Os números de 2015

Os duendes de estatísticas do WordPress.com prepararam um relatório para o ano de 2015 deste blog.

Aqui está um resumo:

Um comboio do metrô de Nova Iorque transporta 1.200 pessoas. Este blog foi visitado cerca de 4.900 vezes em 2015. Se fosse um comboio, eram precisas 4 viagens para que toda gente o visitasse.

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Relações familiares cármicas

entradafazendaMuitos fantasmas, falsas verdades rondam as relações familiares.

A maioria desses saberes universais tem o objetivo exclusivo de abafar, restringir e manter a ordem e harmonia familiar, custe o que custar. Custe até mesmo o sofrimento de seus integrantes.

É sabido que formações familiares são concebidas em grande maioria tendo em função resgates cármicos o que faz com que cedo ou tarde determinados conflitos surjam. Dói, é difícil aceitar que determinadas situações aconteçam com nosso consentimento pretérido, mas é assim que costuma funcionar. Enquanto não ascensionarmos, não alcançarmos outros graus evolutivos estaremos em tese presos do carma, nas relações de causa e efeito.

E laços familiares são os mais fortes que podemos ter nessa vida, do mais, basta um pedido de demissão, um afastamento intencional para conscientemente nos livrarmos do que nos causa sofrimento.

O interessante de permitir que a iluminação espiritual guie minha vida é que minha percepção acerca deste assunto se amplificou e junto com ela o conceito de gratidão familiar também.

A sociedade execra o membro familiar que por motivos vários decide se divorciar ou se afastar de sua família. É tratado como um herege ingrato desprovido de qualquer sentimento nobre. Sim, afastamento parental consciente e intencional costuma ser algo visto com péssimos olhos, principalmente em nossas terras latinas onde temos uma educação rígida que costuma ver a família como um monolito e não como membros individuais, com anseios diversos e num grau evolutivo e em alguns casos intelectual completamente diferente um dos outros.

Vou dividir minha abordagem sobre como podemos lidar com conflitos familiares fortes e recorrentes de maneira corajosa, amorosa e independente, que preserve também nossos limites pessoais.

Como a família surge?

As famílias se unem essencialmente para resgates cármicos. Existem famílias afins, unidas, com um grau evolutivo similar, que juntos tem a missão de evoluir e disseminar amor. O respeito, a cordialidade imperam e essas pessoas já se libertaram das relações de causa e efeito e podem inclusive se manterem próximas mesmo depois de sua missão corpórea na Terra findar. Se juntamem outros planos.

Já outras famílias se unem para que resgates cármicos sejam realizados. Dai vemos os casos de rejeição – mães que odeiam filhos e vice-versa- conflitos e desarmonias.

Recebemos como mecanismo evolutivo o véu do esquecimento, porém nosso subconsciente armazena todas nossas impressões pretéritas que com o  desenvolvimento da personalidade, falhas de criação acabam se revelando.

A lição primordial a ser ensinada nesses casos é o amor e o perdão. Sem amor demonstrado por ações que envolvem muito de nossa doação pessoal não existe evolução e esses laços se fundem fazendo com que os envolvidos fiquem em desajustes por séculos, consequentemente se encontrando até que seu processo evolutivo progrida.

Nesses casos a configuração familiar pode ser alterada em cada reencarnação. Quem hoje é mãe pode voltar como filha numa outra vida e  se a rejeição é muito intensa a ponto da rejeição atingir o biológico fazendo o casal declinar de gestar, a adoção costuma ser uma opção para o ingresso do novo membro na família.

A família se formou. E agora?

Família formada, filhos, criação igual com resultados diferentes. Bem vindos a vida, a individualidade e a ciência de que somos instrumento para a evolução aqui na Terra e que não temos posse de ninguém.

Sendo agraciados com o livre arbítrio, formamos nossa família, geramos nossos filhos e o criamos, abdicando de muitas coisas em prol deles.

Revestidos de amor é justo cobrar gratidão de maneira tóxica por fazermos o que qualquer ser humano com sentimentos e responsabilidades fariam que é prover afeto e cuidados materiais para um ser que NÓS quisermos colocar no mundo?

É justo cercear sua liberdade, tolhir da descoberta de seu eu, sua essência, sua personalidade para que fiquem condicionados a uma relação  hierárquica que existe apenas nesse plano material?

É justo chantagear emocionalmente os filhos usando uma submissão que se traveste de gratidão?

Não! E esses são um dos maiores desafios que nós pais aqui na Terra temos que lidar. Desses pensamentos surge todo o alicerce que insere culpa nos filhos que decidem trilhar seus próprios caminhos.

Sendo uma das grandes causas de desarmonias familiares, pais que   acham que seus filhos são eternamente ingratos, filhos que cobram perfeição dos pais, não fazem a leitura de que pais são pessoas com medo, falhas e que também estão aqui junto de nós para aprender.

Quando a submissão se traveste de “honrar os pais”

Esse preceito bíblico de honrar pais e mães é interpretado de maneira muito generalista, tóxico e abusivo em alguns casos.

Muitos entendem que essa honra significa anular-se completamente. Significa seguir a mesma configuração familiar e jamais ser uma contracultura. Essa honra chega muitas vezes a bloquear a liberdade que o indivíduo tem de reescrever sua própria história e romper com dogmas pesados de sua ancestralidade.

Percebam que você é composto por seu avô, sua bisavó. Somos fragmentos, somos eles, somos um. Temos tendências fortes ancestrais que não necessariamente fazem parte de nossa composição consciencial primária, essa sim é pura, iluminada fonte de paz e amor.

Essas tendências vão se manifestar em muitos aspectos de sua vida, reforçadas por uma visão aqui e agora e puramente biológica de nossa existência.

Trejeitos de fala, reatividade, afetividade, histórias de abandono e abuso parecem ser fadadas a repetição em certas famílias, perpetuando quase que de maneira automática todo o ciclo de sofrimento.

“Minha mãe fez assim e assado, então farei assim com você também” são atitudes em alguns casos não verbalizadas e praticadas mesmo que não intencionalmente que reforçam o padrão da transferência ancestral de comportamentos. Percebam que existem famílias frias por gerações. Famílias esquentadas, outros tranquilos. Quando um membro decide reescrever sua história por estar num grau evolutivo espiritual mais avançado costuma ser recebido com maus olhos. Seria um apontamento invisível para o ego que se sente atacado, porque interpreta situações de mudança, progresso como um:

-Você está errado. Vou fazer melhor.

Quando na verdade não é nada disso. Consciências presas nas dimensões mais baixas e revestidas pelo ego costumam ter uma protetividade muito grande, se somarmos as experiências individuais que reforçam as camadas de personalidade, fica quase impossível a harmonia. O ego ama a si próprio, protege a si próprio e só vê seu umbigo. Não enxerga sutilezas e como se fosse uma borboleta no casulo, qualquer interação mais direta pode matar completamente uma relação que por conta das constantes desarmonias se encontra mutilada. Pode acabar. Assim como a borboleta que se ajudada a sair do casulo, morre.

O que a sociedade diz sobre isso?

O senso comum prega que a família é o bem maior, devemos suportar todas as provações, nos mantermos unidos até que a morte nos separe. Qualquer coisa, qualquer passo de dança fora desse script leva a pessoa a categoria de vilão (ã).

O que a luz prega?

A luz, centelha divina, criadora, amorosa prega o amor. Só o amor é capaz de sedimentar harmonia genuína entre as pessoas. E sabemos que temos níveis evolutivos diferentes. Uns são rancorosos, vingativos e guardam ódios por séculos. Não sabem amar.

Nesse caso a vida vai ensinar, por intermédio da dor ou do amor. Não é você ou eu que vamos mudar paradigmas de uma outra consciência. Certas portas se abrem para dentro apenas. É o famoso despertar, diminuir a força do ego em nossas vidas, baixar a protetividade, ouvir mais, acolher. Doar.

Essas características podem demorar vidas para germinar e não somos nós que vamos forçar esse crescimento. Seja filho ou pai, lembrando que essas são hierarquias usadas no modelo terrestre.

Vale a pena se desgastar, se despedaçar porque a sociedade de maneira limitada entende que nossa vida precisa e deva ser um comercial de margarina?

Vale a pena deixar de entender lições que até mesmo os desajustes nos passam?

Tudo em nossa passagem é um aprendizado.

Como libertar-se de carmas e ter uma existência plena?

A base para rompermos a roda dos carmas familiares é não contrairmos mais débitos, praticando o perdão e o amor. Sim é muito difícil perdoar quem nunca nos pediu perdão ou que mesmo depois desse continua nos magoando sucessivamente, mas devemos nos lembrar que o perdão beneficia primeiramente aquele que perdoa. Liberamos energia negativa e deixamos nosso coração livre para receber bênçãos. Perdoando liberamos cargas emocionais e direcionamos nosso pensamento para coisas positivas e que vão nos impulsionar nesse caminho evolutivo.

O perdão não precisa ser presencial. Pode ser através do pensamento. Perdoe e se livre da sombra psicológica que relacionamentos tóxicos e abusivos costumam deixar. É como se fosse uma fuligem em nossa alma.

Perdoando a ressonância negativa é interrompida, fazendo com que você se livre dos laços energéticos perturbadores que podem se estender independente da distância geográfica ou até mesmo depois da morte.

É aquela mágoa, aquele rancor, aquele gosto amargo na boca.

Perdão, perdão, perdão. Sempre!

Como minha evolução espiritual pode afetar meus relacionamentos familiares?

Quando despertamos consciencialmente nossa postura de vida fica alterada. Ficamos mais serenos, saímos da programação andróide que é estudar, trabalhar e ter coisas e passamos a ser mais incisivos e questionadores.

Deixamos de ter medo de emanar luz, mesmo que em volta seja escuridão. Expomos nossos desejos, nossa essência com mais segurança. Conforme o padrão vibracional aumenta mudamos naturalmente nossa alimentação, padrão de ingestão de bebidas alcóolicas, relação com nosso corpo, vestimenta, educação e criação dos filhos. Isso pode chocar toda uma família fazendo com que se sintam atingidos no ego por mudanças de filosofia de vida.

Ao invés de reproduzir um modelo familiar, você cria o seu de acordo com seus desejos. Pode optar por uma profissão que lhe dê mais tempo livre e menos retorno financeiro, pode optar por uma moradia menos sofisticada mas em contato com a natureza, pode optar por não criar seu filho nos moldes tradicionais. Isso assusta e afasta os familiares que ainda não estão preparados para vivenciar essa transição e transformação.

E se sua mente estiver programada no modo SOCIEDADE você terá grande propensão de se culpar, de se sentir errado por não estar próximo de sua família ou até mesmo de recuar para ser aceito.

Como lidar? Precisamos falar sobre isso. APEGO.

A família deveria ser um veículo para um ser desenvolver suas potencialidades, ter suas necessidades materiais supridas tendo uma troca afetiva e emanações de amor. Com os pais cientes de que são tutores de seus filhos, que eles possuem seus desejos e suas lutas e que portanto não são deles. Biologicamente foram gerados, mas precisam e devem seguir seu caminho sem apego.

Esse apego a regras pré estabelecidas, totalmente massificadas que coloca todo indivíduo de maneira polarizada -bom ou mau-  faz com que muitos aguentem relações tóxicas e abusivas por anos. Filhos que são assediados psicologicamente, fisicamente por seus pais ou vice versa. Faz com que membros da família busquem um afeto que nunca receberão. Faz com que nós não aceitemos o outro como ele é com seus defeitos e qualidades, mas que num esforço irracional o forcemos a ser como nós queremos só para dai então exercitarmos nosso amor e compreensão. Isso está errado.

Nada nos impede de romper padrões negativos de ambos os lados. É o fim do carma, é leveza é liberdade. É amor. Quando a incompatibilidade energética é gritante de tal forma que mesmo em silêncio nos sintamos acuados pela presença alheia é hora de perdoar, nos afastar e seguir em frente.

Atitudes dessa natureza nada tem a ver com ingratidão, mas sim com preservação de nossos limites pessoais e libertação. A VIDA É FLUÍDA, novos cenários são criados para nosso projeto aqui na Terra. Teremos muitos pais, mães e filhos. Muito a aprender, o apego a estas normas irracionais de relacionamento apenas contribuem para o desgaste e desmoronamento de relações pessoais que já se encontram frágeis.

Podemos não ser os melhores pais, mães ou filhos mas jamais poderemos deixar de ser felizes por relações tempestuosas entre familiares na Terra. A harmonia precisa existir dentro de nós, é do nosso interior que brotam a luz e o amor que nos conduzem a evolução.

Façamos as pazes com nosso interior nos libertando de mágoas, carmas pesados e padrões negativos de viver.

 

Da doula sentimentos precisos.

Parto não é um evento neutro. Não é como olhar uma tela em branco e sair incólume. Um rito de passagem acontece ali, em frente a todos.

A menina vira mulher e mãe. O homem vira pai. E a equipe, cada um que esteve ali sai com uma mudança interna. Cada pedaço de parto, de luta, de lágrimas de sorrisos passa a ser nosso também.

Comigo foi assim, acompanhei um trabalho de parto onde cada contração era minha também. Isso é sintonia, conexão, entrega. Vínculo precisa existir como ponte para transferência de força e eu digo, a mão é dupla.

Damos e recebemos.

Quando nasce um bebê nasce um pai, uma mãe, uma doula e uma rede de apoio. A cada parto um pouco de nós renasce, aprende, se fortalece.

Muito se sabe sobre os sentimentos e expectativas. Temos relatos de partos fortes, belos, crus, romantizados. Cada qual feito com a visão e momento da mulher. Ela protagoniza esse momento, mas nós doulas ali com ela, unidas em pensamento, em abraços em massagens, respirando juntas, em silêncio também temos nossa história que vai se cruzar com cada mulher.

Cada pródromo nos traz a expectativa do que virá. Cada um deles me levou a lugares distantes e iluminados onde eu mentalizava coisas positivas, força e garra para o momento de passagem.

A comunicação era fluída, independente do horário. Vanessa, sinto contrações. Sem ritmo. Amanhã: Elas vieram a noite. E daqui do outro lado a gente sabe que vem, que o corpo funciona, que a natureza é perfeita.

Rede de apoio acionada, logística para a alimentação da família. No grande dia e eu sabia, 08:00 da manhã as panelas acordavam a casa que estava em pródromos também. Tudo orquestrado, 11:00 eu almoçava.

Refeições prontas para as próximas 48hrs, frutas separadas, marido avisado, telefones a mão. Mala de doula pronta com óleos, essências, música, esperança. Ali no canto da sala, pronta para ser tirada para dançar mais tarde.

E a hora de partir chega, tantas horas depois. Caminho que leva, caminho de mistério. Qual a lição a ser aprendida? Qual o presente a ser recebido?

Um trabalho de parto é uma desconstrução de tudo que foi construído a gestação toda. É cada mulher descobrindo uma história através de contrações nunca contada antes. E o aprendizado é individual, em cada momento você vai descobrir o que deve aprender. Paciência, tolerância, garra, entrega, humildade, gratidão. Trabalho de parto ensina muito e a todos nós.

Para mim foi leveza e força. Foi ver o sol se despedir, saber que dali a horas aquele menina seria mulher de alma. Foi saborear e sentir o gostinho do café, o óleo para massagem se aquecer tantas e tantas vezes na minha mão. Foi sentir e saber o que a gestante precisava sem que ela precisasse falar. A hora de falar e a hora de calar. E esperar, tempo, tempo, tempo. Faço um acordo contigo.

Naquele momento eu tinha fragmentos de minha vida comigo. Não me via Vanessa, mãe do Álvaro, tutora dos meus quatro gatos. Não assumia um papel. Me sentia mulher, sentia toda a ancestralidade que pariu antes de mim ali naquele momento entregue e em conexão continua.

Nós mulheres que partilhávamos segredos, receitas, ervas. Que nos banhávamos nos rios, dançávamos a luz da da lua, criávamos juntas nossos filhos. Em tendas nossos ciclos menstruais se alinhavam, nossas preces se juntavam. Nossas mãos se entrelaçavam no parto. Cheiro ocre de sangue. Choro. Bebês. Leite, dores e curas. Inventem um nome para tudo isso, pois na doulagem essa mistura de sentimentos e saberes ancestrais era o que me compunha.

Tive a honra de fotografar o parto e com autorização da gestante compartilho com vocês o renascimento de uma guerreira, de uma família.

Espiritualmente doular tem um impacto muito grande. De mim entrego tudo, é a fusão. É o sentimento de redescoberta, de para isso ter vindo ao mundo.

A vida meu agradecimento. As mulheres que sentiram o chamado em 2016 para que eu as doule, minha gratidão por contar comigo num evento deste porte e importância. Sem a garra, sem a vontade de vocês de parir talvez minha missão permanecesse adormecida.

Esse é meu último post de 2015. Ano espetacular onde eu me descobri muito mais forte que a maior das rochas e agradeço todos em todos os planos por estarem sempre a me guiar.

 

 

 

 

 

Sobre auto perdão e não merecimento.

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Semana passada tivemos um princípio de incêndio na cozinha. Fora a limpeza que foi pesada, não tivemos dano nenhum.

Meus vizinhos ajudaram, realmente as labaredas alcançaram o teto, tudo ficou escuro. Fiquei super assustada, coloquei o meu filho na garagem, procurava os gatos e pedia socorro.

Por que? Por falta de atenção, cansaço ou incompetência. Rotulem como quiser. Liguei a boca errada, ao invés de cozinhar os alimentos, foi a chama de uma panela com óleo que acendeu. Eu não conferi, precisava trocar meu filho urgente.

Quando falamos de bebê tudo é urgente e lá vamos nós fazer tudo e salvar o mundo. Deu no que deu.

Limpeza feita, tudo resolvido me restou uma sensação aterradora de culpa que eu não sentia há muito tempo.

Não me achava merecedora de sair, mesmo estando super cansada. Me senti grata, pois apesar de ter jogado três baldes de água para apagar o fogo a panela não explodiu. Não sofri queimaduras e nem fiquei cega. Estava inteira e totalmente culpada.

Esse sentimento me auxiliou nesse processo todo? Não, nem um pouco. Me colocava cada vez mais para baixo. Podia, ter evitado, podia isso, podia aquilo. Mas aconteceu. Acontece. Pessoas falham.

É uma situação que não estamos preparados, mas fatalidades causadas por erro nosso podem ocorrer. Podemos nos envolver em acidentes graves quando pegamos o carro para comprar pão. Podemos morrer afogados, podemos magoar nosso colega. Em algum momento de extrema pressão e desespero podemos ser antiéticos conscientemente. E nos arrepender depois.

Penso nos profissionais de saúde que após anos de prática equivocadas reveram seus conceitos e seu modo de trabalhar.

Quantas episiotomias? Quantas manobras inadequadas? Quantas condutas feitas num passado recente, abolidas no presente?

E como conviver com a culpa? Como lembrar de tantas mulheres cortadas e suturadas sem a menor necessidade?

É ai que entra o auto perdão, o que é mais difícil para nós. Perdoar já é difícil, quando o perdão é direcionado a nós parece praticamente impossível de ser concedido.

E precisamos nos perdoar diariamente. A ausência desse auto perdão nos faz acumular peso, culpa e isso bloqueia e inviabiliza nosso progresso espiritual. Nunca estaremos satisfeitos com nossas conquistas. Nunca nos acharemos merecedores dos frutos bons que iremos colher.

Viveremos nos sabotando, alguma vez de forma clara e indireta e outras vezes de forma indireta como uma auto punição ad eternum. São aqueles comportamentos nocivos, excessivos que acabam por drenar toda a nossa luminosidade divina.

Para se auto perdoar diga:

Eu me perdoo. Eu errei e me arrependo. Somos humanos falhos, aprendi com minha falha, eu me perdoo. Estou na Terra para evoluir, para aprender com os ensinamentos superiores.

Que todo o sentimento de culpa se transforme em gratidão. Que todo o egoísmo, rancor e ódio sejam eliminados.

Eu me amo. Eu sou filha da luz. Eu mereço meu perdão.

Não me sentirei culpada, me arrependo e usarei todo este sentimento a favor e para o bem.

Amém.

Tudo acontece por algum  motivo, para nos despertar. Até mesmo nossas falhas e sem o auto perdão é impossível viver de maneira leve e pacífica.

 Dica de filme:

A Outra Terra – (2011)

Filme belíssimo que trata sobre este tema. É uma ficção científica existencialista onde a personagem principal com 16 anos se envolve num acidente que vitima a família toda de um professor. Sua esposa grávida e filha pequena.

Ela não estava alcoolizada, estava olhando para o céu, distraída. Foi presa e a vida do professor afundou. Vivia numa casa suja, solitário.

Ela saiu da cadeia, ele não conhecia a identidade da causadora do acidente. Bateu em sua casa e não teve coragem de falar. Se ofereceu para limpar sua casa. Fazia as limpezas sistematicamente, como se daquela forma pudesse expiar seu erro.

Com o passar do tempo eles se envolveram e ai…Vejam o filme. É lindo, denso e nos leva a reflexões profundas.

 

 

 

 

 

 

Entre apego e amor escolho amor.

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Eu não crio com apego porque escolhi criar com amor. Vivo para me desapegar. De sentimentos, de pessoas, de coisas, de situações. Nada nos pertence a não ser nós mesmos, nossa individualidade.

Do mais, tudo é livre, volátil e mutável. Inconstância, fluidez. Águas da vida.

Seu filho não é seu, seu marido não é seu, seu gato não é seu. Estão com você, o que é muito diferente.

Apego me traz a sensação de posse e é o que senti ao decidir que a criação com apego era de fato a “filosofia de criação” aqui em casa.

Grávida, mãe de primeira viagem tudo que é rezado nesse recorte de viver atrai, principalmente a mim que tenho uma fissura interior que jamais irá se curar, por conta da baixa afetividade que me envolveu da infância até os dias de hoje.

Decidi dentro de mim reescrever minha história. Criar meu filho sem gritos, sem rompantes de agressividade, violência e abuso emocional. Eu poderia fazer diferente e a teoria da Criação foi muito bem vinda.

Cama compartilhada, pais presentes, afeto, acolhimento. Não deixar chorar, não terceirizar os cuidados. Sim, tudo isso é lindo, mas tem um nome…AMOR! É simples, amor puro e derramado.

Demonstrá-lo e romper dogmas velhos sobre criar filhos é o que fazemos todos os dias aqui em casa, mas sem me tornar refém de uma cartilha que pode apontar o dedo para mim a cada vez que eu fizer algo diferente.

Com um filho demandante nos bracos é fácil entender porque com algum tempo de vida, lá pelos 05 meses a mãe opta por deixar o bebe pelo menos numa parte da noite dormir em seu quarto. É possível fazer a transição sem sofrimento e se houver…RECUE! Somos livres, instintivas. A mãe sabe olhar seu filho e ler o descontentamento em seus olhos, em seu choro.

Eu me sentia um monstro por precisar ir ao banheiro e ouvir meu filho chorar. Por querer uma noite de sono onde eu pudesse me esparramar e dormir continuamente.

Tem um artigo rolando nas redes sociais sobre a ansiedade da separação dos 08 meses. Legal, li, ok. Mas peraí, brother…

O artigo fala que a ausência mesmo que por  poucas horas e tendo a criança estado aos cuidados de alguém amoroso, mesmo assim ela pode ficar traumatizada até os 05 anos de idade!

CINCO ANOS de idade e eu não poderei sair meio período e deixar meu filho com terceiros porque ele ficará traumatizado. Sim, desenvolverá um comportamento arredio, depressivo, ansioso porque no dia 10 de janeiro eu sai pela manhã para comprar pão e o deixei com o pai.

É isso que rola. Essa culpa enorme, mais essa que nós MULHERES temos que carregar.

Claro que é uma situação nova, estressante, óbvio. Não discordo. Mas dai falar de traumas eternos e incuráveis, quase que na mesma categoria de um abuso sexual, emocional ou físico ao meu ver é muito pesado.

Essas e outras coisas me distanciaram cada vez mais do termo “criação com apego”. Prefiro criar meu filho com o amor, porque este sentimento é multidirecional. Também vou me amar, me preservar e estar com a sanidade mental preservada, revigorada fisicamente para atender as demandas de um novo ser em sua plenitude.