Você é escravo do ego? Abra suas portas internas!

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Um dos meus sonhos seria traduzir de maneira clara ou através de vivências a relação entre nosso ego e nosso espírito.

Entender esse binômio facilitaria muito o encontro de nosso verdadeira essência contida em nosso espírito. Agora vocês entendem porque em sessões de terapia a interferência do psicanalista é quase zero?

Ele não está ali atrás de você fazendo a lista de compras, simplesmente existem portas que só podem ser abertas do lado de dentro.

E se ele explicar sobre tais portas? Provavelmente seu ego defensor vai dizer que ele é um aproveitador, um enrolador e que você deve parar de perder tempo com bobagens. Entende o grau de dificuldade? Ainda mais se levarmos em consideração que a maior parte das pessoas sequer tem noção do que é ego e como ele atua em nossa vida.

Quando desconhecemos a existência do ego em nós, podemos ser facilmente guiados, dominados e subjugados por ele. Ele traz a tona tudo o que precisamos trabalhar, mas não mostra qual a nossa missão em vida. Quem faz isso, quem tem consciência disso é nosso espírito, nossa essência, porém se o ego for dominante em nosso viver, jamais teremos acesso a essa missão. Passaremos a vida como burros de carga a serviço do ego, trabalhando, vivendo, destruindo relações para entregar prazer, conquistas e vitórias a ele.

Pessoas autoritárias, brutas, donas da verdade, rancorosas, vingativas servem ao seu ego de maneira cega. Se privam de coisas boas, tem seu crescimento espiritual e pessoal tolhido porque não seguem sua essência. Não vou falar com a fulana embora goste dela, porque eu tenho orgulho. Vergonha na cara.

E mergulham em vibrações baixas, em vibrações de ódio que podem refletir inclusive no seu corpo físico. Por isso profissionais e pessoas que lidam diretamente com distúrbios em relações humanas batem constantemente na tecla do amor e do perdão.

Somente esses dois sentimentos são capazes de elevar nossa vibração, trazer-nos felicidade e olharmos com afeto e carinho para os outros e para nós mesmos. Esse olhar afetivo torna a nossa vida mais leve, já que nossa sociedade ocidental tem uma cultura muito pesada e punitiva quando trata de assuntos dessa ordem.

Pessoas que erram e se vem sem o perdão e a acolhida, errarão novamente. A criatividade é podada, medo e insegurança surgem. Existem formas e formas de lidar com erros, sem necessitar usar a agressividade.

Por outro lado precisamos do ego para sermos seres conscientes, a relação dele conosco é como a de um motorista com seu carro, com uma diferença fundamental:

O carro (ego) tem vontade própria!

Temos nossa missão que é seguir rumo ao litoral. Assim que entramos no carro e decidimos rumar para o litoral somos contrariados pelo ego que quer ir para as montanhas.

Ele será incisivo, irá para as montanhas e acabou porque decidiu assim, não importa o que nós motoristas decidimos.

E muitos se deixam ser guiados. Vão para as montanhas, contrariando o plano original, puro e essencial que é seguir para o litoral.

O caminho para as montanhas é tortuoso, sofrido e esburacado. Muitos vivenciam todo este sofrimento que é viver contra a sua essência até terem consciência de sua missão na Terra.

A partir deste encontro com o essencial, com as vontades puras designadas é possível rumar a caminho da paz de espírito, satisfação verdadeira e felicidade plena.

Mas então, como saber se sua vida é guiada por seu ego? Como saber se você está aqui a serviço dele?

É simples. Olhe em volta. Veja sua vida, repense sua relação com os outros.

Você tem amizades? Amigos verdadeiros em que possa confiar? Sua família? Como é a sua relação com os mais próximos? Está presa por laços cármicos ou já ruma a caminho do dharma?

Internamente, você se cobra demais? Como se relaciona com suas conquistas e dificuldades? Como encara sua aparência? Aceita seu corpo?

E a gratidão? O perdão? Está usando ou deixou-os numa gavetinha bem escondida?

Lembrem-se: Ser humilde não é humilhar-se. Ser humilde é reconhecer os próprios erros e olhar para eles como se fosse um aprendizado, não um momento de punição ou humilhação.

Manter o ego em seu lugar é abrir caminho para uma vida de afeto, amor e perdão. É ter a casa cheia de vozes amigas, é ter o bem querer das pessoas, é se sentir útil em ajudar sem querer nada em troca. É realizar sem esperar reconhecimento, é ter gratidão, respeito com nossos semelhantes, com todos os reinos.

É ser ofendida e não guardar mágoas eternas. Perdoar não é esquecer, é libertar-se e quem perdoa é o maior beneficiado.

Quem perdoa compreende. Uma pessoa livre de um ego autoritário não se ofende com o atraso de um amigo, com o cancelamento de um compromisso, com uma opinião divergente. Não acha que o mundo é sua sala de estar, com suas regras e determinações inflexíveis.

Quem não vive a serviço do ego não subestima as outras pessoas, seus sonhos e projetos. Não sabota, não passa a perna, não puxa o tapete.

A vida é muito mais plena, leve e feliz quando sabemos dosar bem essa convivência de duas forças opostas dentro de nós.

Quando quiserem que o mundo mude, primeiro olhem para dentro de si, repensem e abram suas portas para a evolução e autoconhecimento pessoal.

P.S: Para saberem mais sobre o conceito de ego, cliquem aqui.

Um leão por dia e eu só quero paz.

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Parir no Brasil é matar um leão por dia.

Se você optou, escutou o chamado e deseja parir de maneira mais respeitosa, prepara-se para matar um leão por dia enquanto for gestante.

É uma luta. Imagine você se protegendo de muitos perigos enquanto tenta respirar.

Gestantes driblam o tempo todo profissionais com condutas desatualizadas e invasivas, driblam a restrição orçamentária para custear uma equipe, lidam com a família que na maioria das vezes não compreendem suas escolhas. Com o medo alheio, a condenação implícita de amigos.

Eu passei por isso. Eu fui chamada de louca. Fui culpabilizada por intercorrências que SEQUER aconteceram.

Ai quando a gestante está na 37 semana rola o Chá de Bençãos. Eu amo mediar Chá de Bençãos, sinto que por algumas horas posso estender a mão para aquela mulher grávida curtir de fato sua gestação, se conectar consigo, com seu filho. Relaxar.

O cenário ideal não seria uma mulher poder parir e gestar em paz?

Engravidar, contar com uma rede de saúde pública decente como na Europa, com parteiras, casas de parto. Com informação e esclarecimento.

O essencial psíquico não é trabalhado. Muitas entram em trabalho de parto como meninas. Não participam de um ritual de transição, tem medo de seus fluidos no parto, não soltaram as amarras. Não gritam com medo do vizinho, sentem vergonha de gemer.

No puerpério quando enfrentam problemas na amamentação se escondem porque a sociedade cobra vitória. Derrubam lágrimas solitárias no escuro da madrugada com seus filhos no colo e quatro meses depois, recém parida, com o parto impregnado na alma precisam se enfiar numa roupa apertada, precisam espremer seus seios cheios de leite em soutians com aro e bojo, precisam apertar suas barrigas, colocar saltos e levar uma roupa do filho para poder cheirar e fazer a ordenha no meio do trabalho.

Como uma criminosa, em locais insalubres, sendo desrespeitada por pessoas que reprovam este ato por olhares.

Onde está o prazer de parir? O prazer de se perder nas horas, de se embriagar no cheiro de leite?

A gestação toda é luta, é grito, é andar com leis debaixo do braço. Esse é o processo de empoderamento de mulheres que querem parir. Sofrido, suado, desnecessário se vivêssemos num país onde o direito das mulheres e as recomendações da OMS fossem respeitadas.

Gestantes deveriam estar em paz, informada. Conectada com ela, sentindo seu corpo, sua pélvis, em contato com Gaia. Gestantes deviam se esticar em banhos de lua, em rodas onde pudessem tecer, conversar, trocar afetos e esperanças.

Deveriam se sentir em paz para criar, pintar, plantar, dançar. Isso é entrega aos instintos, isso é conexão com seu interior, não é olhar para si no espelho e falar: RELAXE!

Para parir é preciso paz. Isso é o que queremos.

Relato de parto II – Vanessa Meyrelles

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Relato de parto fresquinho, com a visão que tenho hoje do meu parto.

Que muitas mulheres se inspirem, se entreguem a ser mar revolto que é parir.

Oito meses depois decidi escrever um relato de parto com a visão que tenho hoje do que foi o meu parto. Com menos romantizações e mais objetividade.

Meu trabalho de parto começou numa quinta embora eu estivesse tendo pródromos há quase 10 dias. Estava totalmente desencanada com pós datismo, tocava a minha vida normalmente, embora fisicamente não conseguisse sair de casa há três dias.

Na madrugada que antecedeu o parto senti contrações fortíssimas, minha gata estava sempre ao meu lado. Senti um prenuncio. Não havia sentido até então nada parecido.

A dor? Uma dor de barriga bem intensa, aquela que faz a gente se curvar e perder o ar. Foi uma madrugada que eu não consegui dormir bem.

Pela manhã não sentia mais nada. Marido foi trabalhar em outra cidade sem o carro, eu tinha cabelo e unha marcados no dia e tinha certeza que iria fazer.
Minha doula veio em casa pela manhã, conversamos, inflou a piscina e foi embora. Good vibes total, eu estava ali, com o controle de tudo. Iria ajeitar a casa, almoçar e partir pro salão.

Lembro que as contrações começaram a vir mais vezes. Desritmadas, mas estavam mais intensas. A cada uma delas eu me curvava. Não contei os intervalos, apenas sentei e sentia cada uma delas. Como alguém que bebe um vinho sem pressa.

Nesse momento eu não conseguia pensar em futuro ou arquitetar coisas. Não ia ao cabeleireiro era o que eu sabia. As contrações devolveram a minha centralidade, sequer avisei as doulas sobre o que sentia.

Minha mãe veio em casa, assistiu um pedaço da novela, comemos um bolinho e ficou assustada com a intensidade das dores. Disse para eu avisar a doula e saiu para resolver um problema sério de vazamento na casa dela. Fiquei sozinha que nem bicho no meu quarto. Do jeito que eu queria.

Já não conseguia raciocinar ou ter noção do tempo. Baixei um aplicativo e por ele via que elas estavam pegando ritmo. Ficaram mais e mais intensas, as horas passaram sem que eu me desse conta. Fui engolida pelas horas. Meu marido chegou e eu estava com as contrações bem ritmadas, vomitei. Nessa hora ele viu que realmente nosso filho viria e avisou a doula. Ele chegou 19:00 e as parteiras vieram logo em seguida as 20:40.

A fotógrafa mudou os planos do cinema e veio para casa, as doulas chegaram e eu já estava em outra dimensão, conseguia ver as pessoas, mas tudo era muito sutil. Comecei a ouvir minhas músicas, a noite caia e eu tinha ciência que o trabalho de parto tinha começado.

Lembro que minha mãe batia alguns talheres, esse barulho chegava de maneira insuportável até a mim, minha audição parecia ter ficado extremamente apurada. Eu ouvia tudo, sussurros, passos. A visão não existia mais, enxergava tudo em borrões.

Contrações muito doloridas, fui para o quarto com meu marido. Vomitei bastante, ficava com um baldinho e um tudo de água sanitária…rsrs…Não conseguia comer NADA. Não conseguia beber. Só queria a escuridão.

E foi na escuridão que fiquei com o Mário. Depois de um tempo as doulas entraram com suas mãos mágicas e preciosas. Suas vibes totalmente do bem iluminavam aquele mar revolto que eu atravessava. Falavam baixinho, anjos.
Por volta das 22:00 as parteiras chegaram e eu não tinha entrado na piscina. Sentia muita dor, e lembrem-se, dor não é sofrimento. A cada contração eu agradecia por estar em casa, no meu quarto, usando meu banheiro, com meus gatos, ouvindo minhas músicas. Aguentaria tudo para não ir para um hospital, ali estava na minha toca, feliz, sabendo que a vinda do meu filho se aproximava.

Pedi toque para as parteiras. Perguntaram se eu tinha certeza e eu disse que sim. Sentia meu corpo abrir, sabia que estava muito perto e queria água, piscina para aliviar.

Oito centímetros e colo fino! Nem acreditei! Não senti dor no toque, tudo foi feito com muito respeito, sai exultante, comemorei. Até essa parte estava consciente.
A partir dai as contrações se intensificaram. Bem fortes, mas a água tirava a dor com a mão. Ouvia minhas músicas, estava na sala, tudo a luz de velas. Silêncio. Não sentia ninguém ao meu redor.

Era outro mundo. Um mundo que a dor me mostrou. Um mundo aqui e agora, sem pensamentos invasores, sem racionalização. Mergulhei num sentir sem fim.
A dor aumentou muito, muito, muito. Vi a Ana chegando de canto de olho e pensei: Estou perto, falta pouco. Em nenhum momento pensei em desistir. Em nenhum momento pedi por uma cirurgia, por anestesia. Não vocalizei, no final urrei 04 vezes, do fundo da alma.

Na minha mente não existia a opção analgesia, hospital, transferência ou sair de casa. Eu ia conseguir.

Exigi muito fisicamente das doulas. Meu marido ficou me massageando com toda a força, eu precisava de força, eram três pessoas com suas mãos mágicas me guiando.

Não li nenhum livro, eu confiei no meu corpo e vi que parir é como respirar. Não se preocupem em tentar saber como serão as contrações de verdade ou o trabalho de parto, na hora vocês vão saber. Parir está gravado em nossa alma, nossa ancestralidade é feita de parir.

A transição foi bem difícil, sem o apoio do marido, equipe e doulas eu teria pirado, porque a gente pira mesmo. Lavanda trouxe minha paz, cheirinho de café também.

Na piscina senti um puxo. Respirei e não fiz força com ele. Puxo é uma força que age sozinha e é irresistível. E posso confessar? A parte mais prazerosa pra mim no parto foi me render aos puxos!

Eu sai da piscina e senti outro puxo e me rendi. Dane-se laceração, meu filho dizia que precisava vir. Ouvi a voz dele e o ajudei.

Fiz três forças com os puxos e ele nasceu. Primeiro cabeça, depois ombros e corpo todo. Escorregou. Sentir seu corpinho saindo foi transcendental. Não pari apenas um bebê, pari sentimentos, mágoas, angústias, vitória.

Foram 05 minutos de expulsivo que finalizei na banqueta.

Fiquei loucaça no expulsivo, queria que as parteiras tirassem ele logo e acabou, mas 04 minutos depois ele estava em meu colo.

Morno, escorregadio. Lembro que falei: -Ai meu bebezinho! Levantei da banqueta e fui pro meu quarto. Queria minha cama, minha toca e meu filho. Não sei de onde tirei forças para isso.

Bebê nasceu, fim das dores. Ocitocina a milhão, felicidade absurda, sentimento indescritível de vitória. A gente esquece de todas as dores e se sente poderosa.
Eu pari, 4.230kg, 54cm, períneo íntegro. Eu pari meus medos, eu pari em casa, eu consegui. Foi uma vitória pessoal, vitória contra um sistema cruel e a morte da menina para o renascimento da mulher.

Minha vida mudou completamente, mas bem, isso é relato pra outro capítulo.
Meu conselho mulheres: Lutem pelo seu parto, se conectem com si no parto. Desencanem da louça, do cachorro. Abstraiam, mergulhem em si mesmas.

É incrível, indescritível e transformador.

Relato de Parto Vanessa Meyrelles

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Esse é meu relato de parto, escrevi apenas 02 meses depois de parida. Está mais detalhado e mais romantizado.

Nossa percepção muda absurdamente com o passar do tempo, por isso recomendo que escrevam o quanto antes puderem. Ouvi muito da equipe, do marido porque eu não me lembrava de quase nada, eram sensações apenas.

Mergulhem nesse dia comigo!

Meu relato de parto não começa com as contrações, mas sim quando descobri que estava grávida.
Decidimos depois de 11 anos juntos receber nosso filho. Vida mais tranquila, sonhos realizados, chegava a hora da doação. Tanta felicidade em nossa vida não teria sentido se não fosse compartilhada.
Durante esses 11 anos jamais me vi mãe, ninguém compreendia o motivo de eu não engravidar, mas simplesmente não era meu tempo. Por conta disso eu não sabia nada sobre gestação e muito menos sobre parir.
E de repente palavras como puerpério, períneo, contração, violência obstétrica e tantas outras feias e bonitas, com os mais diversos significados se incorporaram a nossa rotina.
Desde de que vi a faixa azul do teste de farmácia ficar mais forte e comprovei pelo beta a gestação, estava decidida a conduzir todo aquele processo da forma mais amorosa e carinhosa possível. Ficamos radiantes com a novidade!
Foi quando a ficha caiu. Descobrimos que a mulher é tratada de maneira desumana e desrespeitosa nos hospitais. Não tem autonomia sobre seu corpo. Terceiros decidem se podem mutilar seu órgão ou extrair seu bebê. Vimos que existe uma indústria do nascimento, onde o nascer fica condicionado a interesses de terceiros. E decidimos buscar uma alternativa.
Foi nesse momento que descobrimos o universo da humanização, nos informamos e optamos por receber nosso filho em casa. Eu estava disposta a enfrentar toda a dor do mundo, pelo meu filho.
Meu marido engravidou comigo. Ia a todas as consultas, sabia de tudo. Nos tornamos um só corpo, uma só alma.
A dor física era irrelevante perto da dor na alma que eu sentiria parindo num hospital de forma desrespeitosa e violenta.
Quando acertamos com a equipe de parteiras uma nuvem de paz pairou sobre nós. Neste caminho tivemos a presença FUNDAMENTAL da Evelyn Amorim que pariu em casa e com todo o carinho do mundo mostrou que nossos sonhos podem se realizar.
Nos acolheu em sua casa, me muniu de informações, vimos o vídeo do nascimento de sua filha. Tudo isso contribuiu para que nossa decisão se fortalecesse ainda mais.
Cada vez que alguém se aproximava de mim e dizia que eu ficaria “larga”, que meu filho teria anóxia, que eu era louca, eu via a família da Evelyn, sua filha saudável e linda e acreditava que sim:
Parir é possível! Parir é divino!
Mesmo com tudo isso não me sentia fortalecida suficientemente. Foi quando tive um sonho lúcido. Eu estava numa reunião com gestantes, num lugar maravilhoso em meio a natureza. No final a orientadora me chama e diz que está tudo certo no astral, que eu preciso apenas confiar em mim e no meu corpo que tudo daria certo.
Depois desse sonho nada mais me fez desistir da idéia de fazer um parto domiciliar. Fiz as pazes com a possibilidade da morte, porque sim, parto é vida e morte, vidro e corte. Decidi pautar minha decisão pelo amor e não pelo medo.
Assim mergulhei no sagrado feminino. Com os conhecimentos que adquiri me conectei com a mulher ancestral dentro de mim, a que vive escondida. A mulher ancestral é parideira, benzedeira, forte e acolhedora. E era ela que seria a protagonista do meu parto.
Durante a gestação mergulhei fundo no meu corpo. Me mantive ativa, a mente com pensamentos positivos. Foquei mais na parte espiritual. Pedia muito para a espiritualidade me conceder um parto respeitoso.
Também no tempo certo usei o Epi-no e fiz as massagens perineais.
Dia 29/01/2015 minha madrugada foi diferente. Intuitivamente eu sabia que a hora do Álvaro estava chegando.
Nesta semana arrumei a casa, fizemos umas compras, mas já notava que meu corpo pedia descanso. Não conseguia mais dirigir, até namorar estava complicado porque as contrações de treinamento estavam mais frequentes e doloridas, porém sem ritmo.
A necessidade de recolhimento estava cada vez mais forte.
Embora eu tivesse plena consciência de que a gestação pode chegar nas 42 semanas, sabia que eu receberia o Álvaro entre 39 e 40 semanas lunares. Meu ciclo era super regulado e nós sabíamos certinho o dia da concepção.
Não me apeguei a números, era apenas sinais que apoiavam o que eu já intuía.
No dia 28/01 as contrações estavam doloridas. Pedi que minha mãe ficasse comigo. Ela veio, passamos a tarde assistindo novela e comendo bolo. Fiz algumas coisas em casa, mas já me curvava quando as contrações apareciam.
Com o fim da tarde ela desapareciam e na madrugada retornavam com força total. A madrugada do dia 29 foi punk. Contrações fortes que me deixavam nauseada. Eu sou super resistente a dor. Não vomitava há anos. Para eu sentir náusea já via que de fato a contração era bem forte. Por conta da minha resistência a dor fico sem parâmetro para comparar se elas estão fortes ou não.
Neste dia 29 eu marquei cabelo e unha. Por conta disso meu marido foi trabalhar sem carro. O combinado era que ele ficaria com o carro durante a semana caso o trabalho de parto engrenasse e ele pudesse voltar a tempo do trabalho.
Mas eu não fui ai salão, claro. As contrações começaram a ritmar. Minha mãe veio em casa e disse que eu iria parir, que aquelas contrações não eram só de treinamento.
Baixei um programa um dia antes e fui checando o ritmo delas. Começaram de 12min em 12min com duração de uns 40 min.
Neste mesmo dia a Gisele uma de minhas doulas veio em casa de manhã. Conversamos, ela montou a piscina, foi embora e eu segui meu dia com limitações, mas sem sofrer em nenhum momento.
De manhã falei com a fotógrafa, ela intuía que eu ia parir logo. Eu também, mas nunca imaginei que naqueles momentos eu já estivesse a caminho do encontro com meu filho.
A tarde decidi ficar na cama. A casa estava arrumada e eu precisa relaxar. Mas tive que ficar de olho nos contrações, porque de 12min em 12min elas caíram para 10min em 10min e cada vez mais fortes.
Lembrando que dor não é sofrimento. Fiquei com meus gatos, recebendo as contrações e esperando meu marido chegar. Até ai eu estava nesse mundo, nesse planeta. A partir das 19:00 eu comecei a sair de mim.
E foi ai que elas começaram a ritmar bem. O intervalo entre elas estava de 8min e a duração maior.
Meu marido chegou e foi recebido com uma contração master. Foi ai que eu vomitei, mas mesmo nesse estágio ainda conseguia pedir um balde e ficava com ele pertinho de mim.
Vomitei seis vezes.
Neste ínterim as doulas maravilhosas chegaram em casa. A Gisele e a Evelyn foram meus anjos, nesse estágio eu já estava com os reflexos comprometidos, conseguia ouvir suas vozes, mas já tinha muita dificuldade para falar.
A piscina começou a ser enchida. E as dores aumentavam exponencialmente. Mas eu levava numa boa. Preferia todas elas a ter que sentir o cheiro de hospital. A ter de ser tocada como um saco de carne por estranhos com outras preocupações ali que não fossem eu e meu filho. Qualquer dor física supera a dor na alma.
Inclusive um trato que fizemos, eu e meu marido foi de que eu não seria transferida em hipótese alguma para receber analgesia. Ele poderia me amarrar, eu poderia implorar, mas não sairia de casa para isso. Ele concordou.

O manejo do trabalho de parto foi sensacional. A noite caia e as luzes amarelas de casa me acolhiam. Pedi para desligar tudo.
Como moro em apartamento algumas coisas começaram a me irritar muito. O barulho das louças batendo na cozinha chegavam a mim como uma bateria de escola de samba. A piscina sendo enchida, o Mário com um passa passa de balde também me irritou demais, então dei tchau galera e fui pro meu quarto.
Eu e meu marido.
Fechei a porta e ficamos lá, não sei por quanto tempo. Ai eu me recuperei. Tudo escuro, tranquilo eu consegui me conectar comigo mesma.
Foi quando as dores que para mim iam numa escala de 0 a 10 chegaram a 20. Ganhei muita massagem neste período, era seis mãos em mim, o que foi fundamental. Palavras carinhosas da Gisele, da Evelyn me fizeram seguir meu caminho.
Mas foi nas mãos do meu marido, com sua força que eu sentia toda a energia. Sentia todo seu amor, toda nossa história. Era como se nossa alma se conectasse sem palavras. Apenas com o toque das mãos.
As dores se intensificaram bastante. Foi quando as parteiras lindas e amadas chegaram. Eu já sabia que estava próximo.
Com a consciência corporal adquirida com o uso religioso do Epi No e das massagens perineais sabia que algo estava diferente. Parecia que eu estava abrindo e era ósseo, muito diferente a sensação.
Nesse momento senti uma pressão e fui ao banheiro, achei que iria evacuar, mas minha bolsa rompeu. Vi meu tampão mucoso, a Fernanda veio e confirmou o rompimento da bolsa.
Eu pedi então que ela fizesse o toque. Ela perguntou se eu queria saber a dilatação e eu disse que sim.
Foi quando ela disse que eu estava com 08cm e colo fino!
Levantei RADIANTE e fomos para a sala contar a notícia! Super comemoração! Aguentei até 08 cm firme, finalmente entraria na piscina.
A piscina já estava quase cheia mas a água tinha esfriado. Foi então que o excesso foi tirado e as meninas lindezas da minha vida repunham com água quente.
Ali senti um alívio imenso mas gostaria que a água cobrisse minha barriga. Não me esqueço da Olívia com uma jarra jogando água continuamente nela, isso me aliviou muito, porém eu não achava posição confortável nela. Ficava de lado, tinha a impressão que se eu sentasse iria esmagar a cabeça do meu filho.
E ai o trabalho prosseguiu. Sei que ganhei sorvete, chocolate, suco de maçã, salada de frutas. Não sei a ordem dos fatos mas não me faltou apoio em nenhum momento. As doulas e meu marido foram fundamentais para trilhar este caminho. Fazendo uma analogia eles seriam como calçados. Eu percorro o caminho, mas com o melhor calçado tudo fica melhor e mais prazeroso.
Em dado momento comecei a sentir as contrações muito doloridas. Já estava com a consciência alterada, recordo de ter urrado três vezes, como nunca fiz na vida e nem sei se faria.
Urrado. Não foi gritinho, foram urros guturais, do fundo da alma. Achei que eu fosse despedaçar, aquela foi minha hora da covardia, mas ali vi meu corpo se abrindo e quando a gente acha que não vai mais suportar, o nascimento acontece.
Eu sai da piscina, me contorci brutalmente com essa dor, foram três pessoas me segurando…Quando ela passou.
Não sei se antes ou depois eu senti a cabecinha do Álvaro. Senti seus cabelinhos e me emocionei demais. E ali decidi comigo mesma que nada faria eu desistir.
Eu sei que a Gisele apareceu na frente da piscina para fazermos um rebozo. A Fernanda tinha feito o toque eu eu saquei…o Álvaro está encaixado, já sabíamos, mas não deve ter girado legal. Eu já tinha relaxado por uma hora na piscina, vi pelo CD que tinha acabado. A nossa hora havia chegado.
Na piscina eu senti dois puxos, respirei e não fiz força junto. Mas não impedi. Senti eles virem e irem embora como ondas.
Até então não havia feito força nenhuma vez. Eu não queria laceração e sabia que fazer força fora dos puxos era besteira. Também não me desesperei, sabia que o Álvaro tinha seu tempo para vir e que não adiantava eu forçar.
Enfim, durante o rebozo recebi uma comunicação espiritual. Aquela era minha hora de aproveitar a onda (puxos). Ele estava perto, bastava eu agir.
A Gisele terminou e eu ajoelhei e abracei meu marido que estava no sofá. Fechei os olhos e me permiti. Quanto mais relaxada estivesse mais fácil seria o expulsivo e menos probabilidade de laceração eu teria.
Tudo isso ali na minha cabeça, podia estar mais louca que o Batman mas meus movimentos eram friamente calculados rs.
Ajoelhada (pobres joelhos) eu senti um puxo e fiz força. Foi quando eu senti ele escorregar no canal vaginal. Senti o círculo de fogo igualzinho no Epi-no! Verbalizei isso!
Enfim, ele estava ali!
Nessa hora a Fernanda me contou que eu pedi (gritei) para tirá-lo e ela disse para eu aguardar a próxima contração.
Ela veio forte. Aproveitei e fiz mais uma força, o pescoço saiu. Mas até então eu tinha voado para a cadeirinha de cócoras para verticalizar mais. E veio outra, fiz outra força e o Álvaro nasceu!
As 02:27 meu filho reencarnou. A Fernanda segurou ele e eu como um bicho doido pra pegar a cria tomei dela, abracei meu filho cheiroso, levantei sozinha e fui pro quarto.
Agora de onde eu tirei força pra tudo isso eu não sei! Foi mágico!
No expulsivo eu me vi num azul profundo, com um jato de luz azul mais claro sobre mim. Me senti no meio do Universo, foi a melhor viagem da minha vida!
Acredito que não conseguiria num ambiente hospitalar. Aqui em casa sutilezas me fortaleciam. Poder usar meu banheiro, sentir a textura conhecida da roupa de cama, os cheiros. Vozes e olhos amigos, meus quatro gatos rodeando…E o cheirinho de café sendo passado pela minha mãe. Não tomo café, mas quando senti aquele cheiro fui pra minha infância, pro mato, pra um monte de lugar.
Inesquecível.

Mulheres, confiem em sua intuição, cerquem-se de uma equipe excelente como eu fiz. Além de procurar pessoas competentes, me vinculei a eles. Porque parto é entrega. Parto traz a tona uma mulher selvagem que muita gente nem imagina existir. Essa mulher chora, grita, urra, vomita, morde. Ela é guerreira, leoa, lutadora. Faz tudo pela cria. Confiem nela.
Se libertem de travas mentais, não acolham histórias alheias da prima da vizinha. Aceitem qualquer desfecho, seja ele qual for. Sejam gratas. O Universo se encarregara do resto.
Outra coisa, na medida do possível cooperem com a equipe. Chega uma hora que é difícil falar, mas dizer onde prefere a massagem, que tipo de bebida querem, qual posição ajuda muito. Isso se chama sintonia.
Para finalizar, para cutucar o sistema que tanto nos amedronta, eu PARI, um bebezão de 4.230kg. Com períneo íntegro, sem laceração nenhuma!
Parir é divino, não permitem que ninguém roubem isso de vocês.

Quando?

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Qual foi a última vez que você dançou? Livre. Pés no chão, grama entre os dedos. Terra e Luar. Quando?

Braços livres, olhos fechados, entrega. Livre. Alta, magra, gorda, lisa, encaracolada, branca, negra, grávida ou não. Mulher.

Quando?

Quando sentiu águas baterem em seu corpo nu? Cachoeira, pedra, árvore, água. Linda, do jeito que é, livre.

Quando se pintou? Quando libertou seus cabelos? Quando gritou? Quando cantou, canto livre, torto desafinado. Seu canto, sua expressão, sua alma.

Quando plantou, quando se entrelaçou com Gaia? Seu cheiro, úmido sobressaia. Macia. Dá a vida para todos, nos sustenta.

Quando?

Quando pintou, quando costurou, quando rasgou? Quando se uniu em rodas perto de um rio e ali, em comunhão segredos se vão…

Nossa essência feminina é livre, é criativa, é guerreira, é poderosa.

Se libertem.

Seu parto começa na mente

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Ah! Já sei! Você pode pensar… Lá vem ela falando de luz, positividade e mais um monte de conceitos subjetivos que eu tento por em prática e não consigo.

E ai? Será que não tenho força de vontade suficiente?
Tenho uma equipe perfeita, amo minha doula, estarei segura na minha casa ou no hospital, o que mais eu preciso?

De força interior.

Sim, você minha cara precisa de força interior. E essa força interior não será despertada intelectualizando, mas sim quando você aprender a reconhecer os sinais que seu corpo envia, lidar com seus pensamentos automáticos e fazer as pazes com sua criança interior.

Os pensamentos automáticos costumam estar por trás de todo mal-estar, tristeza, angústia ou depressão. Esses sintomas avisam a você que sua linha de pensamento não está sadia, sinalizam que você vem enchendo seu copo interior com gotas ruins de pensamento que te desqualificam como pessoa.

Se uma criança cresce ouvindo do pai que é terrível, uma aberração, burro, incompetente, imerecedor, que nada vai dar certo, que tirar boas notas nada mais é que sua obrigação pode acabar introjetando esses pensamentos como se eles fossem verdades absolutas e se referissem ao seu ser numa totalidade.

Esses pensamentos automáticos dentro de si geram tristeza e depressão e a cada situação frustrante ou desafiadora que você se deparar eles irão emergir.
Ai entra o paralelo com o parir. Quem opta por um parir natural está indo contra tudo e todos. Temos um sistema todo voltado para cesáreas eletivas que atendam a conveniência médica e para que esse sistema perpetue ele vai infundir medo nas pessoas.

A mulher terá de saber filtrar informações desatualizadas e tendenciosas. Terá de lidar com a família que na maioria dos casos se posiciona terminantemente contra e em muitos casos terá de alinhar os seus desejos com o esposo.

E aquelas que não contam com equipe humanizada e dão de cara com o sistema obstétrico que não vai facilitar em nada seu parir?

Realmente é uma luta. Então por que existem mulheres que mesmo com o apoio familiar, com informações, equipe a disposição ainda ficam receosas?

O fato é que se conectar com esse poder interno é um processo onde a mulher tem de lidar com seus fantasmas que ela muitas vezes sequer sabe conscientemente que eles existem. Precisam refazer seu autoconceito e chegar a conclusão que os pensamentos automáticos são absolutamente errôneos!

Quando perceberem em si esses pensamentos, questionem. Quais as evidências que apoiam esta ideia? Quais evidências contra? Qual a melhor coisa que poderia acontecer? Estou sendo realista? O que eu poderei fazer em relação a isso? Esse pensamento me ajuda? Estou exagerando? Em que ocasiões ele aparece? Qual a crença que dá suporte a ele?

Um caso me chamou a atenção. Era sobre uma mulher rebelde, de personalidade forte, bem sucedida profissionalmente, porém viciada em bingo.

Seu temperamento era arredio, uma rebeldia defensiva.

Num processo de regressão ela recordou ter sido totalmente rejeitada pela mãe, que tentou abortar e não a amamentou. Ela sempre se sentia uma coisinha ruim.
Apesar de ser uma excelente profissional, a única forma de dar prazer e com isso olhar a criança carente dentro dela era se entregar ao vício, como se fosse uma compensação para as autocobranças que se impunha.

Ela introjetou a crença de que merecia apanhar, merecia sofrer, porém o contato com a criança dentro dela a fez rever certas posturas fazendo com que a partir do processo de consciência mudasse a relação que tinha com si mesma.

Seu olhar se tornou mais afetivo, com menos cobranças. Ela perdoou sua mãe.
Inverteu todo o processo retomando seu hobby que era pintar e passou a se dar amor, carinho e atenção. Tudo o que lhe faltou na infância.

Ela resgatou sua vida.

Mirem nesse exemplo, façam um mergulho dentro de si e perdoem. Resgatem sua criança interior, entregue amor, carinho e afeto e com esse portal de luz e poder aberto vocês mulheres serão leoas no parto e no resto de suas vidas.

Presente para todas parideiras!

Mantra do parto

“Eu sei parir.
Assim como pariram as mulheres que me antecederam.
Minha mãe, minha avó, minha bisavó, minha tataravó…
Até a primeira mulher.
Levo guardado em minhas células.
É o legado do meu corpo.
Ele sabe parir.
Como sabe respirar, digerir, gestar, andar, falar, pensar.
Está perfeitamente desenhado para isso:
Minha pélvis, meu útero, minha vagina, são obras da engenharia
A serviço da força da vida.
Eu sou ‘a que sabe’.
E ‘a que sabe’ sussurra para mim:
‘Cavalgue na energia das contrações, como se fosse um êxtase,
Loba, leoa, hiena, égua, raposa, gata, pantera…
Encontre a sua fêmea de poder e converta-se nela’.
E sendo ela, mamífera toda poderosa, dou a luz.”

Quando muito nunca é o bastante. Hora de agradecer e perdoar!

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O viver de muitos acaba sendo tragado por cobranças internas. São aqueles projetos inviáveis que o ego acredita serem fáceis de realizar. Dilui as dificuldades, os contras e pronto! Aciona um alarme mental:

-Vá e faça! A “joana” faz e você não? Está esperando o que? Olha só o que você está perdendo! Querer é poder!

Essas cobranças surdas e pesadas que ressoam internamente acabam gerando uma frustração imensa. Falta noção de realidade, de fatores externos. É como se a ordem fossem empurrar um caminhão.Você obedece cegamente. Vai até o caminhão, coloca toda a sua energia, toda sua força e o caminhão não sai do lugar.

Por que será?

Será que é por que lhe faltou competência? Vontade? Capacidade de realização? Força de vontade?

Ou será que o caminhão não foi empurrado por motivos fisicamente reais?

Sabemos a resposta óbvia,  mas na nossa vida precisamos criar uma linguagem para lidarmos com essas cobranças internas que nos assolam silenciosamente dia-a-dia e filtrar o impulso que brota internamente para seguirmos nosso processo evolutivo livre das cobranças negativas, com pedidos impossíveis de serem realizados que despertam sentimentos negativos, pessimistas e que nos deixam impotentes.

A sociedade de hoje é muito cruel. A mídia vende descaradamente uma realidade muito difícil de ser vivenciada por muitas brasileiras e isso engloba padrões físicos, consumo e estilo de vida. É surreal.

Reparem na mesa do café-da-manhã. Todos com dentes estalando de brancos, numa mesa farta com frutas, sucos, pães e bolos. Crianças sorrindo, tranquilas esperando a hora de comer.

Pelo menos a minha realidade é totalmente diferente. Faço o café, preparo o leite, marido volta com pães e frios, arrumamos o café na cozinha e comemos na sala. Não arrumo mesa pois tenho um bebê de 08 meses que demanda bastante atenção.

Ah! Nesse meio tempo que como, ou amamento ou supervisiono meu filho enquanto ele come.

E estamos com cara de bolacha, olhos pequeninos, roupa de dormir. Gatos correm, tenho que tomar cuidado para não tropeçar nos brinquedos que ficam na minha sala.

E ai? Vou chorar? Vou me cobrar por não ter o cenário de propaganda de margarina?

Não quero perfeição. Ela é tediosa, previsível e maçante. É assim que encaro toda essa vida nova que tem se apresentado a mim desde que meu filho nasceu. Não tenho dias iguais, horas lentas e minutos arrastados. E sempre estou aprendendo com ele a me entregar.

Em determinadas situações da vida temos que nos entregar, nos deixar levar, parar de nadar contra a correnteza. Isso não é ser inútil, imprestável. É sabedoria de saber poupar energia para coisas realmente construtivas.

Se sentimentos negativos brotam em nós, se a bad vem devemos iniciar nosso processo de reflexão e cura que é bastante pessoal. A limpeza e o alinhamento energético devem ser feitas diariamente por nós. Como limpamos nosso corpo, nossa casa devemos limpar nossa mente.

A poeira mental embaça as lentes de nossos óculos. Vemos nossa realidade por um prisma negativo, sem brilho, sem perspectivas porque essa poeira tira nossa centralidade e nos leva a um futuro incerto.

Com isso se temos um padrão negativo de reagir a determinadas circunstâncias e mesmo sem nos darmos conta disso vamos entrar num vórtice de ansiedade e ansiedade.

Sem fazermos essa leitura vamos descontar esse excedente de energia mental negativa tendo comportamentos desequilibrados no que refere a compras, alimentação, ingestão de bebidas alcoólicas entre outros pois estaremos acessando recursos externos que nos estimulam rapidamente para curamos desequilíbrios internos.

A notícia ruim é que esse mecanismo compensatório NÃO funciona.

Voltando este assunto a maternidade é importante ressaltar, avisar, deixar claro que as mulheres passam por alteração psíquica extremamente significativa.

De meninas se tornam mulheres. E mulheres mães.

Além do desgaste causado pelo bebê que é totalmente dependente, outras resignificações se fazem necessárias. O círculo de amigos muda, a vida profissional muda, ciclo de sono muda. Amor e culpa passam a fazer dupla constante no peito materno.

A mulher que segue seus instintos cuidadores  um tempo depois sentirá necessidade de retomar sua vida profissional. A que retomou sua vida profissional dirá que seu filho está sendo bem cuidado mas sentirá falta das tardes embaladas com aquele ser quentinho. Se sentirá culpada por não ouvir ou ver seu filho falar a primeira palavra.

Sempre haverá insatisfação, o cenário perfeito existe apenas dentro de nossa mente. O que devemos então é estarmos bem resolvidas com nossas decisões, sejam elas quais forem.

Existem maneiras práticas de aumentarmos nosso padrão vibracional, colocarei alguns abaixo:

Gratidão: Palavra batida em redes sociais ultimamente, não? Tão usada quanto a palavra amor e com um significado tão profundo quanto. Você sabe o que é gratidão e como ela pode mudar seu viver para melhor?

Gratidão é uma emoção positiva e assim sendo causa bem estar para quem a sente. Esse sentimento nos liberta e nos acalma. É um portal de cura para doenças psicossomáticas e crônicas.

Agradecer faz parte de quem prospera. Meditar e agradecer sobre tudo o que temos purifica e nos limpa de padrões mentais negativos.

Está cansada por cuidar do filho? Lembre-se que você tem saúde para estar junto dele, que ele tem saúde também!

E assim de maneira individual foque nas coisas positivas de sua vida, seja grato ao invisível e ao visível. Olhe as plantas, as árvores, a vegetação. O reino mineral. Agradeça. Veja as águas, cachoeiras, as frutas. Agradeça. Seja amoroso com os animais, agradeça a presença curativa deles em nossa vida. Agradeça pelo Universo tão rico e maravilhoso que nos rodeia.

Gratidão faz as pessoas com pureza de alma sempre estarem junto de você, seja fisicamente ou a distância.

Sendo gratos nos sintonizamos com o bem e teremos boa sorte em tudo o que empreendermos.

Liberte-se de pessoas tóxicas 

Nem tudo são flores. Todos temos nossas lutas e uma diferenciação no grau evolutivo. A Terra é como uma sala de aula com crianças desde o maternal até o nível superior.

Cada um tem uma capacidade de compreensão de tudo o que nos cerca e uma reação. Cabe a nós compreendermos isso e sabiamente nos libertamos de pessoas que infelizmente no momento vivem de forma negativa.

Eu não penso duas vezes antes de recuar. Tenho uma conexão muito forte com meu interior, um sexto sentido desenvolvido que faz com que eu reconheça a distância pessoas negativas, invejosas, falsas e frustradas. São características desagregadoras.

Essas características tendem a nos desequilibrar e nos afastar da fonte de luz e amor maior. Existem pessoas que se nutrem da infelicidade alheia.

O afastamento nesse caso significa autopreservação mental e energética. As vivências farão com que tais pessoas cedo ou tarde revisem seus comportamentos, seus padrões e se purifiquem.

Perdão

Perdão é a chave para a leveza do nosso viver. É a contrapartida a tantas cobranças internas e externas.

O auto perdão é muito precioso é um olhar carinhoso para nossa alma.

A cada cobrança, um perdão. A cada falha de uma amiga, de um parente próximo, o perdão.

Perdoar não significa se sujeitar a pessoas ou situações desfavoráveis, mas significa se libertar dos sentimentos negativos gerados por  alguém ou por uma situação.

Sem ego, sem orgulho, sem sentimento de vingança. Por mais que quem gerou o mal esteja aparentemente  bem resolvido, seu interior é luz e tormenta. E é dai que ele vai tirar sua lição, não é você quem vai ensinar.

Se preserve. Se poupe. Se ame.

E que o que temos, seja pouco ou muito, sempre seja o bastante. Que nossa busca, nossa evolução seja seja realizada com respeito. Que recebamos de nós mesmos o perdão, afeto e carinho.

Que a gratidão, o perdão e o amor sejam o calçado de nossa caminhada nessa existência.

Prato do dia: Apoio, acolhimento e empatia.

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Não me chame de mãezinha. O “príncipe aqui tem nome”. Não, não  penso em emagrecer no momento, penso apenas que você poderia passar umas horas em casa cozinhando, cuidando da louça, das roupas, da minha sanidade mental para no fim do meu dia que começa quando o sol nasce eu ter “força de vontade” suficiente para calçar um tênis e sair para uma caminhada.

Você topa? Então não palpite.

Ele vai dormir onde eu quiser porque quem sabe o que é melhor para nossa família sou eu. Eu, ouviu bem? Não é o pai que não precisa amamentar durante a madrugada, sou eu que decido o melhor para nós, pois a demanda física maior recai em mim.

Você que está tão preocupada com o local onde meu filho dorme, poderia ir em casa limpar os quartos, lavar as roupas de cama e organizar as gavetas. Seria bem mais útil.

Ah! Cuidou de 10 filhos sozinha? Pois então, seja solidária com quem passa aperto cuidando de um. Ao invés de reproduzir esse discurso antigo que nada serve além de te dar o aval pra cair fora quando vê uma mulher precisando de ajuda, arregace as mangas e use toda a energia que você tem para julgar, para auxiliar outra mulher.

Bebês de hoje não são como os do seu tempo. Vem com uma carga extra de energia. Aceite. Você não foi uma super heroína, seus filhos é que deram uma colher de chá para você.

Comida? Eu dou o que quiser e da maneira que quiser. Ao invés de criticar se a criança pega a comida, se eu amasso, se eu não dou água depois dos seis meses, quando me ver amamentar ao invés de oferecer um paninho, me ofereça água. Geladinha, tá?

Antes de palpitar sobre qualquer coisa que se refira a outras, calce o mocassim dele por duas luas. Viva em seu meio, tenha sua percepção, seu carma e só assim emita algum julgamento.

Complicado, não é mesmo?

Nós mães trocamos opiniões por apoio, infantilização por empoderamento, acolhimento ao invés de julgamento.

Mudar os verbos, mudar padrões negativos, ter empatia é o que mais precisamos.

Útero e você. Seu corpo fala!

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Nosso útero é nosso coração, morada da alma. É feminino, só nosso. O que nos une.

Achei um matéria muito interessante falando sobre nossa morada primordial, sobre como nosso inconsciente fala conosco por meio de nosso útero.

Sangramentos abundantes refletem em muitos casos um ressentimento em relação a uma figura masculina. Opressão, repressão de sua natureza, de sua criatividade.

Texto com dicas sobre alimentação, massagem em baixo ventre, informação de qualidade.Palavras para quem quer engravidar, para quem enfrenta distúrbios uterinos e no nosso sistema reprodutor.

Abram a mente para outros saberes, existe vida fora na medicina ocidental!

Boa leitura ❤

“As raízes dos problemas físicos estão relacionadas com as atitudes e no modo de levar a vida dia a dia. A forma como a pessoa se posiciona, se direciona é o que acaba determinando a saúde que ela tem. Pela metafísica, se observarmos o comportamento das pessoas podemos identificar que tipo de distúrbio físico a pessoa poderá desenvolver.

O nosso corpo se sensibiliza com os padrões de comportamento e as emoções da nossa vida.

Este distúrbio – mioma/fibroma – acontece para as mulheres que se deixam moldar pelo externo, acabam não preservando a sua natureza íntima. Metafisicamente, o útero é afetado quando a mulher se distancia de suas próprias características e de sua própria postura na vida para satisfazer o outro ou por conveniência ou porque acaba sendo mais cômodo. Essas mulheres, em algum momento de suas vidas, acabarão sofrendo críticas por alguma atitude tomada e por terem tido os piores resultados ao agir com os seus próprios princípios.

No mioma é quando a mulher culpa-se pelos transtornos vivenciados na ação do seu próprio modo de ser, numa determinada situação. No fibroma, a mulher torna-se muito mais dura consigo mesmo, cobra de si uma conduta exemplar e não tolera fracassos.

É importante refletir acerca de sua condição de vida, não nas condições materiais, mas na sua própria individualidade e em suas características próprias, visto que este comportamento traz a saúde uterina e também a realização pessoal.

Quem abandona, deixando de criar, de se movimentar na vida com suas ideias acaba desenvolvendo estes distúrbios citados acima. Os relacionamentos turbulentos e os papéis assumidos durante a vida fazem com que a mulher perca a percepção de si mesma. Para que as mudanças ocorram é necessário resgatar a originalidade.

Órgão da gestação e do parto. Esse é um ambiente biológico em que todos nós habitamos no princípio da vida. Ele representa uma espécie de “berço da vida humana”. O período de gestação representa uma pequena parte da vida da mulher; na maior parte o útero permanece ocioso, apenas sendo ativado no período fértil e escamado nas menstruações.

O útero consistem no jeito de ser das mulheres, na maneira de elas se comportarem e de conduzirem os acontecimentos. Preservar o próprio estilo e ser fiel a sua natureza são atitudes saudáveis para o útero.

A trajetória de vida segue cursos variados, mas em todos os caminhos deve-se manter peculiaridades. Nortear-se pelo meio ou basear-se nos outros são condutas coerentes; porém anular-se, imitar, ou agir do mesmo jeito das pessoas ao redor representam uma repressão do seu estilo. Por melhor que sejam os resultados obtidos com essa inversão de valores e desconsideração de si mesma, os sentimentos não são agradáveis, a frustração e a infelicidade sobrepõem aos bons resultados materiais. Para as mulheres, em especial, os sentimentos são primordiais; portanto a falta dos próprios componentes internos na execução das tarefas gera um vazio interior que pode somatizar no útero, provocando os nódulos uterinos (miomas e fibromas uterinos).

Para manter a saúde desse órgão faz-se necessário voltar a ser aquela mulher que era antes: independente, autêntica, que associava austeridade com amabilidade. E não a mulher que aprendeu a socializar-se, anulando-se a si mesma. Confie em si própria, desenvolva a autoadmiração, prestigie a sua maneira de agir e considere os resultados obtidos pelo grau de satisfação, não necessariamente pela impressão causada aos outros. A melhor maneira de ser feliz é com autenticidade e não com as conquistas exteriores.

Simboliza a criatividade e o relacionamento conjugal. Quando uma mulher é dependente de alguém que a tolhe em sua criatividade e é obrigada a deixar de fazer o que gosta, e do jeito que gosta, seu útero reage com dores, atraso menstrual, etc.

Se ela vive alimentando sentimentos de mágoa contra o marido e vive ”engolindo” os ”nós” da garganta para manter seu relacionamento, adquirirá nódulos e cistos nos ovários e no útero. Quando o casal vive em desarmonia e a mulher se anula para ”alcançar” o marido, podem aparecer, além de nódulos, dores, cistos e infecções difíceis de curar.

A mulher pode transformar o sentimento de raiva pelo parceiro, ou a sensação de ser usada por ele, em vaginite e até em doenças venéreas, dependendo do seu grau de ressentimento ou da falta de amor próprio. Mágoas arrastadas por muito tempo, pelo fato de ela ter sido traída ou abandonada, provocam câncer uterino como autopunição ou vingança contra o marido. O câncer uterino também pode se formar a partir de um sentimento de impotência e anulação que a mulher carregou durante anos de sua vida.

O atraso menstrual, por sua vez, significa que a mulher está negando, de alguma forma, sua própria feminilidade. Por exemplo, com medo de se entregar ao amor, arruma desculpas: excesso de trabalho, preconceitos e até doenças.

Isso faz com que seu fluxo menstrual seja bloqueado, simbolizando o ”não permitir-se ser mulher”.

Lembre-se que a natureza criou o homem e a mulher para viverem em perfeita harmonia e não para competirem entre si. A recusa exagerada da união não passa de orgulho e jogo de disputa inconsciente. Analise os seus sentimentos e verdadeiros desejos, sem recusar o que quer. Use a sua criatividade para melhorar a sua casa, o seu trabalho, as suas finanças e tudo o que sentir necessidade de mudar.

Quanto mais você criar, mais o seu útero corresponderá positivamente, pois ele é o símbolo da criação e não deve ser limitado. Além de você procurar ser natural nos seus sentimentos, procure também desobstruir a passagem da sua criatividade. Faça cursos, trabalhos artísticos, arrume a casa como você gosta sem esperar elogios, compre objetos para enfeitar o seu ambiente, e acima de tudo, busque uma maneira diferente de se harmonizar com o seu parceiro.

Se você acha que ainda o ama e quer viver ao lado dele, então perdoe-o e pare de se fazer de vítima. Para que nutrir sentimentos de raiva e mágoa pela pessoa com quem você quer continuar a ser casada ou ser namorada? Mas, se você não o ama mais, por que está com ele?

Para se vingar? Ou porque não tem coragem de recomeçar a vida em outro lugar? Filhos nunca prendem ninguém e dívidas muito menos, pois em qualquer setor da vida existem acordos.

Se você quer apenas vingança, então vai sofrer a auto-escravização e criará uma doença para imobilizar a pessoa ”alvo”, o que quer dizer que você, inconscientemente, manterá junto de si a pessoa de quem você quer se vingar ou de quem quer amor. Saiba que, pela medicina chinesa, quando alguém provoca cancro em qualquer parte do corpo isto significa vingança, raiva e o desejo de criar uma situação complicada dentro do lar, onde aquele que a fez sofrer estará sentindo-se preso e obrigado a dedicar uma atenção que antes negava.

Crescer é o melhor remédio.

”Se ligue em você”. Aprenda a conhecer a sua verdadeira identidade para suprir as suas próprias necessidades e para definitivamente parar com essa postura de vítima e jeito de ”fera ferida”. É desnecessário que você implore amor ou que queira que tudo seja diferente, apenas aprenda a se conhecer melhor e a descobrir que quando passar a se respeitar e a se amar, a carência desaparecerá completamente e o seu medo de ser traída, também.

O nosso inconsciente é objetivo e manifesta doenças de acordo com nossos pensamentos e conduta. A sua linguagem deve ser respeitada, pois ele constantemente nos aponta onde estamos errando na construção do nosso destino.

O perdão é a solução. Mas se você acha que não tem mais mágoas, então por que continua doente? Saiba compreender que lá no fundo do seu coração você ainda não se conformou, ou não entendeu, que deve ”soltar” a vida nas mãos de Deus. Busque, através de orações, o perdão profundo e, se necessário, procure um neurolinguista que saberá trabalhar seu subconsciente de maneira precisa e rápida.

Interessante a análise, gostaria de saber o ponto de vista com relação as mulheres que são solteiras, que desenvolvem os mesmos problemas das que tem maridos e precisam muitas vezes se sujeitar a histerectomia?

Eu já li que mágoas em relação ao pai, ou a outra figura masculina que exerce alguma autoridade sobre a mulher, seja consciente ou não, também pode gerar tais problemas uterinos. Por exemplo, padastro, avô, irmão mais velho. Interessante que na família já vi um exemplo assim com uma parente solteira.

Fonte: http://manualdeautocura.weebly.com/utero—polipos.html

Ciclos: A importância de reconhecer a infertilidade de seu solo.

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O ser humano precisa racionalizar, encontrar explicações e justificativas para tudo que o rodeia. É uma falsa sensação de segurança e controle.

O que a racionalização excessiva tem a ver com solo, infertilidade e ciclos?

Tudo. Absolutamente tudo. A nossa mente não consegue focar em vários assuntos com a mesma intensidade. Acabamos criando um hiperfoco em algum assunto. Os preferidos acabam girando em torno de trabalho e ascensão profissional, moradia e parceiros (as).

Essa é a santa trindade dos pensamentos gerais -basicamente as pessoas buscam sucesso nestes três aspectos- o que elas esquecem é que em nossa jornada aqui na Terra o essencial é ter equilíbrio e não perfeição.

Porém a maior fonte de angústia em nossa vida não é gerada pelas condições dessa tríade, como o mundo vende. É causada por pequenas tormentas diárias que nós não nos atentamos.

Muitas vezes você não está infeliz com seu trabalho. Está descontente com seu colega falso e que vive com a cara amarrada. Ou está descontente com a distância que precisa percorrer até chegar na empresa. O trânsito, o calor, acordar cedo.

Isso desgasta e não basicamente a sua formação é culpada, mas por focar apenas na tríade, acaba não se dando conta de que pequenas melhorias podem elevar muito a qualidade de seus sentimentos. Muitas vezes se mudássemos os caminhos não mudaríamos  de profissão

As pessoas perderam a capacidade de reconhecer o início e término dos seus ciclos, persistem em plantar num solo que não irá dar bons frutos, porque simplesmente acabou.

A ligação de morte física com o fim de tudo é muito forte e faz com que as pessoas não compreendam que morremos e renascemos diariamente. A vida não é imutável.

Vejo muita insistência principalmente na parte afetiva. Pessoas insistindo em relacionamentos que não vão se solidificar. E isso ocorre por vários motivos, pode ser por conta da diferença de entrega energética, de mudança de paradigmas ou por simplesmente estarem em momentos diferentes.

Amizades são assim, fluídas. Cada pessoa tem seu momento e quem tem madureza as vê como águas que vêem e vão. Sendo verdadeiras, positivas e agregadoras elas sempre retornaram.

Dos rios, para as nuvens. Chuva e rio novamente.

Para reconhecer quando um ciclo acaba ou se esmaece é preciso sentir, sem racionalizar. Sem forçar a barra, se entregar.

Para chegarmos no dharma, ciclos negativos precisam ser encerrados, essa é o segredo da evolução. Podem estar ligados a relações familiares, nosso trabalho, afeto, criatividade.

É preciso deixar o ego de lado e sermos sinceros conosco:

-Chega, encerrou. Não vai dar mais, não aguento.

Essa sinceridade e sabedoria ao identificar o final dos ciclos nos faz pausar e após essa pausa ideias, projetos e coisas muito produtivas surgem no mundo das ideias e se materializam no nosso conforme nossa disposição criadora.

Importante termos a noção de gasto energético quando falamos de força de vontade para criar e realizar. Saber quando o solo não é produtivo evita que desperdicemos essa energia, porque esforço sem perseverança cansa.

A perseverança é um olhar carinho, desprendido que temos quando focamos nosso interior, quando aceitamos os processos de mudança e nos desapegamos de padrões negativos como: Inveja, ciúme, competitividade.

Quem nutre a terra do seu ser com tais sentimentos quer “vencer” a qualquer custo e não entende que chegou o momento de parar e tomar novos rumos. Entra no hiperfoco, como uma pessoa que se preocupa extremamente com o penteado e se esquece que está descalça no asfalto quente.

A vida é cíclica. Não podemos ser eternamente rancorosos com a família, amizades se vão. Mudamos de emprego, de casa, de projetos. Não é sadio se prender a sentimentos e situações que findaram. Um hábito não é uma necessidade.

Procure sempre analisar através da meditação qual seu objetivo nessa vida. O que lhe consome e o que lhe dá energia. Pondere.

Permita-se descansar, se energizar e viver um novo momento, arando um solo produtivo, caminhando rumo a evolução.