Parto normal está bom!

Com seu neto, nascido de maneira respeitosa 31 anos depois de seu primeiro parto.
Com seu neto, nascido de maneira respeitosa 31 anos depois de seu primeiro parto.

“Não quero um parto humanizado, não precisa de tanto. Um parto normal está bom.”

Ouvi essa frase muitas vezes. Gostaria de pertencer aqueles corpos, mente e coração para sentir esse desejo. Para decifrar o que as pessoas lêem como parto humanizado.

Imagino que as pessoas entendem o parto humanizado como aquele parto que a mulher não pede analgesia. Que ela tem o bebê em casa, apenas com doula.

Parto humanizado é aquele que a mulher é respeitada e protagoniza esse momento. Ponto. Não existe escala. Não existe pódio.

Mas esses detalhes deixarei para outro post, hoje falarei sobre parto normal, só que um parto normal há 32 anos, no hospital.

Nadja Prado abriu seu coração, expos suas feridas nesta entrevista onde relata como seus filhos vieram a vida.

Ela teve dois partos normais violentos, com plantonistas. O que ela relatou ainda acontece quando mulheres desejam parir, com um agravante: Finalizam com cesáreas desnecessárias.

Leiam e reflitam. Parto normal no Brasil é normal mesmo? É respeito? É normal como a palavra sugere?

Entrevista emocionante. Relatos de uma vida, de décadas atrás, que ainda vive intensamente nos hospitais do Brasil.

Semearmos: Qual sua referência de parto em sua vida? Como surgiu seu desejo de engravidar?

Nadja: Esse surgiu depois que casei e foi compartilhado com meu marido. Um mês depois de casada engravidei.

Semearmos: Qual era a troca de experiências sobre o parto?

Nadja: Nenhuma. As mulheres não falavam sobre parto. Quando engravidei não havia essa conversa. As conversas que haviam era sobre o sexo de bebê, médico do pré natal, roupinha de bebê, berço, quarto decorado. Ninguém discutia via de parto. Era um ritual, quando as mulheres sentiam dores iam para o hospital. Falava-se muito na dor, mas ninguém explicava como poderia ser amenizada. Não havia informação, íamos para o hospital e ponto.

Semearmos: Como foi a sua experiência de parto normal hospitalar? Teve preparo, auxílio da família?

Nadja: Não tive auxílio do médico, ele não passava nenhuma informação sobre sinais do trabalho de parto. Eu simplesmente comecei a sentir dores e fui desesperada para o hospital achando que iria dar a luz em poucas horas.

Semearmos: Como foi sua recepção por parte da equipe hospitalar?

Nadja: Foi horrível. Me colocaram num quarto sozinha e ali eu comecei a ter as contrações. A dor foi aumentando, eu gritava e ninguém me acudia. Eu senti muita fome. Internei cedo e minha filha nasceu a tarde. Eu tinha sede. Delirava pensando em comida e bebida.

Me informaram que eu não podia beber e nem comer. A cada hora um médico vinha fazer o exame de toque.

Semearmos: Eles pediam licença? Informação a você sobre o procedimento?

Nadja: Eles não diziam nada. Eu estava morrendo de dor, o médico chegava na sala com enfermeiras, fazia o exame de toque e dizia:

-Não está na hora. E saia. Eu ficava sozinha, até o momento que me levaram para uma sala de cirurgia e as coisas pioraram ainda mais.

Semearmos: Pioraram por quê?

Nadja: Houve segundo eles uma demora na hora do nascimento. Pediram para eu fazer força, eu fazia, mas não tinha dimensão desta força. Estava anestesiada. Diziam durante a aplicação da anestesia que se eu me mexesse ficaria paralítica. Uma coisa horrível, tudo traumático. Num determinado momento uma enfermeira colocou todo o peso dela sobre a minha barriga. E ela dizia que fazia isso para me ajudar. Foi horrível.

Semearmos: O que você sentiu? Acha que isso era certo? Achava que poderia ter recebido um tratamento diferente? Sofreu episiotomia?

Nadja: No primeiro parto não tive episiotomia, mas no segundo sim. Um corte imenso, minha vizinha que viu a extensão. Mal conseguia sentar de tanta dor. Minha filha nasceu com o braço quebrado, sai com ela com o braço enfaixado.

Não tinha o que questionar. Nós fomos ensinadas a obedecer, os médicos sabem de tudo. Se o médico colocasse o pé na barriga não questionávamos. Estávamos imersas numa ignorância total.

Semearmos: E a questão da amamentação? Como fluiu a amamentação no hospital? Você teve contato pele a pele?

Nadja: No caso da minha filha foi uma demora muito grande e me deixou preocupada. Depois de horas fui amamenta-la. Não sei como ela foi alimentada, a vi no dia seguinte. Mulheres se informem. Hoje vocês tem informação. Minha filha pariu naturalmente, com respeito. Eu estava presente. Vi meu neto nascer rodeado de amor. Ela reescreveu a minha história.

Quantas Nadja recebem seus filhos por um parto normal violento, muitas vezes sem se darem conta?

Parto humanizado não é apenas um parto vaginal, é regaste da essência feminina, superação, amor. É protagonismo, respeito a mulher.

Plano de Parto – Tudo o que você precisa saber!

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Plano de Parto.

Quando ouvi essas três palavrinhas pela primeira vez na minha gestação arrepiei. Na época as gestantes de minha cidade entregavam planos de parto nos hospitais, protocolavam. E eu ai, sem saber nem por onde começar.

Plano de Parto era definitivamente uma novidade na minha vida e acredito que na de vocês.

Hoje existe uma atenção muito grande voltada a elaboração de planos de parto.

Se você conta com uma doula, certifique-se de que ela irá orientá-la na elaboração do mesmo. Senão, sigam as dicas que deixarei aqui de forma clara.

Plano de Parto não é um bicho de sete cabeças para ser criado. Não é um TCC ou uma tese que precisa ser defendida em alemão.

Sua confecção não demanda muito tempo. Eu fiz meu plano de parto em 40 minutos depois que compreendi qual sua função e seu mecanismo de empoderamento.

Plano de Parto nada mais é que uma carta, onde você gestante vai listar o que gostaria de ter ou não no seu parto. É um documento, uma forma de comunicar a equipe quais procedimentos você gostaria ou não que fossem realizados durante seu parto.

Algumas dicas se seguidas sistematicamente trarão um norte para vocês mulheres que ainda não possuem seu plano de parto.

  • Plano de parto deve ser feito tanto para parto domiciliar quanto para parto hospitalar.
  • Para quem optou pelo parto domiciliar a confecção dos dois deve ser feita pois em caso de transferência seus desejos se mantêm documentados.
  • Imprima duas vias. Uma fica com você e a outra vai para a instituição hospitalar e/ou equipe.
  • Nunca copie e cole um plano de parto, pois o mesmo é individual. No meu plano de parto domiciliar solicitei que todas da equipe ficassem descalças. E para você ai no frio do Sul do país? Minha necessidade é igual a sua? Temos as mesmas vontades?
  • Ligue para os hospitais que irá entregar e cheque horários de entrega e pessoa responsável pelo recebimento. Se entregar na secretaria peça que a funcionária assine e carimbe a via que ficará com você. Isso é o tal protocolo comprovando que você entregou o mesmo.
  • Aqui em Campinas os hospitais passaram a rejeitar a entrega antecipada do plano de parto. O mesmo é entregue no ato da internação e seus termos negociados com a equipe no momento. Se informe para não perder viagem.

Quando redigir seu plano, seja educada. Exponha seus desejos preferencialmente embasando-os com evidências científicas.

Ana Cristina Duarte disponibilizou um modelo de plano de parto no livro Parto Normal ou Cesárea – Tudo que a mulher precisa saber. O interessante é a ordem adotada para a exposição dos desejos, o que torna sua exposição clara e te dá a possibilidade de dividir as cartas, se assim desejar por deixar os cuidados com o bebê desmembrados.

Você pode acessar o modelo de parto dela aqui: Plano de Parto

A estrutura é:

TRABALHO DE PARTO -> PARTO -> APÓS O PARTO -> CUIDADOS COM O BEBÊ -> CASO A CESÁREA SEJA NECESSÁRIA.

Para fazer seu trabalho de parto você precisa estar informada. Sei de casos em que o hospital convocou a gestante para uma reunião e discutiu ponto a ponto das solicitações. E ai? Como você vai defender seus desejos se copiou de outras pessoas?

Como você vai solicitar a não tricotomia se por exemplo tem por hábito manter a região genital sem pêlos? E se você não souber o que essa palavra significa? E se você não compreender o motivo de uma negação a uma possível tricotomia?

Por este motivo ter uma doula conectada, disponível e informada para iluminar seu caminho é benéfico e aumenta sua segurança.

Decidi partilhar meu plano de parto com vocês. Meu parto foi domiciliar e eu redigi duas cartas. Uma para a equipe domiciliar e outro para o hospital. Os dois tiveram pedidos muito distintos e o hospitalar seguiu a estrutura do modelo do plano de parto da Ana Cristina Duarte com acréscimos meus.

PLANO DE PARTO DOMICILIAR

Olá! (nome da parteira)

Meu plano de parto já vive em minha mente e coração, agora chegou a hora de compartilhar com vocês meus desejos e anseios neste momento tão especial.

A estrutura dos desejos segue abaixo.

Trabalho de Parto

  • Gostaria que meus animais, meus irmãos de quatro patas, (Bituca, Clarice, Nina Simone e Léo) ficassem livres pela casa, me acompanhando neste momento sem nenhuma restrição. Todos são dóceis, castrados, vacinados e não tem acesso a rua. E sim, possuem a mesma importância de um filho.
  • Gostaria de me alimentar, de ingerir líquidos e de poder me movimentar livremente.
  • Quanto ao uso do celular, peço o uso do mesmo em caso de necessidade. Acredito que a energia, a conexão deste momento não devam ser interrompidos por estímulos externos.
  • Gostaria que respeitassem minhas músicas e minhas orações. Independente da crença dos membros da equipe, não gostaria de sentir nenhuma reprovação implícita.
  • Gostaria de ser informada sobre qualquer anormalidade que transcorra durante o Trabalho de Parto. Não gostaria de ser poupada de informação nenhuma, seja boa ou ruim.
  • Gostaria de manter a bolsa íntegra caso a mesma não esteja rompida.

 Parto:

  • Aceito sugestões, mas gostaria que a decisão final sobre posicionamento fosse decidida por mim intuitivamente durante o parto.
  • Não quero receber nenhuma informação externa. Seja reclamação de vizinhos, do síndico ou quem quer que seja. Por favor, ocultem tudo de negativo do mundo externo de mim. Quero viver essa experiência em sua integralidade sem interferências.
  • Televisão não será ligada em hipótese alguma.
  • Em caso de vocalizações mais altas, independente do horário não quero ser repreendida em nenhum momento.
  • Não gostaria que a palavra “força” fosse mencionada. Meu corpo a fará quando necessário.
  • Dispenso rompimento manual do períneo, tipo dar uma “esticada” com os dedos. Prefiro lacerações naturais a as mecânicas.
  • Gostaria que a iluminação fosse assim como a disposição de incensos e músicas fossem mantidas da forma que escolhi.
  • Após o nascimento quero ser a primeira pessoa a tocar no meu filho. Se for na água gostaria de decidir no momento qual a hora de retirá-lo de lá para trazê-lo aos meus braços. Sei que vou parir um homem e não um peixe abissal, mas neste momento quero o meu tempo, suave e sem pressa.
  • Gostaria que o pai cortasse o cordão após o mesmo ter parado de pulsar.
  • Como alternativa a transferência do domicilio para o hospital, caso a placenta não seja expulsa, aceito a administração de medicamentos e massagens.
  • Em caso de transferência não gostaria que vizinhos ou funcionários do prédio fossem informados sobre o motivo da mesma.

Cuidados com meu boneco

  • Dispenso a administração de nitrato de prata ou antibióticos oftálmicos. Meus exames estão todos perfeitos, sem infecção de qualquer espécie ou doenças venéreas.
  • Gostaríamos que fosse realizada a administração de vitamina K.
  • Quero fazer a amamentação sob livre demanda.
  • Gostaria de ser informada sobre qualquer intercorrência que venha a acontecer com o bebê, não importa o quão dolorida seja a informação no momento.
  • Em hipótese alguma, oferecer água glicosada, bicos ou qualquer outra coisa ao bebê.
  • Gostaria que a decisão de dar banho e quando dar banho fosse restrita a mim e ao meu marido.

Tudo o que escrevi aqui já está sacramentando por conversas e vi no coração de vocês todo o bem querer. Não poderia escolher equipe melhor para me ajudar nessa jornada, para conduzir meus passos, os primeiros nesse mundo de maternagem.

Que o dia, o céu, a lua e as estrelas que o Álvaro escolher para reencarnar seja tão especiais para vocês como será para mim.

Obrigada por todo o carinho e atenção.

Campinas, 24 de Janeiro de 2014

Assinatura (Mãe e Pai)

PARTO HOSPITALAR

Estamos cientes de que o parto pode tomar diferentes rumos por ser um evento fisiológico, porém não abrimos mão de que o amor e respeito estejam presentes neste momento tão único e especial para nós.

Abaixo listamos nossas preferências em relação ao nascimento de nosso bebê, caso tudo transcorra tranquilamente. Sempre que os planos não puderem ser seguidos, gostaríamos de ser previamente avisados e consultados a respeito das alternativas, antes das mesmas serem realizadas.

Nosso consentimento informado é essencial para cooperação e compreensão do que se passa neste período.

Trabalho de Parto

  • Presença do meu marido e doula.
  • Ser chamada pelo meu nome e não pelo número do quarto ou do leito.
  • Sem tricotomia (raspagem dos pelos pubianos) e enema (lavagem intestinal).
  • Sem perfusão contínua de soro e ou ocitocina
  • Liberdade para beber água e sucos enquanto seja tolerado.
  • Liberdade para caminhar e escolher a posição que quero ficar.
  • Liberdade para o uso do chuveiro.
  • Monitoramento fetal: apenas se for essencial, e não contínuo.
  • Analgesia: peço que não seja oferecido anestésicos ou analgésicos. Eu pedirei quando achar necessário.
  • Sem rompimento artificial de bolsa.

Parto

  • Prefiro ficar de cócoras ou semi-sentada (costas apoiadas).
  • Prefiro fazer força só durante as contrações, quando eu sentir vontade, ao invés de ser guiada. Gostaria de um ambiente especialmente calmo nesta hora.
  • Não vou tolerar que minha barriga seja empurrada para baixo.
  • Episiotomia: só se for realmente necessário. Não gostaria que fosse uma intervenção de rotina. E que fosse informada de sua real necessidade para ter a escolha de  aceitar ou não.
  • Gostaria que as luzes fossem apagadas (penumbra) e o ar condicionado desligado na hora do nascimento. Gostaria que meu bebe nascesse em ambiente calmo e silencioso.
  • Gostaria de ter meu bebe colocado imediatamente no meu colo após o partocom liberdade para amamentar.
  • Gostaria que o pai cortasse o cordão após o mesmo ter parado de pulsar.

Após o parto

  • Aguardar a expulsão espontânea da placenta, sem manobras, tração ou massagens. Se possível ter auxílio da amamentação.
  • Gostaria que minha placenta fosse armazenada e descartada por mim posteriormente onde eu julgar melhor.
  • Ter o bebê comigo o tempo todo enquanto eu estiver na sala de parto, mesmo para exames e avaliação.
  • Liberação para o apartamento o quanto antes com o bebê junto comigo. Quero estar ao seu lado nas primeiras horas de vida.
  • Alta hospitalar o quanto antes.

Cuidados com o bebê

  • Administração de nitrato de prata ou antibióticos oftálmicos apenas se necessário e somente após o contato comigo nas primeiras horas de vida.
  • Administração de vitamina K oral (nos comprometemos em dar continuidadenas doses).
  • Quero fazer a amamentação sob livre demanda.
  • Em hipótese alguma, oferecer água glicosada, bicos ou qualquer outra coisa ao bebê.
  • Alojamento conjunto o tempo todo. Pedirei para levar o bebê caso esteja muito cansada ou necessite de ajuda.
  • Gostaria de dar o banho no meu bebê e fazer as trocas (ou eu ou meu marido).

Caso a cesárea seja necessária

  • Exijo o início do trabalho de parto antes de se resolver pela cesárea.
  • Quero a presença da doula e de marido na sala de parto.
  • Anestesia: peridural, sem sedação em momento algum.
  • Na hora do nascimento gostaria que o campo fosse abaixado para que eu possa vê-lo nascer.
  •  Gostaria que as luzes e ruídos fossem reduzidas e o ar condicionado desligado.
  • Após o nascimento, gostaria que colocassem o bebê sobre meu peito e queminhas mãos estejam livres para segurá-lo.
  •  Gostaria de permanecer com o bebe no contato pele a pele enquanto estiver na sala de cirurgia sendo suturada.
  • Também gostaria de amamentar o bebê e ter alojamento conjunto o quanto antes.

Agradeço a equipe envolvida e a ajuda para tornar esse momento especial e tão importante para nós em um momento também feliz e tranqüilo como deve ser.

Muito obrigada,

Campinas, 24 de Janeiro de 2014

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Assinatura:  Mãe / Pai

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Assinatura do Médico Obstetra

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Assinatura do Pediatra

Com as mulheres que doulo indico o uso da ferramenta de gestão SWOT para análise de cenários. Seu uso é ligado a gestão empresarial, mas dada a sua simplicidade pode ser adaptada para outros cenários, incluindo a formulação de seu plano de parto.  É um ponto positivo de partida para a organização de idéias e medidas estratégicas.

As figuras abaixo ilustram como essa ferramenta pode ser útil na definição de estratégias.

Imagine o seguinte impasse: Você deseja um parto domiciliar, porém sua DPP cairá bem durante o Carnaval, época em que as ruas de seu bairro ficam interditadas.

Como traçar o Plano B em caso de remoção?

É ai que a ferramenta SWOT costuma ser extremamente útil para a resolução deste impasse.

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Matriz SWOT

Plano de parto é essencial.

Pensem com carinho, atenção e tenham informações claras ao redigirem o de vocês.

Nele seu desejos tomam forma!

Não use a palavra DOULA. Desista.

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Se você pensa em usar o nome doula para promover uma modalidade de trabalho  descomprometida com a humanização do parto, desista.

Você não é doula. Procure outras palavras: Acompanhante, cuidadora. Invente! Personal pregnant! Partner, gourmetize qualquer outra palavra, mas não use a palavra doula. Não trabalhe e se identifique como doula. Não procure distorcer o trabalho da verdadeira doula ou tente dar outro sentindo ao que ela já possui.

Se você pretende trabalhar de maneira que não seja pactuada com a intenção de humanizar o momento do parto, respeitar o protagonismo da mulher e fazê-la soberana diante de sua vontade de parir, desista. Faça o que quiser mas não use a palavra doula.

Se você deseja trabalhar de maneira a priorizar instituições e políticas pessoais partidárias, desista.  Não use a palavra doula.

Se você enxerga a mulher que gera como um cifrão, uma presa fácil, um ser vulnerável que quer apenas sentar em círculo em cima de um colchonete e participar de um chá com sorteios no final de uma tarde amena, por favor use outra palavra para identificar suas atividades. Faça o que quiser, o que sua ética guiar, mas não use a palavra doula.

Doulas são servas. Dão apoio físico e emocional antes, durante e após o parto. E parir é bicho feio no Brasil. Parir com respeito então! Raridade.

Quem quer parir precisa lutar e doulas são ponta de lança nesse processo de luta, da humanização do nascimento.

Doulas não são aproveitadoras que enxergam nesse desejo um segmento propício apenas para ganhar dinheiro. Por que são doulas. A isso damos o nome de oportunistas.

Essas sim se apropriam, fazem usos e abusos desse nome. O utilizam, se identificam, pegam o bonde da humanização e querem andar na janelinha sem estarem vinculadas com os pilares que sustentam esse movimento.

Se você tem esse lema consigo, tudo bem.  Venha como um trator arar o solo sensível das fêmeas que desejam parir. Venha com sua imensidão e comercialização de eventos. Seja a megastore da humanização.

Chegue desapropriando as mercearias e se estabeleça como um grande hipermercado do nascimento de bebês. Suas luzes brancas e frias e seus corredores imensos e sem fim mostrarão o objetivo a que vieram.

E depois de um tempo ficará claro que as pequenas vendas, os cafés de uma porta só, as mercearias continuarão de pé porque tem consistência. Tem consciência. Tem ativismo, seja no megafone, seja nos postos de saúde, seja em palavras ditas ou escritas. Tem coerência. Tem estatísticas.

As fêmeas que querem parir têm astúcia. Faro aguçado, instinto a flor da pele. A luz branca de seus corredores vai incomodar porque elas querem delicadeza ao terem a terra de seus corações aradas.

Querem olhos nos olhos, abraço. Aconchego. Discurso e prática. Sua sombra tem 04 patas é selvagem e seu uso e abuso de práticas não sedimentadas com a humanização, mesmo usando o nome de um elemento que existe apenas nele ficarão claros.

Então desista. Faça o que quiser, mas não use o nome doula.

Doula não é um chaveiro caro que você pendura numa bolsa. Doula é luta. Doula não é perfumaria. Se você quer um plus a mais para o nascer do seu filho, para falar para as amigas, procure uma acompanhante e não uma doula. Porque doulas tem outra função, outro objetivo, outro cenário.

Ficou claro qual o objetivo de uma doula?

Se ficou e você é uma doula de verdade, insista. Senão, por favor. Desista.

Vida simples. Acorde, você está vivo!

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Vida simples.

O que estas duas palavras despertam em você?

Medo? Falta de prosperidade? Vida difícil? Vida dura? Vida pobre? Vida plena?

Ouvi estas palavras há uns dois anos atrás e quando tomei conhecimento de que é possível levar uma vida simples e satisfatória me vi liberta de muitas angústias criadas pela vida moderna e alimentadas por anseios internos que muitas vezes não condiziam com minhas condições reais.

Nesse ponto exato nasce a frustração, raiz de uma porção de sentimentos negativos.

Frustração leva a angústia, raiva, sentimento de incapacidade. Chega até mesmo a bloquear nossa criatividade porque a raiz da criatividade é a serenidade, paz e introspecção.

Quando nos frustramos nos conectamos com coisas externas e não com nosso interior corajoso, forte e intuitivo.

Hoje em dia temos muitos facilitadores que na verdade são um engodo. Parecemos ratinhos dentro de uma gaiola, correndo numa roda sem objetivo algum. Usamos nossa energia vital em coisas irrelevantes.

Neste post abordarei as questões materiais para termos uma vida simples, mas no próximo entrarei nas questões emocionais e afetivas que nos causam angústia e podem ser trabalhadas.

Vida simples é aquela que você tem tempo e disposição para se conectar com a vida. É um estilo de vida que não é voltado à quantidade, acúmulo. Mas sim a qualidade, até mesmo ao desprendimento.

Quem opta por um estilo de vida simples pode exercer autonomia sobre sua própria vida e escolher o que mais se adapta a sua rotina.

Se para você é mais prático sair para comer fora, tudo bem. Apenas coloque na balança o peso disso, mesmo que futuramente. Sobrepeso, falta de vitalidade por ingerir alimentos sem procedência, sem amor no preparo com substâncias prejudiciais.

Quem decide é você.

O que vou compartilhar são medidas que foram úteis para minha família se depreender dos complicômetros diários. Ressaltando, o que funciona para mim pode não ser adequado para você.

1-) Redução de gastos com vestuário.

Minha fatura de cartão de crédito sempre batia nos 04 dígitos. Meu marido seguia o mesmo rumo.

Com o tempo se tornou desgastante trabalhar para pagar faturas de cartões tão altas. E a energia entregue no trabalho era a do medo. Isso gerava a exaustão máxima, trabalhava muitas horas, períodos noturnos, feriados, finais-de-semana para manter um estilo de vida que nos tirava totalmente a autonomia e que nos levava para o acúmulo de bens.

Vi que não precisava de 50 pares de sapato, 40 bolsas e mais 30 jeans.

Não preciso de um móvel apenas para guardar brincos e colares, mas dessa percepção até a queda na fatura foram bons 06 meses.

Precisávamos frear os gastos e vimos que gastar era um hábito. Sair de casa e voltar de mãos vazias era impossível. Todas as esquinas as lojas se mostravam como atrativo e nos empurravam produtos desnecessários.

Conscientes disso, quebramos os cartões e paramos de gastar. Puxamos o freio, mantivemos os ganhos e diminuímos os gastos.

Minha necessidade secundária era me desapegar de tudo aquilo que eu havia comprado. Me desfiz de quantidades oceânicas de roupas e vi que posso me vestir bem tendo poucas peças, porém nosso acordo aqui era e sempre foi comprar coisas de qualidade quando necessário.

Dois anos depois vejo que isso fez toda a diferença. Não preciso comprar mais nada porque minhas coisas tem qualidade e portanto duram.

Com uma dose extra de esforço paramos de gastar e com 01 ano nossa fatura de cartão estava zerada.

O dinheiro que era destinado ao cartão guardamos com o intuito de termos uma reserva e de gastar com educação.

Ao invés de voltar com sacolas abarrotadas de roupas e sapatos, comprávamos livros e cd´s.

2-) Preparar nossas refeições.

Fazer nossa comida impactou de forma profunda nossa rotina.

Antes tínhamos que nos arrumar, encontrar um restaurante legal que não servisse arroz de anteontem ou molho de tomate químico e ácido sem amor.

Dá trabalho?  O que é trabalho?

É cozinhar enquanto coloca o papo em dia? É se energizar com os temperos? É se encantar com o aroma que o alimento exala?

Então para nós cozinhar não é trabalhoso, porque optamos por preparar alimentos fáceis e fazendo desse momento um ritual, não uma obrigação extenuante que precisa ser feita rápida para chegarmos ao fim.

Grãos, verduras, legumes e uma porção de proteína. Eu preparo e meu marido cuida da limpeza e se eu não estou com vontade de cozinhar, comemos um lanchinho saudável. Fim.

O custo com alimentação foi reduzido em 60%. Ainda saímos para comer fora, mas de forma pontual e em locais com qualidade. Não precisamos gastar menos porque saímos sempre, vamos a lugares legais porque nossas saídas são pontuais, basicamente 01 vez na semana, no sábado ou quando tivermos vontade.

3-) Aumentar nosso círculo de amigos.

Com uma vida mais simples, com horas disponíveis conseguimos ampliar nosso círculo de amigos. Passamos a recebê-los em casa ou visitarmos em suas casas.

Passamos noites divertidas, com fartura sem o custo monstruoso de um cinema, por exemplo. Consigo fazer jantares deliciosos, com bebidas e sobremesa gastando uma média de R$ 100,00.

Antigamente o lazer era focado em sermos entretidos, hoje em dia nossos amigos aquecem nossa alma.

Hoje recebi uma pessoa muito querida, amiga e do bem em casa. Tomamos chá, a mesa estava farta, trocamos energia de felicidade.

Hoje em dia estar feliz não é comprar. Não é estar com uma sacola cheia de roupas da moda. É estar com gente do bem, com positividade e união. Quem partilha, prospera. Em amor também.

4-) Trocar desapegos e frequentar brechós.

Troca é uma maneira muito bacana de fazermos a energia fluir sem precisarmos gastar. Já trquei livros, já doei muita coisa e recebi também. A balança está sempre equilibrada.

Os brechós mais em conta são aqueles beneficentes. Comprei cds raros e perfeitos por R$ 3,00. Eric Clapton, Marisa Monte, Nat King Cole todos de brechó.

Roupas também, mas compro apenas quando preciso. Compras independente do valor são sempre feitas de forma consciente, levando em conta inclusive sua fabricação e origem.

Esses são alguns pontos, porém simplificar a vida vai muito além de gastar menos ou desapegar de coisas que não fazem mais sentido.

Quem opta por uma vida simples se livra de sentimentos e obrigações desnecessárias. Se sente livre da culpa e dos julgamentos, não se deixa mais oprimir ou ser guiada por outros.

A vida simples nos leva a reflexão e a um despertar consciencial.

Preciso dessa amizade? Por que continuar neste relacionamento se esta pessoa é tóxica para mim?

Por que trabalhar tantas horas por dias? Por que não morar num local mais simples, reduzir custos e ter tempo livre para me dedicar a atividades que realmente valham a pena?

Essas questões começam a florescer e a vida vai ficando descomplicada. Não quer ir a um determinado evento, negue.

Hoje não faço mais nada por obrigação. Vou se sinto o chamado do meu coração. Não estou na mesma sintonia energética que determinada pessoa e se não posso auxilia-la ao equilíbrio porque a mesma não quer mudar sua sintonia. Tudo bem. Me afasto.

Sem traumas. Simples. Sem culpa.

No próximo post falarei sobre a vida emocional simples, sobre viver com o coração leve e iluminado.

É isso. Vida simples é vida vivida. O resto é só existência, é se prender a amarras invisíveis que só nos causam sofrimento.

Meu parto, a dor e eu – Milene Fonseca

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Finalizando as postagens dessa semana com o relato de Milene Fonseca!.

A percepção de dor dela foi bem diferente dos relatos que tivemos. Uma boa equipe, uma doula que esteja conectada com a mulher fazem toda a diferença.

A dor é real, é forte e ter uma boa assistência serve como luz para uma estrada que você mulher irá trilhar. Além da questão técnica optar por profissionais com afinidade energética é fundamental para a entrega e confiança.

“A percepção da dor foi terrível, muito mais intensa do que eu imaginava, isso porque sou bem resistente a dor. Nunca tomo remédio para dor de cabeça, nem pra cólica.

As dores apertaram por volta da meia noite e se intensificaram muito durante o frio da noite.Eu percebi total ligação com o frio que eu sentia e a dor, não conseguia ficar debaixo do chuveiro e a água da piscina estava morna, precisava dela mais quente.

As massagens q minha doula faziam eram muito mecânicas e frias, então não ajudou. Ela não ensinou nada a meu marido, então ele só segurava minha mão…A forma mais clara que eu tenho da dor era uma vontade de rolar por cima daquela barriga, pra ver se diminuía a dor, ou então cortar a região (nessa hora já pedia cesárea, rs..). Não cheguei a sentir vontade de fazer força.”

Meu parto, a dor e eu – Danielle Brito

Relembrando o dia em que descobri uma força interna que jamais imaginei possuir.
Relembrando o dia em que descobri uma força interna que jamais imaginei possuir.

Hoje teremos duas contribuições sobre a percepção de dor no parto para encerrarmos os relatos desse mês. Continuo recebendo relatos de outras guerreiras que serão postados posteriormente para po encorajamento de outras mulheres.

O relato da Danielle é um lição de garra! É rico pois ele se iniciou em casa num parto domiciliar planejado e finalizou no hospital para onde foi transferida.

“O que eu mais amei em meu parto foi que não senti raiva da dor em momento algum, pois eu sabia que aquela dor era necessária para trazer meu filho, era por um bom motivo, era pra dar vida! Apenas pedia para que fosse logo, isso sim foi difícil, claro!

Me alimentei pouco, ingeri pouco liquido, não tive vontade de fazer xixi nem coco (ou não me lembro) era difícil achar a posição confortável mas as que me senti melhor foi sentada na bola embaixo do chuveiro e de joelhos apoiada, mas essa não dava por muito tempo.

Tentei técnicas de respiração, me esquecia ás vezes de conversar com meu filho, mas a doula foi super importante principalmente nesses momentos. Medo, senti apenas na hora em que haviam passados 23 hrs de trabalho de parto totais, e meu filho ainda não estava nos meus braços, e eu recebia o alerta das parteiras, pois eu já estava exausta, por conta de não ter descansado desde o começo do trabalho de parto (as colicazinhas, que começaram perto das 04:00 do dia 04) ate a hora que ele realmente nasceu (03:48 do dia 05).

Mas infelizmente o que desencadeou esse cansaço foi uma dor diferente, tive uma especie de câimbra na perna direita e estava na banqueta de parto e fiz uma força bem nessa hora, fisgou meu nervo ciático e minha perna direita simplesmente não funcionava mais, após isso toda força era em vão para ajudar o Bernardo descer, assim eu sentia apenas dor na perna que subia e multiplicava por todo o quadril.

A transferência foi necessária, após aplicação da analgesia, fiz apenas duas forças e ele nasceu”

O buraco dentro de si e o vício em internet.

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“Estou limpa e sóbria de drogas e álcool há um certo tempo e sei muita coisa sobre vício, por isso consigo reconhecer exatamente o que está acontecendo comigo em relação à internet: estou tentando remendar um buraco dentro de mim que não pode ser consertado com coisas externas. A internet me fornece dopamina, atenção, amplificação, conexão e fuga. Ela também me distrai, decepciona e paralisa, além de catalisar uma sensação falsa de identidade. Estou me agarrando às porcarias que ainda posso usar para ficar loucona numa festa tosca de dopamina.

Além disso, não sei o que estou fazendo. Ultimamente sinto que a internet está me penetrando. Sinto como se não houvesse mais um limite em que eu termino e a internet começa. Então, estou meio preocupada.”

http://www.vice.com/pt_br/read/fiz-o-teste-voc-viciado-em-internet-e-acertei-tudo

Se você dedicar 10 minutos do seu tempo assistindo propagandas exibidas na Rede Globo em diversos horários vai notar que o carro chefe são as empresas de comunicação.

O baile gira com a Net, GVT, Claro, Oi e Tim. Você sem fronteiras. Adquira seu combo. Viva o momento conectado com o que é mais importante para você.

O molho que tempera esse sanduiche são as grandes lojas. Magazine Luiza, Casas Bahia, Extra… Vendendo o quê?

Notebooks. Celulares e televisão com acesso a internet.

Enfiam na nossa goela que precisamos de mais velocidade, de celulares melhores, de televisão cinema. E ai eu pergunto: Tudo isso tem trazido informações de qualidade para a população?

Não.

Mulheres com sessenta anos e três filhos desconhecem anatomia do seu próprio corpo. Acham que menstruação e urina saem pelo mesmo lugar. Jovens desconhecem a história recente do Brasil. Sequer sabem de músicas que tocaram na década de 70, por exemplo.

Então qual o objetivo dessa pressão absurda para nos comunicarmos?

Não sabemos o nome de nossos vizinhos. Do porteiro. Do motorista da linha. Do rapaz que sempre lava o carro. De nossos tataravós.

A grande maioria das pessoas desconhece o quão maléfico alimentos industrializados podem ser. Eu não sabia, não via mal algum em lasanhas congeladas. Não sabia quantos processos químicos são necessários para fazer um aroma artificial de abacaxi.

As pessoas hoje sabem muito pouco sobre coisas primordiais para nossa sobrevivência, mesmo tendo todo esse aparato para se comunicarem e trocarem informações.

É muito claro que comunicação e mídia são instrumentos de controle de massa, qualquer pessoa com o mínimo de esclarecimento concorda com esse fato. Hitler sabia disso e usava todo o recurso disponível para controle e manipulação.

O que as pessoas não sabem é que este excesso de tecnologia para nos comunicarmos está suprindo uma legião de VICIADOS. Isso mesmo, viciados em comunicação virtual.

Essas pessoas criaram um ego virtual de si. Um ego perfeito, espirituoso, bem humorado, bem resolvido, magro, bem vestido, cheio de amizades pelo Brasil e pelo mundo.

E para que esse ego floresça é necessário dispender muita energia vital. Para se sobressair nesse mar de pessoas é preciso se diferenciar e as pessoas usam as mais diversas artimanhas para isso.

E gastam uma energia imensa cuidando de blogs, gerando conteúdo. Tirando fotos, editando. Pensam de forma diferente, sempre tendo em mente a próxima história.

Os olhos estão sempre viciados, na bolsa sempre a máquina.

Não aproveitam o momento, não tem relações profundas, porque falta vontade e tempo. Aquela foto, aquele vídeo gerarão uma recompensa emocional muito maior. E eu nem preciso sair de casa, olhar no olho, colocar uma roupa legal.

Tudo muito passivo.

Mas assim como os drogados, likes e comentários não bastam. A quantidade precisa sempre aumentar, o ego é faminto e a pessoa totalmente desconectada de sua essência verdadeira cede aos desejos do ego e gera cada vez mais conteúdo, gasta cada vez mais energia.

E sabe que seu comportamento foge da normalidade, por isso não comenta com os mais próximos, apenas vai desaparecendo.

Uns três anos atrás vi meu marido ser resgatado por dois surfistas. Ele estava se afogando. Eles correram, passaram por mim e disseram pra eu ficar calma.

O que veio antes disso eles não sabem. Eu e ele entramos juntos no mar. Após a primeira onda trocamos um beijo e quando a segunda onda veio ele foi puxado e eu fiquei. O vi sendo arrastado para a morte.

E é assim que vejo muitas pessoas. São arrastadas pelo ego, puxada pelas pernas para estarem juntos de seus computadores e celulares absortas em relacionamentos virtuais. Chamam de amigas pessoas que nunca viram. Que nunca tiveram contato. Brigam, amam, arquitetam planos por anos com pessoas que jamais encostarão.

Antigamente as pessoas se relacionavam de maneira sadia. Cadeiras ficavam na porta de casa onde no final do dia os vizinhos conversavam. Filas de supermercado era uma opção de troca de palavras. Jantar era sagrado. As pessoas comiam, esperavam a sobremesa e ficavam papeando.

Hoje as pessoas comem a sobremesa em frente ao computador. Acordam e correm pro note. Vão para o banheiro agarradas com seus celulares.

Acompanham nascimentos, desenvolvimento de bebês da família tudo pelas redes sociais. Ninguém mais vê bebê ao vivo, é tudo pelo instagram.

Sair de casa é um martírio. Tempo que poderia ser usando arrumando fotos, gerando conteúdos gigantes, corrigindo textos enormes e aguardando as palmas, os comentários.

Isso é doença. E precisa de tratamento! Precisamos falar sobre isso!

Esse apelo desenfreado por parte das empresas de comunicação chega a ser imoral, tão imoral quanto um traficante, uma propaganda de cigarros ou mesmo a de álcool.

É vício. Pessoas precisam de tratamento, precisam de amor em suas vidas, precisam de CONEXÃO.

Aqui em casa televisão é ligada raramente e de forma pontual. Redes sociais tem tempo limite para ser usadas, eu por exemplo gero informação pro meu blog de manhã.

Escrevo super rápido, posto, compartilho. Respondo mensagens e volto só a noitinha, tudo bem rápido. Não uso whatsapp para bater papo. Para mim não rola, muito tempo perdido, no meio da madrugada o celular vibra, meu coração pula, pego o aparelho e o que vejo?

Ha Ha Ha.

Sorry, não rola.

Redes sociais para mim tem objetivos claros. Uso para disseminar informações de qualidade, compartilhar alguns momentos da minha vida com amigos, estreitar laços e trazer essas amizades para o mundo real, sempre. Grupos só atingem seu objetivo quando ele sai do virtual para o real.

Reflita, olhe seus amigos e veja quantos você conhece pessoalmente. Quantas pessoas que seguem e comentam no seu blog você já teve o prazer de conhecer? Quantas horas você perde por dia gerando conteúdo? Para que? Para quem?

A vida real é dura. As lágrimas são reais, os olhares atravessados nos cortam, mas é a vida que temos para ser vivida. E vivamos com paixão, vamos nos reconstruir, nos levantar. Vamos enfrentar os fiapos da manga. Vamos viver sem a neurose de fotografar tudo.

O belo é para ser sentido e não apenas visto. Momentos bons guardamos com os olhos do coração. Bem querer a gente transmite com um abraço sincero, com um olhar, com um colo e não com um punhado de palavras bem colocadas.

Muita gente, mas muita gente está deixando de viver a vida como ela deve ser vivida. Estão viciados, absortos e não adianta falar, porque o laço que já está tênue pode se romper porque o mega ego se protege sempre. Detesta ser “atacado” por isso é que certas portas se abrem apenas para dentro.

Isso não é uma deixa para fazer com que você viciado em internet se sinta culpado. Você apenas precisa de ajuda, de amigos reais e de amor.

Desligue a tv. Deixe o celular descarregado. Abaixe o note. Não ligue o computador.

Viva a vida.

Meu parto, a dor e eu – Carina e Débora

Débora chegando ao nosso mundo.
Débora chegando ao nosso mundo.

Vamos finalizar essa semana com o depoimento da Carina Oliveira!

Ela pariu no plantão de um hospital aqui de Campinas. Levou seu plano de parto, exigiu uma reunião para discuti-lo. Foi aceito, no dia do seu parto teve acesso a bola, chuveiro e foi assistida por uma enfermeira obstetra.

Sua filha veio ao mundo direto para seu colo onde amamentou.

Aqui a Carina conta sua percepção da dor e semana que vem teremos mais depoimentos, Dani Brito abrirá a próxima semana porque enquanto houver mulher, houver partilha, nós seremos o instrumento usado para levar informação e força para quem deseja parir.

“Eu sempre quis ter um parto natural e havia me preparado muito para aquele momento. Durante a gestação eu li muito, participei de grupos, fiz pilates, acupuntura e, principalmente, acreditava no meu corpo e no cuidado de Deus nesse momento tão especial da minha vida. Eu não teria equipe, meu plano era ter um parto hospitalar pelo plantão do convênio e com o auxílio de uma doula.

Quando estava de 36 semanas e 5 dias, à 1h30 da manhã,  comecei sentir contrações bem leves. No início acreditei que fossem de treinamento, porém após duas horas e dois banhos, eu e meu marido vimos que estavam ritmadas e fomos para a Maternidade de Campinas.  Após um atendimento ruim no acolhimento, foi constatado que eu já estava com 4cm de dilatação. Fui encaminhada a sala de  pré-parto e lá muito bem recebida pela equipe de enfermagem, que estava com meu plano de parto em mãos. Minha doula ainda não havia chegado e a equipe de enfermagem me “doulou” enquanto isso, diziam palavras acolhedoras e eram muito carinhosas, também me levaram ao chuveiro para amenizar a minha dor.

A dor era intensa, mas suportável. Meu trabalho de parto foi rápido (total 8 hs desde a primeira contração), minha dilatação evolui muito bem e quase não deu tempo da minha doula chegar! Nesses momentos que estive sozinha, tentei ficar ao máximo na posição vertical (lembrei muito do que havia estudado no livro da Janet Balaskas, “Parto Ativo”). Quando estava quase desistindo e pedindo analgesia, minha querida doula chegou! Como ela não era cadastrada na Maternidade, eu tive que optar entre a doula e meu marido. Na hora achei que a sua presença da dela seria mais útil para me encorajar e amenizar a minha dor e realmente foi! Suas massagens e palavras de incentivo foram fundamentais!

Minha bolsa rompeu quando eu estava com 10 cm de dilatação e logo fomos para o Centro Obstétrico, que já estava preparado para que eu tivesse meu bebê de cócoras. Na hora que minha bebê estava quase nascendo, a doula saiu e meu marido entrou. Que momento abençoado, sem palavras para expressar! E como foi tudo tão calmo, respeitoso… Tudo muito natural, ar condicionado desligado, ninguém me tocou, a enfermeira obstetriz amparava o meu períneo e me olhava com doçura, esperando minha filha nascer no tempo dela…  

Muitas pessoas acham que eu exagero quando digo que a dor do parto é dor de amor, mas é verdade. Sei que doeu, mas foi diferente de qualquer outra dor que senti. Uma dor para algo maravilhoso acontecer em seguida, o nascimento respeitoso da minha filha.”

Meu parto, a dor e eu – Vanessa e Vitória

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“Dor só é sofrimento se não fizer sentido algum.”

Com essa frase é que hoje abrimos o relato do dia. Vanessa Leme nos fala de maneira detalhada sobre sua percepção de dor e parto, onde foi tudo tão rápido que a doula não teve tempo de chegar!

“Eu fui agraciada com contrações “amostra grátis” quatro dias antes do parto, no dia 18/05/15, acordei a 1h da manhã sentindo uma dor que vinha pela lombar e parecia abrir os ossos da bacia, uma forte pressão na pelve, uma vontade de defecar sem a real necessidade de fazê-lo, a barriga enrijecida e baixa, as contrações eram intensas, mas muito irregulares, para aliviá-las utilizei a bola de pilates, foi maravilhoso, sentada na bola eu realizava círculos com o quadril, foram cinco horas assim, várias contrações espaçadas e irregulares, mas foi a partir delas que eu tive uma ideia do que eu enfrentaria no dia do parto.  As 6h da manhã tudo passou e nada senti pelos dias que se seguiram.

No dia 22/05/15, as 3h25 da manhã eu senti minha primeira contração, o meu trabalho de parto já começou intenso, contrações a cada cinco minutos com duração média de dois minutos, daí pra frente foi cada vez mais tenso, e eu confesso que fiquei desesperada nas primeiras contrações que senti, era tudo muito além do que eu imaginava, fui surpreendida, mas lembrei de tudo que eu havia feito para chegar até ali, eu queria aquele parto, eu escolhi passar por aquilo e precisava me concentrar, acreditar no meu corpo.

A bola de pilates não foi tão eficiente quanto havia sido há cinco dias, além disso, meu trabalho de parto foi tão rápido que não pude contar com minha doula, ela chegou muito tempo após a Vitória nascer, então para aliviar minhas dores eu mentalizava a chegada da Vitória, acompanhava (introduzindo o dedo na vagina) de tempo em tempo a descida da minha bebê. O chuveiro foi meu aliado, eu deixava a água mega quente cair na minha lombar, foi assim durante todo o trabalho de parto e quando a contração vinha com toda a sua força eu vocalizava um mesmo mantra, abria a boca, usava o meu corpo e minha voz para expressar abertura, dilatação e rebolava, mantinha o corpo em movimento, mentalizava um fluir de energias em ondas que cresciam e descreciam. A Vitória já estava coroando quando a primeira parteira chegou, uns quinze minutos antes da Vitória nascer,  ela nasceu as 5h25, exatas duas horas após a primeira contração.

Com a dor aprendi que nosso corpo é perfeito, que tudo funciona e que concentração é fundamental, mas entrega é muito mais, aprendi que a dor só é sofrimento se não fizer sentido algum, se não nos trouxer algo bom como resultado, a dor do parto não nos faz sofrer, nos faz crescer, entender a beleza da criação divina, além disso, assim que o bebê nasce é como se nada tivesse acontecido, a felicidade é tão grande, o amor, a satisfação de ter seu filho nos braços, é incrível.”

Meu parto, a dor e eu – Liv e William

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E quem partilha hoje sua experiência de dor no trabalho de parto conosco hoje é a Liv!

Ela se informou, mas não contou com uma doula. E disse que jamais pariria novamente sem contar com uma doula nessa caminhada.

Cada história, um aprendizado e nesse relato fica claro a necessidade de jamais subestimar a dor.

“Olha, é difícil falar sobre isso por que o desfecho não foi o que eu gostaria. Não frequentei grupos, fui deixando tudo levar.

Eu já tinha lido o texto da Carol Darcie dos 5 estágios e os dois primeiros, as frases foram idênticas!

De intensidade de dor, realmente, é a pior dor, a mais forte que senti na minha vida. Isso é fato.

Normal achar que vai morrer. Duvidar da sua capacidade. Por que a dor é muito muito forte e se você não tiver um apoio, ela te desorienta e põe em xeque tudo o que você acredita. Exatamente por isso que somente o marido não é o suficiente como apoio. Ele vê você berrando, gritando e não pode fazer nada. Aí você surta e pede uma cirurgia e lógico que ele vai consentir. Porque a sua dor é dele também.

Por isso que eu digo de novo, dor do parto é superação.

E o psicológico, ah esse também é responsável. Você tem q estar bem. Acreditar em você. No seu corpo.

Doulas são fundamentais e esse é o meu maior arrependimento. De não ter uma ao meu lado.

Por tudo isso que eu digo: Dor do parto é    Superação.

Defina a dor do parto em uma palavra:        Superação.

O que você falaria pra outra mulheres?        Superação.”