Meu parto, a dor e eu – Milene Fonseca

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Finalizando as postagens dessa semana com o relato de Milene Fonseca!.

A percepção de dor dela foi bem diferente dos relatos que tivemos. Uma boa equipe, uma doula que esteja conectada com a mulher fazem toda a diferença.

A dor é real, é forte e ter uma boa assistência serve como luz para uma estrada que você mulher irá trilhar. Além da questão técnica optar por profissionais com afinidade energética é fundamental para a entrega e confiança.

“A percepção da dor foi terrível, muito mais intensa do que eu imaginava, isso porque sou bem resistente a dor. Nunca tomo remédio para dor de cabeça, nem pra cólica.

As dores apertaram por volta da meia noite e se intensificaram muito durante o frio da noite.Eu percebi total ligação com o frio que eu sentia e a dor, não conseguia ficar debaixo do chuveiro e a água da piscina estava morna, precisava dela mais quente.

As massagens q minha doula faziam eram muito mecânicas e frias, então não ajudou. Ela não ensinou nada a meu marido, então ele só segurava minha mão…A forma mais clara que eu tenho da dor era uma vontade de rolar por cima daquela barriga, pra ver se diminuía a dor, ou então cortar a região (nessa hora já pedia cesárea, rs..). Não cheguei a sentir vontade de fazer força.”

Meu parto, a dor e eu – Danielle Brito

Relembrando o dia em que descobri uma força interna que jamais imaginei possuir.
Relembrando o dia em que descobri uma força interna que jamais imaginei possuir.

Hoje teremos duas contribuições sobre a percepção de dor no parto para encerrarmos os relatos desse mês. Continuo recebendo relatos de outras guerreiras que serão postados posteriormente para po encorajamento de outras mulheres.

O relato da Danielle é um lição de garra! É rico pois ele se iniciou em casa num parto domiciliar planejado e finalizou no hospital para onde foi transferida.

“O que eu mais amei em meu parto foi que não senti raiva da dor em momento algum, pois eu sabia que aquela dor era necessária para trazer meu filho, era por um bom motivo, era pra dar vida! Apenas pedia para que fosse logo, isso sim foi difícil, claro!

Me alimentei pouco, ingeri pouco liquido, não tive vontade de fazer xixi nem coco (ou não me lembro) era difícil achar a posição confortável mas as que me senti melhor foi sentada na bola embaixo do chuveiro e de joelhos apoiada, mas essa não dava por muito tempo.

Tentei técnicas de respiração, me esquecia ás vezes de conversar com meu filho, mas a doula foi super importante principalmente nesses momentos. Medo, senti apenas na hora em que haviam passados 23 hrs de trabalho de parto totais, e meu filho ainda não estava nos meus braços, e eu recebia o alerta das parteiras, pois eu já estava exausta, por conta de não ter descansado desde o começo do trabalho de parto (as colicazinhas, que começaram perto das 04:00 do dia 04) ate a hora que ele realmente nasceu (03:48 do dia 05).

Mas infelizmente o que desencadeou esse cansaço foi uma dor diferente, tive uma especie de câimbra na perna direita e estava na banqueta de parto e fiz uma força bem nessa hora, fisgou meu nervo ciático e minha perna direita simplesmente não funcionava mais, após isso toda força era em vão para ajudar o Bernardo descer, assim eu sentia apenas dor na perna que subia e multiplicava por todo o quadril.

A transferência foi necessária, após aplicação da analgesia, fiz apenas duas forças e ele nasceu”

Alívios não farmacológicos para a dor. Existem e funcionam!

Existe dor no parto?

Sim, existe. Contrações doem, mas entendam que dor não é sofrimento e que tampouco essa dor necessariamente precisa ser aliviada farmacologicamente. Existem outros métodos para alívio da dor, pouco divulgados, afinal é tão prático ir até a farmácia e voltar com a bolsa cheia de cartelas, não é?

Dentro daquelas cápsulas não temos um pó mágico e inofensivo do Harry Potter. Temos substâncias químicas, que causam efeitos colaterais e que muitas vezes mascaram os sintomas e não tratam a causa.

Adianta se entupir de dipirona se a causa da sua dor de cabeça é devido à tensão emocional? Vai passar momentaneamente, mas enquanto o nó não for desfeito no seu coração e mente a dor sempre estará presente.

A dor varia conforme a percepção de cada um. É notório que as mulheres que de fato sofreram com a dor do parto -notem que dor não é sofrimento- foram as que estavam mais vulneráveis. Sozinhas, acuadas, vítimas de comandos verbais agressivos e violência obstétrica.

Elas podem não associar, mas a dor foi potencializada pela má assistência, pelo desamor. Se não estivessem em trabalho de parto, se não sentissem as contrações e fossem vítimas de agressividade, se vissem vulneráveis a dor existiria da mesma forma.

A doula no trabalho de parto tem uma gama de opções para alívio não farmacológico. Além do amor, cuidado e carinho conto com óleos essênciais. Aromaterapia me encanta! Existem colares aromáticos, no pós parto usá-los com o óleo essencial de tangerina é extremamente restaurador. É possível fazer o alinhamento dos chackras também.

Que doula não carrega em sua mala lavanda e sálvia? É lei! Funciona!

Funciona porque o aroma atua direto no nosso sistema límbico. No meu trabalho de parto quando massagens e palavras não foram suficientes, já na transição a lavanda colocada pela minha parteira entre meus olhos me acalmou instantaneamente. Me trouxe o chão, a paz, a calma.

Fiquei quase uma hora na piscina, no escuro da minha sala iluminada a luz de velas descansando entre as contrações.

Água fornece um poderoso alívio, sentia a dor ser retirada com a mão quando a água quente acolhia minha barriga.

Na minha malinha de doula tenho alguns recursos legais como lâmpadas coloridas. Uma azul e outra verde. Vocês sabem como a cromoterapia atua no nosso organismo?

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Vou transcrever abaixo um artigo que fala sobre ela.

“A Cromoterapia usa a cor para estabelecer o equilíbrio e a harmonia do corpo, da mente e das emoções, restabelecendo o equilíbrio das energias da cor no interior do corpo. As cores podem ser utilizadas com eficiência por todos, em casa, como complemento do tratamento dado pelo médico ou, simplesmente, como uma forma preventiva.”

2) Ela alivia que tipo de problema?

A Cromoterapia alivia problemas físicos, psíquicos e emocionais.

3) Esse tipo de tratamento tem comprovação científica de eficácia?

A Cromoterapia possui comprovações científicas, mostradas em estudos sobre a sua utilização em ambientes de trabalho e desequilíbrios físicos, psíquicos e emocionais.

4) Qual a origem da cromoterapia?

A Cromoterapia vem sendo utilizada pelo homem desde as antigas civilizações. Os egípcios adotaram o poder de cura do sol e construíram templos adornados de cores e luz para os doentes. A Índia e a China também relacionavam a cura pelas cores com a mitologia e a astrologia.

Sobre as cores azul e verde:

Verde: indicado para aliviar dores de cabeça e gripe, nos problemas sanguíneos, feridas e infecções, para recuperar as áreas ósseas e ajuda nos problemas emocionais.

Azul: é um estabilizador e desacelera o organismo, servindo para combater as doenças infecciosas quando promove elevação da temperatura. Possui grande propriedade antisséptica, é analgésico, antitérmico e calmante, traz a harmonia e equilibra energias do corpo.

Fora as cores, claro, óleos essenciais e bolsas térmicas!

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Bolsa térmica + cinto

Na minha gestação especialmente a partir do segundo trimestre sentia muita dor na região sacral. A bola de pilates aliviava, mas as bolsas térmicas associadas faziam milagre. Mas como manter a bolsa nas costas?

Bolsa térmica presa com o cinto. Alivia a dor sem restringir movimentos.
Bolsa térmica presa com o cinto.

Deitada de bruços com a barriga imensa? Como manter a bolsa quando eu estivesse na bola?

Eu tentava prender no cós das roupas, mas nem preciso falar que não funcionavam. A solução veio no meu parto, quando minha doula Gisele trouxe este “cinto”. É só colocar a bolsa e amarrar.

Mais um item para o meu kit doula. Cinto pra bolsinha, florido, cheiroso e cheio das melhores intenções e energias.

Agora me digam, ciência e amor de mãos dadas. Tem como não funcionar?

P.S: Nasceu a dor acaba como num passe de mágica. Pode abaixar, segurar o bebê, espirrar, tossir. Sem dor, sem remédios no pós parto.Vida que segue.