Um leão por dia e eu só quero paz.

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Parir no Brasil é matar um leão por dia.

Se você optou, escutou o chamado e deseja parir de maneira mais respeitosa, prepara-se para matar um leão por dia enquanto for gestante.

É uma luta. Imagine você se protegendo de muitos perigos enquanto tenta respirar.

Gestantes driblam o tempo todo profissionais com condutas desatualizadas e invasivas, driblam a restrição orçamentária para custear uma equipe, lidam com a família que na maioria das vezes não compreendem suas escolhas. Com o medo alheio, a condenação implícita de amigos.

Eu passei por isso. Eu fui chamada de louca. Fui culpabilizada por intercorrências que SEQUER aconteceram.

Ai quando a gestante está na 37 semana rola o Chá de Bençãos. Eu amo mediar Chá de Bençãos, sinto que por algumas horas posso estender a mão para aquela mulher grávida curtir de fato sua gestação, se conectar consigo, com seu filho. Relaxar.

O cenário ideal não seria uma mulher poder parir e gestar em paz?

Engravidar, contar com uma rede de saúde pública decente como na Europa, com parteiras, casas de parto. Com informação e esclarecimento.

O essencial psíquico não é trabalhado. Muitas entram em trabalho de parto como meninas. Não participam de um ritual de transição, tem medo de seus fluidos no parto, não soltaram as amarras. Não gritam com medo do vizinho, sentem vergonha de gemer.

No puerpério quando enfrentam problemas na amamentação se escondem porque a sociedade cobra vitória. Derrubam lágrimas solitárias no escuro da madrugada com seus filhos no colo e quatro meses depois, recém parida, com o parto impregnado na alma precisam se enfiar numa roupa apertada, precisam espremer seus seios cheios de leite em soutians com aro e bojo, precisam apertar suas barrigas, colocar saltos e levar uma roupa do filho para poder cheirar e fazer a ordenha no meio do trabalho.

Como uma criminosa, em locais insalubres, sendo desrespeitada por pessoas que reprovam este ato por olhares.

Onde está o prazer de parir? O prazer de se perder nas horas, de se embriagar no cheiro de leite?

A gestação toda é luta, é grito, é andar com leis debaixo do braço. Esse é o processo de empoderamento de mulheres que querem parir. Sofrido, suado, desnecessário se vivêssemos num país onde o direito das mulheres e as recomendações da OMS fossem respeitadas.

Gestantes deveriam estar em paz, informada. Conectada com ela, sentindo seu corpo, sua pélvis, em contato com Gaia. Gestantes deviam se esticar em banhos de lua, em rodas onde pudessem tecer, conversar, trocar afetos e esperanças.

Deveriam se sentir em paz para criar, pintar, plantar, dançar. Isso é entrega aos instintos, isso é conexão com seu interior, não é olhar para si no espelho e falar: RELAXE!

Para parir é preciso paz. Isso é o que queremos.

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