Ingratidão, o ignorar de pequenas luzes

 

Muitas frases feitas cansam de reforçar que os ingratos são infelizes. Pronto, sentimentos nomeados, pessoas rotuladas, tudo certinho.

Você sente algo negativo que por tempos e tempos é atrelado ao seu ser, sua essência, o que não é verdade.

Você está infeliz, não é infeliz. Assim como você pode trocar sua ingratidão por gratidão.

Mas como reconhecer a junção desses sentimentos que amam bailar juntos?

Quem é ingrato tem uma visão particular dos acontecimentos que os rodeiam. Não conseguem enxergar a beleza das pequenices. Passam os dias pensando em grandes feitos e deixam os pequeninos e tão importantes para nossa alma de lado.

Invejam aqueles que em sua visão tem tudo que devia lhe pertencer por direito e não por merecimento.

O ingrato quer realizações familiares, materiais e se esquece que enquanto ele abre sua geladeira, muitos no mundo passam fome, sentem sua dor e enxergam sua cor. E que sequer possuem acesso a energia elétrica ou saneamento básico.

Choram pelo vinho que não bebem mas se esquecem daqueles que sequer recebem água tratada em sua casa.

Esquecem das pessoas que estão agora dentro de um hospital com feridas, dores e o coração cheio de saudade da família.

Com 19 anos eu estava dentro do CAISM vendo a morte todos os dias. E não acostumei, não me embruteci.

Não esqueço do último suspiro daquelas pessoas que acompanhei. Dos seus corpos gelados, da tristeza em carregar uma vida apagada dentro de um saco preto.

Vi cenas tristes…Uma jovem indo reconhecer seu pai com o corpo já refrigerado. A cena não sai da minha mente mesmo depois de tantos anos. Seu choro até hoje ressoa em mim.

Quantas pessoas pediram para eu ficar mais com eles, para eu não ir embora. Olhavam a medicação que reluzia com toda a esperança do mundo.

Fracos, descorados, com câncer. E com esperança.

E eu com 19 anos vendo e digerindo a morte, o sofrimento. Terminávamos o estágio as 22:00. Eu só conseguia sentir o vento frio e mais nada. Não conseguia sequer organizar meus pensamentos e sentimentos, eu só agradecia. Iria atravessar a cidade sozinha, tomar três ônibus para chegar em casa e só conseguia agradecer.

Eu estava viva. Eu tomava banho sozinha. Eu andava sem precisar de ajuda. Eu não sentia dores. Eu tinha comida, cama e um teto.

Como não agradecer?

Esses anos na área da saúde mudaram a minha visão sobre a vida para sempre.

Desde então sinto uma gratidão enorme pelo sol, pela chuva, pela saúde dos meus gatos, pelas minhas dificuldades que são nada mais que aprendizado. Temos tudo. Temos energia, água potável, o demais já é o bastante e com tanta coisa por que não partilhar?

E é na partilha que encontramos a verdadeira felicidade, não em bens materiais, realizações pessoais, nada disso. É estendendo a mão, abrindo os braços, cedendo o colo é que mora o divino.

Quando se sentirem tristes, maltratados pela vida e pelas situações reflitam em tudo de bom que os rodeia. Tudo o que vocês tem acesso. Tudo.

Está respirando? Agradeça.

Gratidão é plenitude, partilha e paz de espírito. É a certeza que recebemos a benignidade da mãe natureza, da vida.

Andemos de mãos dadas com a gratidão que nossa felicidade, nossa luz interior de manifestará cada vez mais.

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