Vamos liberar nossas cargas emocionais negativas?

Já pararam para pensar que se deixarmos nossa casa, mesmo que fechada se não limparmos, o acúmulo de sujeira será inevitável e incontrolável?

Uma camada de pó surgirá com certeza. O odor ficará diferente, tanto nos ambientes quantos nos armários. Insetos podem surgir e tomar conta, vegetação cresce.

Toda casa precisa de limpeza diária. O mesmo se dá com nossa mente e nossos sentimentos.

Desde muito jovens recebemos uma série de comandos equivocados sobre como lidar com nossos sentimentos. Em muitos casos sequer temos orientação, não sabemos identificar sua origem e acabamos criando comportamentos compensatórios.

Por exemplo, uma criança que sofreu abusos pode compensar tendo uma alimentação desregrada, resultado em obesidade. A questão que as pessoas focam é apenas o ato de comer, não se questionam sobre o por quê do desequilíbrio, que tipo de caminhos nossa mente encontrou para lidar com a situação e a energia negativa impregnada em nós.

Um parto violento deixa marcas muito fortes nas mulheres, deixa feridas que podem levar algumas a ficarem enlutadas por anos.

E em alguns casos não precisa nem ser violento, basta não ser conforme planejado. Se a mulher idealizar um parto nos mínimos detalhes e ele fugir do script o sentimento de culpa, mágoa, rancor podem surgir com força e contaminar os pensamentos, criando uma cascata de sentimentos negativos.

Assuntos pessoais mal resolvidos pode influir no trabalho de parto e no puerpério. Por isso eu saliento que parto é aprendizado e portal de cura. É um momento que total entrega e descontrole, onde um copo d´água, vindo de quem for é recebido com extrema gratidão.

O pós parto exige cuidados e se a mulher não contar com uma rede de apoio, que a ampare inclusive mentalmente, sentimentos negativos podem se fazer presentes.

Esses sentimentos podem não ter origem diretamente no parto, mas podem estar escondidos por anos. Mágoas antigas que se projetam numa situação presente, por isso é vital que a mulher faça uma análise sincera dos seus sentimentos, de como reage a eles, sua convivência com outros. É difícil? É extremamente exigente? É controladora ao extremo?

Esse mecanismo protetivo e compensatório tem origem onde?

É esse ponto que precisa ser trabalhado. Entrar no trabalho de parto limpa, bem resolvida, com o sentimento de gratidão presente independente do desfecho.

Parto leva as mulheres a uma alteração psíquica importante. De meninas se tornam mulheres.

Agora a questão mais importante é:

Como fazer essa limpeza mental? Como manter nossos pensamentos limpos, perfumados, iluminados e arejados?

Precisamos primeiramente identificar a origem deles que muitas vezes remonta a infância. Ficar de cara com toda a poeira e resignificá-la, tirando toda a carga negativa contida em tais emoções.

Você não é seus pensamentos e sentimentos. Você não é muito nervosa, muita rancorosa, muita ansiosa. Esses sentimentos não são você, estão presentes em seu ser, o que é bem diferente!

A dor no nosso mundo é inevitável, mas sofrer é uma questão de escolha, de sabermos lidar com nossos sentimentos.

Os sentimentos negativos advindos de traumas que são registrados em nosso campo emocional, energético, meridianos, células todos ficam impregnados em nós, como uma bagagem extra.

Cabe a nós no decorrer da vida nos livrarmos dessa bagagem. Muitos passam a vida carregando um saco de batatas podres nas costas sem se darem conta.

Com a limpeza e cura diária podemos ir nos livrando de cada carga negativa, uma a uma.

Nossa essência é luz. Alegria, felicidade, paz interior habitam em nós e não podem ser removidos por nenhuma técnica. O que acontece é que os sentimentos negativos agem como uma poeira, impedindo que os sentimentos positivos se manifestem.

Temos o controle para limparmos nossa carga emocional e renovarmos nossa karma e nos libertarmos de situações negativas de repetição.

Muitas mulheres tem dentro de si impactos de sentimentos de rejeição, que apoiam a crença do não merecimento.

Você luta por um parto respeitoso mas internamente não se acha merecedora e pode criar inconscientemente situações de auto sabotagem.

Reagimos negativamente as situações e acabamos no círculo de negatividade e situações repetidas.

 Abaixo segue a técnica bem simples para a liberação de energias negativas e alcance de paz pessoa.

 1. Faça uma lista, tentando lembrar-se de todos os eventos (ou de grande parte deles) que tenham sido desagradáveis para você. Seja prolífico(a) e enumere mais de 50, pois todos nós somos vítimas de inúmeros eventos traumatizantes, sem exceção, e com certeza temos mais de 50 eventos desagradáveis.

2. Ao enumerá-los, pode ser que alguns eventos não tragam emoções muito fortes nem desconforto. No entanto, pelo mero fato de você ter se lembrado do evento, algo diz que pode haver alguma emoção escondida aí. Não os menospreze.

3. Dê um título a cada evento, como se fossem pequenos filmes em si.

4. Comece a aplicar a EFT nos eventos de maior peso. Trabalhe evento por evento, sempre avaliando e tentando chegar ao nível 0, ou pelo menos até o ponto de você não considerá-lo mais e até chegar a rir dele.

5. Trabalhe em pelo menos um evento (ou filme) por dia, mesmo que por apenas cinco minutos. Se depois da aplicação da EFT o problema ainda apresenta peso emocional, continue trabalhando-o nos dias seguintes até que ele possa se esvaecer. Seja paciente e somente passe para um novo evento quando tiver praticamente zerado o anterior.

6. Esteja atento(a) na eventualidade de aparecer algum aspecto diferente e considere-o um outro item, ou no caso, um filme, a ser tratado em separado. Da mesma forma, pode ser que surjam sub-itens a alguns dos problemas. Trate-os também de maneira individual.

7. Trabalhe no mínimo em um evento por dia, durante uns três meses. Isso levará apenas alguns minutos por dia e no espaço de três meses você poderá ter trabalhado em uma séria bastante extensiva de traumas. Note as mudanças que possam ter surgido em você, como, por exemplo, você se sentir bem mais calmo(a), seu corpo se sentir melhor, seus relacionamentos mais agradáveis e como grandes pesos parecerem não existir mais. Releia a lista e veja se aqueles eventos já se dissiparam. É sempre bom medir e notar conscientemente o progresso.

 Digamos que você tenha uns 100 itens a serem tratados. Não considere exagero, pois podemos e devemos enumerar todos os itens que nos aflijam, pequenos e grandes. Se os tratarmos na média de um por dia, em questão de três meses seremos outra pessoa.

Ainda não sabe que itens colocar na lista?

Enumere todos que vierem à cabeça. Desde o sentimento de culpa por ter comido um doce fora de hora, a vergonha que passou no dia que sujou as calças quando ainda tinha 10 anos até os traumas mais fortes.

 A fonte da técnica está aqui. Para quem deseja conhecer mais sobre a criação e aplicação da EFT (Emotional Freedom Techniques) acessem aqui.

Temos um poder incrível de cura e libertação. Parir com clareza de emoções e sentimentos proporcionará um equilíbrio pessoal, força e garra para a transição de menina para mulher.

Por um parir e um viver em paz.

Namastê ❤

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Você é escravo do ego? Abra suas portas internas!

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Um dos meus sonhos seria traduzir de maneira clara ou através de vivências a relação entre nosso ego e nosso espírito.

Entender esse binômio facilitaria muito o encontro de nosso verdadeira essência contida em nosso espírito. Agora vocês entendem porque em sessões de terapia a interferência do psicanalista é quase zero?

Ele não está ali atrás de você fazendo a lista de compras, simplesmente existem portas que só podem ser abertas do lado de dentro.

E se ele explicar sobre tais portas? Provavelmente seu ego defensor vai dizer que ele é um aproveitador, um enrolador e que você deve parar de perder tempo com bobagens. Entende o grau de dificuldade? Ainda mais se levarmos em consideração que a maior parte das pessoas sequer tem noção do que é ego e como ele atua em nossa vida.

Quando desconhecemos a existência do ego em nós, podemos ser facilmente guiados, dominados e subjugados por ele. Ele traz a tona tudo o que precisamos trabalhar, mas não mostra qual a nossa missão em vida. Quem faz isso, quem tem consciência disso é nosso espírito, nossa essência, porém se o ego for dominante em nosso viver, jamais teremos acesso a essa missão. Passaremos a vida como burros de carga a serviço do ego, trabalhando, vivendo, destruindo relações para entregar prazer, conquistas e vitórias a ele.

Pessoas autoritárias, brutas, donas da verdade, rancorosas, vingativas servem ao seu ego de maneira cega. Se privam de coisas boas, tem seu crescimento espiritual e pessoal tolhido porque não seguem sua essência. Não vou falar com a fulana embora goste dela, porque eu tenho orgulho. Vergonha na cara.

E mergulham em vibrações baixas, em vibrações de ódio que podem refletir inclusive no seu corpo físico. Por isso profissionais e pessoas que lidam diretamente com distúrbios em relações humanas batem constantemente na tecla do amor e do perdão.

Somente esses dois sentimentos são capazes de elevar nossa vibração, trazer-nos felicidade e olharmos com afeto e carinho para os outros e para nós mesmos. Esse olhar afetivo torna a nossa vida mais leve, já que nossa sociedade ocidental tem uma cultura muito pesada e punitiva quando trata de assuntos dessa ordem.

Pessoas que erram e se vem sem o perdão e a acolhida, errarão novamente. A criatividade é podada, medo e insegurança surgem. Existem formas e formas de lidar com erros, sem necessitar usar a agressividade.

Por outro lado precisamos do ego para sermos seres conscientes, a relação dele conosco é como a de um motorista com seu carro, com uma diferença fundamental:

O carro (ego) tem vontade própria!

Temos nossa missão que é seguir rumo ao litoral. Assim que entramos no carro e decidimos rumar para o litoral somos contrariados pelo ego que quer ir para as montanhas.

Ele será incisivo, irá para as montanhas e acabou porque decidiu assim, não importa o que nós motoristas decidimos.

E muitos se deixam ser guiados. Vão para as montanhas, contrariando o plano original, puro e essencial que é seguir para o litoral.

O caminho para as montanhas é tortuoso, sofrido e esburacado. Muitos vivenciam todo este sofrimento que é viver contra a sua essência até terem consciência de sua missão na Terra.

A partir deste encontro com o essencial, com as vontades puras designadas é possível rumar a caminho da paz de espírito, satisfação verdadeira e felicidade plena.

Mas então, como saber se sua vida é guiada por seu ego? Como saber se você está aqui a serviço dele?

É simples. Olhe em volta. Veja sua vida, repense sua relação com os outros.

Você tem amizades? Amigos verdadeiros em que possa confiar? Sua família? Como é a sua relação com os mais próximos? Está presa por laços cármicos ou já ruma a caminho do dharma?

Internamente, você se cobra demais? Como se relaciona com suas conquistas e dificuldades? Como encara sua aparência? Aceita seu corpo?

E a gratidão? O perdão? Está usando ou deixou-os numa gavetinha bem escondida?

Lembrem-se: Ser humilde não é humilhar-se. Ser humilde é reconhecer os próprios erros e olhar para eles como se fosse um aprendizado, não um momento de punição ou humilhação.

Manter o ego em seu lugar é abrir caminho para uma vida de afeto, amor e perdão. É ter a casa cheia de vozes amigas, é ter o bem querer das pessoas, é se sentir útil em ajudar sem querer nada em troca. É realizar sem esperar reconhecimento, é ter gratidão, respeito com nossos semelhantes, com todos os reinos.

É ser ofendida e não guardar mágoas eternas. Perdoar não é esquecer, é libertar-se e quem perdoa é o maior beneficiado.

Quem perdoa compreende. Uma pessoa livre de um ego autoritário não se ofende com o atraso de um amigo, com o cancelamento de um compromisso, com uma opinião divergente. Não acha que o mundo é sua sala de estar, com suas regras e determinações inflexíveis.

Quem não vive a serviço do ego não subestima as outras pessoas, seus sonhos e projetos. Não sabota, não passa a perna, não puxa o tapete.

A vida é muito mais plena, leve e feliz quando sabemos dosar bem essa convivência de duas forças opostas dentro de nós.

Quando quiserem que o mundo mude, primeiro olhem para dentro de si, repensem e abram suas portas para a evolução e autoconhecimento pessoal.

P.S: Para saberem mais sobre o conceito de ego, cliquem aqui.

Relato de parto II – Vanessa Meyrelles

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Relato de parto fresquinho, com a visão que tenho hoje do meu parto.

Que muitas mulheres se inspirem, se entreguem a ser mar revolto que é parir.

Oito meses depois decidi escrever um relato de parto com a visão que tenho hoje do que foi o meu parto. Com menos romantizações e mais objetividade.

Meu trabalho de parto começou numa quinta embora eu estivesse tendo pródromos há quase 10 dias. Estava totalmente desencanada com pós datismo, tocava a minha vida normalmente, embora fisicamente não conseguisse sair de casa há três dias.

Na madrugada que antecedeu o parto senti contrações fortíssimas, minha gata estava sempre ao meu lado. Senti um prenuncio. Não havia sentido até então nada parecido.

A dor? Uma dor de barriga bem intensa, aquela que faz a gente se curvar e perder o ar. Foi uma madrugada que eu não consegui dormir bem.

Pela manhã não sentia mais nada. Marido foi trabalhar em outra cidade sem o carro, eu tinha cabelo e unha marcados no dia e tinha certeza que iria fazer.
Minha doula veio em casa pela manhã, conversamos, inflou a piscina e foi embora. Good vibes total, eu estava ali, com o controle de tudo. Iria ajeitar a casa, almoçar e partir pro salão.

Lembro que as contrações começaram a vir mais vezes. Desritmadas, mas estavam mais intensas. A cada uma delas eu me curvava. Não contei os intervalos, apenas sentei e sentia cada uma delas. Como alguém que bebe um vinho sem pressa.

Nesse momento eu não conseguia pensar em futuro ou arquitetar coisas. Não ia ao cabeleireiro era o que eu sabia. As contrações devolveram a minha centralidade, sequer avisei as doulas sobre o que sentia.

Minha mãe veio em casa, assistiu um pedaço da novela, comemos um bolinho e ficou assustada com a intensidade das dores. Disse para eu avisar a doula e saiu para resolver um problema sério de vazamento na casa dela. Fiquei sozinha que nem bicho no meu quarto. Do jeito que eu queria.

Já não conseguia raciocinar ou ter noção do tempo. Baixei um aplicativo e por ele via que elas estavam pegando ritmo. Ficaram mais e mais intensas, as horas passaram sem que eu me desse conta. Fui engolida pelas horas. Meu marido chegou e eu estava com as contrações bem ritmadas, vomitei. Nessa hora ele viu que realmente nosso filho viria e avisou a doula. Ele chegou 19:00 e as parteiras vieram logo em seguida as 20:40.

A fotógrafa mudou os planos do cinema e veio para casa, as doulas chegaram e eu já estava em outra dimensão, conseguia ver as pessoas, mas tudo era muito sutil. Comecei a ouvir minhas músicas, a noite caia e eu tinha ciência que o trabalho de parto tinha começado.

Lembro que minha mãe batia alguns talheres, esse barulho chegava de maneira insuportável até a mim, minha audição parecia ter ficado extremamente apurada. Eu ouvia tudo, sussurros, passos. A visão não existia mais, enxergava tudo em borrões.

Contrações muito doloridas, fui para o quarto com meu marido. Vomitei bastante, ficava com um baldinho e um tudo de água sanitária…rsrs…Não conseguia comer NADA. Não conseguia beber. Só queria a escuridão.

E foi na escuridão que fiquei com o Mário. Depois de um tempo as doulas entraram com suas mãos mágicas e preciosas. Suas vibes totalmente do bem iluminavam aquele mar revolto que eu atravessava. Falavam baixinho, anjos.
Por volta das 22:00 as parteiras chegaram e eu não tinha entrado na piscina. Sentia muita dor, e lembrem-se, dor não é sofrimento. A cada contração eu agradecia por estar em casa, no meu quarto, usando meu banheiro, com meus gatos, ouvindo minhas músicas. Aguentaria tudo para não ir para um hospital, ali estava na minha toca, feliz, sabendo que a vinda do meu filho se aproximava.

Pedi toque para as parteiras. Perguntaram se eu tinha certeza e eu disse que sim. Sentia meu corpo abrir, sabia que estava muito perto e queria água, piscina para aliviar.

Oito centímetros e colo fino! Nem acreditei! Não senti dor no toque, tudo foi feito com muito respeito, sai exultante, comemorei. Até essa parte estava consciente.
A partir dai as contrações se intensificaram. Bem fortes, mas a água tirava a dor com a mão. Ouvia minhas músicas, estava na sala, tudo a luz de velas. Silêncio. Não sentia ninguém ao meu redor.

Era outro mundo. Um mundo que a dor me mostrou. Um mundo aqui e agora, sem pensamentos invasores, sem racionalização. Mergulhei num sentir sem fim.
A dor aumentou muito, muito, muito. Vi a Ana chegando de canto de olho e pensei: Estou perto, falta pouco. Em nenhum momento pensei em desistir. Em nenhum momento pedi por uma cirurgia, por anestesia. Não vocalizei, no final urrei 04 vezes, do fundo da alma.

Na minha mente não existia a opção analgesia, hospital, transferência ou sair de casa. Eu ia conseguir.

Exigi muito fisicamente das doulas. Meu marido ficou me massageando com toda a força, eu precisava de força, eram três pessoas com suas mãos mágicas me guiando.

Não li nenhum livro, eu confiei no meu corpo e vi que parir é como respirar. Não se preocupem em tentar saber como serão as contrações de verdade ou o trabalho de parto, na hora vocês vão saber. Parir está gravado em nossa alma, nossa ancestralidade é feita de parir.

A transição foi bem difícil, sem o apoio do marido, equipe e doulas eu teria pirado, porque a gente pira mesmo. Lavanda trouxe minha paz, cheirinho de café também.

Na piscina senti um puxo. Respirei e não fiz força com ele. Puxo é uma força que age sozinha e é irresistível. E posso confessar? A parte mais prazerosa pra mim no parto foi me render aos puxos!

Eu sai da piscina e senti outro puxo e me rendi. Dane-se laceração, meu filho dizia que precisava vir. Ouvi a voz dele e o ajudei.

Fiz três forças com os puxos e ele nasceu. Primeiro cabeça, depois ombros e corpo todo. Escorregou. Sentir seu corpinho saindo foi transcendental. Não pari apenas um bebê, pari sentimentos, mágoas, angústias, vitória.

Foram 05 minutos de expulsivo que finalizei na banqueta.

Fiquei loucaça no expulsivo, queria que as parteiras tirassem ele logo e acabou, mas 04 minutos depois ele estava em meu colo.

Morno, escorregadio. Lembro que falei: -Ai meu bebezinho! Levantei da banqueta e fui pro meu quarto. Queria minha cama, minha toca e meu filho. Não sei de onde tirei forças para isso.

Bebê nasceu, fim das dores. Ocitocina a milhão, felicidade absurda, sentimento indescritível de vitória. A gente esquece de todas as dores e se sente poderosa.
Eu pari, 4.230kg, 54cm, períneo íntegro. Eu pari meus medos, eu pari em casa, eu consegui. Foi uma vitória pessoal, vitória contra um sistema cruel e a morte da menina para o renascimento da mulher.

Minha vida mudou completamente, mas bem, isso é relato pra outro capítulo.
Meu conselho mulheres: Lutem pelo seu parto, se conectem com si no parto. Desencanem da louça, do cachorro. Abstraiam, mergulhem em si mesmas.

É incrível, indescritível e transformador.

Relato de Parto Vanessa Meyrelles

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Esse é meu relato de parto, escrevi apenas 02 meses depois de parida. Está mais detalhado e mais romantizado.

Nossa percepção muda absurdamente com o passar do tempo, por isso recomendo que escrevam o quanto antes puderem. Ouvi muito da equipe, do marido porque eu não me lembrava de quase nada, eram sensações apenas.

Mergulhem nesse dia comigo!

Meu relato de parto não começa com as contrações, mas sim quando descobri que estava grávida.
Decidimos depois de 11 anos juntos receber nosso filho. Vida mais tranquila, sonhos realizados, chegava a hora da doação. Tanta felicidade em nossa vida não teria sentido se não fosse compartilhada.
Durante esses 11 anos jamais me vi mãe, ninguém compreendia o motivo de eu não engravidar, mas simplesmente não era meu tempo. Por conta disso eu não sabia nada sobre gestação e muito menos sobre parir.
E de repente palavras como puerpério, períneo, contração, violência obstétrica e tantas outras feias e bonitas, com os mais diversos significados se incorporaram a nossa rotina.
Desde de que vi a faixa azul do teste de farmácia ficar mais forte e comprovei pelo beta a gestação, estava decidida a conduzir todo aquele processo da forma mais amorosa e carinhosa possível. Ficamos radiantes com a novidade!
Foi quando a ficha caiu. Descobrimos que a mulher é tratada de maneira desumana e desrespeitosa nos hospitais. Não tem autonomia sobre seu corpo. Terceiros decidem se podem mutilar seu órgão ou extrair seu bebê. Vimos que existe uma indústria do nascimento, onde o nascer fica condicionado a interesses de terceiros. E decidimos buscar uma alternativa.
Foi nesse momento que descobrimos o universo da humanização, nos informamos e optamos por receber nosso filho em casa. Eu estava disposta a enfrentar toda a dor do mundo, pelo meu filho.
Meu marido engravidou comigo. Ia a todas as consultas, sabia de tudo. Nos tornamos um só corpo, uma só alma.
A dor física era irrelevante perto da dor na alma que eu sentiria parindo num hospital de forma desrespeitosa e violenta.
Quando acertamos com a equipe de parteiras uma nuvem de paz pairou sobre nós. Neste caminho tivemos a presença FUNDAMENTAL da Evelyn Amorim que pariu em casa e com todo o carinho do mundo mostrou que nossos sonhos podem se realizar.
Nos acolheu em sua casa, me muniu de informações, vimos o vídeo do nascimento de sua filha. Tudo isso contribuiu para que nossa decisão se fortalecesse ainda mais.
Cada vez que alguém se aproximava de mim e dizia que eu ficaria “larga”, que meu filho teria anóxia, que eu era louca, eu via a família da Evelyn, sua filha saudável e linda e acreditava que sim:
Parir é possível! Parir é divino!
Mesmo com tudo isso não me sentia fortalecida suficientemente. Foi quando tive um sonho lúcido. Eu estava numa reunião com gestantes, num lugar maravilhoso em meio a natureza. No final a orientadora me chama e diz que está tudo certo no astral, que eu preciso apenas confiar em mim e no meu corpo que tudo daria certo.
Depois desse sonho nada mais me fez desistir da idéia de fazer um parto domiciliar. Fiz as pazes com a possibilidade da morte, porque sim, parto é vida e morte, vidro e corte. Decidi pautar minha decisão pelo amor e não pelo medo.
Assim mergulhei no sagrado feminino. Com os conhecimentos que adquiri me conectei com a mulher ancestral dentro de mim, a que vive escondida. A mulher ancestral é parideira, benzedeira, forte e acolhedora. E era ela que seria a protagonista do meu parto.
Durante a gestação mergulhei fundo no meu corpo. Me mantive ativa, a mente com pensamentos positivos. Foquei mais na parte espiritual. Pedia muito para a espiritualidade me conceder um parto respeitoso.
Também no tempo certo usei o Epi-no e fiz as massagens perineais.
Dia 29/01/2015 minha madrugada foi diferente. Intuitivamente eu sabia que a hora do Álvaro estava chegando.
Nesta semana arrumei a casa, fizemos umas compras, mas já notava que meu corpo pedia descanso. Não conseguia mais dirigir, até namorar estava complicado porque as contrações de treinamento estavam mais frequentes e doloridas, porém sem ritmo.
A necessidade de recolhimento estava cada vez mais forte.
Embora eu tivesse plena consciência de que a gestação pode chegar nas 42 semanas, sabia que eu receberia o Álvaro entre 39 e 40 semanas lunares. Meu ciclo era super regulado e nós sabíamos certinho o dia da concepção.
Não me apeguei a números, era apenas sinais que apoiavam o que eu já intuía.
No dia 28/01 as contrações estavam doloridas. Pedi que minha mãe ficasse comigo. Ela veio, passamos a tarde assistindo novela e comendo bolo. Fiz algumas coisas em casa, mas já me curvava quando as contrações apareciam.
Com o fim da tarde ela desapareciam e na madrugada retornavam com força total. A madrugada do dia 29 foi punk. Contrações fortes que me deixavam nauseada. Eu sou super resistente a dor. Não vomitava há anos. Para eu sentir náusea já via que de fato a contração era bem forte. Por conta da minha resistência a dor fico sem parâmetro para comparar se elas estão fortes ou não.
Neste dia 29 eu marquei cabelo e unha. Por conta disso meu marido foi trabalhar sem carro. O combinado era que ele ficaria com o carro durante a semana caso o trabalho de parto engrenasse e ele pudesse voltar a tempo do trabalho.
Mas eu não fui ai salão, claro. As contrações começaram a ritmar. Minha mãe veio em casa e disse que eu iria parir, que aquelas contrações não eram só de treinamento.
Baixei um programa um dia antes e fui checando o ritmo delas. Começaram de 12min em 12min com duração de uns 40 min.
Neste mesmo dia a Gisele uma de minhas doulas veio em casa de manhã. Conversamos, ela montou a piscina, foi embora e eu segui meu dia com limitações, mas sem sofrer em nenhum momento.
De manhã falei com a fotógrafa, ela intuía que eu ia parir logo. Eu também, mas nunca imaginei que naqueles momentos eu já estivesse a caminho do encontro com meu filho.
A tarde decidi ficar na cama. A casa estava arrumada e eu precisa relaxar. Mas tive que ficar de olho nos contrações, porque de 12min em 12min elas caíram para 10min em 10min e cada vez mais fortes.
Lembrando que dor não é sofrimento. Fiquei com meus gatos, recebendo as contrações e esperando meu marido chegar. Até ai eu estava nesse mundo, nesse planeta. A partir das 19:00 eu comecei a sair de mim.
E foi ai que elas começaram a ritmar bem. O intervalo entre elas estava de 8min e a duração maior.
Meu marido chegou e foi recebido com uma contração master. Foi ai que eu vomitei, mas mesmo nesse estágio ainda conseguia pedir um balde e ficava com ele pertinho de mim.
Vomitei seis vezes.
Neste ínterim as doulas maravilhosas chegaram em casa. A Gisele e a Evelyn foram meus anjos, nesse estágio eu já estava com os reflexos comprometidos, conseguia ouvir suas vozes, mas já tinha muita dificuldade para falar.
A piscina começou a ser enchida. E as dores aumentavam exponencialmente. Mas eu levava numa boa. Preferia todas elas a ter que sentir o cheiro de hospital. A ter de ser tocada como um saco de carne por estranhos com outras preocupações ali que não fossem eu e meu filho. Qualquer dor física supera a dor na alma.
Inclusive um trato que fizemos, eu e meu marido foi de que eu não seria transferida em hipótese alguma para receber analgesia. Ele poderia me amarrar, eu poderia implorar, mas não sairia de casa para isso. Ele concordou.

O manejo do trabalho de parto foi sensacional. A noite caia e as luzes amarelas de casa me acolhiam. Pedi para desligar tudo.
Como moro em apartamento algumas coisas começaram a me irritar muito. O barulho das louças batendo na cozinha chegavam a mim como uma bateria de escola de samba. A piscina sendo enchida, o Mário com um passa passa de balde também me irritou demais, então dei tchau galera e fui pro meu quarto.
Eu e meu marido.
Fechei a porta e ficamos lá, não sei por quanto tempo. Ai eu me recuperei. Tudo escuro, tranquilo eu consegui me conectar comigo mesma.
Foi quando as dores que para mim iam numa escala de 0 a 10 chegaram a 20. Ganhei muita massagem neste período, era seis mãos em mim, o que foi fundamental. Palavras carinhosas da Gisele, da Evelyn me fizeram seguir meu caminho.
Mas foi nas mãos do meu marido, com sua força que eu sentia toda a energia. Sentia todo seu amor, toda nossa história. Era como se nossa alma se conectasse sem palavras. Apenas com o toque das mãos.
As dores se intensificaram bastante. Foi quando as parteiras lindas e amadas chegaram. Eu já sabia que estava próximo.
Com a consciência corporal adquirida com o uso religioso do Epi No e das massagens perineais sabia que algo estava diferente. Parecia que eu estava abrindo e era ósseo, muito diferente a sensação.
Nesse momento senti uma pressão e fui ao banheiro, achei que iria evacuar, mas minha bolsa rompeu. Vi meu tampão mucoso, a Fernanda veio e confirmou o rompimento da bolsa.
Eu pedi então que ela fizesse o toque. Ela perguntou se eu queria saber a dilatação e eu disse que sim.
Foi quando ela disse que eu estava com 08cm e colo fino!
Levantei RADIANTE e fomos para a sala contar a notícia! Super comemoração! Aguentei até 08 cm firme, finalmente entraria na piscina.
A piscina já estava quase cheia mas a água tinha esfriado. Foi então que o excesso foi tirado e as meninas lindezas da minha vida repunham com água quente.
Ali senti um alívio imenso mas gostaria que a água cobrisse minha barriga. Não me esqueço da Olívia com uma jarra jogando água continuamente nela, isso me aliviou muito, porém eu não achava posição confortável nela. Ficava de lado, tinha a impressão que se eu sentasse iria esmagar a cabeça do meu filho.
E ai o trabalho prosseguiu. Sei que ganhei sorvete, chocolate, suco de maçã, salada de frutas. Não sei a ordem dos fatos mas não me faltou apoio em nenhum momento. As doulas e meu marido foram fundamentais para trilhar este caminho. Fazendo uma analogia eles seriam como calçados. Eu percorro o caminho, mas com o melhor calçado tudo fica melhor e mais prazeroso.
Em dado momento comecei a sentir as contrações muito doloridas. Já estava com a consciência alterada, recordo de ter urrado três vezes, como nunca fiz na vida e nem sei se faria.
Urrado. Não foi gritinho, foram urros guturais, do fundo da alma. Achei que eu fosse despedaçar, aquela foi minha hora da covardia, mas ali vi meu corpo se abrindo e quando a gente acha que não vai mais suportar, o nascimento acontece.
Eu sai da piscina, me contorci brutalmente com essa dor, foram três pessoas me segurando…Quando ela passou.
Não sei se antes ou depois eu senti a cabecinha do Álvaro. Senti seus cabelinhos e me emocionei demais. E ali decidi comigo mesma que nada faria eu desistir.
Eu sei que a Gisele apareceu na frente da piscina para fazermos um rebozo. A Fernanda tinha feito o toque eu eu saquei…o Álvaro está encaixado, já sabíamos, mas não deve ter girado legal. Eu já tinha relaxado por uma hora na piscina, vi pelo CD que tinha acabado. A nossa hora havia chegado.
Na piscina eu senti dois puxos, respirei e não fiz força junto. Mas não impedi. Senti eles virem e irem embora como ondas.
Até então não havia feito força nenhuma vez. Eu não queria laceração e sabia que fazer força fora dos puxos era besteira. Também não me desesperei, sabia que o Álvaro tinha seu tempo para vir e que não adiantava eu forçar.
Enfim, durante o rebozo recebi uma comunicação espiritual. Aquela era minha hora de aproveitar a onda (puxos). Ele estava perto, bastava eu agir.
A Gisele terminou e eu ajoelhei e abracei meu marido que estava no sofá. Fechei os olhos e me permiti. Quanto mais relaxada estivesse mais fácil seria o expulsivo e menos probabilidade de laceração eu teria.
Tudo isso ali na minha cabeça, podia estar mais louca que o Batman mas meus movimentos eram friamente calculados rs.
Ajoelhada (pobres joelhos) eu senti um puxo e fiz força. Foi quando eu senti ele escorregar no canal vaginal. Senti o círculo de fogo igualzinho no Epi-no! Verbalizei isso!
Enfim, ele estava ali!
Nessa hora a Fernanda me contou que eu pedi (gritei) para tirá-lo e ela disse para eu aguardar a próxima contração.
Ela veio forte. Aproveitei e fiz mais uma força, o pescoço saiu. Mas até então eu tinha voado para a cadeirinha de cócoras para verticalizar mais. E veio outra, fiz outra força e o Álvaro nasceu!
As 02:27 meu filho reencarnou. A Fernanda segurou ele e eu como um bicho doido pra pegar a cria tomei dela, abracei meu filho cheiroso, levantei sozinha e fui pro quarto.
Agora de onde eu tirei força pra tudo isso eu não sei! Foi mágico!
No expulsivo eu me vi num azul profundo, com um jato de luz azul mais claro sobre mim. Me senti no meio do Universo, foi a melhor viagem da minha vida!
Acredito que não conseguiria num ambiente hospitalar. Aqui em casa sutilezas me fortaleciam. Poder usar meu banheiro, sentir a textura conhecida da roupa de cama, os cheiros. Vozes e olhos amigos, meus quatro gatos rodeando…E o cheirinho de café sendo passado pela minha mãe. Não tomo café, mas quando senti aquele cheiro fui pra minha infância, pro mato, pra um monte de lugar.
Inesquecível.

Mulheres, confiem em sua intuição, cerquem-se de uma equipe excelente como eu fiz. Além de procurar pessoas competentes, me vinculei a eles. Porque parto é entrega. Parto traz a tona uma mulher selvagem que muita gente nem imagina existir. Essa mulher chora, grita, urra, vomita, morde. Ela é guerreira, leoa, lutadora. Faz tudo pela cria. Confiem nela.
Se libertem de travas mentais, não acolham histórias alheias da prima da vizinha. Aceitem qualquer desfecho, seja ele qual for. Sejam gratas. O Universo se encarregara do resto.
Outra coisa, na medida do possível cooperem com a equipe. Chega uma hora que é difícil falar, mas dizer onde prefere a massagem, que tipo de bebida querem, qual posição ajuda muito. Isso se chama sintonia.
Para finalizar, para cutucar o sistema que tanto nos amedronta, eu PARI, um bebezão de 4.230kg. Com períneo íntegro, sem laceração nenhuma!
Parir é divino, não permitem que ninguém roubem isso de vocês.

Prato do dia: Apoio, acolhimento e empatia.

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Não me chame de mãezinha. O “príncipe aqui tem nome”. Não, não  penso em emagrecer no momento, penso apenas que você poderia passar umas horas em casa cozinhando, cuidando da louça, das roupas, da minha sanidade mental para no fim do meu dia que começa quando o sol nasce eu ter “força de vontade” suficiente para calçar um tênis e sair para uma caminhada.

Você topa? Então não palpite.

Ele vai dormir onde eu quiser porque quem sabe o que é melhor para nossa família sou eu. Eu, ouviu bem? Não é o pai que não precisa amamentar durante a madrugada, sou eu que decido o melhor para nós, pois a demanda física maior recai em mim.

Você que está tão preocupada com o local onde meu filho dorme, poderia ir em casa limpar os quartos, lavar as roupas de cama e organizar as gavetas. Seria bem mais útil.

Ah! Cuidou de 10 filhos sozinha? Pois então, seja solidária com quem passa aperto cuidando de um. Ao invés de reproduzir esse discurso antigo que nada serve além de te dar o aval pra cair fora quando vê uma mulher precisando de ajuda, arregace as mangas e use toda a energia que você tem para julgar, para auxiliar outra mulher.

Bebês de hoje não são como os do seu tempo. Vem com uma carga extra de energia. Aceite. Você não foi uma super heroína, seus filhos é que deram uma colher de chá para você.

Comida? Eu dou o que quiser e da maneira que quiser. Ao invés de criticar se a criança pega a comida, se eu amasso, se eu não dou água depois dos seis meses, quando me ver amamentar ao invés de oferecer um paninho, me ofereça água. Geladinha, tá?

Antes de palpitar sobre qualquer coisa que se refira a outras, calce o mocassim dele por duas luas. Viva em seu meio, tenha sua percepção, seu carma e só assim emita algum julgamento.

Complicado, não é mesmo?

Nós mães trocamos opiniões por apoio, infantilização por empoderamento, acolhimento ao invés de julgamento.

Mudar os verbos, mudar padrões negativos, ter empatia é o que mais precisamos.

Parir é mar, amplitude e solidão.

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Quem nutre o desejo de parir no Brasil fique sabendo, sua jornada será solitária.

Ontem na praia, um dia chuvoso estacionamos o carro só pra contemplar o mar. Apesar da chuvinha as águas nos atraiam. A praia vazia, a paz, águas mornas…

Não entramos. Saímos do carro, fomos até a beira do mar, molhamos os pés e voltamos. Do carro vi três surfistas, enfrentando as ondas, ora por cima delas, outras sendo arrastados.

De fato, para estarem naquele momento ali, na água, entre as ondas tinha muito amor envolvido, muita força de vontade que nada se relacionava com o mundo externo. Podiam estar no bar, em casa debaixo das cobertas. Fazendo qualquer outra coisa que não envolvesse água, chuva, vento e solidão.

Mas é ali em meio a intempéries, na solidão das águas que eles se encontravam.

Assim são vocês gestantes que querem parir naturalmente. Parir é cura, parir é dor, prazer, superação. Mas é um mar que vocês terão de enfrentar.

Não adianta contar com a aprovação da mãe, da prima, da colega da vizinha. Cerca de 98% das pessoas vão te chamar de louca “imagine um mundo moderno desse e você ai querendo sentir dor”. Como se parir fosse apenas dor.

É isso. Poucas mulheres atravessam um trabalho de parto. Poucas entendem como a recepção respeitosa a um bebê faz diferença. Não entendem a agressividade do colírio, das aspirações, da separação por horas. Quem entende como o mar pode curar quem o ama?

Não seria “louco” aquele surfista sozinho enfrentando as ondas?

No processo de busca de informações vocês encontrarão grupos de apoio, mulheres que desejam parir, formarão laços. Mas a força para seguir em frente convicta vem dentro de vocês.

Algumas mulheres podem desistir, mudar seus rumos. E você? Seguirá firme? Como está seu jardim interior, seu ponto de apoio interno?

Quando estava grávida pude ir a três reuniões de grupos de apoio. Optei por não ler nada, sequer Parto Ativo porque entendia o parto como evento fisiológico e sendo assim ele funcionaria. Ele sabe parir. Ele sabe encontrar melhores posições e eu confiava que sim, meu filho ia nascer.

Eu só precisava de paz, respeito, amor e privacidade para que ele desse o seu melhor, sem travas, medos ou bloqueios e para mim isso aconteceu num parto domiciliar. Era meu ambiente, minha toca, onde eu me sentia segura e poderosa.

Para você pode ser o ambiente hospitalar e tudo bem também, não existe um local ideal para parir, existe o local que você se sinta segura e tenha uma assistência de qualidade.

E toda essa força minha veio da solidão, das ventanias e do escuro da noite. Dentro do meu peito ela brotou e se sustentou.

Eu jamais escondi que teria um parto domiciliar e ouvi as coisas mais desanimadoras possíveis e não me deixei abater. Assumi a questão sobre desfechos ruins, coloquei isso numa gaveta. Em outra gaveta coloquei a resolução da parte técnica, encontrei uma equipe iluminada e com energia afim e o restante de toda a energia que eu dispunha usei para confiar e me certificar no poder que eu tinha para parir. E segui firme, debaixo de chuva, enfrentando ondas altas, feliz, por estar convicta de finalmente estar escrevendo a minha história.

E valeu a pena? Valeu. Cada segundo.

Não passei a gestação apenas racionalizando, vendo estatísticas. Eu me entreguei. Dancei muito em casa, sozinha. Nua. Queria sentir meu corpo livre.

Em noites de lua cheia eu ia caminhar em parques. Sentia a luz da lua iluminando cada chackra meu. As árvores falavam comigo e passavam toda sua energia pura para mim. A terra, a grama, os elementos me energizavam.

Cada uma terá sua caminhada e seus passos. Eu engravidei e depois que a parte estava resolvida eu fiz hora e fui na valsa.

Parir naturalmente não deve ser apenas luta, deve ter sentimento, leveza, entrega. Amor, descoberta, superação.

Minha gestação foi de cura. Descobri um mundo horrível onde as mulheres sofrem violências, mas veio a mim um outro mundo. Onde mulheres leoas dão a luz em meio a amor e respeito.

Me curei de dramas familiares, dancei, me perdi nas horas. Assim como aqueles surfistas enfrentando as ondas na solidão do mar. É o que eles precisavam.

Na amplitude do oceano eles encontram a cura.

Não use a palavra DOULA. Desista.

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Se você pensa em usar o nome doula para promover uma modalidade de trabalho  descomprometida com a humanização do parto, desista.

Você não é doula. Procure outras palavras: Acompanhante, cuidadora. Invente! Personal pregnant! Partner, gourmetize qualquer outra palavra, mas não use a palavra doula. Não trabalhe e se identifique como doula. Não procure distorcer o trabalho da verdadeira doula ou tente dar outro sentindo ao que ela já possui.

Se você pretende trabalhar de maneira que não seja pactuada com a intenção de humanizar o momento do parto, respeitar o protagonismo da mulher e fazê-la soberana diante de sua vontade de parir, desista. Faça o que quiser mas não use a palavra doula.

Se você deseja trabalhar de maneira a priorizar instituições e políticas pessoais partidárias, desista.  Não use a palavra doula.

Se você enxerga a mulher que gera como um cifrão, uma presa fácil, um ser vulnerável que quer apenas sentar em círculo em cima de um colchonete e participar de um chá com sorteios no final de uma tarde amena, por favor use outra palavra para identificar suas atividades. Faça o que quiser, o que sua ética guiar, mas não use a palavra doula.

Doulas são servas. Dão apoio físico e emocional antes, durante e após o parto. E parir é bicho feio no Brasil. Parir com respeito então! Raridade.

Quem quer parir precisa lutar e doulas são ponta de lança nesse processo de luta, da humanização do nascimento.

Doulas não são aproveitadoras que enxergam nesse desejo um segmento propício apenas para ganhar dinheiro. Por que são doulas. A isso damos o nome de oportunistas.

Essas sim se apropriam, fazem usos e abusos desse nome. O utilizam, se identificam, pegam o bonde da humanização e querem andar na janelinha sem estarem vinculadas com os pilares que sustentam esse movimento.

Se você tem esse lema consigo, tudo bem.  Venha como um trator arar o solo sensível das fêmeas que desejam parir. Venha com sua imensidão e comercialização de eventos. Seja a megastore da humanização.

Chegue desapropriando as mercearias e se estabeleça como um grande hipermercado do nascimento de bebês. Suas luzes brancas e frias e seus corredores imensos e sem fim mostrarão o objetivo a que vieram.

E depois de um tempo ficará claro que as pequenas vendas, os cafés de uma porta só, as mercearias continuarão de pé porque tem consistência. Tem consciência. Tem ativismo, seja no megafone, seja nos postos de saúde, seja em palavras ditas ou escritas. Tem coerência. Tem estatísticas.

As fêmeas que querem parir têm astúcia. Faro aguçado, instinto a flor da pele. A luz branca de seus corredores vai incomodar porque elas querem delicadeza ao terem a terra de seus corações aradas.

Querem olhos nos olhos, abraço. Aconchego. Discurso e prática. Sua sombra tem 04 patas é selvagem e seu uso e abuso de práticas não sedimentadas com a humanização, mesmo usando o nome de um elemento que existe apenas nele ficarão claros.

Então desista. Faça o que quiser, mas não use o nome doula.

Doula não é um chaveiro caro que você pendura numa bolsa. Doula é luta. Doula não é perfumaria. Se você quer um plus a mais para o nascer do seu filho, para falar para as amigas, procure uma acompanhante e não uma doula. Porque doulas tem outra função, outro objetivo, outro cenário.

Ficou claro qual o objetivo de uma doula?

Se ficou e você é uma doula de verdade, insista. Senão, por favor. Desista.

Meu parto, a dor e eu – Carina e Débora

Débora chegando ao nosso mundo.
Débora chegando ao nosso mundo.

Vamos finalizar essa semana com o depoimento da Carina Oliveira!

Ela pariu no plantão de um hospital aqui de Campinas. Levou seu plano de parto, exigiu uma reunião para discuti-lo. Foi aceito, no dia do seu parto teve acesso a bola, chuveiro e foi assistida por uma enfermeira obstetra.

Sua filha veio ao mundo direto para seu colo onde amamentou.

Aqui a Carina conta sua percepção da dor e semana que vem teremos mais depoimentos, Dani Brito abrirá a próxima semana porque enquanto houver mulher, houver partilha, nós seremos o instrumento usado para levar informação e força para quem deseja parir.

“Eu sempre quis ter um parto natural e havia me preparado muito para aquele momento. Durante a gestação eu li muito, participei de grupos, fiz pilates, acupuntura e, principalmente, acreditava no meu corpo e no cuidado de Deus nesse momento tão especial da minha vida. Eu não teria equipe, meu plano era ter um parto hospitalar pelo plantão do convênio e com o auxílio de uma doula.

Quando estava de 36 semanas e 5 dias, à 1h30 da manhã,  comecei sentir contrações bem leves. No início acreditei que fossem de treinamento, porém após duas horas e dois banhos, eu e meu marido vimos que estavam ritmadas e fomos para a Maternidade de Campinas.  Após um atendimento ruim no acolhimento, foi constatado que eu já estava com 4cm de dilatação. Fui encaminhada a sala de  pré-parto e lá muito bem recebida pela equipe de enfermagem, que estava com meu plano de parto em mãos. Minha doula ainda não havia chegado e a equipe de enfermagem me “doulou” enquanto isso, diziam palavras acolhedoras e eram muito carinhosas, também me levaram ao chuveiro para amenizar a minha dor.

A dor era intensa, mas suportável. Meu trabalho de parto foi rápido (total 8 hs desde a primeira contração), minha dilatação evolui muito bem e quase não deu tempo da minha doula chegar! Nesses momentos que estive sozinha, tentei ficar ao máximo na posição vertical (lembrei muito do que havia estudado no livro da Janet Balaskas, “Parto Ativo”). Quando estava quase desistindo e pedindo analgesia, minha querida doula chegou! Como ela não era cadastrada na Maternidade, eu tive que optar entre a doula e meu marido. Na hora achei que a sua presença da dela seria mais útil para me encorajar e amenizar a minha dor e realmente foi! Suas massagens e palavras de incentivo foram fundamentais!

Minha bolsa rompeu quando eu estava com 10 cm de dilatação e logo fomos para o Centro Obstétrico, que já estava preparado para que eu tivesse meu bebê de cócoras. Na hora que minha bebê estava quase nascendo, a doula saiu e meu marido entrou. Que momento abençoado, sem palavras para expressar! E como foi tudo tão calmo, respeitoso… Tudo muito natural, ar condicionado desligado, ninguém me tocou, a enfermeira obstetriz amparava o meu períneo e me olhava com doçura, esperando minha filha nascer no tempo dela…  

Muitas pessoas acham que eu exagero quando digo que a dor do parto é dor de amor, mas é verdade. Sei que doeu, mas foi diferente de qualquer outra dor que senti. Uma dor para algo maravilhoso acontecer em seguida, o nascimento respeitoso da minha filha.”

Animais e bebês! Amor possível e infinito.

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Quando engravidei ouvi muitas coisas referentes a animais e bebês. O mais incrível é que as observações mais negativas não foram solicitadas.

Sou amante da natureza. Dos animais. Consigo sentir a vida de uma árvore, de uma flor. A energia deles me revitaliza. O mesmo se dá com os animais.

Nunca me vi no direito de virar as costas, de ignorar um animal simplesmente por ser humana. Os trato com respeito e amor. Animais tem sentimentos, se alegram, se entristecem. Sentem fome, frio, sede.

Eu tenho 04 gatos! Imagine o que eu ouvi!

Se as previsões se confirmassem meu filho teria inúmeras alergias, um gato já o teria esquartejado-o durante o sono. Minha barriga seria atacada, eu teria toxoplasmose.

E para resolver coisas que ainda NÃO aconteceram a solução seria doar os gatos assim que meu filho nascesse.

Eu cedi a pressão social? Aos olhares tortos e reprovadores?

NÃO!

Meus 04 filhos felinos ficaram onde devem estar: Na minha casa e no meu coração.

Durante a gestação eu não limpava o pipicat, meu marido fazia isso por mim. Fiz vários testes para a detecção da toxoplasmose e todos deram negativo. Seis anos de contato com gatos e eu estava saudável.

Meu parto foi domiciliar e um dos motivos foi poder passar o momento mais importante de minha vida ao lado dos meus gatos. Eles assistiram tudo. Assim que meu filho nasceu o Bituca veio conhecer. Uma hora depois todos estavam ali conhecendo o novo membro da família.

E depois, né?

Depois tudo fluiu naturalmente. Restringi acesso ao meu quarto durante a noite no primeiro mês e fui liberando aos pouquinhos no segundo. Mesmo tendo toda a atenção voltada para o meu filho, meu marido me ajudava a agradar nossos filhos peludos. Meu filho dormia e eu corria na varanda chamando os gatos para o solzinho e o cafuné.

O Álvaro foi adotado pelo Bituca, nosso gatinho preto. Ele é o guardião, faz círculos em volta do Álvaro quando algum desconhecido se aproxima. É super carinho e companheiro.

Toca o Álvaro com o maior cuidado, na pontinha das patas.

Eu supervisiono eles sempre. Tanto para que nenhum gato se acomode de forma a impossibilitar a movimentação e respiração do meu filho -não é por mal- gatos gostam de calor, ou do meu filho que agora descobriu que tem mão e tudo que passam por elas é apertado ou puxado, para não machucar nenhum gato.
De resto é só amor, o mais puro e sincero compartilhado. Vejo cenas que me fazem chorar de tanta emoção.

Se abram e vejam que linda a interação entre um bebê e um humano.

É um presente que uma sociedade fria e higienista tirou de nós.

Deixa chorar?

Criar filhos com carinho, com afeto é um dos maiores desafios que a família enfrentará na sociedade atual.

Vivemos sob conceitos que visam apenas a praticidade e bem estar dos pais. Praticidade essa que lhe dará tempo de sobra para poder ver algum programa inútil na televisão, para navegar a esmo na internet ou para poder esquentar sua comida congelada e cheia de químicas que estava no freezer, pronta para ser aquecida no microondas.

É isso.

Desenhos existem para isso. Assim como jogos eletrônicos, qualquer coisa luminosa, colorida e piscante que faça os olhos do seu bebê congelar e te deixar “em paz” por alguns instantes.

Qualquer coisa que te faça voltar a dormir em vida.

E nesse caminho você terá muitas “ajudas”. Muita gente dizendo que bebê fica mal acostumado no colo. Que será uma criança difícil. Que lugar de bebê é no berço, num quarto escuro, longe do calor e carinho dos pais. Que chupeta acalma. Que mamadeira é prática.

E sim, seu marido deve comprar comidas industrializadas, um marmitex quem sabe. Onde já se viu mãe de bebê querer comida fresca e saudável? Não é prático! Suja muito a louça!

Quem vai lavar depois?

Notem. Onde está o bebê nesse vórtice? Em algum álbum virtual de fotografias provando para a sociedade que famílias felizes existem?

O que quero com minhas palavras não é julgar. Se você quer deixar seu filho no berço chorando sem parar para ter tempo de ver algum programa e ser engolida pela publicidade e lembrar o quão imperfeita é –seu corpo não está igual ao da cantora de axé, seu carro não é o melhor- o faça. Eu não faço. Eu crio com amor, mas adianto a todas vocês que escolheram ou escolherão esse caminho. Ele é sem dúvida mais trabalhoso e tão mais recompensador!

Ninguém vai estender a mão de forma efetiva para você no puerpério não imediato. Mesmo que a rede de apoio exista e eu tenho pessoas maravilhosas que me apoiam, todas nós temos nossas atividades.

Portanto a menos que você pague, ninguém virá passar suas roupas. Ninguém oferecerá um prato de comida ou mesmo 20 minutos para carregar seu bebê enquanto toma banho tranquila. Sabem por que? Porque muitos tem seus afazeres, como eu tenho. E outros tantos quando a virem descabelada, com fome dirão com um olhar de satisfação:

PÕE NO BERÇO.
DEIXA CHORAR.
VOCÊ ESTÁ ASSIM PORQUE QUER. É SIMPLES.
SEU FILHO ESTÁ MAL ACOSTUMADO.
EU FUI CRIADA SEM AMOR, APANHEI E ESTOU VIVA.

Captaram? Hoje em dia as pessoas criam sobreviventes. Porque não sentem a aspereza de um novo ambiente, de novas cores, de se expressar sem poder falar e apenas chorar acham que não dói. Por não lembrarem de pequenos abandonos os descredibilizam.

E assim seguem sobrevivendo.

O meu conselho para quem deseja criar seus filhos com amor e de maneira instintiva como eu é:

Se organizem de forma que o pai assuma suas responsabilidades. Assumir responsabilidades não é ajudar, ajudamos quando a responsabilidade não é nossa. Quando o pai assume a responsabilidade de criar, de dar banho, de acolher num eventual choro, de educar as coisas fluem muito melhor. A rede de apoio nesse caso será convocada para ajudar a comer um bolinho com café e a dar muitas risadas.

Outra coisa, ouçam e respeitem a voz do coração. Para quem é sobrevivente é perda de tempo falar sobre a relação de cortisol + choros. As pessoas vivem em sua grande maioria adormecidas. Vão apenas acordar quando estiverem adultas, obesas, fazendo dietas sem conseguirem resultados efetivos. Ai só neste momento quando se sentirem inadequadas para irem a praia ou quando tiverem algum problema de saúde associado a obesidade conhecerão a palavra cortisol.

Explicar sobre o vínculo afetivo que temos quando amamentamos para quem acha prática a mamadeira nos 06 primeiros meses, explicar sobre a confusão de bicos…Nada disso adianta. Porque ninguém vê que o bebê se alimenta de sentimentos também. Que quando ele mama, nosso cheiro fica impregnado. Eles ouvem as batidas de nosso coração. O olhar acalenta.

Logo eu diria: Não percam tempo e nem energias com quem não se abre para o que é invisível aos olhos. Essas pessoas não são ruins, não fazem de propósito. Apenas não estão prontas. Percorreram um caminho totalmente diferente, se formaram de outra forma. São outra terra e como um ato de respeito eu tomei por decisão não colonizar ninguém.

Cada um tem seu viver e seu despertar.

Sempre que meu filho chora eu acolho. Estou descabelada, sem almoçar? Sim. Poderia ter deixado ele no berço chorando? Sim. Mas o que eu ganhei o acalentando?

Ganhei sorrisinhos banguelas inesquecíveis. Olhinhos brilhantes me seguindo. Mãozinhas minúsculas me apertando.

E em todas as vezes que acolhi meu filho, toda sua comunicação tinha um propósito. Ou estava com cólica, ou tinha acabado de sujar a fralda ou queria mais um pouco de colo. E sim, bebês sentem tédio! Todo dia faço a via sacra de mostrar os passarinhos na varanda, as plantinhas e passear no final da tarde. Nunca ele chorou pedindo carrinho ou berço.

Nunca chorou para me manipular, para ser malvado, tipo: Ela vai se ferrar agora, não vai comer também! Tenho dois meses de vida trabalhados na vingança.

Entenderam?

Hoje com ele voltei a ser criança. Sentei no chão, brinquei. Inventei diálogos, usei nossos dedoches, me diverti. Estou leve e meu filho também. Neste exato momento está no quarto dormindo sozinho, SERENO enquanto eu escrevo este texto, fiz meu almoço e agora vou tomar um super banho tranquila.

Um bebê é um presente para despertarmos para a vida. É um amanhecer.

Criar um bebê com afeto é doação pura. Cada vez que ouço meu filho vocalizar an-gu, uuuuuu-daaa com 60 dias de vida agradeço todo meu esforço por não ter cedido a chupeta como calmante. Penso que se ele estivesse com a chupeta eu não teria o privilégio de ouvir esses sons tão cedo.

Tudo o que escrevi não visa de maneira alguma dizer que quem opta por outro estilo de criação ame menos o seu filho ou seja um pai ou mãe piores. Longe disso! Quero apenas mostrar o quão trabalhoso esse caminho que escolhi é e quão recompensador ele pode ser também.

Ganhei vários livros sobre como cuidar de bebês. As coisas mais úteis, os melhores conselhos para mim foram aqueles que o senso comum condena. Foi ouvir a voz do meu coração e seguir meus instintos.

Para você que é gestante, para você que é mãe, se permitam. Sejam como uma tela em branco, não absorvam estórias da prima da vizinha. Se apoiem em evidências e sigam seu coração não importa o que os outros falem, afinal coração de mãe nunca se engana, não é?