Não use a palavra DOULA. Desista.

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Se você pensa em usar o nome doula para promover uma modalidade de trabalho  descomprometida com a humanização do parto, desista.

Você não é doula. Procure outras palavras: Acompanhante, cuidadora. Invente! Personal pregnant! Partner, gourmetize qualquer outra palavra, mas não use a palavra doula. Não trabalhe e se identifique como doula. Não procure distorcer o trabalho da verdadeira doula ou tente dar outro sentindo ao que ela já possui.

Se você pretende trabalhar de maneira que não seja pactuada com a intenção de humanizar o momento do parto, respeitar o protagonismo da mulher e fazê-la soberana diante de sua vontade de parir, desista. Faça o que quiser mas não use a palavra doula.

Se você deseja trabalhar de maneira a priorizar instituições e políticas pessoais partidárias, desista.  Não use a palavra doula.

Se você enxerga a mulher que gera como um cifrão, uma presa fácil, um ser vulnerável que quer apenas sentar em círculo em cima de um colchonete e participar de um chá com sorteios no final de uma tarde amena, por favor use outra palavra para identificar suas atividades. Faça o que quiser, o que sua ética guiar, mas não use a palavra doula.

Doulas são servas. Dão apoio físico e emocional antes, durante e após o parto. E parir é bicho feio no Brasil. Parir com respeito então! Raridade.

Quem quer parir precisa lutar e doulas são ponta de lança nesse processo de luta, da humanização do nascimento.

Doulas não são aproveitadoras que enxergam nesse desejo um segmento propício apenas para ganhar dinheiro. Por que são doulas. A isso damos o nome de oportunistas.

Essas sim se apropriam, fazem usos e abusos desse nome. O utilizam, se identificam, pegam o bonde da humanização e querem andar na janelinha sem estarem vinculadas com os pilares que sustentam esse movimento.

Se você tem esse lema consigo, tudo bem.  Venha como um trator arar o solo sensível das fêmeas que desejam parir. Venha com sua imensidão e comercialização de eventos. Seja a megastore da humanização.

Chegue desapropriando as mercearias e se estabeleça como um grande hipermercado do nascimento de bebês. Suas luzes brancas e frias e seus corredores imensos e sem fim mostrarão o objetivo a que vieram.

E depois de um tempo ficará claro que as pequenas vendas, os cafés de uma porta só, as mercearias continuarão de pé porque tem consistência. Tem consciência. Tem ativismo, seja no megafone, seja nos postos de saúde, seja em palavras ditas ou escritas. Tem coerência. Tem estatísticas.

As fêmeas que querem parir têm astúcia. Faro aguçado, instinto a flor da pele. A luz branca de seus corredores vai incomodar porque elas querem delicadeza ao terem a terra de seus corações aradas.

Querem olhos nos olhos, abraço. Aconchego. Discurso e prática. Sua sombra tem 04 patas é selvagem e seu uso e abuso de práticas não sedimentadas com a humanização, mesmo usando o nome de um elemento que existe apenas nele ficarão claros.

Então desista. Faça o que quiser, mas não use o nome doula.

Doula não é um chaveiro caro que você pendura numa bolsa. Doula é luta. Doula não é perfumaria. Se você quer um plus a mais para o nascer do seu filho, para falar para as amigas, procure uma acompanhante e não uma doula. Porque doulas tem outra função, outro objetivo, outro cenário.

Ficou claro qual o objetivo de uma doula?

Se ficou e você é uma doula de verdade, insista. Senão, por favor. Desista.

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