Prato do dia: Apoio, acolhimento e empatia.

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Não me chame de mãezinha. O “príncipe aqui tem nome”. Não, não  penso em emagrecer no momento, penso apenas que você poderia passar umas horas em casa cozinhando, cuidando da louça, das roupas, da minha sanidade mental para no fim do meu dia que começa quando o sol nasce eu ter “força de vontade” suficiente para calçar um tênis e sair para uma caminhada.

Você topa? Então não palpite.

Ele vai dormir onde eu quiser porque quem sabe o que é melhor para nossa família sou eu. Eu, ouviu bem? Não é o pai que não precisa amamentar durante a madrugada, sou eu que decido o melhor para nós, pois a demanda física maior recai em mim.

Você que está tão preocupada com o local onde meu filho dorme, poderia ir em casa limpar os quartos, lavar as roupas de cama e organizar as gavetas. Seria bem mais útil.

Ah! Cuidou de 10 filhos sozinha? Pois então, seja solidária com quem passa aperto cuidando de um. Ao invés de reproduzir esse discurso antigo que nada serve além de te dar o aval pra cair fora quando vê uma mulher precisando de ajuda, arregace as mangas e use toda a energia que você tem para julgar, para auxiliar outra mulher.

Bebês de hoje não são como os do seu tempo. Vem com uma carga extra de energia. Aceite. Você não foi uma super heroína, seus filhos é que deram uma colher de chá para você.

Comida? Eu dou o que quiser e da maneira que quiser. Ao invés de criticar se a criança pega a comida, se eu amasso, se eu não dou água depois dos seis meses, quando me ver amamentar ao invés de oferecer um paninho, me ofereça água. Geladinha, tá?

Antes de palpitar sobre qualquer coisa que se refira a outras, calce o mocassim dele por duas luas. Viva em seu meio, tenha sua percepção, seu carma e só assim emita algum julgamento.

Complicado, não é mesmo?

Nós mães trocamos opiniões por apoio, infantilização por empoderamento, acolhimento ao invés de julgamento.

Mudar os verbos, mudar padrões negativos, ter empatia é o que mais precisamos.

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Meu parto, a dor e eu – Gleice e Flávia

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Hoje nosso relato é da Gleice, guerreira.

Seu trabalho de parto foi longo e intenso. E foi para lavar a alma! Um lindo VBAC!

“O que me dava mais medo em um parto normal era a famosa do do parto. Eu sempre ouvia que dor do parto era horrível, era mortal e quando dizia que pretendia um parto sem anestesia sempre falavam: -Se prepara, hein?! Não quero te desanimar, mas dói muito. E em contrapartida as pessoas ligadas ao parto humanizado diziam que a dor do parto era boa, suportável e que ninguém morria dela. Antes de parir eu pesquisei muito, li muito e descobri que a dor do parto era única, que acontecia a partir da percepção de cada mulher e que todas que passaram por ela não tinham se arrependido e fariam tudo de novo.

Psicologicamente eu me preparei para a pior dor do mundo e estava disposta a aguentar até onde pudesse. Daí que as dores do parto chegaram e eu senti algo muito diferente do imaginado. Para mim a famosa dor do parto não doía, mas ardia. A sensação que eu tinha era similar a quando tomamos muito sol e ficamos ardidos. Ela era uma onda: meu corpo avisava de antemão que ela viria, o ardor aparecia fraco, ia aumentando de intensidade e aos poucos ela ia embora.

Tomava conta da lombar, bumbum e quadril. Nessa hora minha doula apertava muito o meu quadril e era mágico. O ardor praticamente sumia. Além disso a doula sempre me lembrava de rebolar e balançar o quadril. Nunca ficar imóvel. A água quente também ajudou muito. Tomei vários banhos no decorrer do parto e já no final da dilatação estar abaixada, pendurada em um barra com água nas costas era muito bom.

Já quando os famosos puxos chegaram o ardor cessou por completo. Era como se meu corpo tivesse desligado a dor e ligado o empurra que seu bebê irá nascer. Assim que minha menina nasceu tudo parou como mágica. Até mesmo para a expulsão da placenta não houve dor alguma. Eu não me arrependo em nada por ter parido sem analgesia.

Foi tranquilo e faria tudo de novo.”

Animais e bebês! Amor possível e infinito.

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Quando engravidei ouvi muitas coisas referentes a animais e bebês. O mais incrível é que as observações mais negativas não foram solicitadas.

Sou amante da natureza. Dos animais. Consigo sentir a vida de uma árvore, de uma flor. A energia deles me revitaliza. O mesmo se dá com os animais.

Nunca me vi no direito de virar as costas, de ignorar um animal simplesmente por ser humana. Os trato com respeito e amor. Animais tem sentimentos, se alegram, se entristecem. Sentem fome, frio, sede.

Eu tenho 04 gatos! Imagine o que eu ouvi!

Se as previsões se confirmassem meu filho teria inúmeras alergias, um gato já o teria esquartejado-o durante o sono. Minha barriga seria atacada, eu teria toxoplasmose.

E para resolver coisas que ainda NÃO aconteceram a solução seria doar os gatos assim que meu filho nascesse.

Eu cedi a pressão social? Aos olhares tortos e reprovadores?

NÃO!

Meus 04 filhos felinos ficaram onde devem estar: Na minha casa e no meu coração.

Durante a gestação eu não limpava o pipicat, meu marido fazia isso por mim. Fiz vários testes para a detecção da toxoplasmose e todos deram negativo. Seis anos de contato com gatos e eu estava saudável.

Meu parto foi domiciliar e um dos motivos foi poder passar o momento mais importante de minha vida ao lado dos meus gatos. Eles assistiram tudo. Assim que meu filho nasceu o Bituca veio conhecer. Uma hora depois todos estavam ali conhecendo o novo membro da família.

E depois, né?

Depois tudo fluiu naturalmente. Restringi acesso ao meu quarto durante a noite no primeiro mês e fui liberando aos pouquinhos no segundo. Mesmo tendo toda a atenção voltada para o meu filho, meu marido me ajudava a agradar nossos filhos peludos. Meu filho dormia e eu corria na varanda chamando os gatos para o solzinho e o cafuné.

O Álvaro foi adotado pelo Bituca, nosso gatinho preto. Ele é o guardião, faz círculos em volta do Álvaro quando algum desconhecido se aproxima. É super carinho e companheiro.

Toca o Álvaro com o maior cuidado, na pontinha das patas.

Eu supervisiono eles sempre. Tanto para que nenhum gato se acomode de forma a impossibilitar a movimentação e respiração do meu filho -não é por mal- gatos gostam de calor, ou do meu filho que agora descobriu que tem mão e tudo que passam por elas é apertado ou puxado, para não machucar nenhum gato.
De resto é só amor, o mais puro e sincero compartilhado. Vejo cenas que me fazem chorar de tanta emoção.

Se abram e vejam que linda a interação entre um bebê e um humano.

É um presente que uma sociedade fria e higienista tirou de nós.