Vamos falar sobre ansiedade?

healthy pregnant woman doing yoga in nature outdoors

As mãos trêmulas, taquicardia, aperto no peito, noites mal dormidas. Pensamento longe do presente, focado no “e se” e na falsa sensação de controle são sinais claros de ansiedade. E durante a gestação esse sentimento fica bastante intenso.

São muitas dúvidas. Vou dar conta? Vou conseguir amamentar? Qual o sexo? Vou ter condições para custear meu parto? E se a saúde não for perfeita? E se eu não conseguir retornar ao trabalho? E se eu for vítima de violência obstétrica? E se eu não suportar a dor?

Viram? Esses são apenas alguns dos “e se”? Esses questionamentos da forma que se apresentam levam a um vórtice de ansiedade paralisante.

Mas afinal o que é ansiedade?

Ansiedade em sua essência é preservação da vida, é parte de nossa natureza. E não é possível deixarmos de ser ansiosos pois esse mecanismo faz parte do nosso instinto de sobrevivência, o que podemos fazer é não permitir que esse sentimento tenha uma carga negativa em nossa vida.

Ansiedade é não estar centrado no aqui-e-agora.  A meta é aprender a desenvolver uma centralidade para o presente curando a ansiedade negativa e os sintomas psicossomáticos causados por ela.

Precisamos entender que tudo o que pensamos passa para nosso corpo. Tudo o que você dá importância é sentido por ele. O cérebro não sabe o que é fantasia, realidade, passado, presente ou futuro.

Se você mentaliza algo negativo ele acredita que é real e vai responder de maneira adequada a uma ameaça.

Não acredita? Faça um teste simples.

Se imagine dentro de um prédio em chamas. Fumaça por todo lado, calor, ambiente escuro abafado. Você tenta sair, as paredes estão quentes, bolhas saem pelo seu corpo. Você não encontra saída.

Essa visualização já criou uma emoção em você e o envolvimento já se deu de tal maneira que você não consegue pensar em como seu corpo reagiu a ela.

Provavelmente seu corpo já ficou tenso, boca seca, rosto contraído, coração num ritmo diferente. O mal-estar se instala.

Por outro lado pense numa linda praia, águas mornas e transparentes. Você com seu amor caminhando na beira do mar, curtindo um pôr-do-sol lindíssimo. Seu corpo sente-se bem, os ombros de soltam e com certeza um sorriso aparece em seu rosto.

Viu como nosso corpo físico reflete nossas emoções?

Devemos nos lembrar sempre que situações perfeitas e idealizadas existem apenas em nossa mente. Não podemos controlar todas as situações, podemos sim buscar condições favoráveis, mas o alinhamento de idealizações versus realidade nos trará apenas mais ansiedade e frustração.

Nos cobramos absurdamente, cobranças que obviamente não poderemos atender, portanto uma das chaves para um viver mais equilibrado é saber diferenciar a ansiedade negativa da ansiedade positiva.

Essa diferenciação é o ponto de partida para uma gestação onde nossos sentimentos estejam em equilíbrio. Aprender a controlar a ansiedade é aprender a controlar nossos sentimentos.

Mas afinal, como surge a ansiedade positiva?

Ela surge quando planejamos coisas. Lembrando que ansiedade é estar fora do aqui e agora, logo quando você planeja algo está sob um processo de ansiedade positiva.

Como a ansiedade positiva pode se manifestar quando planejamos nosso parto?

De forma simples. Você está grávida e deseja parir da forma mais natural possível. O que vai fazer? Provavelmente vai seguir um roteiro, como: Procurar uma médica humanizada, optar por parto domiciliar ou hospitalar, encontrar uma doula para chamar de sua, se informar sobre seus direitos como gestante, frequentar grupos de apoio, preparar a casa para a chegada do bebê. Tudo isso faz parte de um acontecimento futuro, mas que é gostoso, necessário e que guiado de maneira sadia com certeza a deixará feliz.

Agora suponhamos que você comece a divagar:

Como será meu parto? Vou suportar a dor? Se for em casa, meu vizinho vai se incomodar? Eu vou ficar constrangida de vocalizar? E se alguém bater na minha porta? E se no hospital a equipe não chegar a tempo? E se tiver trânsito? E se eu não conseguir chegar a tempo? E se eu vomitar no carro? E se no caminho furar o pneu? E se minha mãe não vier para me ajudar a cuidar do meu cachorrinho? E se minha doula não atender ao telefone quando eu precisar? E seu meu filho não conseguir mamar? E seu eu não gostar do quarto? E se… E se…?

Como vocês se sentem? Estômago revirado? Pontadas? Tontura? E se esse ritmo frenético de divagações negativas continuarem? Você vai desistir?

As pessoas enfrentam imprevistos em suas vidas, mas será que focar toda sua energia de maneira negativa neles é uma forma de prevenção?

Sim, precisamos ser responsáveis, ter plano A, B e C porém o parto exige entrega. É um momento forte, mas precisamos encarar todo o processo desde a gestação de maneira suave também. Dar vazão a ideias catastróficas pode servir como um banho de água fria em nosso planejamento.

Aprender a controlar a ansiedade é aprender a controlar nossos pensamentos. E para fazermos isso precisamos estar conectados com nosso corpo, com nossa essência para percebemos como nos sentimentos em relação a determinados pensamentos, temos que estar sempre atentos a nossa postura mental.

Quando nosso corpo somatiza um sentimento ele faz com que voltemos nossa atenção para aquele ponto. É como se sua máquina de lavar apresentasse um ruído. A atenção volta tanto para o barulho que acabamos por chamar um técnico para realizar uma visita.

Com nosso corpo ocorre o mesmo. A natureza é sábia e visa sempre nosso bem estar. Quando nosso corpo sinaliza com sintomas de desconforto ou dor ele pede atenção. Chegou a hora de checarmos nossos pensamentos, a que estamos dando importância, o que estamos trazendo para dentro de nós por meio de cobranças, críticas.

Importância é trazer para dentro de si algo de lá de fora.

O processo de autoconhecimento é vital para o controle da ansiedade dentro de nossa história de vida. Criando centralidade, controlando pensamentos negativos, refletindo sobre nossas posturas viciadas teremos um caminho e uma realidade livre de medos, somatizações e sentimentos negativos que atuam apenas como forma de bloqueio para nosso caminho rumo a evolução.

O parir começa na mente. Corpo são, mente sã.

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