EPI-NO: Tudo o que você precisa saber!

Quem é gestante e deseja um parto normal, certamente já ouviu comentários do tipo:

-Parto normal acaba com a mulher. Você vai ficar larga!

-Eles rasgam tudo, se eu fosse você não arriscaria.

Eu ouvi muitos desses comentários. Disseram inclusive que meu casamento iria acabar depois do parto. O que eu não compreendia é porque isso poderia acontecer já que eu sabia que a vagina é elástica.

A vagina ser elástica lhe dá a propriedade de se distender (esticar) e voltar a sua forma original. Ela é composta por músculos que nós mulheres não fomos incentivadas culturalmente a conhecer.

É chocante constatar que mulheres mais velhas, com muitos filhos acreditam que urina e menstruação saem pelo mesmo lugar. Existe muito desconhecimento anatômico e uma série de inverdades perpetuadas e transmitidas por anos.

Não pactuem com isso. Estudem, se informem como eu fiz. Meu filho nasceu com 4.230kg de parto natural e eu não tive laceração. Três meses depois minha força muscular estava exatamente como era antes do parto.

Como explicar? Foi “sorte”? Existe algo que vocês que desejam parir naturalmente possam fazer durante a gestação para fortalecer a musculatura do assoalho pélvico? O que realmente funciona? O que é baseado em evidências? O que é EPI NO?

São muitas questões. Primeiro vamos conhecer um pouco a anatomia de nosso corpo.

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A vagina é um canal do órgão sexual feminino dos mamíferos, parte do aparelho reprodutor, que se estende do colo do útero à vulva, dirigido de cima abaixo e de trás para frente. A cada lado da abertura externa da vagina humana há duas glândulas de meio milímetro, chamadas Glândulas de Bartholin, secretoras de um muco lubrificante na copulação.

Sendo ela um canal, ela tem começo, meio e fim. Não é um desfiladeiro onde o bebê passa e se perde.

Assim é nosso canal, um espaço virtual feito de músculos que   precisam ser trabalhados durante toda a vida.

Quando você malha certinho, seus músculos não respondem ao estímulo ficando mais fortes e enrijecidos?

Com a vagina é a mesma coisa, inclusive se distendendo não somente durante o parto, mas quando a mulher está excitada e durante as relações sexuais.

 

Como o EPI-NO pode me ajudar?

 

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Primeiramente o que é EPI-NO? Quando ouvi o nome deste aparelho pela primeira vez fiquei surpresa. Nunca havia ouvido falar dele! Uma amiga me contou que sua doula iria em sua casa orientá-la quanto ao uso.

Curiosa eu queria saber se doía, se tinha algum risco e o que eu ouvi foi que a sensação era realmente diferente de tudo que ela havia sentido. Não incomodava mas era tudo novidade!

A partir da 34 semana eu estava liberada para usar o aparelho e assim o fiz. Sem grandes expectativas em relação à laceração pois tinha ciência de que não há evidências científicas acerca da prevenção efetiva, porém quando falamos de consciência corporal seus benefícios são incontestáveis. Realmente no momento do expulsivo quando meu filho nasceu a sensação foi idêntica.

O aparelho consiste em um balão de silicone ligado a um medidor de pressão, através de um tubo de   silicone com bomba em elastômetro termoplástico e válvula de liberação de ar.

O uso se inicia três semanas antes da data provável de parto e pode se estender até três semanas após o parto.

Seu uso não pode desencadear um parto prematuro, fiquem tranquilas. Ele pode ser usado 1-2 vezes por dia ou mais vezes em mini sessões. Todas essas informações podem ser obtidas através de um atendimento com a profissional que faz a locação do aparelho.

O EPI-NO vai alongar a musculatura perineal e vai  simular o expulsivo, o que somente a massagem perineal não proporciona, o que não impede que ambos sejam realizados.

A parte da mensagem técnica sobre o EPI-NO gostaria de ressaltar que seu uso é um momento de intimidade máxima e ligação com o próprio corpo. Muitas mulheres passaram toda uma vida sem se tocar, sem se conhecer e tem a oportunidade de estarem consigo, sentindo seu corpo, se conectando com seu bebê.

Abaixo, meu depoimento. Como mulher, ciente de que teria um filho grande que com 37 semanas já pesava 3.800kg.

Meu relato:

“Desde que me vi grávida meu desejo era parir naturalmente. E desde que expus esse desejo ouvi muitas mulheres se posicionarem contra dizendo que um parto normal acabaria com minha vagina. Até mesmo com meu casamento.

Não me deixei abalar pois sabia das características anatômicas da vagina. Ela é elástica e sempre tive intimidade com meu corpo. Não fiquei amedrontada mas sabia que determinadas ações podiam trazer mais conhecimento e preparo para meu parto.

O uso isolado do EPI-NO e da massagem perineal podem não ser tão relevantes se a fisiologia do parto não for respeitada.

Um parir verticalizado, sem intervenções, sem Kristeller (manobra onde profissionais sobem na barriga da gestante e empurram o bebê), sem ocitocina (aumenta as contrações artificialmente deixando muito intensas) colabora para a integridade do assoalho pélvico. Temos outros fatores também como a velocidade do expulsivo, puxos dirigidos, enfim. É todo um conjunto que deve ser respeitado.

Com meu EPI-NO em mãos, decidi conversar com ele e comigo mesma antes do uso. Comigo para me liberar, me entregar e confiar.

Visualizei meu canal vaginal como um caminho florido,  que meu filho percorreria até chegar aos meus braços. Estar relaxada e centrada em si neste momento é essencial, pois a tensão contrai os músculos podendo

tornar a experiência diferente do que deve ser.

No parto a lógica é a mesma. Entrega e relaxamento.

Inseri o balão, estava no meu quarto, a luz de velas, com minhas músicas, incenso e sozinha. Diferente da massagem perineal que eu fazia em companhia do meu marido e ele na maior parte das vezes é que fazia comigo, com o EPI-NO optei pelo isolamento. E deu certo! Me acostumei com as sensações novas.

Afirmar 100% que a ausência de laceração se deu devido ao uso do EPI-NO seria imprudente. Meu parto foi totalmente natural, verticalizado, com zero de intervenções. Mas não posso deixar de lado também todo o tempo que voltei meus olhos ao meu assoalho pélvico através das massagens e das sessões com o EPI-NO. Todo dia tinha o meu momento de entrega de corpo e alma.

Eu pari de cócoras, fazendo força com o puxos. Foram três apenas e meu filho nasceu com 4.230kg, 54cm e eu não tive laceração nenhuma. Períneo íntegro.

Como elemento guia de consciência corporal foi fantástico! Realmente o expulsivo simulado nas sessões foi idêntico. Não me assustei com a coroação, com o círculo de fogo.

Como doula disponibilizo o aparelho para as mulheres que acompanho e para aquelas que possuam interesse em usá-lo de maneira independente.

Faço o atendimento esclarecendo todas as dúvidas, relato minha experiência e de outras mulheres que o usaram e de maneira geral sua aceitação tem sido excelente e os feedbacks sempre positivos.”

Bom encontro consigo mulheres! Mergulhem em seus corpos, consciência corporal é um presente em nossas vidas.

Com informação o medo se dissipa. Falsas verdades reproduzidas há tempos não nos aterrorizam pois passamos a ter um olhar crítico sobre o que chega a nós. Tomamos consciência do valor de uma boa assistência, de um parir livre de intervenções e verticalizado.

E o despertar de uma mulher, seu despertar pode mudar toda uma vida.

Permita-se.

 

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Relato de parto II – Vanessa Meyrelles

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Relato de parto fresquinho, com a visão que tenho hoje do meu parto.

Que muitas mulheres se inspirem, se entreguem a ser mar revolto que é parir.

Oito meses depois decidi escrever um relato de parto com a visão que tenho hoje do que foi o meu parto. Com menos romantizações e mais objetividade.

Meu trabalho de parto começou numa quinta embora eu estivesse tendo pródromos há quase 10 dias. Estava totalmente desencanada com pós datismo, tocava a minha vida normalmente, embora fisicamente não conseguisse sair de casa há três dias.

Na madrugada que antecedeu o parto senti contrações fortíssimas, minha gata estava sempre ao meu lado. Senti um prenuncio. Não havia sentido até então nada parecido.

A dor? Uma dor de barriga bem intensa, aquela que faz a gente se curvar e perder o ar. Foi uma madrugada que eu não consegui dormir bem.

Pela manhã não sentia mais nada. Marido foi trabalhar em outra cidade sem o carro, eu tinha cabelo e unha marcados no dia e tinha certeza que iria fazer.
Minha doula veio em casa pela manhã, conversamos, inflou a piscina e foi embora. Good vibes total, eu estava ali, com o controle de tudo. Iria ajeitar a casa, almoçar e partir pro salão.

Lembro que as contrações começaram a vir mais vezes. Desritmadas, mas estavam mais intensas. A cada uma delas eu me curvava. Não contei os intervalos, apenas sentei e sentia cada uma delas. Como alguém que bebe um vinho sem pressa.

Nesse momento eu não conseguia pensar em futuro ou arquitetar coisas. Não ia ao cabeleireiro era o que eu sabia. As contrações devolveram a minha centralidade, sequer avisei as doulas sobre o que sentia.

Minha mãe veio em casa, assistiu um pedaço da novela, comemos um bolinho e ficou assustada com a intensidade das dores. Disse para eu avisar a doula e saiu para resolver um problema sério de vazamento na casa dela. Fiquei sozinha que nem bicho no meu quarto. Do jeito que eu queria.

Já não conseguia raciocinar ou ter noção do tempo. Baixei um aplicativo e por ele via que elas estavam pegando ritmo. Ficaram mais e mais intensas, as horas passaram sem que eu me desse conta. Fui engolida pelas horas. Meu marido chegou e eu estava com as contrações bem ritmadas, vomitei. Nessa hora ele viu que realmente nosso filho viria e avisou a doula. Ele chegou 19:00 e as parteiras vieram logo em seguida as 20:40.

A fotógrafa mudou os planos do cinema e veio para casa, as doulas chegaram e eu já estava em outra dimensão, conseguia ver as pessoas, mas tudo era muito sutil. Comecei a ouvir minhas músicas, a noite caia e eu tinha ciência que o trabalho de parto tinha começado.

Lembro que minha mãe batia alguns talheres, esse barulho chegava de maneira insuportável até a mim, minha audição parecia ter ficado extremamente apurada. Eu ouvia tudo, sussurros, passos. A visão não existia mais, enxergava tudo em borrões.

Contrações muito doloridas, fui para o quarto com meu marido. Vomitei bastante, ficava com um baldinho e um tudo de água sanitária…rsrs…Não conseguia comer NADA. Não conseguia beber. Só queria a escuridão.

E foi na escuridão que fiquei com o Mário. Depois de um tempo as doulas entraram com suas mãos mágicas e preciosas. Suas vibes totalmente do bem iluminavam aquele mar revolto que eu atravessava. Falavam baixinho, anjos.
Por volta das 22:00 as parteiras chegaram e eu não tinha entrado na piscina. Sentia muita dor, e lembrem-se, dor não é sofrimento. A cada contração eu agradecia por estar em casa, no meu quarto, usando meu banheiro, com meus gatos, ouvindo minhas músicas. Aguentaria tudo para não ir para um hospital, ali estava na minha toca, feliz, sabendo que a vinda do meu filho se aproximava.

Pedi toque para as parteiras. Perguntaram se eu tinha certeza e eu disse que sim. Sentia meu corpo abrir, sabia que estava muito perto e queria água, piscina para aliviar.

Oito centímetros e colo fino! Nem acreditei! Não senti dor no toque, tudo foi feito com muito respeito, sai exultante, comemorei. Até essa parte estava consciente.
A partir dai as contrações se intensificaram. Bem fortes, mas a água tirava a dor com a mão. Ouvia minhas músicas, estava na sala, tudo a luz de velas. Silêncio. Não sentia ninguém ao meu redor.

Era outro mundo. Um mundo que a dor me mostrou. Um mundo aqui e agora, sem pensamentos invasores, sem racionalização. Mergulhei num sentir sem fim.
A dor aumentou muito, muito, muito. Vi a Ana chegando de canto de olho e pensei: Estou perto, falta pouco. Em nenhum momento pensei em desistir. Em nenhum momento pedi por uma cirurgia, por anestesia. Não vocalizei, no final urrei 04 vezes, do fundo da alma.

Na minha mente não existia a opção analgesia, hospital, transferência ou sair de casa. Eu ia conseguir.

Exigi muito fisicamente das doulas. Meu marido ficou me massageando com toda a força, eu precisava de força, eram três pessoas com suas mãos mágicas me guiando.

Não li nenhum livro, eu confiei no meu corpo e vi que parir é como respirar. Não se preocupem em tentar saber como serão as contrações de verdade ou o trabalho de parto, na hora vocês vão saber. Parir está gravado em nossa alma, nossa ancestralidade é feita de parir.

A transição foi bem difícil, sem o apoio do marido, equipe e doulas eu teria pirado, porque a gente pira mesmo. Lavanda trouxe minha paz, cheirinho de café também.

Na piscina senti um puxo. Respirei e não fiz força com ele. Puxo é uma força que age sozinha e é irresistível. E posso confessar? A parte mais prazerosa pra mim no parto foi me render aos puxos!

Eu sai da piscina e senti outro puxo e me rendi. Dane-se laceração, meu filho dizia que precisava vir. Ouvi a voz dele e o ajudei.

Fiz três forças com os puxos e ele nasceu. Primeiro cabeça, depois ombros e corpo todo. Escorregou. Sentir seu corpinho saindo foi transcendental. Não pari apenas um bebê, pari sentimentos, mágoas, angústias, vitória.

Foram 05 minutos de expulsivo que finalizei na banqueta.

Fiquei loucaça no expulsivo, queria que as parteiras tirassem ele logo e acabou, mas 04 minutos depois ele estava em meu colo.

Morno, escorregadio. Lembro que falei: -Ai meu bebezinho! Levantei da banqueta e fui pro meu quarto. Queria minha cama, minha toca e meu filho. Não sei de onde tirei forças para isso.

Bebê nasceu, fim das dores. Ocitocina a milhão, felicidade absurda, sentimento indescritível de vitória. A gente esquece de todas as dores e se sente poderosa.
Eu pari, 4.230kg, 54cm, períneo íntegro. Eu pari meus medos, eu pari em casa, eu consegui. Foi uma vitória pessoal, vitória contra um sistema cruel e a morte da menina para o renascimento da mulher.

Minha vida mudou completamente, mas bem, isso é relato pra outro capítulo.
Meu conselho mulheres: Lutem pelo seu parto, se conectem com si no parto. Desencanem da louça, do cachorro. Abstraiam, mergulhem em si mesmas.

É incrível, indescritível e transformador.

Relato de Parto Vanessa Meyrelles

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Esse é meu relato de parto, escrevi apenas 02 meses depois de parida. Está mais detalhado e mais romantizado.

Nossa percepção muda absurdamente com o passar do tempo, por isso recomendo que escrevam o quanto antes puderem. Ouvi muito da equipe, do marido porque eu não me lembrava de quase nada, eram sensações apenas.

Mergulhem nesse dia comigo!

Meu relato de parto não começa com as contrações, mas sim quando descobri que estava grávida.
Decidimos depois de 11 anos juntos receber nosso filho. Vida mais tranquila, sonhos realizados, chegava a hora da doação. Tanta felicidade em nossa vida não teria sentido se não fosse compartilhada.
Durante esses 11 anos jamais me vi mãe, ninguém compreendia o motivo de eu não engravidar, mas simplesmente não era meu tempo. Por conta disso eu não sabia nada sobre gestação e muito menos sobre parir.
E de repente palavras como puerpério, períneo, contração, violência obstétrica e tantas outras feias e bonitas, com os mais diversos significados se incorporaram a nossa rotina.
Desde de que vi a faixa azul do teste de farmácia ficar mais forte e comprovei pelo beta a gestação, estava decidida a conduzir todo aquele processo da forma mais amorosa e carinhosa possível. Ficamos radiantes com a novidade!
Foi quando a ficha caiu. Descobrimos que a mulher é tratada de maneira desumana e desrespeitosa nos hospitais. Não tem autonomia sobre seu corpo. Terceiros decidem se podem mutilar seu órgão ou extrair seu bebê. Vimos que existe uma indústria do nascimento, onde o nascer fica condicionado a interesses de terceiros. E decidimos buscar uma alternativa.
Foi nesse momento que descobrimos o universo da humanização, nos informamos e optamos por receber nosso filho em casa. Eu estava disposta a enfrentar toda a dor do mundo, pelo meu filho.
Meu marido engravidou comigo. Ia a todas as consultas, sabia de tudo. Nos tornamos um só corpo, uma só alma.
A dor física era irrelevante perto da dor na alma que eu sentiria parindo num hospital de forma desrespeitosa e violenta.
Quando acertamos com a equipe de parteiras uma nuvem de paz pairou sobre nós. Neste caminho tivemos a presença FUNDAMENTAL da Evelyn Amorim que pariu em casa e com todo o carinho do mundo mostrou que nossos sonhos podem se realizar.
Nos acolheu em sua casa, me muniu de informações, vimos o vídeo do nascimento de sua filha. Tudo isso contribuiu para que nossa decisão se fortalecesse ainda mais.
Cada vez que alguém se aproximava de mim e dizia que eu ficaria “larga”, que meu filho teria anóxia, que eu era louca, eu via a família da Evelyn, sua filha saudável e linda e acreditava que sim:
Parir é possível! Parir é divino!
Mesmo com tudo isso não me sentia fortalecida suficientemente. Foi quando tive um sonho lúcido. Eu estava numa reunião com gestantes, num lugar maravilhoso em meio a natureza. No final a orientadora me chama e diz que está tudo certo no astral, que eu preciso apenas confiar em mim e no meu corpo que tudo daria certo.
Depois desse sonho nada mais me fez desistir da idéia de fazer um parto domiciliar. Fiz as pazes com a possibilidade da morte, porque sim, parto é vida e morte, vidro e corte. Decidi pautar minha decisão pelo amor e não pelo medo.
Assim mergulhei no sagrado feminino. Com os conhecimentos que adquiri me conectei com a mulher ancestral dentro de mim, a que vive escondida. A mulher ancestral é parideira, benzedeira, forte e acolhedora. E era ela que seria a protagonista do meu parto.
Durante a gestação mergulhei fundo no meu corpo. Me mantive ativa, a mente com pensamentos positivos. Foquei mais na parte espiritual. Pedia muito para a espiritualidade me conceder um parto respeitoso.
Também no tempo certo usei o Epi-no e fiz as massagens perineais.
Dia 29/01/2015 minha madrugada foi diferente. Intuitivamente eu sabia que a hora do Álvaro estava chegando.
Nesta semana arrumei a casa, fizemos umas compras, mas já notava que meu corpo pedia descanso. Não conseguia mais dirigir, até namorar estava complicado porque as contrações de treinamento estavam mais frequentes e doloridas, porém sem ritmo.
A necessidade de recolhimento estava cada vez mais forte.
Embora eu tivesse plena consciência de que a gestação pode chegar nas 42 semanas, sabia que eu receberia o Álvaro entre 39 e 40 semanas lunares. Meu ciclo era super regulado e nós sabíamos certinho o dia da concepção.
Não me apeguei a números, era apenas sinais que apoiavam o que eu já intuía.
No dia 28/01 as contrações estavam doloridas. Pedi que minha mãe ficasse comigo. Ela veio, passamos a tarde assistindo novela e comendo bolo. Fiz algumas coisas em casa, mas já me curvava quando as contrações apareciam.
Com o fim da tarde ela desapareciam e na madrugada retornavam com força total. A madrugada do dia 29 foi punk. Contrações fortes que me deixavam nauseada. Eu sou super resistente a dor. Não vomitava há anos. Para eu sentir náusea já via que de fato a contração era bem forte. Por conta da minha resistência a dor fico sem parâmetro para comparar se elas estão fortes ou não.
Neste dia 29 eu marquei cabelo e unha. Por conta disso meu marido foi trabalhar sem carro. O combinado era que ele ficaria com o carro durante a semana caso o trabalho de parto engrenasse e ele pudesse voltar a tempo do trabalho.
Mas eu não fui ai salão, claro. As contrações começaram a ritmar. Minha mãe veio em casa e disse que eu iria parir, que aquelas contrações não eram só de treinamento.
Baixei um programa um dia antes e fui checando o ritmo delas. Começaram de 12min em 12min com duração de uns 40 min.
Neste mesmo dia a Gisele uma de minhas doulas veio em casa de manhã. Conversamos, ela montou a piscina, foi embora e eu segui meu dia com limitações, mas sem sofrer em nenhum momento.
De manhã falei com a fotógrafa, ela intuía que eu ia parir logo. Eu também, mas nunca imaginei que naqueles momentos eu já estivesse a caminho do encontro com meu filho.
A tarde decidi ficar na cama. A casa estava arrumada e eu precisa relaxar. Mas tive que ficar de olho nos contrações, porque de 12min em 12min elas caíram para 10min em 10min e cada vez mais fortes.
Lembrando que dor não é sofrimento. Fiquei com meus gatos, recebendo as contrações e esperando meu marido chegar. Até ai eu estava nesse mundo, nesse planeta. A partir das 19:00 eu comecei a sair de mim.
E foi ai que elas começaram a ritmar bem. O intervalo entre elas estava de 8min e a duração maior.
Meu marido chegou e foi recebido com uma contração master. Foi ai que eu vomitei, mas mesmo nesse estágio ainda conseguia pedir um balde e ficava com ele pertinho de mim.
Vomitei seis vezes.
Neste ínterim as doulas maravilhosas chegaram em casa. A Gisele e a Evelyn foram meus anjos, nesse estágio eu já estava com os reflexos comprometidos, conseguia ouvir suas vozes, mas já tinha muita dificuldade para falar.
A piscina começou a ser enchida. E as dores aumentavam exponencialmente. Mas eu levava numa boa. Preferia todas elas a ter que sentir o cheiro de hospital. A ter de ser tocada como um saco de carne por estranhos com outras preocupações ali que não fossem eu e meu filho. Qualquer dor física supera a dor na alma.
Inclusive um trato que fizemos, eu e meu marido foi de que eu não seria transferida em hipótese alguma para receber analgesia. Ele poderia me amarrar, eu poderia implorar, mas não sairia de casa para isso. Ele concordou.

O manejo do trabalho de parto foi sensacional. A noite caia e as luzes amarelas de casa me acolhiam. Pedi para desligar tudo.
Como moro em apartamento algumas coisas começaram a me irritar muito. O barulho das louças batendo na cozinha chegavam a mim como uma bateria de escola de samba. A piscina sendo enchida, o Mário com um passa passa de balde também me irritou demais, então dei tchau galera e fui pro meu quarto.
Eu e meu marido.
Fechei a porta e ficamos lá, não sei por quanto tempo. Ai eu me recuperei. Tudo escuro, tranquilo eu consegui me conectar comigo mesma.
Foi quando as dores que para mim iam numa escala de 0 a 10 chegaram a 20. Ganhei muita massagem neste período, era seis mãos em mim, o que foi fundamental. Palavras carinhosas da Gisele, da Evelyn me fizeram seguir meu caminho.
Mas foi nas mãos do meu marido, com sua força que eu sentia toda a energia. Sentia todo seu amor, toda nossa história. Era como se nossa alma se conectasse sem palavras. Apenas com o toque das mãos.
As dores se intensificaram bastante. Foi quando as parteiras lindas e amadas chegaram. Eu já sabia que estava próximo.
Com a consciência corporal adquirida com o uso religioso do Epi No e das massagens perineais sabia que algo estava diferente. Parecia que eu estava abrindo e era ósseo, muito diferente a sensação.
Nesse momento senti uma pressão e fui ao banheiro, achei que iria evacuar, mas minha bolsa rompeu. Vi meu tampão mucoso, a Fernanda veio e confirmou o rompimento da bolsa.
Eu pedi então que ela fizesse o toque. Ela perguntou se eu queria saber a dilatação e eu disse que sim.
Foi quando ela disse que eu estava com 08cm e colo fino!
Levantei RADIANTE e fomos para a sala contar a notícia! Super comemoração! Aguentei até 08 cm firme, finalmente entraria na piscina.
A piscina já estava quase cheia mas a água tinha esfriado. Foi então que o excesso foi tirado e as meninas lindezas da minha vida repunham com água quente.
Ali senti um alívio imenso mas gostaria que a água cobrisse minha barriga. Não me esqueço da Olívia com uma jarra jogando água continuamente nela, isso me aliviou muito, porém eu não achava posição confortável nela. Ficava de lado, tinha a impressão que se eu sentasse iria esmagar a cabeça do meu filho.
E ai o trabalho prosseguiu. Sei que ganhei sorvete, chocolate, suco de maçã, salada de frutas. Não sei a ordem dos fatos mas não me faltou apoio em nenhum momento. As doulas e meu marido foram fundamentais para trilhar este caminho. Fazendo uma analogia eles seriam como calçados. Eu percorro o caminho, mas com o melhor calçado tudo fica melhor e mais prazeroso.
Em dado momento comecei a sentir as contrações muito doloridas. Já estava com a consciência alterada, recordo de ter urrado três vezes, como nunca fiz na vida e nem sei se faria.
Urrado. Não foi gritinho, foram urros guturais, do fundo da alma. Achei que eu fosse despedaçar, aquela foi minha hora da covardia, mas ali vi meu corpo se abrindo e quando a gente acha que não vai mais suportar, o nascimento acontece.
Eu sai da piscina, me contorci brutalmente com essa dor, foram três pessoas me segurando…Quando ela passou.
Não sei se antes ou depois eu senti a cabecinha do Álvaro. Senti seus cabelinhos e me emocionei demais. E ali decidi comigo mesma que nada faria eu desistir.
Eu sei que a Gisele apareceu na frente da piscina para fazermos um rebozo. A Fernanda tinha feito o toque eu eu saquei…o Álvaro está encaixado, já sabíamos, mas não deve ter girado legal. Eu já tinha relaxado por uma hora na piscina, vi pelo CD que tinha acabado. A nossa hora havia chegado.
Na piscina eu senti dois puxos, respirei e não fiz força junto. Mas não impedi. Senti eles virem e irem embora como ondas.
Até então não havia feito força nenhuma vez. Eu não queria laceração e sabia que fazer força fora dos puxos era besteira. Também não me desesperei, sabia que o Álvaro tinha seu tempo para vir e que não adiantava eu forçar.
Enfim, durante o rebozo recebi uma comunicação espiritual. Aquela era minha hora de aproveitar a onda (puxos). Ele estava perto, bastava eu agir.
A Gisele terminou e eu ajoelhei e abracei meu marido que estava no sofá. Fechei os olhos e me permiti. Quanto mais relaxada estivesse mais fácil seria o expulsivo e menos probabilidade de laceração eu teria.
Tudo isso ali na minha cabeça, podia estar mais louca que o Batman mas meus movimentos eram friamente calculados rs.
Ajoelhada (pobres joelhos) eu senti um puxo e fiz força. Foi quando eu senti ele escorregar no canal vaginal. Senti o círculo de fogo igualzinho no Epi-no! Verbalizei isso!
Enfim, ele estava ali!
Nessa hora a Fernanda me contou que eu pedi (gritei) para tirá-lo e ela disse para eu aguardar a próxima contração.
Ela veio forte. Aproveitei e fiz mais uma força, o pescoço saiu. Mas até então eu tinha voado para a cadeirinha de cócoras para verticalizar mais. E veio outra, fiz outra força e o Álvaro nasceu!
As 02:27 meu filho reencarnou. A Fernanda segurou ele e eu como um bicho doido pra pegar a cria tomei dela, abracei meu filho cheiroso, levantei sozinha e fui pro quarto.
Agora de onde eu tirei força pra tudo isso eu não sei! Foi mágico!
No expulsivo eu me vi num azul profundo, com um jato de luz azul mais claro sobre mim. Me senti no meio do Universo, foi a melhor viagem da minha vida!
Acredito que não conseguiria num ambiente hospitalar. Aqui em casa sutilezas me fortaleciam. Poder usar meu banheiro, sentir a textura conhecida da roupa de cama, os cheiros. Vozes e olhos amigos, meus quatro gatos rodeando…E o cheirinho de café sendo passado pela minha mãe. Não tomo café, mas quando senti aquele cheiro fui pra minha infância, pro mato, pra um monte de lugar.
Inesquecível.

Mulheres, confiem em sua intuição, cerquem-se de uma equipe excelente como eu fiz. Além de procurar pessoas competentes, me vinculei a eles. Porque parto é entrega. Parto traz a tona uma mulher selvagem que muita gente nem imagina existir. Essa mulher chora, grita, urra, vomita, morde. Ela é guerreira, leoa, lutadora. Faz tudo pela cria. Confiem nela.
Se libertem de travas mentais, não acolham histórias alheias da prima da vizinha. Aceitem qualquer desfecho, seja ele qual for. Sejam gratas. O Universo se encarregara do resto.
Outra coisa, na medida do possível cooperem com a equipe. Chega uma hora que é difícil falar, mas dizer onde prefere a massagem, que tipo de bebida querem, qual posição ajuda muito. Isso se chama sintonia.
Para finalizar, para cutucar o sistema que tanto nos amedronta, eu PARI, um bebezão de 4.230kg. Com períneo íntegro, sem laceração nenhuma!
Parir é divino, não permitem que ninguém roubem isso de vocês.

Plano de Parto – Tudo o que você precisa saber!

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Plano de Parto.

Quando ouvi essas três palavrinhas pela primeira vez na minha gestação arrepiei. Na época as gestantes de minha cidade entregavam planos de parto nos hospitais, protocolavam. E eu ai, sem saber nem por onde começar.

Plano de Parto era definitivamente uma novidade na minha vida e acredito que na de vocês.

Hoje existe uma atenção muito grande voltada a elaboração de planos de parto.

Se você conta com uma doula, certifique-se de que ela irá orientá-la na elaboração do mesmo. Senão, sigam as dicas que deixarei aqui de forma clara.

Plano de Parto não é um bicho de sete cabeças para ser criado. Não é um TCC ou uma tese que precisa ser defendida em alemão.

Sua confecção não demanda muito tempo. Eu fiz meu plano de parto em 40 minutos depois que compreendi qual sua função e seu mecanismo de empoderamento.

Plano de Parto nada mais é que uma carta, onde você gestante vai listar o que gostaria de ter ou não no seu parto. É um documento, uma forma de comunicar a equipe quais procedimentos você gostaria ou não que fossem realizados durante seu parto.

Algumas dicas se seguidas sistematicamente trarão um norte para vocês mulheres que ainda não possuem seu plano de parto.

  • Plano de parto deve ser feito tanto para parto domiciliar quanto para parto hospitalar.
  • Para quem optou pelo parto domiciliar a confecção dos dois deve ser feita pois em caso de transferência seus desejos se mantêm documentados.
  • Imprima duas vias. Uma fica com você e a outra vai para a instituição hospitalar e/ou equipe.
  • Nunca copie e cole um plano de parto, pois o mesmo é individual. No meu plano de parto domiciliar solicitei que todas da equipe ficassem descalças. E para você ai no frio do Sul do país? Minha necessidade é igual a sua? Temos as mesmas vontades?
  • Ligue para os hospitais que irá entregar e cheque horários de entrega e pessoa responsável pelo recebimento. Se entregar na secretaria peça que a funcionária assine e carimbe a via que ficará com você. Isso é o tal protocolo comprovando que você entregou o mesmo.
  • Aqui em Campinas os hospitais passaram a rejeitar a entrega antecipada do plano de parto. O mesmo é entregue no ato da internação e seus termos negociados com a equipe no momento. Se informe para não perder viagem.

Quando redigir seu plano, seja educada. Exponha seus desejos preferencialmente embasando-os com evidências científicas.

Ana Cristina Duarte disponibilizou um modelo de plano de parto no livro Parto Normal ou Cesárea – Tudo que a mulher precisa saber. O interessante é a ordem adotada para a exposição dos desejos, o que torna sua exposição clara e te dá a possibilidade de dividir as cartas, se assim desejar por deixar os cuidados com o bebê desmembrados.

Você pode acessar o modelo de parto dela aqui: Plano de Parto

A estrutura é:

TRABALHO DE PARTO -> PARTO -> APÓS O PARTO -> CUIDADOS COM O BEBÊ -> CASO A CESÁREA SEJA NECESSÁRIA.

Para fazer seu trabalho de parto você precisa estar informada. Sei de casos em que o hospital convocou a gestante para uma reunião e discutiu ponto a ponto das solicitações. E ai? Como você vai defender seus desejos se copiou de outras pessoas?

Como você vai solicitar a não tricotomia se por exemplo tem por hábito manter a região genital sem pêlos? E se você não souber o que essa palavra significa? E se você não compreender o motivo de uma negação a uma possível tricotomia?

Por este motivo ter uma doula conectada, disponível e informada para iluminar seu caminho é benéfico e aumenta sua segurança.

Decidi partilhar meu plano de parto com vocês. Meu parto foi domiciliar e eu redigi duas cartas. Uma para a equipe domiciliar e outro para o hospital. Os dois tiveram pedidos muito distintos e o hospitalar seguiu a estrutura do modelo do plano de parto da Ana Cristina Duarte com acréscimos meus.

PLANO DE PARTO DOMICILIAR

Olá! (nome da parteira)

Meu plano de parto já vive em minha mente e coração, agora chegou a hora de compartilhar com vocês meus desejos e anseios neste momento tão especial.

A estrutura dos desejos segue abaixo.

Trabalho de Parto

  • Gostaria que meus animais, meus irmãos de quatro patas, (Bituca, Clarice, Nina Simone e Léo) ficassem livres pela casa, me acompanhando neste momento sem nenhuma restrição. Todos são dóceis, castrados, vacinados e não tem acesso a rua. E sim, possuem a mesma importância de um filho.
  • Gostaria de me alimentar, de ingerir líquidos e de poder me movimentar livremente.
  • Quanto ao uso do celular, peço o uso do mesmo em caso de necessidade. Acredito que a energia, a conexão deste momento não devam ser interrompidos por estímulos externos.
  • Gostaria que respeitassem minhas músicas e minhas orações. Independente da crença dos membros da equipe, não gostaria de sentir nenhuma reprovação implícita.
  • Gostaria de ser informada sobre qualquer anormalidade que transcorra durante o Trabalho de Parto. Não gostaria de ser poupada de informação nenhuma, seja boa ou ruim.
  • Gostaria de manter a bolsa íntegra caso a mesma não esteja rompida.

 Parto:

  • Aceito sugestões, mas gostaria que a decisão final sobre posicionamento fosse decidida por mim intuitivamente durante o parto.
  • Não quero receber nenhuma informação externa. Seja reclamação de vizinhos, do síndico ou quem quer que seja. Por favor, ocultem tudo de negativo do mundo externo de mim. Quero viver essa experiência em sua integralidade sem interferências.
  • Televisão não será ligada em hipótese alguma.
  • Em caso de vocalizações mais altas, independente do horário não quero ser repreendida em nenhum momento.
  • Não gostaria que a palavra “força” fosse mencionada. Meu corpo a fará quando necessário.
  • Dispenso rompimento manual do períneo, tipo dar uma “esticada” com os dedos. Prefiro lacerações naturais a as mecânicas.
  • Gostaria que a iluminação fosse assim como a disposição de incensos e músicas fossem mantidas da forma que escolhi.
  • Após o nascimento quero ser a primeira pessoa a tocar no meu filho. Se for na água gostaria de decidir no momento qual a hora de retirá-lo de lá para trazê-lo aos meus braços. Sei que vou parir um homem e não um peixe abissal, mas neste momento quero o meu tempo, suave e sem pressa.
  • Gostaria que o pai cortasse o cordão após o mesmo ter parado de pulsar.
  • Como alternativa a transferência do domicilio para o hospital, caso a placenta não seja expulsa, aceito a administração de medicamentos e massagens.
  • Em caso de transferência não gostaria que vizinhos ou funcionários do prédio fossem informados sobre o motivo da mesma.

Cuidados com meu boneco

  • Dispenso a administração de nitrato de prata ou antibióticos oftálmicos. Meus exames estão todos perfeitos, sem infecção de qualquer espécie ou doenças venéreas.
  • Gostaríamos que fosse realizada a administração de vitamina K.
  • Quero fazer a amamentação sob livre demanda.
  • Gostaria de ser informada sobre qualquer intercorrência que venha a acontecer com o bebê, não importa o quão dolorida seja a informação no momento.
  • Em hipótese alguma, oferecer água glicosada, bicos ou qualquer outra coisa ao bebê.
  • Gostaria que a decisão de dar banho e quando dar banho fosse restrita a mim e ao meu marido.

Tudo o que escrevi aqui já está sacramentando por conversas e vi no coração de vocês todo o bem querer. Não poderia escolher equipe melhor para me ajudar nessa jornada, para conduzir meus passos, os primeiros nesse mundo de maternagem.

Que o dia, o céu, a lua e as estrelas que o Álvaro escolher para reencarnar seja tão especiais para vocês como será para mim.

Obrigada por todo o carinho e atenção.

Campinas, 24 de Janeiro de 2014

Assinatura (Mãe e Pai)

PARTO HOSPITALAR

Estamos cientes de que o parto pode tomar diferentes rumos por ser um evento fisiológico, porém não abrimos mão de que o amor e respeito estejam presentes neste momento tão único e especial para nós.

Abaixo listamos nossas preferências em relação ao nascimento de nosso bebê, caso tudo transcorra tranquilamente. Sempre que os planos não puderem ser seguidos, gostaríamos de ser previamente avisados e consultados a respeito das alternativas, antes das mesmas serem realizadas.

Nosso consentimento informado é essencial para cooperação e compreensão do que se passa neste período.

Trabalho de Parto

  • Presença do meu marido e doula.
  • Ser chamada pelo meu nome e não pelo número do quarto ou do leito.
  • Sem tricotomia (raspagem dos pelos pubianos) e enema (lavagem intestinal).
  • Sem perfusão contínua de soro e ou ocitocina
  • Liberdade para beber água e sucos enquanto seja tolerado.
  • Liberdade para caminhar e escolher a posição que quero ficar.
  • Liberdade para o uso do chuveiro.
  • Monitoramento fetal: apenas se for essencial, e não contínuo.
  • Analgesia: peço que não seja oferecido anestésicos ou analgésicos. Eu pedirei quando achar necessário.
  • Sem rompimento artificial de bolsa.

Parto

  • Prefiro ficar de cócoras ou semi-sentada (costas apoiadas).
  • Prefiro fazer força só durante as contrações, quando eu sentir vontade, ao invés de ser guiada. Gostaria de um ambiente especialmente calmo nesta hora.
  • Não vou tolerar que minha barriga seja empurrada para baixo.
  • Episiotomia: só se for realmente necessário. Não gostaria que fosse uma intervenção de rotina. E que fosse informada de sua real necessidade para ter a escolha de  aceitar ou não.
  • Gostaria que as luzes fossem apagadas (penumbra) e o ar condicionado desligado na hora do nascimento. Gostaria que meu bebe nascesse em ambiente calmo e silencioso.
  • Gostaria de ter meu bebe colocado imediatamente no meu colo após o partocom liberdade para amamentar.
  • Gostaria que o pai cortasse o cordão após o mesmo ter parado de pulsar.

Após o parto

  • Aguardar a expulsão espontânea da placenta, sem manobras, tração ou massagens. Se possível ter auxílio da amamentação.
  • Gostaria que minha placenta fosse armazenada e descartada por mim posteriormente onde eu julgar melhor.
  • Ter o bebê comigo o tempo todo enquanto eu estiver na sala de parto, mesmo para exames e avaliação.
  • Liberação para o apartamento o quanto antes com o bebê junto comigo. Quero estar ao seu lado nas primeiras horas de vida.
  • Alta hospitalar o quanto antes.

Cuidados com o bebê

  • Administração de nitrato de prata ou antibióticos oftálmicos apenas se necessário e somente após o contato comigo nas primeiras horas de vida.
  • Administração de vitamina K oral (nos comprometemos em dar continuidadenas doses).
  • Quero fazer a amamentação sob livre demanda.
  • Em hipótese alguma, oferecer água glicosada, bicos ou qualquer outra coisa ao bebê.
  • Alojamento conjunto o tempo todo. Pedirei para levar o bebê caso esteja muito cansada ou necessite de ajuda.
  • Gostaria de dar o banho no meu bebê e fazer as trocas (ou eu ou meu marido).

Caso a cesárea seja necessária

  • Exijo o início do trabalho de parto antes de se resolver pela cesárea.
  • Quero a presença da doula e de marido na sala de parto.
  • Anestesia: peridural, sem sedação em momento algum.
  • Na hora do nascimento gostaria que o campo fosse abaixado para que eu possa vê-lo nascer.
  •  Gostaria que as luzes e ruídos fossem reduzidas e o ar condicionado desligado.
  • Após o nascimento, gostaria que colocassem o bebê sobre meu peito e queminhas mãos estejam livres para segurá-lo.
  •  Gostaria de permanecer com o bebe no contato pele a pele enquanto estiver na sala de cirurgia sendo suturada.
  • Também gostaria de amamentar o bebê e ter alojamento conjunto o quanto antes.

Agradeço a equipe envolvida e a ajuda para tornar esse momento especial e tão importante para nós em um momento também feliz e tranqüilo como deve ser.

Muito obrigada,

Campinas, 24 de Janeiro de 2014

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Assinatura:  Mãe / Pai

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Assinatura do Médico Obstetra

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Assinatura do Pediatra

Com as mulheres que doulo indico o uso da ferramenta de gestão SWOT para análise de cenários. Seu uso é ligado a gestão empresarial, mas dada a sua simplicidade pode ser adaptada para outros cenários, incluindo a formulação de seu plano de parto.  É um ponto positivo de partida para a organização de idéias e medidas estratégicas.

As figuras abaixo ilustram como essa ferramenta pode ser útil na definição de estratégias.

Imagine o seguinte impasse: Você deseja um parto domiciliar, porém sua DPP cairá bem durante o Carnaval, época em que as ruas de seu bairro ficam interditadas.

Como traçar o Plano B em caso de remoção?

É ai que a ferramenta SWOT costuma ser extremamente útil para a resolução deste impasse.

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Matriz SWOT

Plano de parto é essencial.

Pensem com carinho, atenção e tenham informações claras ao redigirem o de vocês.

Nele seu desejos tomam forma!

Meu parto, a dor e eu – Danielle Brito

Relembrando o dia em que descobri uma força interna que jamais imaginei possuir.
Relembrando o dia em que descobri uma força interna que jamais imaginei possuir.

Hoje teremos duas contribuições sobre a percepção de dor no parto para encerrarmos os relatos desse mês. Continuo recebendo relatos de outras guerreiras que serão postados posteriormente para po encorajamento de outras mulheres.

O relato da Danielle é um lição de garra! É rico pois ele se iniciou em casa num parto domiciliar planejado e finalizou no hospital para onde foi transferida.

“O que eu mais amei em meu parto foi que não senti raiva da dor em momento algum, pois eu sabia que aquela dor era necessária para trazer meu filho, era por um bom motivo, era pra dar vida! Apenas pedia para que fosse logo, isso sim foi difícil, claro!

Me alimentei pouco, ingeri pouco liquido, não tive vontade de fazer xixi nem coco (ou não me lembro) era difícil achar a posição confortável mas as que me senti melhor foi sentada na bola embaixo do chuveiro e de joelhos apoiada, mas essa não dava por muito tempo.

Tentei técnicas de respiração, me esquecia ás vezes de conversar com meu filho, mas a doula foi super importante principalmente nesses momentos. Medo, senti apenas na hora em que haviam passados 23 hrs de trabalho de parto totais, e meu filho ainda não estava nos meus braços, e eu recebia o alerta das parteiras, pois eu já estava exausta, por conta de não ter descansado desde o começo do trabalho de parto (as colicazinhas, que começaram perto das 04:00 do dia 04) ate a hora que ele realmente nasceu (03:48 do dia 05).

Mas infelizmente o que desencadeou esse cansaço foi uma dor diferente, tive uma especie de câimbra na perna direita e estava na banqueta de parto e fiz uma força bem nessa hora, fisgou meu nervo ciático e minha perna direita simplesmente não funcionava mais, após isso toda força era em vão para ajudar o Bernardo descer, assim eu sentia apenas dor na perna que subia e multiplicava por todo o quadril.

A transferência foi necessária, após aplicação da analgesia, fiz apenas duas forças e ele nasceu”

Meu parto, a dor e eu – Vanessa e Vitória

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“Dor só é sofrimento se não fizer sentido algum.”

Com essa frase é que hoje abrimos o relato do dia. Vanessa Leme nos fala de maneira detalhada sobre sua percepção de dor e parto, onde foi tudo tão rápido que a doula não teve tempo de chegar!

“Eu fui agraciada com contrações “amostra grátis” quatro dias antes do parto, no dia 18/05/15, acordei a 1h da manhã sentindo uma dor que vinha pela lombar e parecia abrir os ossos da bacia, uma forte pressão na pelve, uma vontade de defecar sem a real necessidade de fazê-lo, a barriga enrijecida e baixa, as contrações eram intensas, mas muito irregulares, para aliviá-las utilizei a bola de pilates, foi maravilhoso, sentada na bola eu realizava círculos com o quadril, foram cinco horas assim, várias contrações espaçadas e irregulares, mas foi a partir delas que eu tive uma ideia do que eu enfrentaria no dia do parto.  As 6h da manhã tudo passou e nada senti pelos dias que se seguiram.

No dia 22/05/15, as 3h25 da manhã eu senti minha primeira contração, o meu trabalho de parto já começou intenso, contrações a cada cinco minutos com duração média de dois minutos, daí pra frente foi cada vez mais tenso, e eu confesso que fiquei desesperada nas primeiras contrações que senti, era tudo muito além do que eu imaginava, fui surpreendida, mas lembrei de tudo que eu havia feito para chegar até ali, eu queria aquele parto, eu escolhi passar por aquilo e precisava me concentrar, acreditar no meu corpo.

A bola de pilates não foi tão eficiente quanto havia sido há cinco dias, além disso, meu trabalho de parto foi tão rápido que não pude contar com minha doula, ela chegou muito tempo após a Vitória nascer, então para aliviar minhas dores eu mentalizava a chegada da Vitória, acompanhava (introduzindo o dedo na vagina) de tempo em tempo a descida da minha bebê. O chuveiro foi meu aliado, eu deixava a água mega quente cair na minha lombar, foi assim durante todo o trabalho de parto e quando a contração vinha com toda a sua força eu vocalizava um mesmo mantra, abria a boca, usava o meu corpo e minha voz para expressar abertura, dilatação e rebolava, mantinha o corpo em movimento, mentalizava um fluir de energias em ondas que cresciam e descreciam. A Vitória já estava coroando quando a primeira parteira chegou, uns quinze minutos antes da Vitória nascer,  ela nasceu as 5h25, exatas duas horas após a primeira contração.

Com a dor aprendi que nosso corpo é perfeito, que tudo funciona e que concentração é fundamental, mas entrega é muito mais, aprendi que a dor só é sofrimento se não fizer sentido algum, se não nos trouxer algo bom como resultado, a dor do parto não nos faz sofrer, nos faz crescer, entender a beleza da criação divina, além disso, assim que o bebê nasce é como se nada tivesse acontecido, a felicidade é tão grande, o amor, a satisfação de ter seu filho nos braços, é incrível.”

Dor no parto

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Somos poupadas de tudo.

Temos ar condicionado para refrescar, aquecedor pra esquentar. Milhões de remédios para curar dores e não suas causas. Todo mundo foge de água fria, foge da chuva, tem medo de sol.

O que dizer da dor do parto?

Ninguém sabe, ninguém conhece porque temos poucos partos normais no Brasil. E dentre esses temos menos ainda os não medicalizados.

O que sobra no imáginario popular é o parto da avó, da tia avó da roça que pariu sozinha e no outro dia estava no fogão. Ou então ela morreu.

Ninguém vai te contar uma história diferente, então não busque este tipo de referência quando o temor sobre a dor do parto tentar tomar conta de você.

Meu parto foi domiciliar e eu sou muito resistente a dor. Este é um ponto importante a ser lembrado. Cada uma de nós tem uma sensibilidade e limiar para a dor. Mas todas nós temos uma força incrível oculta que nos ajuda a lidar com ela.

Mesmo eu sendo “a resistente”, sou do tipo que aguenta firme qualquer coisa, confesso que me impressionei com a dor da transição.

Já tive cólica renal, já tive cirurgias com pós operatório sofrido que me fizeram dar entrada no pronto socorro de cadeira de rodas, já tomei medicações fortíssimas (morfina) para lidar com essa dor, mas NUNCA senti nada parecido com a dor da transição.

Nunca subestimem a dor. O bom pescador não subestima o mar, porém não deixa de enfrentá-lo. Por que? Com força da natureza não se brinca. É algo que independe de nós, vai acontecer.

Quando me perguntam sobre a dor logo associam dor com sofrimento. O que não é verdade!

Você pode sofrer, chorar por uma ferida na alma. Por uma traição, um olhar de desprezo, um comentário debochado. Dói, seu corpo somatiza e o estopim de tudo nem sempre partiu do físico.

Dor física não é sofrimento. Você resignifica sua dor. Sua mente comanda, num parto com uma assistência respeitosa e amorosa você terá liberdade para exteriorizar tudo o que sente.

Pode vocalizar, urrar, gritar. Terá liberdade para se movimentar e seu corpo encontrará instintivamente posições que proporcionarão alívio.

Terá seu marido, namorado ou quem quer que lhe seja importante ao seu lado. Ou não terá ninguém, vai ficar no seu cantinho, você e sua dor. Um abraço da alma que prova que seu corpo é perfeito e que traz seu filho cada vez mais perto de si.

Sozinha, sem as contrações jamais conseguiríamos parir. Não temos força suficiente para a expulsão do feto, o corpo é sábio, trabalha junto conosco.

Eu fiquei bem até  08cm de dilatação. Doia, sim, mas não é uma dor constante. Ela vai e vem como uma onda. Eu ficava abaixada, ganhava massagens, bolsas térmicas ficavam na minha sacral. Podia ingerir líquidos, comer.

Escolhi as músicas e curti cada uma delas. O ambiente me acolhia, me convidava a entrega. Os gatos ficavam próximos, era meu momento. E a dor mesmo intensa, não conseguiu roubar a cena.

Eu mergulhei em mim mesma. Aceitei e agradeci por cada contração.

No próximo post falarei sobre leituras, alívio não farmacológico e posições que diminuem muito a dor.

A questão da analgesia em partos hospitalares é resolvida e decidida pela mulher. Não existe mais parto, não existe um pódio que só alcança o topo quem não usou esse recurso.

Isso é protagonizar o parto, reconhecer seus limites!

Porém a dor faz parte de nós, não se privem de uma experiência tão transformadora como o parir por terem medo dela. Eu dormi entre uma contração e outra, não dói o tempo todo.

Sintam-se perfeitas com a dor. A dor do parto nos prepara para o puerpério. Enfrentaremos dias de descobertas, de aprendizado. Teremos privação de sono, alteração psíquica, mudanças na rotina da casa, bebê que só sabe se comunicar chorando.

E ai você olha e vê o quando foi forte e suportou a dor. Entende a dor de seu filho, acolhe.

A natureza é perfeita até na dor. É o abraço da alma que traz seu filho do seu ventre para seus braços.

Didática contra o sensacionalismo

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Ana Cristina Duarte nos presenteou com uma didática incrível sobre o trabalho de parto.

Me sinto na obrigação de partilhar! Enquanto a mídia oferece informações enviesadas e nebulosas, ela nos entrega de bandeja informações reais e transparentes.

Você escolhe em qual prato vai comer.

1) Pródromos de trabalho de parto: fase inicial antes do trabalho de parto, que não conta como tempo de trabalho de parto. É caracterizada por contrações sem ritmo, de duração variada, com intervalos acima de 5 minutos, normalmente chegando a 10 minutos ou mais (pode durar de algumas horas até alguns dias)

2) Trabalho de parto: contrações ritmadas a cada 3/4 minutos com produção de alterações no colo do útero (começa com fase latente). Pode durar de algumas horas a 12 horas para uma gestante que está tendo seu primeiro parto normal

3) Fase Ativa do trabalho de parto (fase em que é necessária a presença de um profissional de obstetrícia e avaliação contínua do bem estar fetal): contrações ritmadas de pelo menos 1 minuto de duração, com intervalos de 3 minutos E pelo menos 5 a 6 cm de dilatação. Pode durar de algumas horas a 8 horas para uma gestante que está tendo seu primeiro parto normal.

4) Cesárea por falta de analgesia: um tipo de cesariana desnecessária.

5) Doula: profissional que acompanha sozinha a mulher durante os pródromos e/ou fase latente do trabalho de parto, e depois de iniciada a fase ativa com o restante da equipe (enfermeira obstetra ou obstetriz ou médico obstetra) até o nascimento do bebê.

6) Complicações mais presentes em trabalho de parto de baixo risco: sinais de possível sofrimento fetal (monitorar e se necessário, cesárea), parada de progressão (induzir e se preciso também fazer analgesia), desproporção céfalo pélvica (cesariana).

7) Razões mais frequentes para transferência de um parto fora do hospital para um parto hospitalar: necessidade de analgesia (peridural para parto normal), parada de progressão (precisa usar ocitocina), necessidade de avaliar bem estar fetal (cardiotocografia para ver se o bebê está bem se a ausculta intermitente não foi suficiente para avaliar). Mais raramente: sinais de possível sofrimento fetal.

8) Complicações mais presentes em cesarianas: hemorragia e choque durante a cirurgia, hemorragia e choque após a cirurgia (por atonia ou sangramento interno), infecção.

9) Parto humanizado: parto com respeito e com observância das recomendações da OMS e evidências científicas. Pode ser feito em hospital, casa ou casa de parto.

10) Parto domiciliar: parto em que o nascimento do bebê acontece no domicílio.

Parto Domiciliar – E agora?

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Muitos artigos falam sobre parto domiciliar. Geralmente quem escreve não pariu em casa, apenas montou a matéria e recortou depoimentos de quem pariu.

Pois quem vos escreve pariu em casa. E amou!

Parto domiciliar deve ser escolhido por convicção pelo casal.

Jamais opte por parir em casa para economizar. Não é um desejo legítimo, a mulher e o casal precisam estar internamente seguros de que esta é a melhor opção para receber seu filho.

Após muita pesquisa, frequentamos grupos, obtivemos percentuais e decidimos pelo parto domiciliar. Abaixo vou responder questionamentos frequentes com relação a essa escolha.

Está claro para vocês que o melhor lugar para parir é em casa.
A mulher é uma gestante de risco habitual? Pré Natal ok? E agora? O que fazer?

*1º passo: Escolha uma boa equipe.

Em grupos de apoio vocês encontrarão relatos e indicações de parteiras. Elas podem ser obstetrizes ou enfermeiras obstetras. Doula NÃO faz parto, presta apoio psicológico.

Então parir em casa com uma doula não é um plano, ok?

As parteiras estão habilitadas para acompanhar a mulher e o bebê durante o trabalho de parto ativo. Qualquer intercorrência é com elas que contaremos no primeiro momento, portanto escolham parteiras experientes.

E claro, além da experiência precisa haver afinidade. Vocês precisam estar bem na presença delas, se sentirem acolhidos. A afinidade energética da equipe é importante.

Existe a possibilidade de contar com uma neonatóloga também.

Fechou com a equipe? Vamos ao segundo passo.

*2º passo: Escolha uma doula para chamar de sua

Na verdade tanto faz você ter uma doula antes ou depois de fechar a equipe. O importante é que vocês se sintam seguros e a mulher tenha autonomia para escolher sua doula, que será seu apoio. Que a acolherá nua, que a orientará neste período.

Quem protagoniza o parto é a mulher. Quem decide sua doula também!

Desconfie de médicos que empurram a doula deles. Médico indicar doula? Ok. Médico impor sua doula? Não, Não e Não. O parto é seu. O protagonismo é seu. Quem manda é você.

A doula é a profissional que vai passar a maior parte do tempo com a gestante. É a primeira a chegar e a última a sair. Irá orientá-los em relação ao plano de parto que deve ser feito mesmo para um parto domiciliar.

Vai indicar livros, posições de alívio e conforto e orientá-la quanto ao preparo perineal. Sabemos que não existem evidências que comprovem que o uso do Epi-no evite lacerações, mas seu valor é incontestável quando falamos de consciência corporal. Vivemos numa sociedade machista onde a exploração do corpo pela mulher é muito mal vista.

A doula a acolherá em todas essas situações. Entendem a necessidade de vínculo afetivo quando falando na relação gestante x doula?

*3º passo: Informe seu GO sobre o desejo do parto domiciliar.

Médicos partem do princípio que a partir do momento que acompanham seu pré natal, assistirão seu parto.

É importante comunicar o fato do seu parto ser domiciliar e deixar tudo muito claro e transparente como agirão em caso de transferência. É o nascimento do famoso plano B.

*4º passo: Plano B

Sabemos que todo parto começa em casa. Porém seu desfecho é impossível prever, portanto tenham em mãos um Plano B.

Em caso de transferência definam qual hospital será escolhido. Terá médica backup? Terá equipe? Irá pelo plantão?

Tudo deve ser definido de forma extremamente clara. Se a sua GO diz que se der assistirá seu parto em caso de transferência então você não tem um plano B.

Definido o plano B entreguem o plano de parto nos hospitais e se informem sobre visitas as instalações, se é permitido.

*5º passo: Compra de materiais.

Parir em casa exige que vocês tenham alguns materiais específicos como :

-Mangueira longa de chuveiro
-Piscina
-Plástico para forrar a piscina
-Lençol impermeável para a cama
-Absorventes pós parto
Entre outros itens que serão informados pelas parteiras. Recomendo a compra de itens de farmácia em cirúrgicas. A quantidade é maior e o preço menor.
A mangueira pode ser encontrada em lojas de materiais de construção ou estabelecimentos que vendam apenas produtos de borracha. Os plásticos também são encontrados nos mesmos locais.

*6º passo: Cardápio

Definam o cardápio. Trabalho de parto pode ser longo e tanto a gestante quanto a equipe precisam estar alimentados e hidratados.

Frutas, sorvetes, água são recursos fundamentais. Assim que o trabalho de parto ativo iniciar ficar alinhando com essas questões. A fome é intensa no pós parto e é sempre bom ter uma comidinha fresca e gostosa pronta para a nova mulher renascida.

*7º passo: Monte sua playlist

Para mim foi a parte mais gostosa! Escolhi as músicas que eu mais amo e que mais me motivaria. Foi feita ao longo de toda a gestação e no meu caso foi essencial para me manter serena durante o trabalho de parto.

E depois é mágico ouvir todas as músicas queridas com nosso filho nos braços.

*8º passo: Escolham sua fotógrafa

Assim como a equipe, sua energia e confiança devem ser 100% com a fotógrafa. Registro de parto tem particularidades muito específicas, o ideal é contar com alguém que tenha vivência nessa área.

Certifique-se de sua disponibilidade que deve ser a partir da 37 semanas. Converse com ela sobre o que deseja, sinta o trabalho dessa profissional muito especial que irá eternizar sentimentos.

Fotógrafas especializadas em registros de parto terão lentes especiais para captar imagens em ambientes escuros. Terão disponibilidade e backup.

*9º passo: CURTAM ESSA DECISÃO!

Tudo certinho? Agora é só mentalizar mensagens positivas e relaxar. Parto domiciliar com uma boa equipe, bem assistido e com um consistente plano B é seguro e transformador.

P.S: A casa não precisa ser uma mansão. Não precisa ser enorme. Qualquer espaço seu será maior que uma acomodação de hospital. Você pode parir de forma respeitosa em sua casa, independente da metragem dela.