O buraco dentro de si e o vício em internet.

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“Estou limpa e sóbria de drogas e álcool há um certo tempo e sei muita coisa sobre vício, por isso consigo reconhecer exatamente o que está acontecendo comigo em relação à internet: estou tentando remendar um buraco dentro de mim que não pode ser consertado com coisas externas. A internet me fornece dopamina, atenção, amplificação, conexão e fuga. Ela também me distrai, decepciona e paralisa, além de catalisar uma sensação falsa de identidade. Estou me agarrando às porcarias que ainda posso usar para ficar loucona numa festa tosca de dopamina.

Além disso, não sei o que estou fazendo. Ultimamente sinto que a internet está me penetrando. Sinto como se não houvesse mais um limite em que eu termino e a internet começa. Então, estou meio preocupada.”

http://www.vice.com/pt_br/read/fiz-o-teste-voc-viciado-em-internet-e-acertei-tudo

Se você dedicar 10 minutos do seu tempo assistindo propagandas exibidas na Rede Globo em diversos horários vai notar que o carro chefe são as empresas de comunicação.

O baile gira com a Net, GVT, Claro, Oi e Tim. Você sem fronteiras. Adquira seu combo. Viva o momento conectado com o que é mais importante para você.

O molho que tempera esse sanduiche são as grandes lojas. Magazine Luiza, Casas Bahia, Extra… Vendendo o quê?

Notebooks. Celulares e televisão com acesso a internet.

Enfiam na nossa goela que precisamos de mais velocidade, de celulares melhores, de televisão cinema. E ai eu pergunto: Tudo isso tem trazido informações de qualidade para a população?

Não.

Mulheres com sessenta anos e três filhos desconhecem anatomia do seu próprio corpo. Acham que menstruação e urina saem pelo mesmo lugar. Jovens desconhecem a história recente do Brasil. Sequer sabem de músicas que tocaram na década de 70, por exemplo.

Então qual o objetivo dessa pressão absurda para nos comunicarmos?

Não sabemos o nome de nossos vizinhos. Do porteiro. Do motorista da linha. Do rapaz que sempre lava o carro. De nossos tataravós.

A grande maioria das pessoas desconhece o quão maléfico alimentos industrializados podem ser. Eu não sabia, não via mal algum em lasanhas congeladas. Não sabia quantos processos químicos são necessários para fazer um aroma artificial de abacaxi.

As pessoas hoje sabem muito pouco sobre coisas primordiais para nossa sobrevivência, mesmo tendo todo esse aparato para se comunicarem e trocarem informações.

É muito claro que comunicação e mídia são instrumentos de controle de massa, qualquer pessoa com o mínimo de esclarecimento concorda com esse fato. Hitler sabia disso e usava todo o recurso disponível para controle e manipulação.

O que as pessoas não sabem é que este excesso de tecnologia para nos comunicarmos está suprindo uma legião de VICIADOS. Isso mesmo, viciados em comunicação virtual.

Essas pessoas criaram um ego virtual de si. Um ego perfeito, espirituoso, bem humorado, bem resolvido, magro, bem vestido, cheio de amizades pelo Brasil e pelo mundo.

E para que esse ego floresça é necessário dispender muita energia vital. Para se sobressair nesse mar de pessoas é preciso se diferenciar e as pessoas usam as mais diversas artimanhas para isso.

E gastam uma energia imensa cuidando de blogs, gerando conteúdo. Tirando fotos, editando. Pensam de forma diferente, sempre tendo em mente a próxima história.

Os olhos estão sempre viciados, na bolsa sempre a máquina.

Não aproveitam o momento, não tem relações profundas, porque falta vontade e tempo. Aquela foto, aquele vídeo gerarão uma recompensa emocional muito maior. E eu nem preciso sair de casa, olhar no olho, colocar uma roupa legal.

Tudo muito passivo.

Mas assim como os drogados, likes e comentários não bastam. A quantidade precisa sempre aumentar, o ego é faminto e a pessoa totalmente desconectada de sua essência verdadeira cede aos desejos do ego e gera cada vez mais conteúdo, gasta cada vez mais energia.

E sabe que seu comportamento foge da normalidade, por isso não comenta com os mais próximos, apenas vai desaparecendo.

Uns três anos atrás vi meu marido ser resgatado por dois surfistas. Ele estava se afogando. Eles correram, passaram por mim e disseram pra eu ficar calma.

O que veio antes disso eles não sabem. Eu e ele entramos juntos no mar. Após a primeira onda trocamos um beijo e quando a segunda onda veio ele foi puxado e eu fiquei. O vi sendo arrastado para a morte.

E é assim que vejo muitas pessoas. São arrastadas pelo ego, puxada pelas pernas para estarem juntos de seus computadores e celulares absortas em relacionamentos virtuais. Chamam de amigas pessoas que nunca viram. Que nunca tiveram contato. Brigam, amam, arquitetam planos por anos com pessoas que jamais encostarão.

Antigamente as pessoas se relacionavam de maneira sadia. Cadeiras ficavam na porta de casa onde no final do dia os vizinhos conversavam. Filas de supermercado era uma opção de troca de palavras. Jantar era sagrado. As pessoas comiam, esperavam a sobremesa e ficavam papeando.

Hoje as pessoas comem a sobremesa em frente ao computador. Acordam e correm pro note. Vão para o banheiro agarradas com seus celulares.

Acompanham nascimentos, desenvolvimento de bebês da família tudo pelas redes sociais. Ninguém mais vê bebê ao vivo, é tudo pelo instagram.

Sair de casa é um martírio. Tempo que poderia ser usando arrumando fotos, gerando conteúdos gigantes, corrigindo textos enormes e aguardando as palmas, os comentários.

Isso é doença. E precisa de tratamento! Precisamos falar sobre isso!

Esse apelo desenfreado por parte das empresas de comunicação chega a ser imoral, tão imoral quanto um traficante, uma propaganda de cigarros ou mesmo a de álcool.

É vício. Pessoas precisam de tratamento, precisam de amor em suas vidas, precisam de CONEXÃO.

Aqui em casa televisão é ligada raramente e de forma pontual. Redes sociais tem tempo limite para ser usadas, eu por exemplo gero informação pro meu blog de manhã.

Escrevo super rápido, posto, compartilho. Respondo mensagens e volto só a noitinha, tudo bem rápido. Não uso whatsapp para bater papo. Para mim não rola, muito tempo perdido, no meio da madrugada o celular vibra, meu coração pula, pego o aparelho e o que vejo?

Ha Ha Ha.

Sorry, não rola.

Redes sociais para mim tem objetivos claros. Uso para disseminar informações de qualidade, compartilhar alguns momentos da minha vida com amigos, estreitar laços e trazer essas amizades para o mundo real, sempre. Grupos só atingem seu objetivo quando ele sai do virtual para o real.

Reflita, olhe seus amigos e veja quantos você conhece pessoalmente. Quantas pessoas que seguem e comentam no seu blog você já teve o prazer de conhecer? Quantas horas você perde por dia gerando conteúdo? Para que? Para quem?

A vida real é dura. As lágrimas são reais, os olhares atravessados nos cortam, mas é a vida que temos para ser vivida. E vivamos com paixão, vamos nos reconstruir, nos levantar. Vamos enfrentar os fiapos da manga. Vamos viver sem a neurose de fotografar tudo.

O belo é para ser sentido e não apenas visto. Momentos bons guardamos com os olhos do coração. Bem querer a gente transmite com um abraço sincero, com um olhar, com um colo e não com um punhado de palavras bem colocadas.

Muita gente, mas muita gente está deixando de viver a vida como ela deve ser vivida. Estão viciados, absortos e não adianta falar, porque o laço que já está tênue pode se romper porque o mega ego se protege sempre. Detesta ser “atacado” por isso é que certas portas se abrem apenas para dentro.

Isso não é uma deixa para fazer com que você viciado em internet se sinta culpado. Você apenas precisa de ajuda, de amigos reais e de amor.

Desligue a tv. Deixe o celular descarregado. Abaixe o note. Não ligue o computador.

Viva a vida.

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