Florescimento pessoal, hortelã e robótica

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Fotografias. Quanto tempo longe delas.

Vi uma reportagem onde mostravam a importância das aulas de robótica. A justificativa é que as aulas incentivavam a criatividade da criança.

E me pus a pensar, olhei minha hortelã que plantei num vaso pequeno. Outra hortelã foi plantada num vaso maior. As duas estão vivas, fortes, porém a hortelã do vaso maior ampliou suas raízes e encheu o vaso. A do vaso menor se vira como pode. Espichou, está bem alta, mas se mostra em dois ramos apenas.

A diferença gritante das duas é a altura. A do vaso maior está mais cheia e baixa. A do vaso menor está encolhida, porém mais alta.

Assim somos nós. Humanos. Crianças ou adultos, o que precisamos mais do que aulas de robótica é espaço para florescermos e nos desenvolvermos.

A vida corrida, comprada e rotulada nos poda o tempo todo. Poda a risada, poda os rabiscos “ilógicos”, poda o violão arranhado. Alguém disse que se for fazer tem que ser perfeito e se não for rirão de nós. E para que fazer se podemos comprar? E se dá pra comprar para que fazer? Perda de tempo!

E não é só enlatados, sucos artificiais e congelados que compramos. Compramos a ideia de um sistema que nos cria num vaso pequeno. Crescemos, com cargos altos, com salários nem sempre satisfatórios, com carros mais caros que nossa casa mas não expandimos nossas raízes.

Não nos elevamos espiritualmente verdadeiramente. Vamos à busca de Deus torcendo para que o carro que compramos seja visto. Que o sapato seja admirado. Enquanto isso que se dane o gato machucado, o cachorro faminto, o idoso doente. A puérpera que chora sozinha em casa, o seio rachado, sangue. Que se dane!

Doamos só pra ter desconto no imposto de renda. Onde está nossa elevação real?

Quem sabe e toca em paz algum instrumento? Será que temos esse tempo para perder?

Hoje com dias calmos me encontro. Minha varanda está verde e cheirosa. Borboletas a visitam, minha varanda de apartamento!

Voltei a fotografar, era meu hobby. Havia comprado a máquina e ela estava na gaveta. Meus olhos só passavam pelas coisas, apressados. Hoje eles repousam. Enxergam aquela poeirinha suspensa que o sol revela.

Assisti a vários filmes bacanas esses dias. Sempre amei a sétima arte e já havia perdido há muito tempo o prazer de assistir um filme. Não tinha tempo.

Livros! Eles, sempre eles. Minha paixão. Não lia e por não ler não escrevia. Estava no automático, quietinha, florescendo timidamente num vaso apertado.

A vida no vaso apertado era limitada a florescer para cima. Se o vaso da minha hortelã cair ela morre facilmente porque existem apenas dois ramos. Se o vaso maior cair a quebra será menor. O vaso está cheio de ramos e folhas. Baixas mas abundantes. Se quebrar um ramo, sobrarão mais 09 ramos cheios de folhinhas.

Meu filho me tirou a força desse vaso apertado. Ele me devolveu a vida de verdade, a vida criativa, aquela que floresce quando temos espaço e que não precisa de aulas de robótica para nada.

Despertemos, enquanto existe vida há tempo!

Dancem, cantem, plantem. Fiquem de ponta cabeça, peguem o caminho contrário, aprendam a tocar um instrumento. Façam por amor o que forem fazer e não apenas por dinheiro. Não se submetam, questionem. Vivam.

Floresçam.

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