EPI-NO: Tudo o que você precisa saber!

Quem é gestante e deseja um parto normal, certamente já ouviu comentários do tipo:

-Parto normal acaba com a mulher. Você vai ficar larga!

-Eles rasgam tudo, se eu fosse você não arriscaria.

Eu ouvi muitos desses comentários. Disseram inclusive que meu casamento iria acabar depois do parto. O que eu não compreendia é porque isso poderia acontecer já que eu sabia que a vagina é elástica.

A vagina ser elástica lhe dá a propriedade de se distender (esticar) e voltar a sua forma original. Ela é composta por músculos que nós mulheres não fomos incentivadas culturalmente a conhecer.

É chocante constatar que mulheres mais velhas, com muitos filhos acreditam que urina e menstruação saem pelo mesmo lugar. Existe muito desconhecimento anatômico e uma série de inverdades perpetuadas e transmitidas por anos.

Não pactuem com isso. Estudem, se informem como eu fiz. Meu filho nasceu com 4.230kg de parto natural e eu não tive laceração. Três meses depois minha força muscular estava exatamente como era antes do parto.

Como explicar? Foi “sorte”? Existe algo que vocês que desejam parir naturalmente possam fazer durante a gestação para fortalecer a musculatura do assoalho pélvico? O que realmente funciona? O que é baseado em evidências? O que é EPI NO?

São muitas questões. Primeiro vamos conhecer um pouco a anatomia de nosso corpo.

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A vagina é um canal do órgão sexual feminino dos mamíferos, parte do aparelho reprodutor, que se estende do colo do útero à vulva, dirigido de cima abaixo e de trás para frente. A cada lado da abertura externa da vagina humana há duas glândulas de meio milímetro, chamadas Glândulas de Bartholin, secretoras de um muco lubrificante na copulação.

Sendo ela um canal, ela tem começo, meio e fim. Não é um desfiladeiro onde o bebê passa e se perde.

Assim é nosso canal, um espaço virtual feito de músculos que   precisam ser trabalhados durante toda a vida.

Quando você malha certinho, seus músculos não respondem ao estímulo ficando mais fortes e enrijecidos?

Com a vagina é a mesma coisa, inclusive se distendendo não somente durante o parto, mas quando a mulher está excitada e durante as relações sexuais.

 

Como o EPI-NO pode me ajudar?

 

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Primeiramente o que é EPI-NO? Quando ouvi o nome deste aparelho pela primeira vez fiquei surpresa. Nunca havia ouvido falar dele! Uma amiga me contou que sua doula iria em sua casa orientá-la quanto ao uso.

Curiosa eu queria saber se doía, se tinha algum risco e o que eu ouvi foi que a sensação era realmente diferente de tudo que ela havia sentido. Não incomodava mas era tudo novidade!

A partir da 34 semana eu estava liberada para usar o aparelho e assim o fiz. Sem grandes expectativas em relação à laceração pois tinha ciência de que não há evidências científicas acerca da prevenção efetiva, porém quando falamos de consciência corporal seus benefícios são incontestáveis. Realmente no momento do expulsivo quando meu filho nasceu a sensação foi idêntica.

O aparelho consiste em um balão de silicone ligado a um medidor de pressão, através de um tubo de   silicone com bomba em elastômetro termoplástico e válvula de liberação de ar.

O uso se inicia três semanas antes da data provável de parto e pode se estender até três semanas após o parto.

Seu uso não pode desencadear um parto prematuro, fiquem tranquilas. Ele pode ser usado 1-2 vezes por dia ou mais vezes em mini sessões. Todas essas informações podem ser obtidas através de um atendimento com a profissional que faz a locação do aparelho.

O EPI-NO vai alongar a musculatura perineal e vai  simular o expulsivo, o que somente a massagem perineal não proporciona, o que não impede que ambos sejam realizados.

A parte da mensagem técnica sobre o EPI-NO gostaria de ressaltar que seu uso é um momento de intimidade máxima e ligação com o próprio corpo. Muitas mulheres passaram toda uma vida sem se tocar, sem se conhecer e tem a oportunidade de estarem consigo, sentindo seu corpo, se conectando com seu bebê.

Abaixo, meu depoimento. Como mulher, ciente de que teria um filho grande que com 37 semanas já pesava 3.800kg.

Meu relato:

“Desde que me vi grávida meu desejo era parir naturalmente. E desde que expus esse desejo ouvi muitas mulheres se posicionarem contra dizendo que um parto normal acabaria com minha vagina. Até mesmo com meu casamento.

Não me deixei abalar pois sabia das características anatômicas da vagina. Ela é elástica e sempre tive intimidade com meu corpo. Não fiquei amedrontada mas sabia que determinadas ações podiam trazer mais conhecimento e preparo para meu parto.

O uso isolado do EPI-NO e da massagem perineal podem não ser tão relevantes se a fisiologia do parto não for respeitada.

Um parir verticalizado, sem intervenções, sem Kristeller (manobra onde profissionais sobem na barriga da gestante e empurram o bebê), sem ocitocina (aumenta as contrações artificialmente deixando muito intensas) colabora para a integridade do assoalho pélvico. Temos outros fatores também como a velocidade do expulsivo, puxos dirigidos, enfim. É todo um conjunto que deve ser respeitado.

Com meu EPI-NO em mãos, decidi conversar com ele e comigo mesma antes do uso. Comigo para me liberar, me entregar e confiar.

Visualizei meu canal vaginal como um caminho florido,  que meu filho percorreria até chegar aos meus braços. Estar relaxada e centrada em si neste momento é essencial, pois a tensão contrai os músculos podendo

tornar a experiência diferente do que deve ser.

No parto a lógica é a mesma. Entrega e relaxamento.

Inseri o balão, estava no meu quarto, a luz de velas, com minhas músicas, incenso e sozinha. Diferente da massagem perineal que eu fazia em companhia do meu marido e ele na maior parte das vezes é que fazia comigo, com o EPI-NO optei pelo isolamento. E deu certo! Me acostumei com as sensações novas.

Afirmar 100% que a ausência de laceração se deu devido ao uso do EPI-NO seria imprudente. Meu parto foi totalmente natural, verticalizado, com zero de intervenções. Mas não posso deixar de lado também todo o tempo que voltei meus olhos ao meu assoalho pélvico através das massagens e das sessões com o EPI-NO. Todo dia tinha o meu momento de entrega de corpo e alma.

Eu pari de cócoras, fazendo força com o puxos. Foram três apenas e meu filho nasceu com 4.230kg, 54cm e eu não tive laceração nenhuma. Períneo íntegro.

Como elemento guia de consciência corporal foi fantástico! Realmente o expulsivo simulado nas sessões foi idêntico. Não me assustei com a coroação, com o círculo de fogo.

Como doula disponibilizo o aparelho para as mulheres que acompanho e para aquelas que possuam interesse em usá-lo de maneira independente.

Faço o atendimento esclarecendo todas as dúvidas, relato minha experiência e de outras mulheres que o usaram e de maneira geral sua aceitação tem sido excelente e os feedbacks sempre positivos.”

Bom encontro consigo mulheres! Mergulhem em seus corpos, consciência corporal é um presente em nossas vidas.

Com informação o medo se dissipa. Falsas verdades reproduzidas há tempos não nos aterrorizam pois passamos a ter um olhar crítico sobre o que chega a nós. Tomamos consciência do valor de uma boa assistência, de um parir livre de intervenções e verticalizado.

E o despertar de uma mulher, seu despertar pode mudar toda uma vida.

Permita-se.

 

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Da doula sentimentos precisos.

Parto não é um evento neutro. Não é como olhar uma tela em branco e sair incólume. Um rito de passagem acontece ali, em frente a todos.

A menina vira mulher e mãe. O homem vira pai. E a equipe, cada um que esteve ali sai com uma mudança interna. Cada pedaço de parto, de luta, de lágrimas de sorrisos passa a ser nosso também.

Comigo foi assim, acompanhei um trabalho de parto onde cada contração era minha também. Isso é sintonia, conexão, entrega. Vínculo precisa existir como ponte para transferência de força e eu digo, a mão é dupla.

Damos e recebemos.

Quando nasce um bebê nasce um pai, uma mãe, uma doula e uma rede de apoio. A cada parto um pouco de nós renasce, aprende, se fortalece.

Muito se sabe sobre os sentimentos e expectativas. Temos relatos de partos fortes, belos, crus, romantizados. Cada qual feito com a visão e momento da mulher. Ela protagoniza esse momento, mas nós doulas ali com ela, unidas em pensamento, em abraços em massagens, respirando juntas, em silêncio também temos nossa história que vai se cruzar com cada mulher.

Cada pródromo nos traz a expectativa do que virá. Cada um deles me levou a lugares distantes e iluminados onde eu mentalizava coisas positivas, força e garra para o momento de passagem.

A comunicação era fluída, independente do horário. Vanessa, sinto contrações. Sem ritmo. Amanhã: Elas vieram a noite. E daqui do outro lado a gente sabe que vem, que o corpo funciona, que a natureza é perfeita.

Rede de apoio acionada, logística para a alimentação da família. No grande dia e eu sabia, 08:00 da manhã as panelas acordavam a casa que estava em pródromos também. Tudo orquestrado, 11:00 eu almoçava.

Refeições prontas para as próximas 48hrs, frutas separadas, marido avisado, telefones a mão. Mala de doula pronta com óleos, essências, música, esperança. Ali no canto da sala, pronta para ser tirada para dançar mais tarde.

E a hora de partir chega, tantas horas depois. Caminho que leva, caminho de mistério. Qual a lição a ser aprendida? Qual o presente a ser recebido?

Um trabalho de parto é uma desconstrução de tudo que foi construído a gestação toda. É cada mulher descobrindo uma história através de contrações nunca contada antes. E o aprendizado é individual, em cada momento você vai descobrir o que deve aprender. Paciência, tolerância, garra, entrega, humildade, gratidão. Trabalho de parto ensina muito e a todos nós.

Para mim foi leveza e força. Foi ver o sol se despedir, saber que dali a horas aquele menina seria mulher de alma. Foi saborear e sentir o gostinho do café, o óleo para massagem se aquecer tantas e tantas vezes na minha mão. Foi sentir e saber o que a gestante precisava sem que ela precisasse falar. A hora de falar e a hora de calar. E esperar, tempo, tempo, tempo. Faço um acordo contigo.

Naquele momento eu tinha fragmentos de minha vida comigo. Não me via Vanessa, mãe do Álvaro, tutora dos meus quatro gatos. Não assumia um papel. Me sentia mulher, sentia toda a ancestralidade que pariu antes de mim ali naquele momento entregue e em conexão continua.

Nós mulheres que partilhávamos segredos, receitas, ervas. Que nos banhávamos nos rios, dançávamos a luz da da lua, criávamos juntas nossos filhos. Em tendas nossos ciclos menstruais se alinhavam, nossas preces se juntavam. Nossas mãos se entrelaçavam no parto. Cheiro ocre de sangue. Choro. Bebês. Leite, dores e curas. Inventem um nome para tudo isso, pois na doulagem essa mistura de sentimentos e saberes ancestrais era o que me compunha.

Tive a honra de fotografar o parto e com autorização da gestante compartilho com vocês o renascimento de uma guerreira, de uma família.

Espiritualmente doular tem um impacto muito grande. De mim entrego tudo, é a fusão. É o sentimento de redescoberta, de para isso ter vindo ao mundo.

A vida meu agradecimento. As mulheres que sentiram o chamado em 2016 para que eu as doule, minha gratidão por contar comigo num evento deste porte e importância. Sem a garra, sem a vontade de vocês de parir talvez minha missão permanecesse adormecida.

Esse é meu último post de 2015. Ano espetacular onde eu me descobri muito mais forte que a maior das rochas e agradeço todos em todos os planos por estarem sempre a me guiar.

 

 

 

 

 

Vamos liberar nossas cargas emocionais negativas?

Já pararam para pensar que se deixarmos nossa casa, mesmo que fechada se não limparmos, o acúmulo de sujeira será inevitável e incontrolável?

Uma camada de pó surgirá com certeza. O odor ficará diferente, tanto nos ambientes quantos nos armários. Insetos podem surgir e tomar conta, vegetação cresce.

Toda casa precisa de limpeza diária. O mesmo se dá com nossa mente e nossos sentimentos.

Desde muito jovens recebemos uma série de comandos equivocados sobre como lidar com nossos sentimentos. Em muitos casos sequer temos orientação, não sabemos identificar sua origem e acabamos criando comportamentos compensatórios.

Por exemplo, uma criança que sofreu abusos pode compensar tendo uma alimentação desregrada, resultado em obesidade. A questão que as pessoas focam é apenas o ato de comer, não se questionam sobre o por quê do desequilíbrio, que tipo de caminhos nossa mente encontrou para lidar com a situação e a energia negativa impregnada em nós.

Um parto violento deixa marcas muito fortes nas mulheres, deixa feridas que podem levar algumas a ficarem enlutadas por anos.

E em alguns casos não precisa nem ser violento, basta não ser conforme planejado. Se a mulher idealizar um parto nos mínimos detalhes e ele fugir do script o sentimento de culpa, mágoa, rancor podem surgir com força e contaminar os pensamentos, criando uma cascata de sentimentos negativos.

Assuntos pessoais mal resolvidos pode influir no trabalho de parto e no puerpério. Por isso eu saliento que parto é aprendizado e portal de cura. É um momento que total entrega e descontrole, onde um copo d´água, vindo de quem for é recebido com extrema gratidão.

O pós parto exige cuidados e se a mulher não contar com uma rede de apoio, que a ampare inclusive mentalmente, sentimentos negativos podem se fazer presentes.

Esses sentimentos podem não ter origem diretamente no parto, mas podem estar escondidos por anos. Mágoas antigas que se projetam numa situação presente, por isso é vital que a mulher faça uma análise sincera dos seus sentimentos, de como reage a eles, sua convivência com outros. É difícil? É extremamente exigente? É controladora ao extremo?

Esse mecanismo protetivo e compensatório tem origem onde?

É esse ponto que precisa ser trabalhado. Entrar no trabalho de parto limpa, bem resolvida, com o sentimento de gratidão presente independente do desfecho.

Parto leva as mulheres a uma alteração psíquica importante. De meninas se tornam mulheres.

Agora a questão mais importante é:

Como fazer essa limpeza mental? Como manter nossos pensamentos limpos, perfumados, iluminados e arejados?

Precisamos primeiramente identificar a origem deles que muitas vezes remonta a infância. Ficar de cara com toda a poeira e resignificá-la, tirando toda a carga negativa contida em tais emoções.

Você não é seus pensamentos e sentimentos. Você não é muito nervosa, muita rancorosa, muita ansiosa. Esses sentimentos não são você, estão presentes em seu ser, o que é bem diferente!

A dor no nosso mundo é inevitável, mas sofrer é uma questão de escolha, de sabermos lidar com nossos sentimentos.

Os sentimentos negativos advindos de traumas que são registrados em nosso campo emocional, energético, meridianos, células todos ficam impregnados em nós, como uma bagagem extra.

Cabe a nós no decorrer da vida nos livrarmos dessa bagagem. Muitos passam a vida carregando um saco de batatas podres nas costas sem se darem conta.

Com a limpeza e cura diária podemos ir nos livrando de cada carga negativa, uma a uma.

Nossa essência é luz. Alegria, felicidade, paz interior habitam em nós e não podem ser removidos por nenhuma técnica. O que acontece é que os sentimentos negativos agem como uma poeira, impedindo que os sentimentos positivos se manifestem.

Temos o controle para limparmos nossa carga emocional e renovarmos nossa karma e nos libertarmos de situações negativas de repetição.

Muitas mulheres tem dentro de si impactos de sentimentos de rejeição, que apoiam a crença do não merecimento.

Você luta por um parto respeitoso mas internamente não se acha merecedora e pode criar inconscientemente situações de auto sabotagem.

Reagimos negativamente as situações e acabamos no círculo de negatividade e situações repetidas.

 Abaixo segue a técnica bem simples para a liberação de energias negativas e alcance de paz pessoa.

 1. Faça uma lista, tentando lembrar-se de todos os eventos (ou de grande parte deles) que tenham sido desagradáveis para você. Seja prolífico(a) e enumere mais de 50, pois todos nós somos vítimas de inúmeros eventos traumatizantes, sem exceção, e com certeza temos mais de 50 eventos desagradáveis.

2. Ao enumerá-los, pode ser que alguns eventos não tragam emoções muito fortes nem desconforto. No entanto, pelo mero fato de você ter se lembrado do evento, algo diz que pode haver alguma emoção escondida aí. Não os menospreze.

3. Dê um título a cada evento, como se fossem pequenos filmes em si.

4. Comece a aplicar a EFT nos eventos de maior peso. Trabalhe evento por evento, sempre avaliando e tentando chegar ao nível 0, ou pelo menos até o ponto de você não considerá-lo mais e até chegar a rir dele.

5. Trabalhe em pelo menos um evento (ou filme) por dia, mesmo que por apenas cinco minutos. Se depois da aplicação da EFT o problema ainda apresenta peso emocional, continue trabalhando-o nos dias seguintes até que ele possa se esvaecer. Seja paciente e somente passe para um novo evento quando tiver praticamente zerado o anterior.

6. Esteja atento(a) na eventualidade de aparecer algum aspecto diferente e considere-o um outro item, ou no caso, um filme, a ser tratado em separado. Da mesma forma, pode ser que surjam sub-itens a alguns dos problemas. Trate-os também de maneira individual.

7. Trabalhe no mínimo em um evento por dia, durante uns três meses. Isso levará apenas alguns minutos por dia e no espaço de três meses você poderá ter trabalhado em uma séria bastante extensiva de traumas. Note as mudanças que possam ter surgido em você, como, por exemplo, você se sentir bem mais calmo(a), seu corpo se sentir melhor, seus relacionamentos mais agradáveis e como grandes pesos parecerem não existir mais. Releia a lista e veja se aqueles eventos já se dissiparam. É sempre bom medir e notar conscientemente o progresso.

 Digamos que você tenha uns 100 itens a serem tratados. Não considere exagero, pois podemos e devemos enumerar todos os itens que nos aflijam, pequenos e grandes. Se os tratarmos na média de um por dia, em questão de três meses seremos outra pessoa.

Ainda não sabe que itens colocar na lista?

Enumere todos que vierem à cabeça. Desde o sentimento de culpa por ter comido um doce fora de hora, a vergonha que passou no dia que sujou as calças quando ainda tinha 10 anos até os traumas mais fortes.

 A fonte da técnica está aqui. Para quem deseja conhecer mais sobre a criação e aplicação da EFT (Emotional Freedom Techniques) acessem aqui.

Temos um poder incrível de cura e libertação. Parir com clareza de emoções e sentimentos proporcionará um equilíbrio pessoal, força e garra para a transição de menina para mulher.

Por um parir e um viver em paz.

Namastê ❤

Relato de parto II – Vanessa Meyrelles

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Relato de parto fresquinho, com a visão que tenho hoje do meu parto.

Que muitas mulheres se inspirem, se entreguem a ser mar revolto que é parir.

Oito meses depois decidi escrever um relato de parto com a visão que tenho hoje do que foi o meu parto. Com menos romantizações e mais objetividade.

Meu trabalho de parto começou numa quinta embora eu estivesse tendo pródromos há quase 10 dias. Estava totalmente desencanada com pós datismo, tocava a minha vida normalmente, embora fisicamente não conseguisse sair de casa há três dias.

Na madrugada que antecedeu o parto senti contrações fortíssimas, minha gata estava sempre ao meu lado. Senti um prenuncio. Não havia sentido até então nada parecido.

A dor? Uma dor de barriga bem intensa, aquela que faz a gente se curvar e perder o ar. Foi uma madrugada que eu não consegui dormir bem.

Pela manhã não sentia mais nada. Marido foi trabalhar em outra cidade sem o carro, eu tinha cabelo e unha marcados no dia e tinha certeza que iria fazer.
Minha doula veio em casa pela manhã, conversamos, inflou a piscina e foi embora. Good vibes total, eu estava ali, com o controle de tudo. Iria ajeitar a casa, almoçar e partir pro salão.

Lembro que as contrações começaram a vir mais vezes. Desritmadas, mas estavam mais intensas. A cada uma delas eu me curvava. Não contei os intervalos, apenas sentei e sentia cada uma delas. Como alguém que bebe um vinho sem pressa.

Nesse momento eu não conseguia pensar em futuro ou arquitetar coisas. Não ia ao cabeleireiro era o que eu sabia. As contrações devolveram a minha centralidade, sequer avisei as doulas sobre o que sentia.

Minha mãe veio em casa, assistiu um pedaço da novela, comemos um bolinho e ficou assustada com a intensidade das dores. Disse para eu avisar a doula e saiu para resolver um problema sério de vazamento na casa dela. Fiquei sozinha que nem bicho no meu quarto. Do jeito que eu queria.

Já não conseguia raciocinar ou ter noção do tempo. Baixei um aplicativo e por ele via que elas estavam pegando ritmo. Ficaram mais e mais intensas, as horas passaram sem que eu me desse conta. Fui engolida pelas horas. Meu marido chegou e eu estava com as contrações bem ritmadas, vomitei. Nessa hora ele viu que realmente nosso filho viria e avisou a doula. Ele chegou 19:00 e as parteiras vieram logo em seguida as 20:40.

A fotógrafa mudou os planos do cinema e veio para casa, as doulas chegaram e eu já estava em outra dimensão, conseguia ver as pessoas, mas tudo era muito sutil. Comecei a ouvir minhas músicas, a noite caia e eu tinha ciência que o trabalho de parto tinha começado.

Lembro que minha mãe batia alguns talheres, esse barulho chegava de maneira insuportável até a mim, minha audição parecia ter ficado extremamente apurada. Eu ouvia tudo, sussurros, passos. A visão não existia mais, enxergava tudo em borrões.

Contrações muito doloridas, fui para o quarto com meu marido. Vomitei bastante, ficava com um baldinho e um tudo de água sanitária…rsrs…Não conseguia comer NADA. Não conseguia beber. Só queria a escuridão.

E foi na escuridão que fiquei com o Mário. Depois de um tempo as doulas entraram com suas mãos mágicas e preciosas. Suas vibes totalmente do bem iluminavam aquele mar revolto que eu atravessava. Falavam baixinho, anjos.
Por volta das 22:00 as parteiras chegaram e eu não tinha entrado na piscina. Sentia muita dor, e lembrem-se, dor não é sofrimento. A cada contração eu agradecia por estar em casa, no meu quarto, usando meu banheiro, com meus gatos, ouvindo minhas músicas. Aguentaria tudo para não ir para um hospital, ali estava na minha toca, feliz, sabendo que a vinda do meu filho se aproximava.

Pedi toque para as parteiras. Perguntaram se eu tinha certeza e eu disse que sim. Sentia meu corpo abrir, sabia que estava muito perto e queria água, piscina para aliviar.

Oito centímetros e colo fino! Nem acreditei! Não senti dor no toque, tudo foi feito com muito respeito, sai exultante, comemorei. Até essa parte estava consciente.
A partir dai as contrações se intensificaram. Bem fortes, mas a água tirava a dor com a mão. Ouvia minhas músicas, estava na sala, tudo a luz de velas. Silêncio. Não sentia ninguém ao meu redor.

Era outro mundo. Um mundo que a dor me mostrou. Um mundo aqui e agora, sem pensamentos invasores, sem racionalização. Mergulhei num sentir sem fim.
A dor aumentou muito, muito, muito. Vi a Ana chegando de canto de olho e pensei: Estou perto, falta pouco. Em nenhum momento pensei em desistir. Em nenhum momento pedi por uma cirurgia, por anestesia. Não vocalizei, no final urrei 04 vezes, do fundo da alma.

Na minha mente não existia a opção analgesia, hospital, transferência ou sair de casa. Eu ia conseguir.

Exigi muito fisicamente das doulas. Meu marido ficou me massageando com toda a força, eu precisava de força, eram três pessoas com suas mãos mágicas me guiando.

Não li nenhum livro, eu confiei no meu corpo e vi que parir é como respirar. Não se preocupem em tentar saber como serão as contrações de verdade ou o trabalho de parto, na hora vocês vão saber. Parir está gravado em nossa alma, nossa ancestralidade é feita de parir.

A transição foi bem difícil, sem o apoio do marido, equipe e doulas eu teria pirado, porque a gente pira mesmo. Lavanda trouxe minha paz, cheirinho de café também.

Na piscina senti um puxo. Respirei e não fiz força com ele. Puxo é uma força que age sozinha e é irresistível. E posso confessar? A parte mais prazerosa pra mim no parto foi me render aos puxos!

Eu sai da piscina e senti outro puxo e me rendi. Dane-se laceração, meu filho dizia que precisava vir. Ouvi a voz dele e o ajudei.

Fiz três forças com os puxos e ele nasceu. Primeiro cabeça, depois ombros e corpo todo. Escorregou. Sentir seu corpinho saindo foi transcendental. Não pari apenas um bebê, pari sentimentos, mágoas, angústias, vitória.

Foram 05 minutos de expulsivo que finalizei na banqueta.

Fiquei loucaça no expulsivo, queria que as parteiras tirassem ele logo e acabou, mas 04 minutos depois ele estava em meu colo.

Morno, escorregadio. Lembro que falei: -Ai meu bebezinho! Levantei da banqueta e fui pro meu quarto. Queria minha cama, minha toca e meu filho. Não sei de onde tirei forças para isso.

Bebê nasceu, fim das dores. Ocitocina a milhão, felicidade absurda, sentimento indescritível de vitória. A gente esquece de todas as dores e se sente poderosa.
Eu pari, 4.230kg, 54cm, períneo íntegro. Eu pari meus medos, eu pari em casa, eu consegui. Foi uma vitória pessoal, vitória contra um sistema cruel e a morte da menina para o renascimento da mulher.

Minha vida mudou completamente, mas bem, isso é relato pra outro capítulo.
Meu conselho mulheres: Lutem pelo seu parto, se conectem com si no parto. Desencanem da louça, do cachorro. Abstraiam, mergulhem em si mesmas.

É incrível, indescritível e transformador.

Relato de Parto Vanessa Meyrelles

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Esse é meu relato de parto, escrevi apenas 02 meses depois de parida. Está mais detalhado e mais romantizado.

Nossa percepção muda absurdamente com o passar do tempo, por isso recomendo que escrevam o quanto antes puderem. Ouvi muito da equipe, do marido porque eu não me lembrava de quase nada, eram sensações apenas.

Mergulhem nesse dia comigo!

Meu relato de parto não começa com as contrações, mas sim quando descobri que estava grávida.
Decidimos depois de 11 anos juntos receber nosso filho. Vida mais tranquila, sonhos realizados, chegava a hora da doação. Tanta felicidade em nossa vida não teria sentido se não fosse compartilhada.
Durante esses 11 anos jamais me vi mãe, ninguém compreendia o motivo de eu não engravidar, mas simplesmente não era meu tempo. Por conta disso eu não sabia nada sobre gestação e muito menos sobre parir.
E de repente palavras como puerpério, períneo, contração, violência obstétrica e tantas outras feias e bonitas, com os mais diversos significados se incorporaram a nossa rotina.
Desde de que vi a faixa azul do teste de farmácia ficar mais forte e comprovei pelo beta a gestação, estava decidida a conduzir todo aquele processo da forma mais amorosa e carinhosa possível. Ficamos radiantes com a novidade!
Foi quando a ficha caiu. Descobrimos que a mulher é tratada de maneira desumana e desrespeitosa nos hospitais. Não tem autonomia sobre seu corpo. Terceiros decidem se podem mutilar seu órgão ou extrair seu bebê. Vimos que existe uma indústria do nascimento, onde o nascer fica condicionado a interesses de terceiros. E decidimos buscar uma alternativa.
Foi nesse momento que descobrimos o universo da humanização, nos informamos e optamos por receber nosso filho em casa. Eu estava disposta a enfrentar toda a dor do mundo, pelo meu filho.
Meu marido engravidou comigo. Ia a todas as consultas, sabia de tudo. Nos tornamos um só corpo, uma só alma.
A dor física era irrelevante perto da dor na alma que eu sentiria parindo num hospital de forma desrespeitosa e violenta.
Quando acertamos com a equipe de parteiras uma nuvem de paz pairou sobre nós. Neste caminho tivemos a presença FUNDAMENTAL da Evelyn Amorim que pariu em casa e com todo o carinho do mundo mostrou que nossos sonhos podem se realizar.
Nos acolheu em sua casa, me muniu de informações, vimos o vídeo do nascimento de sua filha. Tudo isso contribuiu para que nossa decisão se fortalecesse ainda mais.
Cada vez que alguém se aproximava de mim e dizia que eu ficaria “larga”, que meu filho teria anóxia, que eu era louca, eu via a família da Evelyn, sua filha saudável e linda e acreditava que sim:
Parir é possível! Parir é divino!
Mesmo com tudo isso não me sentia fortalecida suficientemente. Foi quando tive um sonho lúcido. Eu estava numa reunião com gestantes, num lugar maravilhoso em meio a natureza. No final a orientadora me chama e diz que está tudo certo no astral, que eu preciso apenas confiar em mim e no meu corpo que tudo daria certo.
Depois desse sonho nada mais me fez desistir da idéia de fazer um parto domiciliar. Fiz as pazes com a possibilidade da morte, porque sim, parto é vida e morte, vidro e corte. Decidi pautar minha decisão pelo amor e não pelo medo.
Assim mergulhei no sagrado feminino. Com os conhecimentos que adquiri me conectei com a mulher ancestral dentro de mim, a que vive escondida. A mulher ancestral é parideira, benzedeira, forte e acolhedora. E era ela que seria a protagonista do meu parto.
Durante a gestação mergulhei fundo no meu corpo. Me mantive ativa, a mente com pensamentos positivos. Foquei mais na parte espiritual. Pedia muito para a espiritualidade me conceder um parto respeitoso.
Também no tempo certo usei o Epi-no e fiz as massagens perineais.
Dia 29/01/2015 minha madrugada foi diferente. Intuitivamente eu sabia que a hora do Álvaro estava chegando.
Nesta semana arrumei a casa, fizemos umas compras, mas já notava que meu corpo pedia descanso. Não conseguia mais dirigir, até namorar estava complicado porque as contrações de treinamento estavam mais frequentes e doloridas, porém sem ritmo.
A necessidade de recolhimento estava cada vez mais forte.
Embora eu tivesse plena consciência de que a gestação pode chegar nas 42 semanas, sabia que eu receberia o Álvaro entre 39 e 40 semanas lunares. Meu ciclo era super regulado e nós sabíamos certinho o dia da concepção.
Não me apeguei a números, era apenas sinais que apoiavam o que eu já intuía.
No dia 28/01 as contrações estavam doloridas. Pedi que minha mãe ficasse comigo. Ela veio, passamos a tarde assistindo novela e comendo bolo. Fiz algumas coisas em casa, mas já me curvava quando as contrações apareciam.
Com o fim da tarde ela desapareciam e na madrugada retornavam com força total. A madrugada do dia 29 foi punk. Contrações fortes que me deixavam nauseada. Eu sou super resistente a dor. Não vomitava há anos. Para eu sentir náusea já via que de fato a contração era bem forte. Por conta da minha resistência a dor fico sem parâmetro para comparar se elas estão fortes ou não.
Neste dia 29 eu marquei cabelo e unha. Por conta disso meu marido foi trabalhar sem carro. O combinado era que ele ficaria com o carro durante a semana caso o trabalho de parto engrenasse e ele pudesse voltar a tempo do trabalho.
Mas eu não fui ai salão, claro. As contrações começaram a ritmar. Minha mãe veio em casa e disse que eu iria parir, que aquelas contrações não eram só de treinamento.
Baixei um programa um dia antes e fui checando o ritmo delas. Começaram de 12min em 12min com duração de uns 40 min.
Neste mesmo dia a Gisele uma de minhas doulas veio em casa de manhã. Conversamos, ela montou a piscina, foi embora e eu segui meu dia com limitações, mas sem sofrer em nenhum momento.
De manhã falei com a fotógrafa, ela intuía que eu ia parir logo. Eu também, mas nunca imaginei que naqueles momentos eu já estivesse a caminho do encontro com meu filho.
A tarde decidi ficar na cama. A casa estava arrumada e eu precisa relaxar. Mas tive que ficar de olho nos contrações, porque de 12min em 12min elas caíram para 10min em 10min e cada vez mais fortes.
Lembrando que dor não é sofrimento. Fiquei com meus gatos, recebendo as contrações e esperando meu marido chegar. Até ai eu estava nesse mundo, nesse planeta. A partir das 19:00 eu comecei a sair de mim.
E foi ai que elas começaram a ritmar bem. O intervalo entre elas estava de 8min e a duração maior.
Meu marido chegou e foi recebido com uma contração master. Foi ai que eu vomitei, mas mesmo nesse estágio ainda conseguia pedir um balde e ficava com ele pertinho de mim.
Vomitei seis vezes.
Neste ínterim as doulas maravilhosas chegaram em casa. A Gisele e a Evelyn foram meus anjos, nesse estágio eu já estava com os reflexos comprometidos, conseguia ouvir suas vozes, mas já tinha muita dificuldade para falar.
A piscina começou a ser enchida. E as dores aumentavam exponencialmente. Mas eu levava numa boa. Preferia todas elas a ter que sentir o cheiro de hospital. A ter de ser tocada como um saco de carne por estranhos com outras preocupações ali que não fossem eu e meu filho. Qualquer dor física supera a dor na alma.
Inclusive um trato que fizemos, eu e meu marido foi de que eu não seria transferida em hipótese alguma para receber analgesia. Ele poderia me amarrar, eu poderia implorar, mas não sairia de casa para isso. Ele concordou.

O manejo do trabalho de parto foi sensacional. A noite caia e as luzes amarelas de casa me acolhiam. Pedi para desligar tudo.
Como moro em apartamento algumas coisas começaram a me irritar muito. O barulho das louças batendo na cozinha chegavam a mim como uma bateria de escola de samba. A piscina sendo enchida, o Mário com um passa passa de balde também me irritou demais, então dei tchau galera e fui pro meu quarto.
Eu e meu marido.
Fechei a porta e ficamos lá, não sei por quanto tempo. Ai eu me recuperei. Tudo escuro, tranquilo eu consegui me conectar comigo mesma.
Foi quando as dores que para mim iam numa escala de 0 a 10 chegaram a 20. Ganhei muita massagem neste período, era seis mãos em mim, o que foi fundamental. Palavras carinhosas da Gisele, da Evelyn me fizeram seguir meu caminho.
Mas foi nas mãos do meu marido, com sua força que eu sentia toda a energia. Sentia todo seu amor, toda nossa história. Era como se nossa alma se conectasse sem palavras. Apenas com o toque das mãos.
As dores se intensificaram bastante. Foi quando as parteiras lindas e amadas chegaram. Eu já sabia que estava próximo.
Com a consciência corporal adquirida com o uso religioso do Epi No e das massagens perineais sabia que algo estava diferente. Parecia que eu estava abrindo e era ósseo, muito diferente a sensação.
Nesse momento senti uma pressão e fui ao banheiro, achei que iria evacuar, mas minha bolsa rompeu. Vi meu tampão mucoso, a Fernanda veio e confirmou o rompimento da bolsa.
Eu pedi então que ela fizesse o toque. Ela perguntou se eu queria saber a dilatação e eu disse que sim.
Foi quando ela disse que eu estava com 08cm e colo fino!
Levantei RADIANTE e fomos para a sala contar a notícia! Super comemoração! Aguentei até 08 cm firme, finalmente entraria na piscina.
A piscina já estava quase cheia mas a água tinha esfriado. Foi então que o excesso foi tirado e as meninas lindezas da minha vida repunham com água quente.
Ali senti um alívio imenso mas gostaria que a água cobrisse minha barriga. Não me esqueço da Olívia com uma jarra jogando água continuamente nela, isso me aliviou muito, porém eu não achava posição confortável nela. Ficava de lado, tinha a impressão que se eu sentasse iria esmagar a cabeça do meu filho.
E ai o trabalho prosseguiu. Sei que ganhei sorvete, chocolate, suco de maçã, salada de frutas. Não sei a ordem dos fatos mas não me faltou apoio em nenhum momento. As doulas e meu marido foram fundamentais para trilhar este caminho. Fazendo uma analogia eles seriam como calçados. Eu percorro o caminho, mas com o melhor calçado tudo fica melhor e mais prazeroso.
Em dado momento comecei a sentir as contrações muito doloridas. Já estava com a consciência alterada, recordo de ter urrado três vezes, como nunca fiz na vida e nem sei se faria.
Urrado. Não foi gritinho, foram urros guturais, do fundo da alma. Achei que eu fosse despedaçar, aquela foi minha hora da covardia, mas ali vi meu corpo se abrindo e quando a gente acha que não vai mais suportar, o nascimento acontece.
Eu sai da piscina, me contorci brutalmente com essa dor, foram três pessoas me segurando…Quando ela passou.
Não sei se antes ou depois eu senti a cabecinha do Álvaro. Senti seus cabelinhos e me emocionei demais. E ali decidi comigo mesma que nada faria eu desistir.
Eu sei que a Gisele apareceu na frente da piscina para fazermos um rebozo. A Fernanda tinha feito o toque eu eu saquei…o Álvaro está encaixado, já sabíamos, mas não deve ter girado legal. Eu já tinha relaxado por uma hora na piscina, vi pelo CD que tinha acabado. A nossa hora havia chegado.
Na piscina eu senti dois puxos, respirei e não fiz força junto. Mas não impedi. Senti eles virem e irem embora como ondas.
Até então não havia feito força nenhuma vez. Eu não queria laceração e sabia que fazer força fora dos puxos era besteira. Também não me desesperei, sabia que o Álvaro tinha seu tempo para vir e que não adiantava eu forçar.
Enfim, durante o rebozo recebi uma comunicação espiritual. Aquela era minha hora de aproveitar a onda (puxos). Ele estava perto, bastava eu agir.
A Gisele terminou e eu ajoelhei e abracei meu marido que estava no sofá. Fechei os olhos e me permiti. Quanto mais relaxada estivesse mais fácil seria o expulsivo e menos probabilidade de laceração eu teria.
Tudo isso ali na minha cabeça, podia estar mais louca que o Batman mas meus movimentos eram friamente calculados rs.
Ajoelhada (pobres joelhos) eu senti um puxo e fiz força. Foi quando eu senti ele escorregar no canal vaginal. Senti o círculo de fogo igualzinho no Epi-no! Verbalizei isso!
Enfim, ele estava ali!
Nessa hora a Fernanda me contou que eu pedi (gritei) para tirá-lo e ela disse para eu aguardar a próxima contração.
Ela veio forte. Aproveitei e fiz mais uma força, o pescoço saiu. Mas até então eu tinha voado para a cadeirinha de cócoras para verticalizar mais. E veio outra, fiz outra força e o Álvaro nasceu!
As 02:27 meu filho reencarnou. A Fernanda segurou ele e eu como um bicho doido pra pegar a cria tomei dela, abracei meu filho cheiroso, levantei sozinha e fui pro quarto.
Agora de onde eu tirei força pra tudo isso eu não sei! Foi mágico!
No expulsivo eu me vi num azul profundo, com um jato de luz azul mais claro sobre mim. Me senti no meio do Universo, foi a melhor viagem da minha vida!
Acredito que não conseguiria num ambiente hospitalar. Aqui em casa sutilezas me fortaleciam. Poder usar meu banheiro, sentir a textura conhecida da roupa de cama, os cheiros. Vozes e olhos amigos, meus quatro gatos rodeando…E o cheirinho de café sendo passado pela minha mãe. Não tomo café, mas quando senti aquele cheiro fui pra minha infância, pro mato, pra um monte de lugar.
Inesquecível.

Mulheres, confiem em sua intuição, cerquem-se de uma equipe excelente como eu fiz. Além de procurar pessoas competentes, me vinculei a eles. Porque parto é entrega. Parto traz a tona uma mulher selvagem que muita gente nem imagina existir. Essa mulher chora, grita, urra, vomita, morde. Ela é guerreira, leoa, lutadora. Faz tudo pela cria. Confiem nela.
Se libertem de travas mentais, não acolham histórias alheias da prima da vizinha. Aceitem qualquer desfecho, seja ele qual for. Sejam gratas. O Universo se encarregara do resto.
Outra coisa, na medida do possível cooperem com a equipe. Chega uma hora que é difícil falar, mas dizer onde prefere a massagem, que tipo de bebida querem, qual posição ajuda muito. Isso se chama sintonia.
Para finalizar, para cutucar o sistema que tanto nos amedronta, eu PARI, um bebezão de 4.230kg. Com períneo íntegro, sem laceração nenhuma!
Parir é divino, não permitem que ninguém roubem isso de vocês.

Seu parto começa na mente

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Ah! Já sei! Você pode pensar… Lá vem ela falando de luz, positividade e mais um monte de conceitos subjetivos que eu tento por em prática e não consigo.

E ai? Será que não tenho força de vontade suficiente?
Tenho uma equipe perfeita, amo minha doula, estarei segura na minha casa ou no hospital, o que mais eu preciso?

De força interior.

Sim, você minha cara precisa de força interior. E essa força interior não será despertada intelectualizando, mas sim quando você aprender a reconhecer os sinais que seu corpo envia, lidar com seus pensamentos automáticos e fazer as pazes com sua criança interior.

Os pensamentos automáticos costumam estar por trás de todo mal-estar, tristeza, angústia ou depressão. Esses sintomas avisam a você que sua linha de pensamento não está sadia, sinalizam que você vem enchendo seu copo interior com gotas ruins de pensamento que te desqualificam como pessoa.

Se uma criança cresce ouvindo do pai que é terrível, uma aberração, burro, incompetente, imerecedor, que nada vai dar certo, que tirar boas notas nada mais é que sua obrigação pode acabar introjetando esses pensamentos como se eles fossem verdades absolutas e se referissem ao seu ser numa totalidade.

Esses pensamentos automáticos dentro de si geram tristeza e depressão e a cada situação frustrante ou desafiadora que você se deparar eles irão emergir.
Ai entra o paralelo com o parir. Quem opta por um parir natural está indo contra tudo e todos. Temos um sistema todo voltado para cesáreas eletivas que atendam a conveniência médica e para que esse sistema perpetue ele vai infundir medo nas pessoas.

A mulher terá de saber filtrar informações desatualizadas e tendenciosas. Terá de lidar com a família que na maioria dos casos se posiciona terminantemente contra e em muitos casos terá de alinhar os seus desejos com o esposo.

E aquelas que não contam com equipe humanizada e dão de cara com o sistema obstétrico que não vai facilitar em nada seu parir?

Realmente é uma luta. Então por que existem mulheres que mesmo com o apoio familiar, com informações, equipe a disposição ainda ficam receosas?

O fato é que se conectar com esse poder interno é um processo onde a mulher tem de lidar com seus fantasmas que ela muitas vezes sequer sabe conscientemente que eles existem. Precisam refazer seu autoconceito e chegar a conclusão que os pensamentos automáticos são absolutamente errôneos!

Quando perceberem em si esses pensamentos, questionem. Quais as evidências que apoiam esta ideia? Quais evidências contra? Qual a melhor coisa que poderia acontecer? Estou sendo realista? O que eu poderei fazer em relação a isso? Esse pensamento me ajuda? Estou exagerando? Em que ocasiões ele aparece? Qual a crença que dá suporte a ele?

Um caso me chamou a atenção. Era sobre uma mulher rebelde, de personalidade forte, bem sucedida profissionalmente, porém viciada em bingo.

Seu temperamento era arredio, uma rebeldia defensiva.

Num processo de regressão ela recordou ter sido totalmente rejeitada pela mãe, que tentou abortar e não a amamentou. Ela sempre se sentia uma coisinha ruim.
Apesar de ser uma excelente profissional, a única forma de dar prazer e com isso olhar a criança carente dentro dela era se entregar ao vício, como se fosse uma compensação para as autocobranças que se impunha.

Ela introjetou a crença de que merecia apanhar, merecia sofrer, porém o contato com a criança dentro dela a fez rever certas posturas fazendo com que a partir do processo de consciência mudasse a relação que tinha com si mesma.

Seu olhar se tornou mais afetivo, com menos cobranças. Ela perdoou sua mãe.
Inverteu todo o processo retomando seu hobby que era pintar e passou a se dar amor, carinho e atenção. Tudo o que lhe faltou na infância.

Ela resgatou sua vida.

Mirem nesse exemplo, façam um mergulho dentro de si e perdoem. Resgatem sua criança interior, entregue amor, carinho e afeto e com esse portal de luz e poder aberto vocês mulheres serão leoas no parto e no resto de suas vidas.

Presente para todas parideiras!

Mantra do parto

“Eu sei parir.
Assim como pariram as mulheres que me antecederam.
Minha mãe, minha avó, minha bisavó, minha tataravó…
Até a primeira mulher.
Levo guardado em minhas células.
É o legado do meu corpo.
Ele sabe parir.
Como sabe respirar, digerir, gestar, andar, falar, pensar.
Está perfeitamente desenhado para isso:
Minha pélvis, meu útero, minha vagina, são obras da engenharia
A serviço da força da vida.
Eu sou ‘a que sabe’.
E ‘a que sabe’ sussurra para mim:
‘Cavalgue na energia das contrações, como se fosse um êxtase,
Loba, leoa, hiena, égua, raposa, gata, pantera…
Encontre a sua fêmea de poder e converta-se nela’.
E sendo ela, mamífera toda poderosa, dou a luz.”

Útero e você. Seu corpo fala!

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Nosso útero é nosso coração, morada da alma. É feminino, só nosso. O que nos une.

Achei um matéria muito interessante falando sobre nossa morada primordial, sobre como nosso inconsciente fala conosco por meio de nosso útero.

Sangramentos abundantes refletem em muitos casos um ressentimento em relação a uma figura masculina. Opressão, repressão de sua natureza, de sua criatividade.

Texto com dicas sobre alimentação, massagem em baixo ventre, informação de qualidade.Palavras para quem quer engravidar, para quem enfrenta distúrbios uterinos e no nosso sistema reprodutor.

Abram a mente para outros saberes, existe vida fora na medicina ocidental!

Boa leitura ❤

“As raízes dos problemas físicos estão relacionadas com as atitudes e no modo de levar a vida dia a dia. A forma como a pessoa se posiciona, se direciona é o que acaba determinando a saúde que ela tem. Pela metafísica, se observarmos o comportamento das pessoas podemos identificar que tipo de distúrbio físico a pessoa poderá desenvolver.

O nosso corpo se sensibiliza com os padrões de comportamento e as emoções da nossa vida.

Este distúrbio – mioma/fibroma – acontece para as mulheres que se deixam moldar pelo externo, acabam não preservando a sua natureza íntima. Metafisicamente, o útero é afetado quando a mulher se distancia de suas próprias características e de sua própria postura na vida para satisfazer o outro ou por conveniência ou porque acaba sendo mais cômodo. Essas mulheres, em algum momento de suas vidas, acabarão sofrendo críticas por alguma atitude tomada e por terem tido os piores resultados ao agir com os seus próprios princípios.

No mioma é quando a mulher culpa-se pelos transtornos vivenciados na ação do seu próprio modo de ser, numa determinada situação. No fibroma, a mulher torna-se muito mais dura consigo mesmo, cobra de si uma conduta exemplar e não tolera fracassos.

É importante refletir acerca de sua condição de vida, não nas condições materiais, mas na sua própria individualidade e em suas características próprias, visto que este comportamento traz a saúde uterina e também a realização pessoal.

Quem abandona, deixando de criar, de se movimentar na vida com suas ideias acaba desenvolvendo estes distúrbios citados acima. Os relacionamentos turbulentos e os papéis assumidos durante a vida fazem com que a mulher perca a percepção de si mesma. Para que as mudanças ocorram é necessário resgatar a originalidade.

Órgão da gestação e do parto. Esse é um ambiente biológico em que todos nós habitamos no princípio da vida. Ele representa uma espécie de “berço da vida humana”. O período de gestação representa uma pequena parte da vida da mulher; na maior parte o útero permanece ocioso, apenas sendo ativado no período fértil e escamado nas menstruações.

O útero consistem no jeito de ser das mulheres, na maneira de elas se comportarem e de conduzirem os acontecimentos. Preservar o próprio estilo e ser fiel a sua natureza são atitudes saudáveis para o útero.

A trajetória de vida segue cursos variados, mas em todos os caminhos deve-se manter peculiaridades. Nortear-se pelo meio ou basear-se nos outros são condutas coerentes; porém anular-se, imitar, ou agir do mesmo jeito das pessoas ao redor representam uma repressão do seu estilo. Por melhor que sejam os resultados obtidos com essa inversão de valores e desconsideração de si mesma, os sentimentos não são agradáveis, a frustração e a infelicidade sobrepõem aos bons resultados materiais. Para as mulheres, em especial, os sentimentos são primordiais; portanto a falta dos próprios componentes internos na execução das tarefas gera um vazio interior que pode somatizar no útero, provocando os nódulos uterinos (miomas e fibromas uterinos).

Para manter a saúde desse órgão faz-se necessário voltar a ser aquela mulher que era antes: independente, autêntica, que associava austeridade com amabilidade. E não a mulher que aprendeu a socializar-se, anulando-se a si mesma. Confie em si própria, desenvolva a autoadmiração, prestigie a sua maneira de agir e considere os resultados obtidos pelo grau de satisfação, não necessariamente pela impressão causada aos outros. A melhor maneira de ser feliz é com autenticidade e não com as conquistas exteriores.

Simboliza a criatividade e o relacionamento conjugal. Quando uma mulher é dependente de alguém que a tolhe em sua criatividade e é obrigada a deixar de fazer o que gosta, e do jeito que gosta, seu útero reage com dores, atraso menstrual, etc.

Se ela vive alimentando sentimentos de mágoa contra o marido e vive ”engolindo” os ”nós” da garganta para manter seu relacionamento, adquirirá nódulos e cistos nos ovários e no útero. Quando o casal vive em desarmonia e a mulher se anula para ”alcançar” o marido, podem aparecer, além de nódulos, dores, cistos e infecções difíceis de curar.

A mulher pode transformar o sentimento de raiva pelo parceiro, ou a sensação de ser usada por ele, em vaginite e até em doenças venéreas, dependendo do seu grau de ressentimento ou da falta de amor próprio. Mágoas arrastadas por muito tempo, pelo fato de ela ter sido traída ou abandonada, provocam câncer uterino como autopunição ou vingança contra o marido. O câncer uterino também pode se formar a partir de um sentimento de impotência e anulação que a mulher carregou durante anos de sua vida.

O atraso menstrual, por sua vez, significa que a mulher está negando, de alguma forma, sua própria feminilidade. Por exemplo, com medo de se entregar ao amor, arruma desculpas: excesso de trabalho, preconceitos e até doenças.

Isso faz com que seu fluxo menstrual seja bloqueado, simbolizando o ”não permitir-se ser mulher”.

Lembre-se que a natureza criou o homem e a mulher para viverem em perfeita harmonia e não para competirem entre si. A recusa exagerada da união não passa de orgulho e jogo de disputa inconsciente. Analise os seus sentimentos e verdadeiros desejos, sem recusar o que quer. Use a sua criatividade para melhorar a sua casa, o seu trabalho, as suas finanças e tudo o que sentir necessidade de mudar.

Quanto mais você criar, mais o seu útero corresponderá positivamente, pois ele é o símbolo da criação e não deve ser limitado. Além de você procurar ser natural nos seus sentimentos, procure também desobstruir a passagem da sua criatividade. Faça cursos, trabalhos artísticos, arrume a casa como você gosta sem esperar elogios, compre objetos para enfeitar o seu ambiente, e acima de tudo, busque uma maneira diferente de se harmonizar com o seu parceiro.

Se você acha que ainda o ama e quer viver ao lado dele, então perdoe-o e pare de se fazer de vítima. Para que nutrir sentimentos de raiva e mágoa pela pessoa com quem você quer continuar a ser casada ou ser namorada? Mas, se você não o ama mais, por que está com ele?

Para se vingar? Ou porque não tem coragem de recomeçar a vida em outro lugar? Filhos nunca prendem ninguém e dívidas muito menos, pois em qualquer setor da vida existem acordos.

Se você quer apenas vingança, então vai sofrer a auto-escravização e criará uma doença para imobilizar a pessoa ”alvo”, o que quer dizer que você, inconscientemente, manterá junto de si a pessoa de quem você quer se vingar ou de quem quer amor. Saiba que, pela medicina chinesa, quando alguém provoca cancro em qualquer parte do corpo isto significa vingança, raiva e o desejo de criar uma situação complicada dentro do lar, onde aquele que a fez sofrer estará sentindo-se preso e obrigado a dedicar uma atenção que antes negava.

Crescer é o melhor remédio.

”Se ligue em você”. Aprenda a conhecer a sua verdadeira identidade para suprir as suas próprias necessidades e para definitivamente parar com essa postura de vítima e jeito de ”fera ferida”. É desnecessário que você implore amor ou que queira que tudo seja diferente, apenas aprenda a se conhecer melhor e a descobrir que quando passar a se respeitar e a se amar, a carência desaparecerá completamente e o seu medo de ser traída, também.

O nosso inconsciente é objetivo e manifesta doenças de acordo com nossos pensamentos e conduta. A sua linguagem deve ser respeitada, pois ele constantemente nos aponta onde estamos errando na construção do nosso destino.

O perdão é a solução. Mas se você acha que não tem mais mágoas, então por que continua doente? Saiba compreender que lá no fundo do seu coração você ainda não se conformou, ou não entendeu, que deve ”soltar” a vida nas mãos de Deus. Busque, através de orações, o perdão profundo e, se necessário, procure um neurolinguista que saberá trabalhar seu subconsciente de maneira precisa e rápida.

Interessante a análise, gostaria de saber o ponto de vista com relação as mulheres que são solteiras, que desenvolvem os mesmos problemas das que tem maridos e precisam muitas vezes se sujeitar a histerectomia?

Eu já li que mágoas em relação ao pai, ou a outra figura masculina que exerce alguma autoridade sobre a mulher, seja consciente ou não, também pode gerar tais problemas uterinos. Por exemplo, padastro, avô, irmão mais velho. Interessante que na família já vi um exemplo assim com uma parente solteira.

Fonte: http://manualdeautocura.weebly.com/utero—polipos.html

Vamos falar sobre ansiedade?

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As mãos trêmulas, taquicardia, aperto no peito, noites mal dormidas. Pensamento longe do presente, focado no “e se” e na falsa sensação de controle são sinais claros de ansiedade. E durante a gestação esse sentimento fica bastante intenso.

São muitas dúvidas. Vou dar conta? Vou conseguir amamentar? Qual o sexo? Vou ter condições para custear meu parto? E se a saúde não for perfeita? E se eu não conseguir retornar ao trabalho? E se eu for vítima de violência obstétrica? E se eu não suportar a dor?

Viram? Esses são apenas alguns dos “e se”? Esses questionamentos da forma que se apresentam levam a um vórtice de ansiedade paralisante.

Mas afinal o que é ansiedade?

Ansiedade em sua essência é preservação da vida, é parte de nossa natureza. E não é possível deixarmos de ser ansiosos pois esse mecanismo faz parte do nosso instinto de sobrevivência, o que podemos fazer é não permitir que esse sentimento tenha uma carga negativa em nossa vida.

Ansiedade é não estar centrado no aqui-e-agora.  A meta é aprender a desenvolver uma centralidade para o presente curando a ansiedade negativa e os sintomas psicossomáticos causados por ela.

Precisamos entender que tudo o que pensamos passa para nosso corpo. Tudo o que você dá importância é sentido por ele. O cérebro não sabe o que é fantasia, realidade, passado, presente ou futuro.

Se você mentaliza algo negativo ele acredita que é real e vai responder de maneira adequada a uma ameaça.

Não acredita? Faça um teste simples.

Se imagine dentro de um prédio em chamas. Fumaça por todo lado, calor, ambiente escuro abafado. Você tenta sair, as paredes estão quentes, bolhas saem pelo seu corpo. Você não encontra saída.

Essa visualização já criou uma emoção em você e o envolvimento já se deu de tal maneira que você não consegue pensar em como seu corpo reagiu a ela.

Provavelmente seu corpo já ficou tenso, boca seca, rosto contraído, coração num ritmo diferente. O mal-estar se instala.

Por outro lado pense numa linda praia, águas mornas e transparentes. Você com seu amor caminhando na beira do mar, curtindo um pôr-do-sol lindíssimo. Seu corpo sente-se bem, os ombros de soltam e com certeza um sorriso aparece em seu rosto.

Viu como nosso corpo físico reflete nossas emoções?

Devemos nos lembrar sempre que situações perfeitas e idealizadas existem apenas em nossa mente. Não podemos controlar todas as situações, podemos sim buscar condições favoráveis, mas o alinhamento de idealizações versus realidade nos trará apenas mais ansiedade e frustração.

Nos cobramos absurdamente, cobranças que obviamente não poderemos atender, portanto uma das chaves para um viver mais equilibrado é saber diferenciar a ansiedade negativa da ansiedade positiva.

Essa diferenciação é o ponto de partida para uma gestação onde nossos sentimentos estejam em equilíbrio. Aprender a controlar a ansiedade é aprender a controlar nossos sentimentos.

Mas afinal, como surge a ansiedade positiva?

Ela surge quando planejamos coisas. Lembrando que ansiedade é estar fora do aqui e agora, logo quando você planeja algo está sob um processo de ansiedade positiva.

Como a ansiedade positiva pode se manifestar quando planejamos nosso parto?

De forma simples. Você está grávida e deseja parir da forma mais natural possível. O que vai fazer? Provavelmente vai seguir um roteiro, como: Procurar uma médica humanizada, optar por parto domiciliar ou hospitalar, encontrar uma doula para chamar de sua, se informar sobre seus direitos como gestante, frequentar grupos de apoio, preparar a casa para a chegada do bebê. Tudo isso faz parte de um acontecimento futuro, mas que é gostoso, necessário e que guiado de maneira sadia com certeza a deixará feliz.

Agora suponhamos que você comece a divagar:

Como será meu parto? Vou suportar a dor? Se for em casa, meu vizinho vai se incomodar? Eu vou ficar constrangida de vocalizar? E se alguém bater na minha porta? E se no hospital a equipe não chegar a tempo? E se tiver trânsito? E se eu não conseguir chegar a tempo? E se eu vomitar no carro? E se no caminho furar o pneu? E se minha mãe não vier para me ajudar a cuidar do meu cachorrinho? E se minha doula não atender ao telefone quando eu precisar? E seu meu filho não conseguir mamar? E seu eu não gostar do quarto? E se… E se…?

Como vocês se sentem? Estômago revirado? Pontadas? Tontura? E se esse ritmo frenético de divagações negativas continuarem? Você vai desistir?

As pessoas enfrentam imprevistos em suas vidas, mas será que focar toda sua energia de maneira negativa neles é uma forma de prevenção?

Sim, precisamos ser responsáveis, ter plano A, B e C porém o parto exige entrega. É um momento forte, mas precisamos encarar todo o processo desde a gestação de maneira suave também. Dar vazão a ideias catastróficas pode servir como um banho de água fria em nosso planejamento.

Aprender a controlar a ansiedade é aprender a controlar nossos pensamentos. E para fazermos isso precisamos estar conectados com nosso corpo, com nossa essência para percebemos como nos sentimentos em relação a determinados pensamentos, temos que estar sempre atentos a nossa postura mental.

Quando nosso corpo somatiza um sentimento ele faz com que voltemos nossa atenção para aquele ponto. É como se sua máquina de lavar apresentasse um ruído. A atenção volta tanto para o barulho que acabamos por chamar um técnico para realizar uma visita.

Com nosso corpo ocorre o mesmo. A natureza é sábia e visa sempre nosso bem estar. Quando nosso corpo sinaliza com sintomas de desconforto ou dor ele pede atenção. Chegou a hora de checarmos nossos pensamentos, a que estamos dando importância, o que estamos trazendo para dentro de nós por meio de cobranças, críticas.

Importância é trazer para dentro de si algo de lá de fora.

O processo de autoconhecimento é vital para o controle da ansiedade dentro de nossa história de vida. Criando centralidade, controlando pensamentos negativos, refletindo sobre nossas posturas viciadas teremos um caminho e uma realidade livre de medos, somatizações e sentimentos negativos que atuam apenas como forma de bloqueio para nosso caminho rumo a evolução.

O parir começa na mente. Corpo são, mente sã.

Parir é mar, amplitude e solidão.

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Quem nutre o desejo de parir no Brasil fique sabendo, sua jornada será solitária.

Ontem na praia, um dia chuvoso estacionamos o carro só pra contemplar o mar. Apesar da chuvinha as águas nos atraiam. A praia vazia, a paz, águas mornas…

Não entramos. Saímos do carro, fomos até a beira do mar, molhamos os pés e voltamos. Do carro vi três surfistas, enfrentando as ondas, ora por cima delas, outras sendo arrastados.

De fato, para estarem naquele momento ali, na água, entre as ondas tinha muito amor envolvido, muita força de vontade que nada se relacionava com o mundo externo. Podiam estar no bar, em casa debaixo das cobertas. Fazendo qualquer outra coisa que não envolvesse água, chuva, vento e solidão.

Mas é ali em meio a intempéries, na solidão das águas que eles se encontravam.

Assim são vocês gestantes que querem parir naturalmente. Parir é cura, parir é dor, prazer, superação. Mas é um mar que vocês terão de enfrentar.

Não adianta contar com a aprovação da mãe, da prima, da colega da vizinha. Cerca de 98% das pessoas vão te chamar de louca “imagine um mundo moderno desse e você ai querendo sentir dor”. Como se parir fosse apenas dor.

É isso. Poucas mulheres atravessam um trabalho de parto. Poucas entendem como a recepção respeitosa a um bebê faz diferença. Não entendem a agressividade do colírio, das aspirações, da separação por horas. Quem entende como o mar pode curar quem o ama?

Não seria “louco” aquele surfista sozinho enfrentando as ondas?

No processo de busca de informações vocês encontrarão grupos de apoio, mulheres que desejam parir, formarão laços. Mas a força para seguir em frente convicta vem dentro de vocês.

Algumas mulheres podem desistir, mudar seus rumos. E você? Seguirá firme? Como está seu jardim interior, seu ponto de apoio interno?

Quando estava grávida pude ir a três reuniões de grupos de apoio. Optei por não ler nada, sequer Parto Ativo porque entendia o parto como evento fisiológico e sendo assim ele funcionaria. Ele sabe parir. Ele sabe encontrar melhores posições e eu confiava que sim, meu filho ia nascer.

Eu só precisava de paz, respeito, amor e privacidade para que ele desse o seu melhor, sem travas, medos ou bloqueios e para mim isso aconteceu num parto domiciliar. Era meu ambiente, minha toca, onde eu me sentia segura e poderosa.

Para você pode ser o ambiente hospitalar e tudo bem também, não existe um local ideal para parir, existe o local que você se sinta segura e tenha uma assistência de qualidade.

E toda essa força minha veio da solidão, das ventanias e do escuro da noite. Dentro do meu peito ela brotou e se sustentou.

Eu jamais escondi que teria um parto domiciliar e ouvi as coisas mais desanimadoras possíveis e não me deixei abater. Assumi a questão sobre desfechos ruins, coloquei isso numa gaveta. Em outra gaveta coloquei a resolução da parte técnica, encontrei uma equipe iluminada e com energia afim e o restante de toda a energia que eu dispunha usei para confiar e me certificar no poder que eu tinha para parir. E segui firme, debaixo de chuva, enfrentando ondas altas, feliz, por estar convicta de finalmente estar escrevendo a minha história.

E valeu a pena? Valeu. Cada segundo.

Não passei a gestação apenas racionalizando, vendo estatísticas. Eu me entreguei. Dancei muito em casa, sozinha. Nua. Queria sentir meu corpo livre.

Em noites de lua cheia eu ia caminhar em parques. Sentia a luz da lua iluminando cada chackra meu. As árvores falavam comigo e passavam toda sua energia pura para mim. A terra, a grama, os elementos me energizavam.

Cada uma terá sua caminhada e seus passos. Eu engravidei e depois que a parte estava resolvida eu fiz hora e fui na valsa.

Parir naturalmente não deve ser apenas luta, deve ter sentimento, leveza, entrega. Amor, descoberta, superação.

Minha gestação foi de cura. Descobri um mundo horrível onde as mulheres sofrem violências, mas veio a mim um outro mundo. Onde mulheres leoas dão a luz em meio a amor e respeito.

Me curei de dramas familiares, dancei, me perdi nas horas. Assim como aqueles surfistas enfrentando as ondas na solidão do mar. É o que eles precisavam.

Na amplitude do oceano eles encontram a cura.

Parto normal está bom!

Com seu neto, nascido de maneira respeitosa 31 anos depois de seu primeiro parto.
Com seu neto, nascido de maneira respeitosa 31 anos depois de seu primeiro parto.

“Não quero um parto humanizado, não precisa de tanto. Um parto normal está bom.”

Ouvi essa frase muitas vezes. Gostaria de pertencer aqueles corpos, mente e coração para sentir esse desejo. Para decifrar o que as pessoas lêem como parto humanizado.

Imagino que as pessoas entendem o parto humanizado como aquele parto que a mulher não pede analgesia. Que ela tem o bebê em casa, apenas com doula.

Parto humanizado é aquele que a mulher é respeitada e protagoniza esse momento. Ponto. Não existe escala. Não existe pódio.

Mas esses detalhes deixarei para outro post, hoje falarei sobre parto normal, só que um parto normal há 32 anos, no hospital.

Nadja Prado abriu seu coração, expos suas feridas nesta entrevista onde relata como seus filhos vieram a vida.

Ela teve dois partos normais violentos, com plantonistas. O que ela relatou ainda acontece quando mulheres desejam parir, com um agravante: Finalizam com cesáreas desnecessárias.

Leiam e reflitam. Parto normal no Brasil é normal mesmo? É respeito? É normal como a palavra sugere?

Entrevista emocionante. Relatos de uma vida, de décadas atrás, que ainda vive intensamente nos hospitais do Brasil.

Semearmos: Qual sua referência de parto em sua vida? Como surgiu seu desejo de engravidar?

Nadja: Esse surgiu depois que casei e foi compartilhado com meu marido. Um mês depois de casada engravidei.

Semearmos: Qual era a troca de experiências sobre o parto?

Nadja: Nenhuma. As mulheres não falavam sobre parto. Quando engravidei não havia essa conversa. As conversas que haviam era sobre o sexo de bebê, médico do pré natal, roupinha de bebê, berço, quarto decorado. Ninguém discutia via de parto. Era um ritual, quando as mulheres sentiam dores iam para o hospital. Falava-se muito na dor, mas ninguém explicava como poderia ser amenizada. Não havia informação, íamos para o hospital e ponto.

Semearmos: Como foi a sua experiência de parto normal hospitalar? Teve preparo, auxílio da família?

Nadja: Não tive auxílio do médico, ele não passava nenhuma informação sobre sinais do trabalho de parto. Eu simplesmente comecei a sentir dores e fui desesperada para o hospital achando que iria dar a luz em poucas horas.

Semearmos: Como foi sua recepção por parte da equipe hospitalar?

Nadja: Foi horrível. Me colocaram num quarto sozinha e ali eu comecei a ter as contrações. A dor foi aumentando, eu gritava e ninguém me acudia. Eu senti muita fome. Internei cedo e minha filha nasceu a tarde. Eu tinha sede. Delirava pensando em comida e bebida.

Me informaram que eu não podia beber e nem comer. A cada hora um médico vinha fazer o exame de toque.

Semearmos: Eles pediam licença? Informação a você sobre o procedimento?

Nadja: Eles não diziam nada. Eu estava morrendo de dor, o médico chegava na sala com enfermeiras, fazia o exame de toque e dizia:

-Não está na hora. E saia. Eu ficava sozinha, até o momento que me levaram para uma sala de cirurgia e as coisas pioraram ainda mais.

Semearmos: Pioraram por quê?

Nadja: Houve segundo eles uma demora na hora do nascimento. Pediram para eu fazer força, eu fazia, mas não tinha dimensão desta força. Estava anestesiada. Diziam durante a aplicação da anestesia que se eu me mexesse ficaria paralítica. Uma coisa horrível, tudo traumático. Num determinado momento uma enfermeira colocou todo o peso dela sobre a minha barriga. E ela dizia que fazia isso para me ajudar. Foi horrível.

Semearmos: O que você sentiu? Acha que isso era certo? Achava que poderia ter recebido um tratamento diferente? Sofreu episiotomia?

Nadja: No primeiro parto não tive episiotomia, mas no segundo sim. Um corte imenso, minha vizinha que viu a extensão. Mal conseguia sentar de tanta dor. Minha filha nasceu com o braço quebrado, sai com ela com o braço enfaixado.

Não tinha o que questionar. Nós fomos ensinadas a obedecer, os médicos sabem de tudo. Se o médico colocasse o pé na barriga não questionávamos. Estávamos imersas numa ignorância total.

Semearmos: E a questão da amamentação? Como fluiu a amamentação no hospital? Você teve contato pele a pele?

Nadja: No caso da minha filha foi uma demora muito grande e me deixou preocupada. Depois de horas fui amamenta-la. Não sei como ela foi alimentada, a vi no dia seguinte. Mulheres se informem. Hoje vocês tem informação. Minha filha pariu naturalmente, com respeito. Eu estava presente. Vi meu neto nascer rodeado de amor. Ela reescreveu a minha história.

Quantas Nadja recebem seus filhos por um parto normal violento, muitas vezes sem se darem conta?

Parto humanizado não é apenas um parto vaginal, é regaste da essência feminina, superação, amor. É protagonismo, respeito a mulher.