Oficina de Arteterapia

Quando  estava grávida não me sentia ligada a aquisições materiais. A montagem do quarto do meu filho ficou por último e hoje vejo que poderia ter sido bem mais simples.

O que eu desejava era estar em contato com outras mulheres, com nossa energia de entrega, amor e comunhão. Sentia falta do contato com a natureza direto. Pés no chão, vento nos cabelos. Muitas vezes ia caminhar em parques quando a lua estava cheia. De maneira instintiva buscava a anergia pura da natureza para me fortificar.

Busquei oficinas de arteterapia e não encontrei. Tudo o que eu mais desejava era estar reunida em círculo, criando, tecendo, pintando. Queria plantar, contato com a terra. Minha energia precisava fluir.

Com uma grande amiga conselheira aprendi que temos o poder de criação. E que quando algo de desejamos não foi materializado por ninguém, podemos sim usar nosso poder de co criadores a darmos formas ao nosso sonho.

Para isso é necessário, amor, carinho e disponibilidade.

E apoiada nesses sentimentos nobres é que organizo uma Oficina de Arteterapia direcionada a gestantes, porém se você mulher sente o chamado de comunhão, entrega e criação sinta-se livre para se juntar a nós nessa manhã.

A programação da oficina está muito rica, vejam:

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Oficina de Arteterapia

Facilitadora: Vanessa Meyrelles, doula e arteterapeuta.

Vivência inédita em Campinas, momento de entrega, criação, reflexão, partilha e dança!

Nossa oficina será dividida em sete módulos:

Energizar – As gestantes irão se conectar com seu interior através da meditação e práticas de relaxamento.

Alimentar a alma – Hora de se apresentar! Partilhar histórias, vivências, desejos e se conectar com as outras mulheres que estarão unidas na mesma vibração.

Alimentar o corpo – Café da manhã para energizar o corpo. Teremos bolo, frutas, pães, sucos e chá. Momento de vivenciar sabores, texturas, nos aquecermos para iniciarmos as atividades.

Confecção de Mandala – Abordagem teórica sobre a mandala e seu significado. Oficina prática onde as gestantes irão confeccionar sua mandala do poder.

Sentir e criar. Sais energéticos – Abordagem teórica sobre a aromaterapia e seus benefícios. Oficina prática de criação de sais de banho.

Plantar! – Neste módulo nossa conexão é com a terra, a mãe natureza e suas ervas. Oficina prática com pintura do vaso cerâmica, manuseio com a terra, finalizando com o plantio das ervas.

Finalizaremos nossa oficina de arteterapia com dança circular e a certeza de que a luz de cada uma será ainda mais forte.

Faça sua inscrição pelo e-mail:
vanessameyrelles@outlook.com
Data: 24/10/2015
Horário: 08:30 as 13:00
Contribuição: R$ 160,00 com café-da-manhã e material das oficinas incluso.

Ouçam a voz do coração e se libertem!

Vamos falar sobre ansiedade?

healthy pregnant woman doing yoga in nature outdoors

As mãos trêmulas, taquicardia, aperto no peito, noites mal dormidas. Pensamento longe do presente, focado no “e se” e na falsa sensação de controle são sinais claros de ansiedade. E durante a gestação esse sentimento fica bastante intenso.

São muitas dúvidas. Vou dar conta? Vou conseguir amamentar? Qual o sexo? Vou ter condições para custear meu parto? E se a saúde não for perfeita? E se eu não conseguir retornar ao trabalho? E se eu for vítima de violência obstétrica? E se eu não suportar a dor?

Viram? Esses são apenas alguns dos “e se”? Esses questionamentos da forma que se apresentam levam a um vórtice de ansiedade paralisante.

Mas afinal o que é ansiedade?

Ansiedade em sua essência é preservação da vida, é parte de nossa natureza. E não é possível deixarmos de ser ansiosos pois esse mecanismo faz parte do nosso instinto de sobrevivência, o que podemos fazer é não permitir que esse sentimento tenha uma carga negativa em nossa vida.

Ansiedade é não estar centrado no aqui-e-agora.  A meta é aprender a desenvolver uma centralidade para o presente curando a ansiedade negativa e os sintomas psicossomáticos causados por ela.

Precisamos entender que tudo o que pensamos passa para nosso corpo. Tudo o que você dá importância é sentido por ele. O cérebro não sabe o que é fantasia, realidade, passado, presente ou futuro.

Se você mentaliza algo negativo ele acredita que é real e vai responder de maneira adequada a uma ameaça.

Não acredita? Faça um teste simples.

Se imagine dentro de um prédio em chamas. Fumaça por todo lado, calor, ambiente escuro abafado. Você tenta sair, as paredes estão quentes, bolhas saem pelo seu corpo. Você não encontra saída.

Essa visualização já criou uma emoção em você e o envolvimento já se deu de tal maneira que você não consegue pensar em como seu corpo reagiu a ela.

Provavelmente seu corpo já ficou tenso, boca seca, rosto contraído, coração num ritmo diferente. O mal-estar se instala.

Por outro lado pense numa linda praia, águas mornas e transparentes. Você com seu amor caminhando na beira do mar, curtindo um pôr-do-sol lindíssimo. Seu corpo sente-se bem, os ombros de soltam e com certeza um sorriso aparece em seu rosto.

Viu como nosso corpo físico reflete nossas emoções?

Devemos nos lembrar sempre que situações perfeitas e idealizadas existem apenas em nossa mente. Não podemos controlar todas as situações, podemos sim buscar condições favoráveis, mas o alinhamento de idealizações versus realidade nos trará apenas mais ansiedade e frustração.

Nos cobramos absurdamente, cobranças que obviamente não poderemos atender, portanto uma das chaves para um viver mais equilibrado é saber diferenciar a ansiedade negativa da ansiedade positiva.

Essa diferenciação é o ponto de partida para uma gestação onde nossos sentimentos estejam em equilíbrio. Aprender a controlar a ansiedade é aprender a controlar nossos sentimentos.

Mas afinal, como surge a ansiedade positiva?

Ela surge quando planejamos coisas. Lembrando que ansiedade é estar fora do aqui e agora, logo quando você planeja algo está sob um processo de ansiedade positiva.

Como a ansiedade positiva pode se manifestar quando planejamos nosso parto?

De forma simples. Você está grávida e deseja parir da forma mais natural possível. O que vai fazer? Provavelmente vai seguir um roteiro, como: Procurar uma médica humanizada, optar por parto domiciliar ou hospitalar, encontrar uma doula para chamar de sua, se informar sobre seus direitos como gestante, frequentar grupos de apoio, preparar a casa para a chegada do bebê. Tudo isso faz parte de um acontecimento futuro, mas que é gostoso, necessário e que guiado de maneira sadia com certeza a deixará feliz.

Agora suponhamos que você comece a divagar:

Como será meu parto? Vou suportar a dor? Se for em casa, meu vizinho vai se incomodar? Eu vou ficar constrangida de vocalizar? E se alguém bater na minha porta? E se no hospital a equipe não chegar a tempo? E se tiver trânsito? E se eu não conseguir chegar a tempo? E se eu vomitar no carro? E se no caminho furar o pneu? E se minha mãe não vier para me ajudar a cuidar do meu cachorrinho? E se minha doula não atender ao telefone quando eu precisar? E seu meu filho não conseguir mamar? E seu eu não gostar do quarto? E se… E se…?

Como vocês se sentem? Estômago revirado? Pontadas? Tontura? E se esse ritmo frenético de divagações negativas continuarem? Você vai desistir?

As pessoas enfrentam imprevistos em suas vidas, mas será que focar toda sua energia de maneira negativa neles é uma forma de prevenção?

Sim, precisamos ser responsáveis, ter plano A, B e C porém o parto exige entrega. É um momento forte, mas precisamos encarar todo o processo desde a gestação de maneira suave também. Dar vazão a ideias catastróficas pode servir como um banho de água fria em nosso planejamento.

Aprender a controlar a ansiedade é aprender a controlar nossos pensamentos. E para fazermos isso precisamos estar conectados com nosso corpo, com nossa essência para percebemos como nos sentimentos em relação a determinados pensamentos, temos que estar sempre atentos a nossa postura mental.

Quando nosso corpo somatiza um sentimento ele faz com que voltemos nossa atenção para aquele ponto. É como se sua máquina de lavar apresentasse um ruído. A atenção volta tanto para o barulho que acabamos por chamar um técnico para realizar uma visita.

Com nosso corpo ocorre o mesmo. A natureza é sábia e visa sempre nosso bem estar. Quando nosso corpo sinaliza com sintomas de desconforto ou dor ele pede atenção. Chegou a hora de checarmos nossos pensamentos, a que estamos dando importância, o que estamos trazendo para dentro de nós por meio de cobranças, críticas.

Importância é trazer para dentro de si algo de lá de fora.

O processo de autoconhecimento é vital para o controle da ansiedade dentro de nossa história de vida. Criando centralidade, controlando pensamentos negativos, refletindo sobre nossas posturas viciadas teremos um caminho e uma realidade livre de medos, somatizações e sentimentos negativos que atuam apenas como forma de bloqueio para nosso caminho rumo a evolução.

O parir começa na mente. Corpo são, mente sã.

Parir é mar, amplitude e solidão.

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Quem nutre o desejo de parir no Brasil fique sabendo, sua jornada será solitária.

Ontem na praia, um dia chuvoso estacionamos o carro só pra contemplar o mar. Apesar da chuvinha as águas nos atraiam. A praia vazia, a paz, águas mornas…

Não entramos. Saímos do carro, fomos até a beira do mar, molhamos os pés e voltamos. Do carro vi três surfistas, enfrentando as ondas, ora por cima delas, outras sendo arrastados.

De fato, para estarem naquele momento ali, na água, entre as ondas tinha muito amor envolvido, muita força de vontade que nada se relacionava com o mundo externo. Podiam estar no bar, em casa debaixo das cobertas. Fazendo qualquer outra coisa que não envolvesse água, chuva, vento e solidão.

Mas é ali em meio a intempéries, na solidão das águas que eles se encontravam.

Assim são vocês gestantes que querem parir naturalmente. Parir é cura, parir é dor, prazer, superação. Mas é um mar que vocês terão de enfrentar.

Não adianta contar com a aprovação da mãe, da prima, da colega da vizinha. Cerca de 98% das pessoas vão te chamar de louca “imagine um mundo moderno desse e você ai querendo sentir dor”. Como se parir fosse apenas dor.

É isso. Poucas mulheres atravessam um trabalho de parto. Poucas entendem como a recepção respeitosa a um bebê faz diferença. Não entendem a agressividade do colírio, das aspirações, da separação por horas. Quem entende como o mar pode curar quem o ama?

Não seria “louco” aquele surfista sozinho enfrentando as ondas?

No processo de busca de informações vocês encontrarão grupos de apoio, mulheres que desejam parir, formarão laços. Mas a força para seguir em frente convicta vem dentro de vocês.

Algumas mulheres podem desistir, mudar seus rumos. E você? Seguirá firme? Como está seu jardim interior, seu ponto de apoio interno?

Quando estava grávida pude ir a três reuniões de grupos de apoio. Optei por não ler nada, sequer Parto Ativo porque entendia o parto como evento fisiológico e sendo assim ele funcionaria. Ele sabe parir. Ele sabe encontrar melhores posições e eu confiava que sim, meu filho ia nascer.

Eu só precisava de paz, respeito, amor e privacidade para que ele desse o seu melhor, sem travas, medos ou bloqueios e para mim isso aconteceu num parto domiciliar. Era meu ambiente, minha toca, onde eu me sentia segura e poderosa.

Para você pode ser o ambiente hospitalar e tudo bem também, não existe um local ideal para parir, existe o local que você se sinta segura e tenha uma assistência de qualidade.

E toda essa força minha veio da solidão, das ventanias e do escuro da noite. Dentro do meu peito ela brotou e se sustentou.

Eu jamais escondi que teria um parto domiciliar e ouvi as coisas mais desanimadoras possíveis e não me deixei abater. Assumi a questão sobre desfechos ruins, coloquei isso numa gaveta. Em outra gaveta coloquei a resolução da parte técnica, encontrei uma equipe iluminada e com energia afim e o restante de toda a energia que eu dispunha usei para confiar e me certificar no poder que eu tinha para parir. E segui firme, debaixo de chuva, enfrentando ondas altas, feliz, por estar convicta de finalmente estar escrevendo a minha história.

E valeu a pena? Valeu. Cada segundo.

Não passei a gestação apenas racionalizando, vendo estatísticas. Eu me entreguei. Dancei muito em casa, sozinha. Nua. Queria sentir meu corpo livre.

Em noites de lua cheia eu ia caminhar em parques. Sentia a luz da lua iluminando cada chackra meu. As árvores falavam comigo e passavam toda sua energia pura para mim. A terra, a grama, os elementos me energizavam.

Cada uma terá sua caminhada e seus passos. Eu engravidei e depois que a parte estava resolvida eu fiz hora e fui na valsa.

Parir naturalmente não deve ser apenas luta, deve ter sentimento, leveza, entrega. Amor, descoberta, superação.

Minha gestação foi de cura. Descobri um mundo horrível onde as mulheres sofrem violências, mas veio a mim um outro mundo. Onde mulheres leoas dão a luz em meio a amor e respeito.

Me curei de dramas familiares, dancei, me perdi nas horas. Assim como aqueles surfistas enfrentando as ondas na solidão do mar. É o que eles precisavam.

Na amplitude do oceano eles encontram a cura.