Plano de Parto – Tudo o que você precisa saber!

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Plano de Parto.

Quando ouvi essas três palavrinhas pela primeira vez na minha gestação arrepiei. Na época as gestantes de minha cidade entregavam planos de parto nos hospitais, protocolavam. E eu ai, sem saber nem por onde começar.

Plano de Parto era definitivamente uma novidade na minha vida e acredito que na de vocês.

Hoje existe uma atenção muito grande voltada a elaboração de planos de parto.

Se você conta com uma doula, certifique-se de que ela irá orientá-la na elaboração do mesmo. Senão, sigam as dicas que deixarei aqui de forma clara.

Plano de Parto não é um bicho de sete cabeças para ser criado. Não é um TCC ou uma tese que precisa ser defendida em alemão.

Sua confecção não demanda muito tempo. Eu fiz meu plano de parto em 40 minutos depois que compreendi qual sua função e seu mecanismo de empoderamento.

Plano de Parto nada mais é que uma carta, onde você gestante vai listar o que gostaria de ter ou não no seu parto. É um documento, uma forma de comunicar a equipe quais procedimentos você gostaria ou não que fossem realizados durante seu parto.

Algumas dicas se seguidas sistematicamente trarão um norte para vocês mulheres que ainda não possuem seu plano de parto.

  • Plano de parto deve ser feito tanto para parto domiciliar quanto para parto hospitalar.
  • Para quem optou pelo parto domiciliar a confecção dos dois deve ser feita pois em caso de transferência seus desejos se mantêm documentados.
  • Imprima duas vias. Uma fica com você e a outra vai para a instituição hospitalar e/ou equipe.
  • Nunca copie e cole um plano de parto, pois o mesmo é individual. No meu plano de parto domiciliar solicitei que todas da equipe ficassem descalças. E para você ai no frio do Sul do país? Minha necessidade é igual a sua? Temos as mesmas vontades?
  • Ligue para os hospitais que irá entregar e cheque horários de entrega e pessoa responsável pelo recebimento. Se entregar na secretaria peça que a funcionária assine e carimbe a via que ficará com você. Isso é o tal protocolo comprovando que você entregou o mesmo.
  • Aqui em Campinas os hospitais passaram a rejeitar a entrega antecipada do plano de parto. O mesmo é entregue no ato da internação e seus termos negociados com a equipe no momento. Se informe para não perder viagem.

Quando redigir seu plano, seja educada. Exponha seus desejos preferencialmente embasando-os com evidências científicas.

Ana Cristina Duarte disponibilizou um modelo de plano de parto no livro Parto Normal ou Cesárea – Tudo que a mulher precisa saber. O interessante é a ordem adotada para a exposição dos desejos, o que torna sua exposição clara e te dá a possibilidade de dividir as cartas, se assim desejar por deixar os cuidados com o bebê desmembrados.

Você pode acessar o modelo de parto dela aqui: Plano de Parto

A estrutura é:

TRABALHO DE PARTO -> PARTO -> APÓS O PARTO -> CUIDADOS COM O BEBÊ -> CASO A CESÁREA SEJA NECESSÁRIA.

Para fazer seu trabalho de parto você precisa estar informada. Sei de casos em que o hospital convocou a gestante para uma reunião e discutiu ponto a ponto das solicitações. E ai? Como você vai defender seus desejos se copiou de outras pessoas?

Como você vai solicitar a não tricotomia se por exemplo tem por hábito manter a região genital sem pêlos? E se você não souber o que essa palavra significa? E se você não compreender o motivo de uma negação a uma possível tricotomia?

Por este motivo ter uma doula conectada, disponível e informada para iluminar seu caminho é benéfico e aumenta sua segurança.

Decidi partilhar meu plano de parto com vocês. Meu parto foi domiciliar e eu redigi duas cartas. Uma para a equipe domiciliar e outro para o hospital. Os dois tiveram pedidos muito distintos e o hospitalar seguiu a estrutura do modelo do plano de parto da Ana Cristina Duarte com acréscimos meus.

PLANO DE PARTO DOMICILIAR

Olá! (nome da parteira)

Meu plano de parto já vive em minha mente e coração, agora chegou a hora de compartilhar com vocês meus desejos e anseios neste momento tão especial.

A estrutura dos desejos segue abaixo.

Trabalho de Parto

  • Gostaria que meus animais, meus irmãos de quatro patas, (Bituca, Clarice, Nina Simone e Léo) ficassem livres pela casa, me acompanhando neste momento sem nenhuma restrição. Todos são dóceis, castrados, vacinados e não tem acesso a rua. E sim, possuem a mesma importância de um filho.
  • Gostaria de me alimentar, de ingerir líquidos e de poder me movimentar livremente.
  • Quanto ao uso do celular, peço o uso do mesmo em caso de necessidade. Acredito que a energia, a conexão deste momento não devam ser interrompidos por estímulos externos.
  • Gostaria que respeitassem minhas músicas e minhas orações. Independente da crença dos membros da equipe, não gostaria de sentir nenhuma reprovação implícita.
  • Gostaria de ser informada sobre qualquer anormalidade que transcorra durante o Trabalho de Parto. Não gostaria de ser poupada de informação nenhuma, seja boa ou ruim.
  • Gostaria de manter a bolsa íntegra caso a mesma não esteja rompida.

 Parto:

  • Aceito sugestões, mas gostaria que a decisão final sobre posicionamento fosse decidida por mim intuitivamente durante o parto.
  • Não quero receber nenhuma informação externa. Seja reclamação de vizinhos, do síndico ou quem quer que seja. Por favor, ocultem tudo de negativo do mundo externo de mim. Quero viver essa experiência em sua integralidade sem interferências.
  • Televisão não será ligada em hipótese alguma.
  • Em caso de vocalizações mais altas, independente do horário não quero ser repreendida em nenhum momento.
  • Não gostaria que a palavra “força” fosse mencionada. Meu corpo a fará quando necessário.
  • Dispenso rompimento manual do períneo, tipo dar uma “esticada” com os dedos. Prefiro lacerações naturais a as mecânicas.
  • Gostaria que a iluminação fosse assim como a disposição de incensos e músicas fossem mantidas da forma que escolhi.
  • Após o nascimento quero ser a primeira pessoa a tocar no meu filho. Se for na água gostaria de decidir no momento qual a hora de retirá-lo de lá para trazê-lo aos meus braços. Sei que vou parir um homem e não um peixe abissal, mas neste momento quero o meu tempo, suave e sem pressa.
  • Gostaria que o pai cortasse o cordão após o mesmo ter parado de pulsar.
  • Como alternativa a transferência do domicilio para o hospital, caso a placenta não seja expulsa, aceito a administração de medicamentos e massagens.
  • Em caso de transferência não gostaria que vizinhos ou funcionários do prédio fossem informados sobre o motivo da mesma.

Cuidados com meu boneco

  • Dispenso a administração de nitrato de prata ou antibióticos oftálmicos. Meus exames estão todos perfeitos, sem infecção de qualquer espécie ou doenças venéreas.
  • Gostaríamos que fosse realizada a administração de vitamina K.
  • Quero fazer a amamentação sob livre demanda.
  • Gostaria de ser informada sobre qualquer intercorrência que venha a acontecer com o bebê, não importa o quão dolorida seja a informação no momento.
  • Em hipótese alguma, oferecer água glicosada, bicos ou qualquer outra coisa ao bebê.
  • Gostaria que a decisão de dar banho e quando dar banho fosse restrita a mim e ao meu marido.

Tudo o que escrevi aqui já está sacramentando por conversas e vi no coração de vocês todo o bem querer. Não poderia escolher equipe melhor para me ajudar nessa jornada, para conduzir meus passos, os primeiros nesse mundo de maternagem.

Que o dia, o céu, a lua e as estrelas que o Álvaro escolher para reencarnar seja tão especiais para vocês como será para mim.

Obrigada por todo o carinho e atenção.

Campinas, 24 de Janeiro de 2014

Assinatura (Mãe e Pai)

PARTO HOSPITALAR

Estamos cientes de que o parto pode tomar diferentes rumos por ser um evento fisiológico, porém não abrimos mão de que o amor e respeito estejam presentes neste momento tão único e especial para nós.

Abaixo listamos nossas preferências em relação ao nascimento de nosso bebê, caso tudo transcorra tranquilamente. Sempre que os planos não puderem ser seguidos, gostaríamos de ser previamente avisados e consultados a respeito das alternativas, antes das mesmas serem realizadas.

Nosso consentimento informado é essencial para cooperação e compreensão do que se passa neste período.

Trabalho de Parto

  • Presença do meu marido e doula.
  • Ser chamada pelo meu nome e não pelo número do quarto ou do leito.
  • Sem tricotomia (raspagem dos pelos pubianos) e enema (lavagem intestinal).
  • Sem perfusão contínua de soro e ou ocitocina
  • Liberdade para beber água e sucos enquanto seja tolerado.
  • Liberdade para caminhar e escolher a posição que quero ficar.
  • Liberdade para o uso do chuveiro.
  • Monitoramento fetal: apenas se for essencial, e não contínuo.
  • Analgesia: peço que não seja oferecido anestésicos ou analgésicos. Eu pedirei quando achar necessário.
  • Sem rompimento artificial de bolsa.

Parto

  • Prefiro ficar de cócoras ou semi-sentada (costas apoiadas).
  • Prefiro fazer força só durante as contrações, quando eu sentir vontade, ao invés de ser guiada. Gostaria de um ambiente especialmente calmo nesta hora.
  • Não vou tolerar que minha barriga seja empurrada para baixo.
  • Episiotomia: só se for realmente necessário. Não gostaria que fosse uma intervenção de rotina. E que fosse informada de sua real necessidade para ter a escolha de  aceitar ou não.
  • Gostaria que as luzes fossem apagadas (penumbra) e o ar condicionado desligado na hora do nascimento. Gostaria que meu bebe nascesse em ambiente calmo e silencioso.
  • Gostaria de ter meu bebe colocado imediatamente no meu colo após o partocom liberdade para amamentar.
  • Gostaria que o pai cortasse o cordão após o mesmo ter parado de pulsar.

Após o parto

  • Aguardar a expulsão espontânea da placenta, sem manobras, tração ou massagens. Se possível ter auxílio da amamentação.
  • Gostaria que minha placenta fosse armazenada e descartada por mim posteriormente onde eu julgar melhor.
  • Ter o bebê comigo o tempo todo enquanto eu estiver na sala de parto, mesmo para exames e avaliação.
  • Liberação para o apartamento o quanto antes com o bebê junto comigo. Quero estar ao seu lado nas primeiras horas de vida.
  • Alta hospitalar o quanto antes.

Cuidados com o bebê

  • Administração de nitrato de prata ou antibióticos oftálmicos apenas se necessário e somente após o contato comigo nas primeiras horas de vida.
  • Administração de vitamina K oral (nos comprometemos em dar continuidadenas doses).
  • Quero fazer a amamentação sob livre demanda.
  • Em hipótese alguma, oferecer água glicosada, bicos ou qualquer outra coisa ao bebê.
  • Alojamento conjunto o tempo todo. Pedirei para levar o bebê caso esteja muito cansada ou necessite de ajuda.
  • Gostaria de dar o banho no meu bebê e fazer as trocas (ou eu ou meu marido).

Caso a cesárea seja necessária

  • Exijo o início do trabalho de parto antes de se resolver pela cesárea.
  • Quero a presença da doula e de marido na sala de parto.
  • Anestesia: peridural, sem sedação em momento algum.
  • Na hora do nascimento gostaria que o campo fosse abaixado para que eu possa vê-lo nascer.
  •  Gostaria que as luzes e ruídos fossem reduzidas e o ar condicionado desligado.
  • Após o nascimento, gostaria que colocassem o bebê sobre meu peito e queminhas mãos estejam livres para segurá-lo.
  •  Gostaria de permanecer com o bebe no contato pele a pele enquanto estiver na sala de cirurgia sendo suturada.
  • Também gostaria de amamentar o bebê e ter alojamento conjunto o quanto antes.

Agradeço a equipe envolvida e a ajuda para tornar esse momento especial e tão importante para nós em um momento também feliz e tranqüilo como deve ser.

Muito obrigada,

Campinas, 24 de Janeiro de 2014

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Assinatura:  Mãe / Pai

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Assinatura do Médico Obstetra

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Assinatura do Pediatra

Com as mulheres que doulo indico o uso da ferramenta de gestão SWOT para análise de cenários. Seu uso é ligado a gestão empresarial, mas dada a sua simplicidade pode ser adaptada para outros cenários, incluindo a formulação de seu plano de parto.  É um ponto positivo de partida para a organização de idéias e medidas estratégicas.

As figuras abaixo ilustram como essa ferramenta pode ser útil na definição de estratégias.

Imagine o seguinte impasse: Você deseja um parto domiciliar, porém sua DPP cairá bem durante o Carnaval, época em que as ruas de seu bairro ficam interditadas.

Como traçar o Plano B em caso de remoção?

É ai que a ferramenta SWOT costuma ser extremamente útil para a resolução deste impasse.

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Matriz SWOT

Plano de parto é essencial.

Pensem com carinho, atenção e tenham informações claras ao redigirem o de vocês.

Nele seu desejos tomam forma!

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Meu parto, a dor e eu – Carina e Débora

Débora chegando ao nosso mundo.
Débora chegando ao nosso mundo.

Vamos finalizar essa semana com o depoimento da Carina Oliveira!

Ela pariu no plantão de um hospital aqui de Campinas. Levou seu plano de parto, exigiu uma reunião para discuti-lo. Foi aceito, no dia do seu parto teve acesso a bola, chuveiro e foi assistida por uma enfermeira obstetra.

Sua filha veio ao mundo direto para seu colo onde amamentou.

Aqui a Carina conta sua percepção da dor e semana que vem teremos mais depoimentos, Dani Brito abrirá a próxima semana porque enquanto houver mulher, houver partilha, nós seremos o instrumento usado para levar informação e força para quem deseja parir.

“Eu sempre quis ter um parto natural e havia me preparado muito para aquele momento. Durante a gestação eu li muito, participei de grupos, fiz pilates, acupuntura e, principalmente, acreditava no meu corpo e no cuidado de Deus nesse momento tão especial da minha vida. Eu não teria equipe, meu plano era ter um parto hospitalar pelo plantão do convênio e com o auxílio de uma doula.

Quando estava de 36 semanas e 5 dias, à 1h30 da manhã,  comecei sentir contrações bem leves. No início acreditei que fossem de treinamento, porém após duas horas e dois banhos, eu e meu marido vimos que estavam ritmadas e fomos para a Maternidade de Campinas.  Após um atendimento ruim no acolhimento, foi constatado que eu já estava com 4cm de dilatação. Fui encaminhada a sala de  pré-parto e lá muito bem recebida pela equipe de enfermagem, que estava com meu plano de parto em mãos. Minha doula ainda não havia chegado e a equipe de enfermagem me “doulou” enquanto isso, diziam palavras acolhedoras e eram muito carinhosas, também me levaram ao chuveiro para amenizar a minha dor.

A dor era intensa, mas suportável. Meu trabalho de parto foi rápido (total 8 hs desde a primeira contração), minha dilatação evolui muito bem e quase não deu tempo da minha doula chegar! Nesses momentos que estive sozinha, tentei ficar ao máximo na posição vertical (lembrei muito do que havia estudado no livro da Janet Balaskas, “Parto Ativo”). Quando estava quase desistindo e pedindo analgesia, minha querida doula chegou! Como ela não era cadastrada na Maternidade, eu tive que optar entre a doula e meu marido. Na hora achei que a sua presença da dela seria mais útil para me encorajar e amenizar a minha dor e realmente foi! Suas massagens e palavras de incentivo foram fundamentais!

Minha bolsa rompeu quando eu estava com 10 cm de dilatação e logo fomos para o Centro Obstétrico, que já estava preparado para que eu tivesse meu bebê de cócoras. Na hora que minha bebê estava quase nascendo, a doula saiu e meu marido entrou. Que momento abençoado, sem palavras para expressar! E como foi tudo tão calmo, respeitoso… Tudo muito natural, ar condicionado desligado, ninguém me tocou, a enfermeira obstetriz amparava o meu períneo e me olhava com doçura, esperando minha filha nascer no tempo dela…  

Muitas pessoas acham que eu exagero quando digo que a dor do parto é dor de amor, mas é verdade. Sei que doeu, mas foi diferente de qualquer outra dor que senti. Uma dor para algo maravilhoso acontecer em seguida, o nascimento respeitoso da minha filha.”

Dor no parto

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Somos poupadas de tudo.

Temos ar condicionado para refrescar, aquecedor pra esquentar. Milhões de remédios para curar dores e não suas causas. Todo mundo foge de água fria, foge da chuva, tem medo de sol.

O que dizer da dor do parto?

Ninguém sabe, ninguém conhece porque temos poucos partos normais no Brasil. E dentre esses temos menos ainda os não medicalizados.

O que sobra no imáginario popular é o parto da avó, da tia avó da roça que pariu sozinha e no outro dia estava no fogão. Ou então ela morreu.

Ninguém vai te contar uma história diferente, então não busque este tipo de referência quando o temor sobre a dor do parto tentar tomar conta de você.

Meu parto foi domiciliar e eu sou muito resistente a dor. Este é um ponto importante a ser lembrado. Cada uma de nós tem uma sensibilidade e limiar para a dor. Mas todas nós temos uma força incrível oculta que nos ajuda a lidar com ela.

Mesmo eu sendo “a resistente”, sou do tipo que aguenta firme qualquer coisa, confesso que me impressionei com a dor da transição.

Já tive cólica renal, já tive cirurgias com pós operatório sofrido que me fizeram dar entrada no pronto socorro de cadeira de rodas, já tomei medicações fortíssimas (morfina) para lidar com essa dor, mas NUNCA senti nada parecido com a dor da transição.

Nunca subestimem a dor. O bom pescador não subestima o mar, porém não deixa de enfrentá-lo. Por que? Com força da natureza não se brinca. É algo que independe de nós, vai acontecer.

Quando me perguntam sobre a dor logo associam dor com sofrimento. O que não é verdade!

Você pode sofrer, chorar por uma ferida na alma. Por uma traição, um olhar de desprezo, um comentário debochado. Dói, seu corpo somatiza e o estopim de tudo nem sempre partiu do físico.

Dor física não é sofrimento. Você resignifica sua dor. Sua mente comanda, num parto com uma assistência respeitosa e amorosa você terá liberdade para exteriorizar tudo o que sente.

Pode vocalizar, urrar, gritar. Terá liberdade para se movimentar e seu corpo encontrará instintivamente posições que proporcionarão alívio.

Terá seu marido, namorado ou quem quer que lhe seja importante ao seu lado. Ou não terá ninguém, vai ficar no seu cantinho, você e sua dor. Um abraço da alma que prova que seu corpo é perfeito e que traz seu filho cada vez mais perto de si.

Sozinha, sem as contrações jamais conseguiríamos parir. Não temos força suficiente para a expulsão do feto, o corpo é sábio, trabalha junto conosco.

Eu fiquei bem até  08cm de dilatação. Doia, sim, mas não é uma dor constante. Ela vai e vem como uma onda. Eu ficava abaixada, ganhava massagens, bolsas térmicas ficavam na minha sacral. Podia ingerir líquidos, comer.

Escolhi as músicas e curti cada uma delas. O ambiente me acolhia, me convidava a entrega. Os gatos ficavam próximos, era meu momento. E a dor mesmo intensa, não conseguiu roubar a cena.

Eu mergulhei em mim mesma. Aceitei e agradeci por cada contração.

No próximo post falarei sobre leituras, alívio não farmacológico e posições que diminuem muito a dor.

A questão da analgesia em partos hospitalares é resolvida e decidida pela mulher. Não existe mais parto, não existe um pódio que só alcança o topo quem não usou esse recurso.

Isso é protagonizar o parto, reconhecer seus limites!

Porém a dor faz parte de nós, não se privem de uma experiência tão transformadora como o parir por terem medo dela. Eu dormi entre uma contração e outra, não dói o tempo todo.

Sintam-se perfeitas com a dor. A dor do parto nos prepara para o puerpério. Enfrentaremos dias de descobertas, de aprendizado. Teremos privação de sono, alteração psíquica, mudanças na rotina da casa, bebê que só sabe se comunicar chorando.

E ai você olha e vê o quando foi forte e suportou a dor. Entende a dor de seu filho, acolhe.

A natureza é perfeita até na dor. É o abraço da alma que traz seu filho do seu ventre para seus braços.

Didática contra o sensacionalismo

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Ana Cristina Duarte nos presenteou com uma didática incrível sobre o trabalho de parto.

Me sinto na obrigação de partilhar! Enquanto a mídia oferece informações enviesadas e nebulosas, ela nos entrega de bandeja informações reais e transparentes.

Você escolhe em qual prato vai comer.

1) Pródromos de trabalho de parto: fase inicial antes do trabalho de parto, que não conta como tempo de trabalho de parto. É caracterizada por contrações sem ritmo, de duração variada, com intervalos acima de 5 minutos, normalmente chegando a 10 minutos ou mais (pode durar de algumas horas até alguns dias)

2) Trabalho de parto: contrações ritmadas a cada 3/4 minutos com produção de alterações no colo do útero (começa com fase latente). Pode durar de algumas horas a 12 horas para uma gestante que está tendo seu primeiro parto normal

3) Fase Ativa do trabalho de parto (fase em que é necessária a presença de um profissional de obstetrícia e avaliação contínua do bem estar fetal): contrações ritmadas de pelo menos 1 minuto de duração, com intervalos de 3 minutos E pelo menos 5 a 6 cm de dilatação. Pode durar de algumas horas a 8 horas para uma gestante que está tendo seu primeiro parto normal.

4) Cesárea por falta de analgesia: um tipo de cesariana desnecessária.

5) Doula: profissional que acompanha sozinha a mulher durante os pródromos e/ou fase latente do trabalho de parto, e depois de iniciada a fase ativa com o restante da equipe (enfermeira obstetra ou obstetriz ou médico obstetra) até o nascimento do bebê.

6) Complicações mais presentes em trabalho de parto de baixo risco: sinais de possível sofrimento fetal (monitorar e se necessário, cesárea), parada de progressão (induzir e se preciso também fazer analgesia), desproporção céfalo pélvica (cesariana).

7) Razões mais frequentes para transferência de um parto fora do hospital para um parto hospitalar: necessidade de analgesia (peridural para parto normal), parada de progressão (precisa usar ocitocina), necessidade de avaliar bem estar fetal (cardiotocografia para ver se o bebê está bem se a ausculta intermitente não foi suficiente para avaliar). Mais raramente: sinais de possível sofrimento fetal.

8) Complicações mais presentes em cesarianas: hemorragia e choque durante a cirurgia, hemorragia e choque após a cirurgia (por atonia ou sangramento interno), infecção.

9) Parto humanizado: parto com respeito e com observância das recomendações da OMS e evidências científicas. Pode ser feito em hospital, casa ou casa de parto.

10) Parto domiciliar: parto em que o nascimento do bebê acontece no domicílio.