Entre apego e amor escolho amor.

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Eu não crio com apego porque escolhi criar com amor. Vivo para me desapegar. De sentimentos, de pessoas, de coisas, de situações. Nada nos pertence a não ser nós mesmos, nossa individualidade.

Do mais, tudo é livre, volátil e mutável. Inconstância, fluidez. Águas da vida.

Seu filho não é seu, seu marido não é seu, seu gato não é seu. Estão com você, o que é muito diferente.

Apego me traz a sensação de posse e é o que senti ao decidir que a criação com apego era de fato a “filosofia de criação” aqui em casa.

Grávida, mãe de primeira viagem tudo que é rezado nesse recorte de viver atrai, principalmente a mim que tenho uma fissura interior que jamais irá se curar, por conta da baixa afetividade que me envolveu da infância até os dias de hoje.

Decidi dentro de mim reescrever minha história. Criar meu filho sem gritos, sem rompantes de agressividade, violência e abuso emocional. Eu poderia fazer diferente e a teoria da Criação foi muito bem vinda.

Cama compartilhada, pais presentes, afeto, acolhimento. Não deixar chorar, não terceirizar os cuidados. Sim, tudo isso é lindo, mas tem um nome…AMOR! É simples, amor puro e derramado.

Demonstrá-lo e romper dogmas velhos sobre criar filhos é o que fazemos todos os dias aqui em casa, mas sem me tornar refém de uma cartilha que pode apontar o dedo para mim a cada vez que eu fizer algo diferente.

Com um filho demandante nos bracos é fácil entender porque com algum tempo de vida, lá pelos 05 meses a mãe opta por deixar o bebe pelo menos numa parte da noite dormir em seu quarto. É possível fazer a transição sem sofrimento e se houver…RECUE! Somos livres, instintivas. A mãe sabe olhar seu filho e ler o descontentamento em seus olhos, em seu choro.

Eu me sentia um monstro por precisar ir ao banheiro e ouvir meu filho chorar. Por querer uma noite de sono onde eu pudesse me esparramar e dormir continuamente.

Tem um artigo rolando nas redes sociais sobre a ansiedade da separação dos 08 meses. Legal, li, ok. Mas peraí, brother…

O artigo fala que a ausência mesmo que por  poucas horas e tendo a criança estado aos cuidados de alguém amoroso, mesmo assim ela pode ficar traumatizada até os 05 anos de idade!

CINCO ANOS de idade e eu não poderei sair meio período e deixar meu filho com terceiros porque ele ficará traumatizado. Sim, desenvolverá um comportamento arredio, depressivo, ansioso porque no dia 10 de janeiro eu sai pela manhã para comprar pão e o deixei com o pai.

É isso que rola. Essa culpa enorme, mais essa que nós MULHERES temos que carregar.

Claro que é uma situação nova, estressante, óbvio. Não discordo. Mas dai falar de traumas eternos e incuráveis, quase que na mesma categoria de um abuso sexual, emocional ou físico ao meu ver é muito pesado.

Essas e outras coisas me distanciaram cada vez mais do termo “criação com apego”. Prefiro criar meu filho com o amor, porque este sentimento é multidirecional. Também vou me amar, me preservar e estar com a sanidade mental preservada, revigorada fisicamente para atender as demandas de um novo ser em sua plenitude.

 

 

 

 

2 comentários sobre “Entre apego e amor escolho amor.

  1. Vanessa, penso igual a você. Gostei muito da filosofia da criação com apego, pelo pouco que vi, porém com algumas ressalvas, a começar pelo termo “apego”. Achei bem infeliz terem dado essa tradução, porque a ideia no geral é boa…mas apego é tudo que luto para não ter.Prego isso nas minhas palestras. Milhares de crianças e jovens sofrem muito por causa do apego dos pais. Apego ao meu ver é igual a prisão, culpa, sofrimento etc. Então, amor, como você disse, é o termo mais indicado para vincular a uma criação. Amor é empatia, sentimento de unidade, alegria, libertação, contrário de egoísmo, etc etc etc. Meu filho tem 7 anos e sempre dormiu no bercinho dele desde que nasceu. Estive ao seu lado em todos os momentos..engatinhou aos 5 meses, andou com 10 meses, desfraldou com 1 ano. Comeu com suas mãozinhas já com 1 aninho.Nunca usou chupeta nem mamadeira. Nunca deixei ele na creche, porque não precisei, mas tinha uma cuidadora meio turno para que eu pudesse trabalhar em casa mesmo. Ele mamou até os 3 anos e hoje mesmo estava pensando…nunca vi na minha vida uma criança tão feliz, tão segura de si, tão amorosa, tão bem resolvida, tão dedicada e ao mesmo tempo tão independente. Enquanto eu matutava”como vou ensinar meu filho a andar de bicicleta sem rodinhas…será que tem algum método…vou investigar…”, enquanto pensava ele me chamou:”Mãe, vem ver uma coisa…uma surpresa!” E andou na minha frente sem rodinha.Aprendeu sozinho na bicicleta da amiga. Disse que levou uns 3 tombos, que não doeu, mas que conseguiu, cheio de orgulho! Aos 7 anos está tentando me convencer que ele pode ir a escola sozinho. Isso vai demorar um pouco a acontecer, mas com todo cuidado para ele não achar que não tem capacidade ou que precisa ter medo…Disse que muitas coisas estão envolvidas nisso e que preciso me preparar. Mas é isso! No amor eles florescem. E acho que precisamos ter muito cuidado com a mensagem que nossos atos, nossos pensamentos e nossas crenças passam para nossos filhos.Isso sim pode trazer traumas. Obrigada pelo seu texto e parabéns pela mãe que é!

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    1. Oi Mi! Que bom te ver por aqui. No meu caso essa filosofia me tolhiu a liberdade em alguns momentos e me fez sentir culpada indevidamente. Veja, sua vivência, super positiva, mantendo sua autonomia e poder de decisão. Como doula tenho que me ausentar para fazer atendimentos, acompanhar partos e guiar oficinas. Como faria isso crendo que meu filho seria traumatizado por anos? Eu gosto de trabalhar, de produzir. Precisamos nos amar, ter boas equilíbrio pautado pelo senso e por nossa realidade. Beijo grande 😘 👄

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