é importante deixar claro que as…

Ver o post original 1.219 mais palavras

Puerpério. Sangue, suor e lágrimas.

Para encontrar consigo, com suas dores, suas aflições é necessário estar só.

E estar só não é estar apenas isolado fisicamente, mas sim estarmos conectamos com nosso interior.

Hoje em dia quem fica consigo mesmo? Temos a nossa disposição fones de ouvido, televisão. Trabalho em excesso, viramos praticamente andróides desse sistema, programados para não pensar de maneira autônoma.

O andróide perfeito é aquele que nada mais faz além de seguir a risca o script da vida. Estuda, trabalha, bebe, viaja, churrasco, compras. Alivia suas dores sem se preocupar com a causa.

Não ouve seu eu interior, relega sua intuição a último plano. Pode se intelectualizar demais, trabalhar demais, comprar demais.

Tudo isso para não estar a sós consigo mesmo. Quantos desses sobreviveriam com sua sanidade mental preservada num mundo sem energia? Sem computadores, sem televisão?

Por isso o puerpério é um período sabido de dureza, de ambiguidade de sentimentos. Mergulhamos na alegria e na dor.

E ninguém te conta isso. A mulher é infantilizada e reduzida a sombra. Ela, seu parto, suas dores, afinal, o bebê está vivo, não? O que importa saber de suas feridas. Por que perguntar ou acolher sentimentos? Dá trabalho. Não temos ouvintes, pessoas sabem perguntar como vai seu celular, mas não sabem perguntar como vai seu coração.

E se ele não está despedaçado por algum motivo, inevitavelmente ele começará a se fragmentar.

Puerpério é aquele período que você se conecta com si mesma a força. É cru. É acordar e amamentar durante a madrugada ouvindo o silêncio das horas. É você, seio, leite, bebê e pensamento.

O mundo exterior é chamativo e sedutor. As vitrines te convidam a vestir a roupa impossível. O trabalho te enlaça, porque fomos ensinados que nosso valor como pessoa está interligado ao que desempenhamos formalmente.

Se você pratica boas ações, se você canta, se você escreve, se cozinha bem, se é uma boa ouvinte nada importa. Para ter valor é necessário: Acordar cedo, engolir o café, vestir a farda e sair. Bater cartão e trabalhar das 08:00 as 18:00.
Porque se você trabalha com horários mais flexíveis, se é empreendedor você não trabalha e portanto não presta.

E a volta ao trabalho começa a virar uma angústia enorme que você imaginou nunca existir.

E você se culpa, sem saber. Cria um sentimento pesado e negativo dentro de si que não enxerga. Mais correntes se juntam as que existem: Educação da família, medos coletivos, inseguranças inconscientes te puxam para baixo fazendo sua caminhada no chão de lama do puerpério se torne mais difícil e dolorosa. As vezes impossível.

E com tantos contaminantes que você sequer sabe que existem porque fomos condicionados a viver uma vida conectada com exterior, vamos desabando.

Lágrimas cortantes são derramadas no escuro da madrugada, a demanda do bebê parece infinita, fatores físicos como dificuldade em amamentar, restrição de sono, falta de rede de apoio, pressão pela normose, por uma vida estável te esmagam.

Quer surtar e não pode. Se sente amordaçada, presa, irritada, desanimada. Insegura.

É assim que esse mundo hostil quer que você se sinta. A programação deles enfim funciona. Só que o puerpério antes vilão vai te proteger, vai te levar a um despertar consciencial forçado.

Se antes o trabalho era seu único refúgio referencial hoje você se perde. Seu coração se derrama pelo bebê numa intensidade e pureza de sentimentos nunca antes experimentado.

Se você se consolava consumindo, sorry. As roupas do shopping não te seduzirão mais, porque mesmo que você caiba nelas, não terá disposição, disponibilidade ou tempo para compras. Você tem um bebê plugado no seu seio. De repente ambientes fechados te deixam com uma terrível sensação de falta de ar. Já fica tanto em casa…Quer sentir o sol. O vento. Quer ver as estrelas. Quer outras mulheres, sua energia, seu carinho.

Descobre que juntas somos mais fortes.

Com outras mulheres algo que você não fazia a muito tempo acontece. Você se conecta!

Partilha lutas, experiências e sai dessa solidão que não foi teu filho que te condicionou, mas sim a nossa sociedade que está apenas interessada na nossa produtividade comercial.

Para empregadores nessa sociedade patriarcal, pouco importa seus sentimentos, seu seio rachado e sangrando, seu filho que perdeu peso. Ele sorri de canto de boca, te olha de soslaio e estende o calendário dizendo o dia que você deve voltar, refeita para produzir o pão e ficar com as migalhas.

Pouco importa se você tem amigos, como se sente. Não querem pessoas conectadas, que encontram a felicidade na troca energética positiva. Querem secar suas lágrimas com compras, com trabalho ou até mesmo intelectualização em excesso. Apenas não encontre consigo mesma.

Mas você despertou. O puerpério te trouxe para dentro de si. Na escuridão você se encontrou.

Sua outra metade, forte, guerreira da luz. Descobre uma força imensa.

Encontrou com suas dores e aflições. Se conectou com si e sobreviveu, renasceu.

Por isso o puerpério é um período difícil, além dos fatores desestabilizantes externos, temos nosso interior fragmentado e desconhecido. Traumas que vem a toda, que estavam escondidos e submergem das profundezas.

A boa notícia é que após o puerpério você não será mais a mesma. Estará diferente, mais questionadora, mais corajosa, mais conectada com seu interior.
Vai vicejar, vai florir. Fará as pazes com seu lado escuro e de menina se tornará mulher.

Puerpério é difícil, intenso e cru, mas promove a maior transformação que uma mulher pode atravessar. É o refinamento pelo fogo. Sujeiras são eliminadas e uma nova forma de ser surge.

Parto é entrega, puerpério é enfrentamento, superação.

Você vai sair do casulo que viveu toda uma vida sem se dar conta, diferente. Forte.

Renascida.

fenix

O poder da mente no parto.

11051789_1778379652388805_751081235638640440_n

Preparação mental para o parto. É importante!

“Acreditar é uma coisa muito séria. Quando você acredita numa ameaça, suas glândulas reagem, despejando um excesso de adrenalina e todo excesso complica a saúde. Quando você acredita numa coisa boa, o corpo também se prepara, colocando na corrente sanguínea os hormônios da satisfação e isso ajuda a sua saúde e a sua forma de encarar os desafios. Quanto mais o seu discurso positivo aumenta, tanto mais o corpo procura se alinhar nas condições positivas.

Você pode imaginar as consequências de um estado mental depressivo. Combater tal estado é uma necessidade imperiosa de todos os dias, todos os dias, todos os dias. Manter-se em cima, de alto astral tem sido a maior luta dos humanos. Agora, e como acreditar numa coisa boa, quando vivemos uma coisa ruim? O esforço dobra, porque pelo tempo que for necessário a sua paz, você lutará para afastar a sua mente do que te faz mal. Às vezes, é preciso ter coragem e romper também com lugares, circunstâncias e pessoas que já não acrescentam nada em sua vida.” –

Nilsa Alarcon e J. C. Alarcon

***

A mente tem um poder imenso sobre nossas ações. Cuidar de nossa saúde e bem estar mental é tão importante quanto fazer todos os exames no pré natal.

Já pensou em se afastar de pessoas que se aproximam de você para plantar negativa e insegurança? Que sempre tem na ponta da língua uma história trágica?

Trabalho de parto não é um caminho linear. É íngreme, a percepção de tempo muda, o estado de consciência se altera e é no seu mundo interior que você irá se apoiar. É confiando em sua força, sua capacidade de parir que você irá transceder limites. Nas minhas contrações eu imaginava um abraço que trazia meu filho para perto de mim. E agradecia! Imagina meu corpo como um caminho de flores, perfeito que meu filho percorreria.

Positividade é nossa força, nosso motor. Não deixemos que poluentes o prejudiquem.