EPI-NO: Tudo o que você precisa saber!

Quem é gestante e deseja um parto normal, certamente já ouviu comentários do tipo:

-Parto normal acaba com a mulher. Você vai ficar larga!

-Eles rasgam tudo, se eu fosse você não arriscaria.

Eu ouvi muitos desses comentários. Disseram inclusive que meu casamento iria acabar depois do parto. O que eu não compreendia é porque isso poderia acontecer já que eu sabia que a vagina é elástica.

A vagina ser elástica lhe dá a propriedade de se distender (esticar) e voltar a sua forma original. Ela é composta por músculos que nós mulheres não fomos incentivadas culturalmente a conhecer.

É chocante constatar que mulheres mais velhas, com muitos filhos acreditam que urina e menstruação saem pelo mesmo lugar. Existe muito desconhecimento anatômico e uma série de inverdades perpetuadas e transmitidas por anos.

Não pactuem com isso. Estudem, se informem como eu fiz. Meu filho nasceu com 4.230kg de parto natural e eu não tive laceração. Três meses depois minha força muscular estava exatamente como era antes do parto.

Como explicar? Foi “sorte”? Existe algo que vocês que desejam parir naturalmente possam fazer durante a gestação para fortalecer a musculatura do assoalho pélvico? O que realmente funciona? O que é baseado em evidências? O que é EPI NO?

São muitas questões. Primeiro vamos conhecer um pouco a anatomia de nosso corpo.

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A vagina é um canal do órgão sexual feminino dos mamíferos, parte do aparelho reprodutor, que se estende do colo do útero à vulva, dirigido de cima abaixo e de trás para frente. A cada lado da abertura externa da vagina humana há duas glândulas de meio milímetro, chamadas Glândulas de Bartholin, secretoras de um muco lubrificante na copulação.

Sendo ela um canal, ela tem começo, meio e fim. Não é um desfiladeiro onde o bebê passa e se perde.

Assim é nosso canal, um espaço virtual feito de músculos que   precisam ser trabalhados durante toda a vida.

Quando você malha certinho, seus músculos não respondem ao estímulo ficando mais fortes e enrijecidos?

Com a vagina é a mesma coisa, inclusive se distendendo não somente durante o parto, mas quando a mulher está excitada e durante as relações sexuais.

 

Como o EPI-NO pode me ajudar?

 

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Primeiramente o que é EPI-NO? Quando ouvi o nome deste aparelho pela primeira vez fiquei surpresa. Nunca havia ouvido falar dele! Uma amiga me contou que sua doula iria em sua casa orientá-la quanto ao uso.

Curiosa eu queria saber se doía, se tinha algum risco e o que eu ouvi foi que a sensação era realmente diferente de tudo que ela havia sentido. Não incomodava mas era tudo novidade!

A partir da 34 semana eu estava liberada para usar o aparelho e assim o fiz. Sem grandes expectativas em relação à laceração pois tinha ciência de que não há evidências científicas acerca da prevenção efetiva, porém quando falamos de consciência corporal seus benefícios são incontestáveis. Realmente no momento do expulsivo quando meu filho nasceu a sensação foi idêntica.

O aparelho consiste em um balão de silicone ligado a um medidor de pressão, através de um tubo de   silicone com bomba em elastômetro termoplástico e válvula de liberação de ar.

O uso se inicia três semanas antes da data provável de parto e pode se estender até três semanas após o parto.

Seu uso não pode desencadear um parto prematuro, fiquem tranquilas. Ele pode ser usado 1-2 vezes por dia ou mais vezes em mini sessões. Todas essas informações podem ser obtidas através de um atendimento com a profissional que faz a locação do aparelho.

O EPI-NO vai alongar a musculatura perineal e vai  simular o expulsivo, o que somente a massagem perineal não proporciona, o que não impede que ambos sejam realizados.

A parte da mensagem técnica sobre o EPI-NO gostaria de ressaltar que seu uso é um momento de intimidade máxima e ligação com o próprio corpo. Muitas mulheres passaram toda uma vida sem se tocar, sem se conhecer e tem a oportunidade de estarem consigo, sentindo seu corpo, se conectando com seu bebê.

Abaixo, meu depoimento. Como mulher, ciente de que teria um filho grande que com 37 semanas já pesava 3.800kg.

Meu relato:

“Desde que me vi grávida meu desejo era parir naturalmente. E desde que expus esse desejo ouvi muitas mulheres se posicionarem contra dizendo que um parto normal acabaria com minha vagina. Até mesmo com meu casamento.

Não me deixei abalar pois sabia das características anatômicas da vagina. Ela é elástica e sempre tive intimidade com meu corpo. Não fiquei amedrontada mas sabia que determinadas ações podiam trazer mais conhecimento e preparo para meu parto.

O uso isolado do EPI-NO e da massagem perineal podem não ser tão relevantes se a fisiologia do parto não for respeitada.

Um parir verticalizado, sem intervenções, sem Kristeller (manobra onde profissionais sobem na barriga da gestante e empurram o bebê), sem ocitocina (aumenta as contrações artificialmente deixando muito intensas) colabora para a integridade do assoalho pélvico. Temos outros fatores também como a velocidade do expulsivo, puxos dirigidos, enfim. É todo um conjunto que deve ser respeitado.

Com meu EPI-NO em mãos, decidi conversar com ele e comigo mesma antes do uso. Comigo para me liberar, me entregar e confiar.

Visualizei meu canal vaginal como um caminho florido,  que meu filho percorreria até chegar aos meus braços. Estar relaxada e centrada em si neste momento é essencial, pois a tensão contrai os músculos podendo

tornar a experiência diferente do que deve ser.

No parto a lógica é a mesma. Entrega e relaxamento.

Inseri o balão, estava no meu quarto, a luz de velas, com minhas músicas, incenso e sozinha. Diferente da massagem perineal que eu fazia em companhia do meu marido e ele na maior parte das vezes é que fazia comigo, com o EPI-NO optei pelo isolamento. E deu certo! Me acostumei com as sensações novas.

Afirmar 100% que a ausência de laceração se deu devido ao uso do EPI-NO seria imprudente. Meu parto foi totalmente natural, verticalizado, com zero de intervenções. Mas não posso deixar de lado também todo o tempo que voltei meus olhos ao meu assoalho pélvico através das massagens e das sessões com o EPI-NO. Todo dia tinha o meu momento de entrega de corpo e alma.

Eu pari de cócoras, fazendo força com o puxos. Foram três apenas e meu filho nasceu com 4.230kg, 54cm e eu não tive laceração nenhuma. Períneo íntegro.

Como elemento guia de consciência corporal foi fantástico! Realmente o expulsivo simulado nas sessões foi idêntico. Não me assustei com a coroação, com o círculo de fogo.

Como doula disponibilizo o aparelho para as mulheres que acompanho e para aquelas que possuam interesse em usá-lo de maneira independente.

Faço o atendimento esclarecendo todas as dúvidas, relato minha experiência e de outras mulheres que o usaram e de maneira geral sua aceitação tem sido excelente e os feedbacks sempre positivos.”

Bom encontro consigo mulheres! Mergulhem em seus corpos, consciência corporal é um presente em nossas vidas.

Com informação o medo se dissipa. Falsas verdades reproduzidas há tempos não nos aterrorizam pois passamos a ter um olhar crítico sobre o que chega a nós. Tomamos consciência do valor de uma boa assistência, de um parir livre de intervenções e verticalizado.

E o despertar de uma mulher, seu despertar pode mudar toda uma vida.

Permita-se.

 

Estou grávida. Quero parir. E agora?

Elis Freitas Fotografia
Elis Freitas Fotografia – Evilyn

“Você precisa de informação. Informação é tudo, é poder.”

Certo. Você compreendeu que para fazer qualquer escolha, ainda mais referente a via de parto é necessário informação. Mas onde consegui-la? E como filtrar o joio do trigo?

Quando descobri que estava grávida, me vi perdida. Queria parir, mas como parir? Chegando na consulta e pactuando com o médico? Mas pera lá! Não quero parir como minha mãe, vitima de inúmeras violências.

Como faço?

Entrei no google e comecei a pesquisar, onde parir em Campinas. Encontrei um relato antigo de uma mulher de Americana que pariu no CAISM. Chorei, foi tão respeitoso. Ela ficou numa sala com uma penumbra apenas. Marido participou, cortou o cordão.

Terminou, tomou banho, comeu e ficou aninhada com seu filho. Pronto! Era isso que eu queria!

Inocente liguei para o telefone do site.O médico que assistia os partos não estava mais lá e tudo aquilo tinha acabado. Fiquei triste e desolada. E agora?

Minha amiga e doula que pariu em casa me acolheu e me guiou nessa busca. E assim, nos meses seguintes sorvi cada gotinha de informação. Embora não pudesse frequentar os grupos por conta do trabalho, lia bastante e participava deles virtualmente.

Foi essencial. A informação, a comunhão com outras mulheres que passavam pelo mesmo processo despertou uma força que eu sequer imagina existir.

Como sou de Campinas SP, vou fazer um passo a passo sobre como se manter atualizados e informados deixando contatos dos grupos presenciais daqui. Ferramentas essenciais para a busca e conquista do parir.

Grupos virtuais

Em Campinas temos alguns grupos virtuais, mas o mais expressivo é o Parto Humanizado Campinas e Região.

Ele tem um arquivo grande de informações e relatos de parto. Usem o recurso da lupa para pesquisas. Ali você encontra depoimentos importantes de mulheres sobre atendimentos.

Procura um médico humanizado? Não tem certeza se o seu é? Além de consultar as taxas de cesariana fornecidas pelas operadoras, você pode colocar o nome dele(a) na lupa e ver a experiência de outras mulheres.

O link é:

https://www.facebook.com/groups/partohumanizado1/?fref=ts

A luta não para no parto. Apenas se inicia, portanto recomendo fortemente que vocês façam parte de grupos de amamentação também.

O GVA (Grupo Virtual de Amamentação) tem 28 mil membros. É incrível! Bem organizado e claro. Façam parte!

https://www.facebook.com/gvamamentacao?fref=ts

 

Grupos presenciais em Campinas: (Seguem em ordem alfabética)

  •  Arte de Nascer

Rua Luiz Smânio, nº 944 / Bairro: Jar4dim Chapadão/ Campinas SP.

  • Espaço Dar a Luz

Rua Rua Roge Ferreira / Campinas SP/  Fone: 3251-8137

  • Espaço Mulheres Empoderadas

Rua Clodomiro Franco de Andrade Jr, 597 /Jd do Trevo/ Campinas, SP.

  • Samaúma

Espaço Sabiah

Rua Paulo Lanza, nº 91 / Barão Geraldo / Campinas SP.

  • Vínculo

Espaço Pitanga

Rua Gonçalves César, nº 86 / Guanabara / Campinas SP.

De todos os grupos postados fui ao Samaúma e ao Espaço Mulheres Empoderadas. Grupos são assim, existem vários, mas você vai sentir o qual terá mais afinidade.

O Vínculo tem uma biblioteca bacana. Por um valor pequeno é possível ficar com 15 dias com um livro e renová-lo por mais 15 dias.

Dicas de livros:

Parto Ativo

Janet Balaskas

Esse livro é essencial para nosso auto conhecimento. Nós sabemos parir, havendo mobilidade e liberdade instintivamente encontraremos a melhor posição, o que não invalida a leitura desse belo livro.

A maternidade e o encontro com a própria sombra

Laura Gutman

Livro delicado que lida com nossas descobertas e sentimentos ambíguos depois que parimos. Sua leitura para mim foi um bálsamo, libertadora. Recomendo.

Parto com Amor

Luciana Benatti

Revela a trajetória percorrida por nove mães – entre elas a autora – para conquistar o parto desejado. Seus medos, fraquezas e dificuldades estão aqui expostos da mesma forma simples e sincera com que suas alegrias e vitórias são compartilhadas. O instante do nascimento, as horas que o antecederam e os primeiros momentos de vida do bebê são eternizados em fotos que transbordam emoção.

Dica de Filme:

 O Renascimento do Parto

O filme “O Renascimento do Parto” retrata a grave realidade obstétrica mundial e sobretudo brasileira, que se caracteriza por um número alarmante de cesarianas ou de partos com intervenções traumáticas e desnecessárias, em contraponto com o que é sabido e recomendado hoje pela ciência. Tal situação apresenta sérias consequências perinatais, psicológicas, sociais, antropológicas e financeiras. Através dos relatos de alguns dos maiores especialistas na área e das mais recentes descobertas científicas, questiona-se o modelo obstétrico atual, promove-se uma reflexão acerca do novo paradigma do século XXI e sobre o futuro de uma civilização nascida sem os chamados “hormônios do amor”, liberados apenas em condições específicas de trabalho de parto.

 Humanização no Facebook:

Melania Amorim

Melania nos presenteia diariamente evidências a favor no parto natural. Chega de medo, de histórias tristes, na página dela é ciência que conta.

https://www.facebook.com/melania44?fref=ts

Blog da Melania

estudamelania.blogspot.com.br

 Ana Cristina Duarte

Por ela mesma: Obstetriz pela Universidade de São Paulo, Bióloga pela USP, escritora, ativista pelo direito de todas as mulheres a um parto digno, mãe de dois adolêsr ela mesma:

https://www.facebook.com/DuarteAnaCris?fref=ts

 Divas Parideiras

https://www.facebook.com/divasparideiras?fref=ts

Página onde é possível encontrarmos vários relatos de mulheres que lutaram e pariram. Uma delícia ver as atualizações na timeline. Ocitocina pura!

Cesárea não, obrigada!

https://www.facebook.com/groups/cesareanao/?fref=ts

Esse é um apanhado para vocês terem um ponto de partida. Saiba que nessa caminhada não faltará apoio.

Mas é preciso dar o primeiro passo. Não adianta deixar a decisão para parir nas mãos de Deus ou do médico. O parto é seu. Sempre.

Didática contra o sensacionalismo

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Ana Cristina Duarte nos presenteou com uma didática incrível sobre o trabalho de parto.

Me sinto na obrigação de partilhar! Enquanto a mídia oferece informações enviesadas e nebulosas, ela nos entrega de bandeja informações reais e transparentes.

Você escolhe em qual prato vai comer.

1) Pródromos de trabalho de parto: fase inicial antes do trabalho de parto, que não conta como tempo de trabalho de parto. É caracterizada por contrações sem ritmo, de duração variada, com intervalos acima de 5 minutos, normalmente chegando a 10 minutos ou mais (pode durar de algumas horas até alguns dias)

2) Trabalho de parto: contrações ritmadas a cada 3/4 minutos com produção de alterações no colo do útero (começa com fase latente). Pode durar de algumas horas a 12 horas para uma gestante que está tendo seu primeiro parto normal

3) Fase Ativa do trabalho de parto (fase em que é necessária a presença de um profissional de obstetrícia e avaliação contínua do bem estar fetal): contrações ritmadas de pelo menos 1 minuto de duração, com intervalos de 3 minutos E pelo menos 5 a 6 cm de dilatação. Pode durar de algumas horas a 8 horas para uma gestante que está tendo seu primeiro parto normal.

4) Cesárea por falta de analgesia: um tipo de cesariana desnecessária.

5) Doula: profissional que acompanha sozinha a mulher durante os pródromos e/ou fase latente do trabalho de parto, e depois de iniciada a fase ativa com o restante da equipe (enfermeira obstetra ou obstetriz ou médico obstetra) até o nascimento do bebê.

6) Complicações mais presentes em trabalho de parto de baixo risco: sinais de possível sofrimento fetal (monitorar e se necessário, cesárea), parada de progressão (induzir e se preciso também fazer analgesia), desproporção céfalo pélvica (cesariana).

7) Razões mais frequentes para transferência de um parto fora do hospital para um parto hospitalar: necessidade de analgesia (peridural para parto normal), parada de progressão (precisa usar ocitocina), necessidade de avaliar bem estar fetal (cardiotocografia para ver se o bebê está bem se a ausculta intermitente não foi suficiente para avaliar). Mais raramente: sinais de possível sofrimento fetal.

8) Complicações mais presentes em cesarianas: hemorragia e choque durante a cirurgia, hemorragia e choque após a cirurgia (por atonia ou sangramento interno), infecção.

9) Parto humanizado: parto com respeito e com observância das recomendações da OMS e evidências científicas. Pode ser feito em hospital, casa ou casa de parto.

10) Parto domiciliar: parto em que o nascimento do bebê acontece no domicílio.