Meu parto, a dor e eu – Liv e William

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E quem partilha hoje sua experiência de dor no trabalho de parto conosco hoje é a Liv!

Ela se informou, mas não contou com uma doula. E disse que jamais pariria novamente sem contar com uma doula nessa caminhada.

Cada história, um aprendizado e nesse relato fica claro a necessidade de jamais subestimar a dor.

“Olha, é difícil falar sobre isso por que o desfecho não foi o que eu gostaria. Não frequentei grupos, fui deixando tudo levar.

Eu já tinha lido o texto da Carol Darcie dos 5 estágios e os dois primeiros, as frases foram idênticas!

De intensidade de dor, realmente, é a pior dor, a mais forte que senti na minha vida. Isso é fato.

Normal achar que vai morrer. Duvidar da sua capacidade. Por que a dor é muito muito forte e se você não tiver um apoio, ela te desorienta e põe em xeque tudo o que você acredita. Exatamente por isso que somente o marido não é o suficiente como apoio. Ele vê você berrando, gritando e não pode fazer nada. Aí você surta e pede uma cirurgia e lógico que ele vai consentir. Porque a sua dor é dele também.

Por isso que eu digo de novo, dor do parto é superação.

E o psicológico, ah esse também é responsável. Você tem q estar bem. Acreditar em você. No seu corpo.

Doulas são fundamentais e esse é o meu maior arrependimento. De não ter uma ao meu lado.

Por tudo isso que eu digo: Dor do parto é    Superação.

Defina a dor do parto em uma palavra:        Superação.

O que você falaria pra outra mulheres?        Superação.”

Dor no parto

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Somos poupadas de tudo.

Temos ar condicionado para refrescar, aquecedor pra esquentar. Milhões de remédios para curar dores e não suas causas. Todo mundo foge de água fria, foge da chuva, tem medo de sol.

O que dizer da dor do parto?

Ninguém sabe, ninguém conhece porque temos poucos partos normais no Brasil. E dentre esses temos menos ainda os não medicalizados.

O que sobra no imáginario popular é o parto da avó, da tia avó da roça que pariu sozinha e no outro dia estava no fogão. Ou então ela morreu.

Ninguém vai te contar uma história diferente, então não busque este tipo de referência quando o temor sobre a dor do parto tentar tomar conta de você.

Meu parto foi domiciliar e eu sou muito resistente a dor. Este é um ponto importante a ser lembrado. Cada uma de nós tem uma sensibilidade e limiar para a dor. Mas todas nós temos uma força incrível oculta que nos ajuda a lidar com ela.

Mesmo eu sendo “a resistente”, sou do tipo que aguenta firme qualquer coisa, confesso que me impressionei com a dor da transição.

Já tive cólica renal, já tive cirurgias com pós operatório sofrido que me fizeram dar entrada no pronto socorro de cadeira de rodas, já tomei medicações fortíssimas (morfina) para lidar com essa dor, mas NUNCA senti nada parecido com a dor da transição.

Nunca subestimem a dor. O bom pescador não subestima o mar, porém não deixa de enfrentá-lo. Por que? Com força da natureza não se brinca. É algo que independe de nós, vai acontecer.

Quando me perguntam sobre a dor logo associam dor com sofrimento. O que não é verdade!

Você pode sofrer, chorar por uma ferida na alma. Por uma traição, um olhar de desprezo, um comentário debochado. Dói, seu corpo somatiza e o estopim de tudo nem sempre partiu do físico.

Dor física não é sofrimento. Você resignifica sua dor. Sua mente comanda, num parto com uma assistência respeitosa e amorosa você terá liberdade para exteriorizar tudo o que sente.

Pode vocalizar, urrar, gritar. Terá liberdade para se movimentar e seu corpo encontrará instintivamente posições que proporcionarão alívio.

Terá seu marido, namorado ou quem quer que lhe seja importante ao seu lado. Ou não terá ninguém, vai ficar no seu cantinho, você e sua dor. Um abraço da alma que prova que seu corpo é perfeito e que traz seu filho cada vez mais perto de si.

Sozinha, sem as contrações jamais conseguiríamos parir. Não temos força suficiente para a expulsão do feto, o corpo é sábio, trabalha junto conosco.

Eu fiquei bem até  08cm de dilatação. Doia, sim, mas não é uma dor constante. Ela vai e vem como uma onda. Eu ficava abaixada, ganhava massagens, bolsas térmicas ficavam na minha sacral. Podia ingerir líquidos, comer.

Escolhi as músicas e curti cada uma delas. O ambiente me acolhia, me convidava a entrega. Os gatos ficavam próximos, era meu momento. E a dor mesmo intensa, não conseguiu roubar a cena.

Eu mergulhei em mim mesma. Aceitei e agradeci por cada contração.

No próximo post falarei sobre leituras, alívio não farmacológico e posições que diminuem muito a dor.

A questão da analgesia em partos hospitalares é resolvida e decidida pela mulher. Não existe mais parto, não existe um pódio que só alcança o topo quem não usou esse recurso.

Isso é protagonizar o parto, reconhecer seus limites!

Porém a dor faz parte de nós, não se privem de uma experiência tão transformadora como o parir por terem medo dela. Eu dormi entre uma contração e outra, não dói o tempo todo.

Sintam-se perfeitas com a dor. A dor do parto nos prepara para o puerpério. Enfrentaremos dias de descobertas, de aprendizado. Teremos privação de sono, alteração psíquica, mudanças na rotina da casa, bebê que só sabe se comunicar chorando.

E ai você olha e vê o quando foi forte e suportou a dor. Entende a dor de seu filho, acolhe.

A natureza é perfeita até na dor. É o abraço da alma que traz seu filho do seu ventre para seus braços.